Parceria BYD/Generate Capital lança primeiro programa de leasing para ônibus elétrico

Ônibus articulado 100% elétrico de 18 metros fabricado pela BYD nos EUA

A joint venture BYD/Generate Capital, a primeira do gênero, foi projetada para expandir a frota de ônibus elétricos dos Estados Unidos, reduzindo os custos iniciais de investimento

ALEXANDRE PELEGI

A BYD, maior fabricante mundial de veículos elétricos, anunciou nesta semana o lançamento de uma joint venture para o primeiro programa de leasing de ônibus elétrico nos Estados Unidos (EUA) em parceria com a Generate Capital, Inc., uma empresa líder no financiamento de ativos de infraestrutura sustentável.

A joint venture, descrita como a primeira do gênero, foi projetada para expandir a frota de ônibus elétricos do país, reduzindo os custos iniciais. Para isso vai alocar US$ 200 milhões (cerca de R$ 780 milhões) para ajudar os clientes dos setores público e privado a acelerar a adoção de ônibus elétricos movidos a bateria. Ao fazer isso, o programa estará ajudando no fornecimento de opções de transporte mais limpas, mais silenciosas, mais seguras e mais responsáveis financeiramente.

Segundo comunicado oficial da BYD, os EUA têm atualmente cerca de 300 ônibus elétricos a bateria rodando no país, dois terços dos quais fabricados pela gigante chinesa.

Diante desses dados, BYD e Generate Capital acreditam haver espaço substancial para o crescimento do mercado de ônibus elétricos nos EUA. Afinal, o tamanho atual da frota representa uma diminuta fração diante dos cerca de 345 mil ônibus elétricos que atualmente operam em todo o mundo.

A parceria Generate-BYD pretende oferecer aos clientes do setor privado e aos municípios menores o mesmo acesso a opções de transporte limpo que os municípios maiores, que usam essa escolha para economizar dinheiro de forma substancial, já que os veículos elétricos são mais baratos quando comparados à vida útil do ativo.

Para a presidente da BYD Motors, Stella Li, “a missão da BYD é mudar fundamentalmente o mundo, reduzindo nossa dependência de combustíveis baseados em carbono através do desenvolvimento e avanço da tecnologia de baterias e veículos elétricos“.

A executiva garante que a Joint Venture “será fundamental nesse esforço, criando novas alternativas de financiamento para uma gama mais ampla de clientes“.

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Em 2014 a então diretora executiva da AVTA, Julie Austin, à frente do primeiro ônibus BYD adquirido pela agência

A Antelope Valley Transit Authority (AVTA), autoridade do trânsito e responsável pela oferta de transporte público do condado de Los Angeles, estima que uma frota nova de ônibus elétricos gera uma economia de custos de mais de US$ 46 milhões (cerca de R$ 180 milhões) ao longo de sua vida útil. Isso equivale a aproximadamente US$ 46.000 (R$ 180 mil) por ônibus por ano em economia, quando comparado a toda a frota de diesel.

A AVTA, que em 2017 adquiriu seu primeiro ônibus articulado elétrico de 18 metros movido a bateria fabricado pela BYD Motors, estima em 50% a redução da poluição sonora em uma frota totalmente elétrica, somada à eliminação de CO2, NOx, PM10 e PM2.5, melhorando a qualidade do ar. A AVTA se prepara para ser a primeira frota de ônibus 100% elétrica dos Estados Unidos até o final de 2018.

Scott Jacobs, CEO e co-fundador da Generate Capital, afirma que a empresa foi fundada “para trazer precisamente este tipo de solução comprovada para o mundo“. O CEO completa: “Os ônibus elétricos quase não produzem emissões de gases de efeito estufa; eles são mais baratos de operar do que os ônibus a diesel; tem custos menores de manutenção; e são mais silenciosos e sua direção mais agradável ​​para o motorista. As empresas tradicionais de leasing geralmente não valorizam o investimento em veículos elétricos, o que dificulta o financiamento. Programas como esses são uma vitória completa para desenvolvedores de projetos, para os clientes e para o meio ambiente”.

O programa inovador de leasing já garantiu clientes como universidades proeminentes, grandes corporações e municípios menores.

De acordo com o Departamento de Transportes dos EUA, cada ônibus de emissão zero elimina aproximadamente 1.690 toneladas de CO2 ao longo de um período de 12 anos. Isso equivale a tirar 27 carros das ruas. Os elétricos também eliminam aproximadamente 10 toneladas de óxido de nitrogênio e cerca de 160 kilos de matéria particulada de diesel.

BATERIAS COM GARANTIA

Uma matéria no portal americano Green Technology, publicada nesta quinta-feira, 12 de julho de 2018, afirma que o programa de leasing de US$ 200 milhões poderá abrir oportunidades para a reciclagem de baterias usadas em ônibus elétricos.

Se uma bateria do ônibus elétrico falhar, ou a garantia simplesmente acabar (após 12 anos no caso da BYD), elas poderão permanecer em outros aplicativos, o que faz parte do valor residual de um veículo elétrico que os fabricantes desejam destacar.

Uma vez que o leasing de um ônibus elétrico a bateria termina, essa bateria ainda pode ser usada em um sistema de armazenamento estacionário, digamos, para equilibrar a produção de uma fazenda de painéis solares ou para ajudar nos picos de consumo de energia, e provavelmente durar mais de 15 a 20 anos.

A matéria afirma que os ônibus movidos a bateria estão se tornando mais populares à medida que cidades e estados estão se empenhando em reduzir a poluição local e as emissões de carbono. Mas enquanto os veículos elétricos oferecem benefícios ambientais e economia de combustível ao longo do tempo, eles vêm com um prêmio em comparação com seus concorrentes a diesel.

Bobby Hill, vice-presidente da América do Norte da BYD Coach and Bus afirmou que graças ao novo programa de leasing da Generate/BYD, as agências de transporte poderão começar imediatamente a economizar em seus gastos mensais de combustível e manutenção.

Estamos todos superanimados em ver como as curvas de custo de tecnologia caíram e com um novo futuro que está chegando“, concluiu o executivo.

A matéria da Green Technology, assinada por Julia Pyper, afirma, no entanto, que há um certo exagero em torno dos veículos elétricos. Segundo a publicação notícias sobre reduções drásticas nos custos de baterias e do lançamento de grandes fábricas estão gerando projeções de vendas ambiciosas. “Mas ainda há muito trabalho a ser feito nos bastidores para se alcançar esses números”, diz o texto.

Mas a Generate, além de apoiar o programa de leasing de ônibus elétrico, está educando os clientes a respeito de incentivos e cláusulas contratuais que ajudam a reduzir o custo do financiamento.

Descobrir como os clientes trabalham com as empresas de leasing existentes e como tornar os ônibus elétricos mais acessíveis é algo que atormenta muitos diretores financeiros”, reconhece Jigar Shah, co-fundador e presidente da Generate. “Não é diferente dos obstáculos que o mercado conheceu em torno da compra de energia solar em 2003”, ele compara.

Esse é o atual desafio que o crescimento dos ônibus elétricos terá que superar: provar que, além de bom para o meio ambiente, é também um bom negócio. Ou, como diz Jigar Shah, além de convencer a sociedade que a eletrificação do transporte é boa para todos, é preciso também convencer os diretores financeiros que decidem que ela é também um negócio seguro e confortável no longo prazo.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

(Com informações da BYD e Portal Green Technology)

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