Uber tenta combinar redução de perdas com crescimento rápido e expansão de serviços

À esquerda, Dara Khosrowshahi (Uber). Aposta da empresa multinacional vai muito além de oferecer corridas de carro por celular

Foram quase 900 milhões de dólares de prejuízo no segundo trimestre, inferior ao mesmo período do ano passado. Sob nova direção, plataforma continua mirando expansão, e almeja abrir capital em 2019

ALEXANDRE PELEGI

A Uber apresentou prejuízos de 891 milhões de dólares (cerca de 3,5 bilhão de reais) no segundo trimestre do ano. O valor foi mais baixo do que o registado no mesmo período do ano passado (1,1 mil milhões de dólares).

O prejuízo, no entanto, foi mais alto que os 550 milhões de dólares do primeiro trimestre deste ano, quando se desconsidera os ganhos de US$ 3 bilhões com a venda das operações da empresa no Sudeste Asiático e na Rússia.

Investindo em novos negócios, a Uber está aumentando seus gastos em serviços como a entrega de comida e a locação de scooters.

Para Dara Khosrowshahi, presidente-executivo da plataforma, a empresa teve outro grande trimestre, “continuando a crescer a um ritmo impressionante para um negócio de nossa escala”.

O CEO da gigante multinacional enumerou as apostas da empresa: “estamos a investir no futuro da nossa plataforma: apostas como Uber Eats, meios de transporte mais ecológicos, como Express Pool, e-bikes e scooters; mercados com alto potencial, como o Médio Oriente e a Índia, onde estamos a consolidar a nossa posição de liderança”.

Enquanto a empresa busca crescimento em serviços e em mais cidades do mundo, crescem também os desafios regulatórios, competitivos e operacionais, que podem colocar em xeque a estratégia da plataforma.

É o caso recente (e emblemático) ocorrido na última semana, quando o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, assinou um pacote de leis que congelam a concessão de novas licenças para carros de transporte pago de passageiros na cidade (relembre). A nova legislação determina ainda um pagamento mínimo para os motoristas naquele que é o maior mercado da empresa nos Estados Unidos.

Outra cidade americana que quer seguir na trilha de Nova York é Seattle, que também considera criar um patamar mínimo de renda para os motoristas de aplicativos.

Outros problemas afetaram a imagem e o ganho da Uber, como o atropelamento fatal por um dos carros robotizados da companhia em março deste ano (relembre). A divisão de carros autônomos sofreu um duro baque, levando a Uber a fechar centenas de empregos para motoristas de teste após encerrar suas operações no Arizona.

Afora isso, o mercado começa a ser disputado por outros concorrentes, que ameaçam a posição de mercado da Uber. A concorrência cresce nos Estados Unidos, país de origem da companhia, aonde a Lyft vem ganhando mercado. A plataforma rival arrecadou US$ 600 milhões em capital, dobrando a avaliação de seu valor de mercado para US$ 15,1 bilhões.

A disputa entre as companhias envolve não somente a oferta de viagens por automóvel, como também uma diversificação nos serviços, o que tem levado as rivais a investir bilhões de dólares em pesquisas e testes de veículos autônomos, na aquisição de tecnologias e de concorrentes de serviços de bicicletas e scooters para locação em percursos curtos de grandes cidades, por exemplo.

Mas a maior fatia do bolo da lucratividade da Uber decorre das comissões que a empresa abocanha do valor de cada corrida. Gastando menos dinheiro com descontos aos passageiros e incentivos aos motoristas, a empresa conseguiu aumentar sua receita líquida para 23% do valor total de cada corrida (bookings), ante 20% em 2017.

A multinacional pretende agora abrir capital no segundo trimestre de 2019. Com valor de mercado em estimados 70 bilhões de dólares, a operação, caso aconteça, deverá ser uma das maiores do mercado americano e mundial dos últimos anos.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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