Prefeito de Cuiabá quer inserir ônibus elétricos em nova licitação dos transportes

Trólebus em São Paulo. Linha Gentil de Moura – Pça. da República

Contrato vigente encerra em maio de 2019. Licitação deve ser lançada até outubro deste ano

ALEXANDRE PELEGI

Emanuel Pinheiro, prefeito de Cuiabá, capital do Mato Grosso, quer lançar na primeira quinzena de outubro deste ano uma nova licitação para o transporte público coletivo municipal.

Junto com a licitação, Emanuel Pinheiro revela sua intenção de inserir no certame os tradicionais ônibus elétricos, ou trólebus, lá conhecidos como “busões de suspensórios”.

O prefeito confirmou a realização da licitação e a implantação dos ônibus elétricos na capital do MT segundo publicação do Portal 24horas News. O objetivo de introduzir os elétricos na frota do município seria para diminuir a poluição na principal cidade do Estado.

Emanuel Pinheiro afirmou na quinta-feira, diz 30 de agosto: “Quero lançar o novo edital de licitação para o transporte coletivo em outubro deste ano. O contrato atual vence em maio do ano que vem, próximo dos 300 anos. Para dar tempo hábil para todo o processo burocrático, decidi soltar, no fim de setembro ou primeira quinzena de outubro”.

Os tradicionais trólebus são alimentados por uma catenária de dois cabos superiores, por onde recebe a energia elétrica mediante duas hastes. Emanuel Pinheiro disse que tem conversado sobre essa possibilidade com sua equipe e com empresários do setor, com o objetivo de chegar a uma solução de transporte que produza menos poluição. Além do elétrico, o prefeito informou que há também a possibilidade de adoção do modelo hibrido.

“Quero tentar contribuir com sustentabilidade e energia limpa. Com os novos modelos de ônibus elétricos ou híbridos. São veículos muito mais caros, mas quero fazer isso de modo que não impacte na tarifa. Meu desejo é avançar na humanização do transporte coletivo. Queremos uma mudança no sistema, melhorando atendimento e qualidade para os usuários”.

IDEIA DE INTRODUZIR ÔNIBUS ELÉTRICO VEM DESDE 1983

Após participar do 21º Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, promovido pela Associação Nacional de Transporte Público (ANTP) em São Paulo em julho de 2017, o prefeito de Cuiabá já revelou sua intenção de introduzir ônibus elétricos na frota de transporte coletivo da capital matogrossense.

À época, o VLT local já dava sinais de que dificilmente seria implantado, indefinição que persiste até hoje. (Relembre)

Mesmo levando em conta a possibilidade do VLT circular um dia na cidade, Emanuel Pinheiro garantiu na entrevista dada em 2017 ao Portal Olhar Direto que os elétricos não seriam concorrentes ao modal:

“Desejamos o que é melhor para Cuiabá. Sim, o VLT é bom. Mas o ônibus elétrico é importante por ser movido por energia limpa e em torno de 30% mais barato que o óleo diesel”, observou o prefeito.

Emanuel Pinheiro retoma, na verdade, um projeto acalentado em 1983 pelo então governador Júlio Campos, que chegou a contratar uma consultoria de São Paulo para trazer o trólebus para Cuiabá e Várzea Grande.

Mato Grosso, na época, não dispunha de matriz energética capaz de sustentar os quase 200 ônibus necessários para alimentar a frota. Hoje o estado possui a Usina Hidrelétrica de Manso e a Usina Térmica Mário Covas.

TRÓLEBUS NO BRASIL

No Brasil, o sistema trólebus já foi implantado em 13 cidades, restando vivo apenas em São Paulo, São Bernardo do Campo e Santos:

CIDADE

ANO

São Paulo/SP

1949

Belo Horizonte/MG

1953

Niterói/RJ

1953

Campos/RJ

1953

Salvador/BA

1958

Araraquara/SP

1959

Recife/PE

1960

Rio de Janeiro/RJ

1962

Santos/SP

1963

Porto Alegre/RS

1963

Fortaleza/CE

1967

Ribeirão Preto/SP

1982

Rio Claro/SP

1986

trolebus_santos

O sistema de Santos, no Litoral Paulista, é um dos poucos onde os trólebus ainda resistem no Brasil. O veículo da foto: é um Trólebus Mafersa, com a pintura dos primeiros veículos do sistema de Santos, na garagem da Metra, em São Bernardo

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em Prefeito de Cuiabá quer inserir ônibus elétricos em nova licitação dos transportes

  1. Alexandre,
    Não acredito muito nesses anúncios pré-eleitorais. Mas, de qualquer forma, acho que há um equívoco na informação do 24 Horas News. O contrato deve ser de 30, não de 300 anos!

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