Motoristas de ônibus do Rio de Janeiro acreditam que fim de padronização visual por consórcio vai melhorar velocidade e trabalho

Ônibus com simulação de pintura própria de empresa. Foto: Adamo Bazani (Diário do Transporte)/Clique para ampliar

Segundo profissionais ouvidos pela reportagem, mesmo após quase oito anos de cores por consórcio, ainda tem muita gente que se confunde na hora de embarcar

ADAMO BAZANI

O Diário do Transporte esteve nesta sexta-feira no Rio de Janeiro para acompanhar o anúncio por parte do sindicato que reúne as viações, o Rio Ônibus, e pela gestão Marcelo Crivella, das mudanças no hoje degradado sistema de transportes da cidade.

O objetivo é recuperar a qualidade dos serviços e, consequentemente, reconquistar a confiabilidade do passageiro, abalada por um cenário que foi marcado por instabilidades no valor da tarifa, frota velha em circulação, denúncias de corrupção envolvendo algumas empresas e falência de companhias de ônibus. Veja todas as mudanças neste link:

https://diariodotransporte.com.br/2018/08/03/rio-onibus/

Um das mudanças que mais têm dividido opiniões nas redes sociais é a o fim da padronização atual das pinturas por consórcio, em vigor desde 2010.

Segundo o presidente do Rio Ônibus, Claudio Callak, e o prefeito Marcelo Crivella, além de “despolitizar” as latarias dos ônibus, o fato de cada empresa poder ter sua pintura, desde que seguindo algumas normas, pode facilitar a vida do passageiro na hora que precisar identificar seu ônibus à distância.

Mas e os profissionais dos transportes, que atuam no dia a dia das ruas, o que acham?

Foi isso que o Diário do Transporte quis saber conversando com alguns motoristas enquanto a reportagem esteve no Rio de Janeiro.

A maioria dos condutores entrevistados aprovou a volta das pinturas próprias das empresas.

“Dizem que isso é bobagem e que o passageiro não liga. Mentira, liga sim. Principalmente senhorzinho e a ‘senhorzinha’, que tem dificuldade de ver de longe. Quase toda a semana tem gente que pega ônibus errado. Só o letreiro não dá” – disse o motorista José Batista da Silva, que trabalha há 21 anos no sistema e se recorda da época das empresas com suas cores.

“Sem dúvida nenhuma fica mais fácil, principalmente para o passageiro que tem dificuldade de visualizar, o idoso, por exemplo. Já vai saber de longe qual é a empresa” – disse o instrutor de motoristas, Jorge Antunes da Silva.

Outro instrutor de motoristas, Jairo Bispo dos Santos, acredita que até mesmo a velocidade dos ônibus nas linhas pode aumentar com o fim da atual padronização.

“Os motoristas são orientados a dar toda a informação necessária para o passageiro. Mas isso, querendo ou não, toma tempo, mesmo que sejam segundos, com o passageiro ainda na porta perguntando. Soma esses segundos por milhares de ônibus e viagens. Acredito que vai ter bom resultado nisso também” – contou.

Mas nem todos os motoristas acham que haverá impactos.

“No final das contas, vai dar no mesmo. As pessoas se orientam pelo letreiro e a maior parte das informações é sobre as ruas [por onde] os ônibus passam e não sobre se a linha é a certa ou não” – disse Astrogildo Pereira, motorista do sistema.

À reportagem, pouco antes da apresentação das mudanças, o presidente do Rio Ônibus, Claudio Callak, lembrou que nas primeiras semanas da padronização atual, sua empresa, a Real Auto Ônibus, chegou a perder até 30% do número de passageiros.

“As pessoas têm de se identificar com as empresas de ônibus e saber quem está prestando o serviço de maneira clara” – disse.

O dirigente garantiu que, com exceção do ônibus de demonstração de ontem, todos os ônibus com as novas pinturas serão 0 km.

“Não vai ter dessa de pintar ônibus velho e falar que é novo”

NA CONTRAMÃO:

“O saia e blusa” foi uma das primeiras padronizações do país a partir do final dos anos de 1970, em São Paulo.

O fim da padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro vai na contramão do que ocorre nos principais sistemas de transportes do mundo e do País.

Cidades como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, por exemplo, padronizam os veículos de acordo com o serviço ou região atendida.

Em Curitiba, por exemplo, ao ver um ônibus prateado, o passageiro sabe que é o Ligeirinho, que faz menos paradas. Mas se ver um ônibus laranja, vai saber que é o alimentador.

Já em São Paulo, por exemplo, ao ver um ônibus com a frente e a traseira na cor azul clara, o passageiro vai saber que o veículo vai para a zona Sul. Com a cor vermelha, o ônibus vai para a zona Leste. Outras cores indicam outras regiões.

A capital paulista é uma das primeiras cidades do País onde foi implantado um padrão municipal de pintura.

Foi em 1978, com o sistema “saia e blusa”, na gestão do prefeito Olavo Setúbal.

A saia, parte inferior da carroceria, era pintada de acordo com a região atendida. Já a blusa (meio e parte superior) ficava a critério da empresa.

A intenção foi reorganizar o sistema, que contava com muitos ônibus e empresas. Além da mudança de cores, houve a reorganização de trajetos e uma nova numeração das linhas, segundo critérios como origem e destino e se o ônibus passava pelo centrou por alguma estação de Metrô.

ELEVADOR:

No evento, foi apresentado um ônibus da Viação Ideal adesivado com a simulação de como devem ser implantadas as pinturas.

Na ocasião, os motoristas também mostraram como funciona o equipamento de elevador que não fica acoplado à porta, mas sob o assoalho e é acessado por dispositivos pneumáticos e eletrônicos. O equipamento já está em vários ônibus do sistema há quase dois anos.
Segundo os profissionais, este tipo de equipamento pode trazer mais conforto e aproveita melhor o espaço interno, além de terem menos desgaste por não estarem ligados aos degraus de uso comum.
Veja o vídeo:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

9 comentários em Motoristas de ônibus do Rio de Janeiro acreditam que fim de padronização visual por consórcio vai melhorar velocidade e trabalho

  1. PAULO CAIO PEÇANHA // 4 de agosto de 2018 às 20:03 // Responder

    MUITO BOA A DECISÃO DO PREFEITO EM ACABAR COM ESSA PORCARIA DE PADRONIZAÇÃO DE CORES DAS EMPRESAS.
    COM A DIFERENÇA DE CORES E DESENHOS DOS ONIBUS,FICA MUITO MAIS FACIL O PUBLICO IDENTIFICAR OS VEICULOS QUE SERVEM O SEU BAIRRO.
    ASSIM, NÃO HA NECESSIDADE DE DAR SINAL PARA UM ONIBUS, E QUANDO ELE ESTA PARANDO, VERIFICAR QUE NÃO É O DESEJADO.
    ASSIM, NÃO ATRAPALHA E NEM ATRAZA O SERVIÇO.
    ESSA HISTORIA DE PADRONIZAÇÃO É PURA BUROCRACIA,E SÓ SERVE PARA AUMENTAR A DESPEZA DA EMPRESA……MAIS UMA VEZ, PARABENS A PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO

    • William de Jesus // 5 de agosto de 2018 às 11:26 // Responder

      Paulo Compreendo mas descordo de você. Aqui em São Paulo também são consórcios e também há empresas que não são consorciadas. As cores são padronizadas pela área e funciona muito bem. Acredito que no RJ não tenha dado certo porque foi mal feito. Mas, de qualquer forma, espero que os serviços daí melhorem. Já passou da hora dos cariocas terem um transporte digno

  2. Marcos Vinícius // 4 de agosto de 2018 às 23:27 // Responder

    Finalmente essa praga acabou, não sei porque trouxeram isso para cá, foram oito anos de atraso e a pintura única não facilitou ou ajudou em absolutamente nada, só serviu para maquiar as empresas e poluir o visual da cidade. Espero que São Paulo e Curitiba também adotem a padronização por empresa.

  3. MARCOS NASCIMENTO // 4 de agosto de 2018 às 23:31 // Responder

    Parabéns ao prefeito Marcelo Bezerra Crivella e sua equipe na SMTR. Acredito que esta mudança também servirá de inspiração para outras cidades do Estado do RJ e de outros Estados a reverem esta questão de fardamento e/ou monocromatização das pinturas haja vista que analisando bem a questão, além de prejudicar o dia a dia do passageiro dificultando sua mobilidade pela cidade tem ainda outro componente bem negativo que é o fato da população acreditar que todos por serem numa mesma cor ou num mesmo modelo de cor pertencem a uma só organização empresarial ou pior ainda, pertencem á prefeitura por conterem o brasão e o nome da cidade e a inscrição CIDADE ou PREFEITURA que no final das contas resulta na mesma coisa; propaganda política disfarçada e que na maioria das vezes contribui negativamente para a impressão que a população tem dos onibus fardados. JÁ NA QUESTÃO da padronização de outros países, convém dizer que eles não são maioria. Apenas algumas cidades de outros países tem uma espécie de padronização, isso porque existe apenas uma unica empresa privada e em outros casos, o sistema é operado pela própria prefeitura através de uma estatal ao estilo CMTC, CTC e CARRIS.

  4. William de Jesus // 5 de agosto de 2018 às 11:30 // Responder

    Bom dia!

    Boa iniciativa da prefeitura do RJ, mas sinceramente não estou conseguindo enxergar de fato uma melhora no que se diz respeito aos serviços prestados. Há 4 anos eu vi onibus de motor traseiro, articulados e até biarticulados chegando na capital carioca. Depois disso, várias empresas quebraram, venderam os carros (que sabe Deus onde estão hoje e poderiam ser reaproveitados em outras cidades) e agora só vejo cabrito chegando.

    A coisa foi muito, muito mal feita e quem paga o pato, como sempre é a população!

  5. Apoio a ideia.Fica mais fácil identificar casa linha.

  6. Eu particularmente prefiro a padronização sendo por empresa, cada empresa com o seu layout, isso ajuda o passageiro na hora de embarcar no ônibus, essa padronização do Eduardo Paes ficou uma coisa horrível, bizarra, quase ninguém gostou, ficou tudo cinza e sem cor, diariamente muitos idosos pegavam o ônibus errado, alguns dos ônibus vinham com o nome da empresa borrado para dificultar ainda mais o serviço, foi um grande retrocesso que implantaram e espero que nunca mais se repita.

  7. O correto é a padronização ser por empresa, como sempre foi tradicional aqui no Rio, essa coisa de padronizar tudo com uma pintura é um grande retrocesso e dificulta muito o passageiro na hora de embarcar.

  8. Parabéns por retornar as cores dos ônibus, assim facilita a identificação e principalmente, dar prioridade as empresas com mais qualidade e também indentificar as empresas

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