Homens do Exército poderão tomar caminhões parados nas rodovias e PF vai investigar locaute em greve dos caminhoneiros

Posto de combustível em Santo André-SP na tarde desta sexta-feira, 25, fechado, sem nenhum estoque

De 938 obstruções registradas pela PRF, 519 permanecem

ADAMO BAZANI

Durante entrevista coletiva no início desta noite em Brasília, o ministro chefe da Casa Civiil, Eliseu Padilha disse que o presidente Michel Temer criou um decreto GLO – Garantia da Lei e da Ordem para desobstruir as rodovias.

A GLO terá prazo de 25 de maio a 04 de junho, mas se houver necessidade, pode ser renovada.

Por meio de decretos de requisição de bens, homens das forças federais de segurança poderão tomar caminhões, ônibus e outros veículos para liberar os bloqueios, inclusive dirigindo.

Estes decretos ainda não foram publicados.

Segundo Padilha, os decretos podem ser criados para casos isolados e serão publicados somente se forem necessários.

O ministro explicou que GLO e decretos de requisição de bens não são “as mesmas coisas”.

“São instrumentos diferentes. A requisição de bens é uma das opções do menu do Governo”

O Ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que as requisições podem ocorrer com veículos de empresas e não de autônomos.

Segundo Padilha, há necessidade de garantir o abastecimento de gêneros essenciais, como alimentos, remédios e combustíveis e que a medida é prevista na Constituição.

O ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, confirmou que se for necessário, o Exército vai agir.

Raul Jungmann, disse que o Governo designou equipes da Polícia Federal para investigar possível locaute na greve dos caminhoneiros.

“Já temos uma relação mais de duas dezenas de empresários que serão chamados a depor” – disse o ministro.

Locaute são greves e paralisações que ocorrem por iniciativa ou incentivo dos empresários.

Segundo Raul Jungmann, os empresários podem ser enquadrados nos seguintes crimes:  Atentado contra segurança de serviço de utilidade pública, paralisação de trabalho de interesse coletivo, atentado contra a segurança do transporte, atentado contra a liberdade do trabalho, associação criminosa e incitação ao crime

Raul Jungmann disse, com base em dados da Polícia Rodoviária Federal , que de 938 obstruções em estradas e refinarias registradas  nos quatro dias de greve, 519 permanecem. 419 pontos foram liberados

O general Sergio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência do Brasil, disse que a Reduc – Refinaria de Duque de Caxias já opera com capacidade quase plena.

Já o ministro Eliseu Padilha chamou manifestantes de “minoria barulhenta”, mas disse que bloqueios estão se dispersando.

Padilha ainda disse que o acordo com os caminhoneiros já feito, se referindo aos termos divulgados na noite desta quinta-feira, 24, e que não “há mais negociação com os caminhoneiros”

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, minimizou a fala do colega, dizendo que as negociações acabaram, mas que “o diálogo continua”.

Ministros da equipe do presidente Michel Temer na noite de quinta-feira, 24 de maio de 2018, os termos de compromisso do Governo Federal no acordo proposto aos caminhoneiros para terminar com a greve da categoria.

Entre os pontos apresentados estavam

– Zerar a CIDE sobre o diesel até o fim do ano

– Estender o desconto no preço do diesel de 10% de 15 dias para 30 dias. A União fará a compensação financeira para a Petrobras dos últimos 15 dias. Os primeiros serão assumidos pela estatal do petróleo.

– As mudanças de preços no diesel serão feitas a cada 30 dias, e não a cada flutuação do preço internacional do petróleo, como ocorre desde 3 de julho de 2017.

– O governo se comprometeu a não reonerar a folha de pagamento do setor de transportes de cargas.

O Governo Federal garante ainda que estas propostas não trarão prejuízo para a Petrobrás. Hoje as ações da estatal despencaram quase 15% após o anúncio de redução no preço do diesel. Com a queda, a Petrobras voltou a perder o posto de maior empresa brasileira de capital aberto em valor de mercado.

A proposta do Governo é que os caminhoneiros suspendam a greve por 15 dias. Após esse prazo, será feita uma nova reunião para verificar se as promessas foram cumpridas.

Mas nem todas as associações aceitaram os termos e os bloqueios continuaram nesta sexta-feira.

Uma das entidades que rejeitou as propostas foi a Associação Brasileira dos Caminhoneiros- Abcam que diz representar 700 mil caminhoneiros.

No final da tarde desta sexta-feira, 24 de maio de 2018, a Abcam publicou um comunicado oficial pedindo o fim das interdições nas rodovias. A associação mostrou preocupação com a segurança dos manifestantes e orientou que os protestos continuassem de forma pacífica, sem obstrução nas vias.

A decisão foi publicada após o pronunciamento do presidente Michel Temer, que disse, nesta sexta-feira, que convocou forças federais de segurança para desbloquear as estradas e pediu para governadores usarem as polícias também.

Relembre: Em pronunciamento sobre greve dos caminheiros, Temer diz que forças federais vão desbloquear estradas

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

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