Passageiros que pulam catraca de ônibus em Curitiba geram prejuízo de R$ 6 milhões por ano

De acordo com uma pesquisa realizada pelas Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, o valor anual equivale ao preço de cinco biarticulados novos. Foto: Adamo Bazani

Segundo pesquisa das empresas de transporte público, em média, 3.995 pessoas por dia embarcam sem pagar a passagem

JESSICA MARQUES

Os passageiros que pulam a catraca dos ônibus em Curitiba, no Paraná, geram prejuízo de R$ 6 milhões por ano. De acordo com uma pesquisa realizada pelas Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, o valor anual equivale ao preço de cinco biarticulados novos.

A pesquisa mostra que, em média, 3.995 pessoas por dia embarcam sem pagar a passagem na capital. O número foi levantado em março de 2018 e representa um aumento de 2% com relação a agosto de 2017, data em que foi feito o último levantamento, que resultou em uma média de 3.907 passageiros.

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O diretor executivo das empresas de ônibus, Luiz Alberto Lenz César, informou, em nota, que o elevado número de fura-catraca se deve à facilidade de invadir as estações-tubo e à falta de punição.

“Nossa preocupação é que isso contribua para criar uma cultura de invasão, que essa prática se dissemine. A pessoa vê que é simples pular a catraca e nada acontece, então ela vai se perguntar ‘por que eu vou pagar?’” – disse o diretor executivo.

A pesquisa foi realizada de 19 a 25 de março de 2018 em todos os 294 pontos de cobrança (estações-tubo e bilheterias). O levantamento foi feito em cinco dias úteis, um sábado e um domingo.

Os pesquisadores foram os próprios operadores dos postos de cobrança, aproximadamente 1.100 cobradores.

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“Essa é uma contribuição das empresas de ônibus no sentido de mapear os locais com mais incidência de fura-catraca para que os órgãos competentes possam tomar providências” – disse Lenz César. “Nos próximos dias, vamos entregar esse documento para a Guarda Municipal, Polícia Militar e Urbs”.

Nos sete dias em que a pesquisa foi feita, 9.786 passageiros comuns embarcaram sem pagar a tarifa. De acordo com o documento, esse tipo de passageiro é o que mais entra nos ônibus sem o pagamento da tarifa.

“O passageiro comum é aquela pessoa que o cobrador via que ela costumava pagar a passagem e de repente passou a pular a catraca” – explicou a assessoria de imprensa das empresas.

Confira no gráfico as invasões por tipo de passageiro:

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O levantamento mostra que as três estações-tubo mais invadidas são Passeio Público (363 invasões por dia), Rio Barigui (171) e Osternack (133). Em agosto de 2017, as três também eram as mais invadidas, mas a ordem era diferente: Rio Barigui (135), Osternack (91) e Passeio Público (86).

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As invasões diárias na soma das três estações apresentaram um crescimento de 114% no número de passageiros que embarcam sem pagar a passagem. Foram de 312 para 667 pessoas.

“O dado positivo é que o número de estudantes que pula a catraca vem caindo. Nos sete dias pesquisados em março, 4.423 estudantes embarcaram sem pagar a tarifa, baixa de 24% na comparação com agosto de 2017 (5.828). Se for comparado março de 2018 com agosto de 2016 (7.080), a queda é ainda mais expressiva: 37%.”

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A Câmara Municipal de Curitiba aprovou, em maio de 2016, uma lei contra os chamados “fura-catraca”, que são passageiros que entram nos ônibus sem pagar.

A multa prevista para esse ato é equivalente a 50 passagens (hoje, R$ 212,50), porém a lei ainda depende de regulamentação sobre a fiscalização, segundo informações das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana.

Jessica Marques para o Diário do Transporte

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