Em pronunciamento sobre greve dos caminheiros, Temer diz que forças federais vão desbloquear estradas

Foi criado plano de segurança e Temer chamou caminhoneiros parados de radiais

ADAMO BAZANI

O presidente Michel Temer, em pronunciamento há pouco, disse que vai convocar forças federais de segurança para desbloquear as estradas e pediu para governadores usarem as polícias também.

Temer afirmou que já há um acordo com os caminhoneiros que não está sendo cumprida por que chama de minoria.

O presidente chamou os motoristas que estão parados de radicais.

“Quem bloqueia, prejudica a todos, o País e será responsabilizado. O governo vai usar sua autoridade” – disse Temer.

Ontem o Governo Federal anunciou um acordo com representações de caminhoneiros, mas nem todas as associações concordaram e nesta sexta-feira, 25, os bloqueios permaneceram.

Os principais pontos oferecidos pelo governo Temer form:

– Zerar a CIDE sobre o diesel até o fim do ano

– Estender o desconto no preço do diesel de 10% de 15 dias para 30 dias. A União fará a compensação financeira para a Petrobras dos últimos 15 dias. Os primeiros serão assumidos pela estatal do petróleo.

– As mudanças de preços no diesel serão feitas a cada 30 dias, e não a cada flutuação do preço internacional do petróleo, como ocorre desde 3 de julho de 2017.

– O governo se comprometeu a não reonerar a folha de pagamento do setor de transportes de cargas.

O Governo Federal garante ainda que estas propostas não trarão prejuízo para a Petrobrás. Hoje as ações da estatal despencaram quase 15% após o anúncio de redução no preço do diesel. Com a queda, a Petrobras voltou a perder o posto de maior empresa brasileira de capital aberto em valor de mercado.

A proposta do Governo é que os caminhoneiros suspendam a greve por 15 dias. Após esse prazo, será feita uma nova reunião para verificar se as promessas foram cumpridas.

APAGAR FOGO COM GASOLINA:

Em nota, as centrais sindicais se pronunciaram contra o pronunciamento do presidente Temer.

As centrais, em conjunto, se colocaram à disposição para negociar e, por ironia ou força de expressão, consideraram as declarações de Temer equivocadas, como “querer apagar fogo com gasolina”

Nota das centrais sindicais

As centrais sindicais neste momento de impasse nas negociações entre o governo federal e os caminhoneiros, decidem se colocar a disposição como mediadoras na busca de um acordo que solucione o caos social que o país caminha.

A proposta do governo de convocar as Forças Armadas, como instrumento de repressão é querer apagar fogo com gasolina, ou seja, só acirra o conflito e dificulta uma solução equilibrada.

Queremos um acordo que leve em conta a justa reivindicação dos trabalhadores e as necessidades do país.

São Paulo, 25 de maio de 2018

Vagner Freitas
Presidente da CUT

Paulo Pereira da Silva
Presidente da Força Sindical

Ricardo Patah
Presidente da UGT

Adilson ARAÚJO
Presidente da CTB

José Calixto Ramos
Presidente da Nova Central

Antonio Neto
Presidente da CSB

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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