Reflexão. A “diesel-dependência” das grandes cidades.

Trólebus tiveram 100% da frota em operação durante a cirse

*Rodrigo Lopes

Toda essa crise de desabastecimento de combustíveis, causada pela paralisação dos caminhoneiros (longe de ser culpa deles), revelou o alto nível de dependência das cidades  brasileiras de combustíveis fósseis e etanol.

Sem distribuição de combustível desde o início da semana passada, os estoques dos postos se esgotaram antes do final de semana e, desde então, um programa de racionamento foi adotado nos ônibus e claro, por parte da população e seus carros.

No caso dos carros, num pioneirismo simbólico, houve no passado, tentativas de se escalarem no complicado universo da tração elétrica em solo nacional, através da Gurgel Motores, com os modelos Itaipu e E400, movidos 100% a Energia Elétrica.

A brasileira Gurgel tentou veículos elétricos, mas não houve estímulos00

Já os esquecidos e preteridos por outras tecnologias, os trólebus (e novas tecnologias como os elétricos puros) tomam o protagonismo da figura do transporte público novamente.

Após sucessivas desativações e constantes faltas de investimento até a renovação da frota e a modernização da rede aérea, foram deixados de lado e perderam eixos importantes da cidade de São Paulo como o corredor  9 de Julho/ Santo Amaro e também, linhas que iriam para zona norte e oeste da capital paulista, mostrando agora que em momentos de crise, sua função é de grande utilidade nos eixos urbanos, pois operam em sua capacidade máxima “como se não houvesse nenhum tipo de problema”.

Vale a menção honrosa também, aos veículos movidos a GNV. Mesmo sendo poluidores (menos que gasolina ou diesel, por exemplo), o gás faz parte do grupo de “matrizes alternativas” que se sobressaíram nessa crise de abastecimento, pois independem de uma logística de transporte via rodovias, pois a maioria de suas estruturas, pelo menos no Estado de São Paulo, é conectada por dutos.

Enquanto a situação não é restabelecida, estamos reféns de operações dignas de “guerra” para a chegada de combustível aos serviços essenciais de grandes cidades. Estamos reféns também de uma frota reduzida de ônibus, que sobrevivem como por impulso, de abastecimento em abastecimento, para retomar ainda que parcialmente o serviço.

Ficamos a mercê de uma matriz energética ao qual o país se viciou no final dos anos 50 e que até hoje, não conseguiu caminhar satisfatoriamente em outras modalidades energéticas. Seja no transporte público, seja no transporte particular.

Então, vem sempre aquela reflexão… É bom depender de apenas uma matriz energética em grandes cidades?

Por isso, o Movimento Respira São Paulo, de forma pioneira e com a força voluntária de especialistas e entusiastas, defende desde 2005 a causa do Transporte Elétrico, onde sempre em contato com autoridades, especialistas e empresas, tenta mostrar o quão vantajoso uma operação com veículos elétricos podem ser para a cidade e o quão bem, isso faz para a população, que consequentemente, ficará menos exposta à níveis de poluição em grandes centros urbanos.

O Transporte Elétrico é benéfico para a saúde pública, para a economia da cidade e também, para a logística urbana.

Respira São Paulo

Em prol da tração elétrica, por menos poluição

 

*Rodrigo Lopes é técnico em Logística, graduando de Tecnologia em Transporte Terrestre

1 comentário em Reflexão. A “diesel-dependência” das grandes cidades.

  1. Ate um dia ficar reféns dos elétricos, se fazem greve!!! E desligam a chave!! Pior q não pode acumular energia eletrica em casa nem nas garagens!!!

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