C-MOVE, Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos, discutirá papel do Governo no incentivo da eletromobilidade

Foto: ilustração (rede de trólebus da cidade de São Paulo)

Resolução da ANEEL que estabeleceu mais liberdade para a recarga de veículos, e programa Rota 2030, serão alguns dos temas do evento

ALEXANDRE PELEGI

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou em junho de 2018 a regulamentação sobre a recarga de veículos elétricos. O serviço pode ser feito por distribuidoras, postos de combustíveis, shopping centers e empreendedores. (Relembre)

Em nota na ocasião a Aneel informou que optou “por uma regulamentação mínima do tema, que evita a interferência da atividade nos processos tarifários dos consumidores de energia elétrica, quando o serviço for prestado por distribuidora”.

A partir da nova norma, a Agência definiu que a recarga é um serviço prestado ao consumidor e não uma comercialização de energia elétrica.

Nelson Fonseca, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (ABDEE), explica que a distribuição da energia elétrica que chega até o ponto de recarga continua sendo realizada exclusivamente pela distribuidora local. Ou seja, o carregador dos veículos será considerado um serviço e as distribuidoras de energia continuarão mantendo sua receita por meio do uso do fio, que contará com um medidor no posto de carga, auxiliando na contagem da energia que passa por ele.

Já a oferta da energia, por não se tratar de um serviço regulado, ficará a cargo do consumidor buscar o melhor preço. O presidente da ABDEE acredita que desta forma surgem novas possibilidades de negócios dentro do setor. “Como o serviço será prestado ao consumidor, qualquer pessoa que se interessar pode oferecê-lo”, diz Fonseca.

Nelson Fonseca pondera que o impacto direto dessa mudança na vida do consumidor vai depender da evolução do mercado. “Havendo um aumento da demanda é de esperar que a concorrência leve a preços mais módicos”, afirma. A resolução, exatamente pela inovação, deverá ser revista em três anos, para se adequar ainda mais à realidade do momento.

A resolução da Aneel, em resumo, pode significar um incentivo à mobilidade elétrica no país, aquecendo a economia. O raciocínio da ABDEE é de que diante de novas possibilidades de venda de energia poderão surgir novas empresas interessadas nesse mercado. Um exemplo disso são as startups, que buscam oferecer serviços e já se mostraram muito promissoras no Brasil. No fim das contas, pode significar mais opções ao consumidor, que poderá contar com mais escolhas na hora de comprar um veículo híbrido ou elétrico.

Além da resolução da Aneel, outras regulações e incentivos começam a acontecendo no Brasil. Para discutir esse assunto acontecerá nos dias 17 e 18 de setembro, em São Paulo, o Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos (C-MOVE).

Além de discutir a já aprovada resolução da ANEEL 819/2018, outros temas recentes estarão na pauta de debates, como o programa Rota 2030 (programa de incentivos à indústria automotiva), o PL 300 da cidade de São Paulo (que altera a lei de mudanças climáticas) e outros marcos regulatórios. São ações que servirão de base para se discutir o papel do Governo no incentivo da mobilidade elétrica.

Friedel Nimax, bussines manager do Veículo Elétrico Latino-Americano e do C-Move, explica o papel do evento: “Vamos reunir importantes especialistas de mobilidade elétrica e urbana, além da indústria automotiva, para debater novas perspectivas do mercado de veículos híbridos e elétricos. Sabemos que esse novo modelo de mobilidade ganhará força e queremos auxiliar no processo de preparação do Brasil para alcançar o patamar de nações internacionais. Os veículos elétricos já são realidade”.

SAIBA MAIS

Rota 2030 – Promulgado por meio de Medida Provisória no dia 5 de julho de 2018, o programa prevê estimular o aumento da frota de veículos menos poluentes. Para isso, propõe reduzir as alíquotas de IPI de elétricos e híbridos. Atualmente estes veículos sofrem taxação de até 25%. A redução de IPI será proporcional ao peso e eficiência do motor: 7%, 11% e 18% no caso dos veículos elétricos; 9%, 11% e 18% para os híbridos. Por se tratar de uma MP, o Congresso Nacional instalou na semana passada uma comissão mista para analisar o programa.

PL 300 – Sancionado em janeiro de 2018 pelo então prefeito João Doria, a lei estipula um novo cronograma de redução de poluentes pelos ônibus de São Paulo. Em 10 anos, as reduções de CO2 (gás carbônico) devem ser de 50% e 100% em 20 anos. Já as reduções de MP (materiais particulados) devem ser 90% em 10 anos e 95% em 20 anos. As emissões de Óxidos de Nitrogênio devem ser de 80% em 10 anos e 95% em 20 anos. A expansão da frota trólebus, de acordo com o artigo 4º da lei, deve ser prioridade, preferencialmente com veículos que tenham baterias de reserva. Não é prevista a expansão da rede, apenas o uso integral da malha atual, que hoje tem trechos ociosos, o que deve representar cerca de 50 trólebus a mais.

DEPUTADOS E SENADORES LANÇARAM FRENTE EM DEFESA DA ELETROMOBILIDADE

Em maio deste ano foi lançada em Brasília a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Eletromobilidade Brasileira. O Grupo, composto por 190 deputados e 10 senadores, visa estimular o desenvolvimento da indústria automotiva brasileira de veículos elétricos.

Enquanto a China, somente em 2017, vendeu 600 mil carros elétricos, o Brasil possui atualmente apenas 8 mil unidades. Um dado importante: os carros particulares, movidos a combustível fóssil, são responsáveis por 60% das emissões de CO2 veicular do país. (Relembre)

ONU PEDE PARA QUE CIDADES LATINOAMERICANAS APOSTEM NOS ELÉTRICOS

A situação ambiental na América Latina vai piorar nos próximos anos devido ao aumento da frota de veículos convencionais. A afirmação foi feita por Leo Heileman, Diretor Regional do Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) na América Latina e Caribe.

Heileman, no entanto, afirmou que tal situação só não ocorrerá caso os governos da região aumentem sua aposta nos veículos elétricos. Em entrevista à Agence France-Presse (AFP) na última semana, o diretor da ONU afirmou que as cidades da América Latina e Caribe estão sofrendo uma poluição atmosférica muito forte, concluindo que este problema “vai se intensificar de forma drástica”. (Relembre)

C-MOVE JÁ TEM INSCRIÇÕES ABERTAS

O Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos está com inscrições abertas até o dia do evento. No local acontecerá também a Feira Veículo Elétrico Latino-Americano, uma plataforma que reúne componentes, infraestrutura e serviços relacionados ao desenvolvimento da vida elétrica no país. A entrada na feira é gratuita mediante o credenciamento disponível no site do evento.

http://velatinoamericano.com.br/

Serviço

Data: 17 a 19 de setembro de 2018

Local: Transamerica Expo Center

Endereço: Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro – São Paulo/SP

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

1 comentário em C-MOVE, Congresso da Mobilidade e Veículos Elétricos, discutirá papel do Governo no incentivo da eletromobilidade

  1. No caso de SP enquanto o poder público não obrigar o mínimo nas empresa,s nada mudará.

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