Viação Cometa 70 anos: Mesmas paisagens, diferentes imagens

Lataria, cromada e polida, brilhava e refletia as pinturas dos outros ônibus no Terminal Rodoviário do Tietê. Olhos de passageiros saudosistas, porém, brilhavam mais e refletiam os sentimentos pelas lembranças da história de cada um – Clique na Foto para ampliar

Passeios comemorativos com veículo histórico comprovam que ônibus não é apenas uma máquina que roda, mas que pulsa

ADAMO BAZANI

Pela janela, a paisagem era do presente, mas na mente e no coração, as imagens remetiam ao passado, à história de cada um.

O Diário do Transporte esteve em uma das viagens comemorativas dos 70 anos da Viação Cometa, a bordo de um Flecha Azul VII, Scania K 113 CL, ano 1998, com um design parecido com o dos ônibus norte-americanos, que são as raízes deste modelo.

Foram várias versões destes ônibus que se tornaram tradicionais na empresa, desde 1972, ainda com o nome Dinossauro, e, a partir de 1983, com o nome Flecha, sendo fabricados pela própria Cometa por meio da subsidiária CMA – Companhia Manufatureira Auxiliar.

Relembre a história dos modelos:

https://diariodotransporte.com.br/2016/05/15/historia-onibus-dinossauros-e-flechas-a-evolucao-dos-transportes/

Foi possível perceber na prática o que sempre é dito neste site: como o ônibus é importante na vida e história das pessoas.

As paisagens pelas janelas do trajeto São Paulo/Jundiaí – Jundiaí/São Paulo, realizado neste domingo, 06 de maio de 2018, eram as mesmas para todos. Mas as imagens nas mentes e corações eram diferentes, individuais em cada um dos passageiros da história.

Robson Kresse era um dos passageiros que não lembrou apenas de uma máquina potente que cortava as rodovias brasileiras, mas sim de um pouco da história de sua família.

“Os anos 80 foram maravilhosos na minha vida. Quando eu era pequeno, ia com minha família para Sorocaba. Mas na volta, só meu tio vinha dirigindo. Eu fazia meu pai parar na rodoviária só para voltar de Flecha Azul. Quando eu vi esse ônibus encostando hoje na plataforma da rodoviária do Tietê, os olhos encheram de lágrimas” – relatou Robson.

Outro passageiro deste domingo tem sua história pessoal ligada à história do ônibus.

Antônio Kaio Castro é presidente do Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, responsável por eventos para a preservação da memória dos transportes, como a VVR – Viver, Ver e Rever, uma exposição de ônibus e caminhões antigos, cujas edições que ocorreram entre os anos de 2004 e 2014, dando origem a outras exposições semelhantes.

“Este ônibus maravilhosamente restaurado é um exemplo a ser seguido por todas as outras empresas de transportes que têm modelos clássicos e uma rica história que não pode ser perder no tempo. Estar neste momento Vivendo, Vendo e Revendo esta viagem é algo emocionante, contagiante. É um presente que Deus nos dá, que os diretores da Viação Cometa, como o ‘dr’ Octávio nos propicia” – disse Kaio que participou de uma das viagens no mesmo ônibus na ocasião dos 65 anos da empresa.

O comandante da máquina do tempo neste domingo foi o motorista Wellington Fernandes dos Santos, que se intitula “filho caçula” do veículo restaurado, o prefixo 7455. Foi neste ônibus que o motorista fez o teste para entrar na empresa, em 2010, quando o ônibus ainda operava comercialmente.

“Eu entrei na Cometa em 2010, e tive oportunidade de fazer o teste exatamente neste carro, o 7455. E hoje a Viação Cometa está me proporcionado a satisfação de fazer estas viagens comemorativas. Este ônibus lembra muito a minha infância. Eu viaja muito com meu pai de São Paulo para Campinas e já naquele tempo, de menino, eu já tinha uma paixão pela Viação Cometa, em especial pelos Flechas. Lembro muito o cheirinho de chiclete dentro do ônibus, era um produto usado pela Cometa para limpeza interna e que também foi uma das marcas da empresa”  – conta Wellington que antes de trabalhar na Cometa, atuou em outras empresas, tendo iniciado a carreira de motorista há 22 anos na Turismo Eroles, de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Wellington Fernandes dos Santos, de fã a motorista, e, agora, condutor da máquina do tempo.

A Viação Cometa foi fundada em 1948, pelo major italiano Tito Masciolli. Um ano antes, Mascioli comprou a  Auto Viação São Paulo – Santos, que, em 17 de fevereiro de 1948, passou a se chamar Auto Viação São Paulo-Santos S.A. e em 07 de maio de 1948 teve sua denominação alterada para Viação Cometa.

A empresa teve diversos marcos, como “inaugurar” a ligação interestadual Rio-São Paulo pela rodovia Presidente Dutra, em 1951; importar, em 1954, os ônibus norte-americanos GMPD 4104, chamados no Brasil de “Morubixabas”; desenvolver junto com a encarroçadora Ciferal um modelo exclusivo de ônibus, lançado em 1972, chamado Dinossauro , que a partir de 1983 foi fabricado pela própria empresa com o nome de Flecha.

Em 2001, a Cometa foi comprada pelo Grupo JCA, mesmas iniciais do empresário Jelson da Costa Antunes, controlador do grupo, que, desde os anos 1960 viaja nos ônibus da Cometa e tinha o sonho de comprá-la, mas na ocasião, ainda um pequeno empresário, não tinha as mínimas condições.

O Grupo JCA reúne empresas como Viação Cometa, Auto Viação 1001, Macaense, Expresso do Sul, Rápido Ribeirão e Viação Catarinense, que neste ano completou 80 anos, sendo a primeira empresa rodoviária do Brasil a ter um registro oficial para operar. O Grupo JCA também controla os serviços de encomendas Bus Log.

As viagens comemorativas com este ônibus histórico ocorrem até julho. Veja o cronograma:

http://www.viacaocometa.com.br/viagem-flecha/

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

13 comentários em Viação Cometa 70 anos: Mesmas paisagens, diferentes imagens

  1. Boa noite! Viajei muito pela cometa uma excelente empresa tive prazer em viajar no papo amarelo jumbo e o dimossauro todos scanias por sinal uma excelente máquina em tudo confortável para o passageiro e principalmente pra o motorista pois a viagem rende mais principalmente em serras o motor responde na subida pois vejo muito co.eta sendo Scania subir Serra e deixar muitos Mercedes pra trás vocês se fizerem uma pesquisa com passageiro e principalmente motorista vai da Scania pois é melhor em tudo. FICO triste em ver que a cometa tem história essa história está acabando pois ela começou com alguns carros Mercedes passou pra os estrangeiros e depois Scania e não deixe acabar a cometa investe só e Scania pois é melhor em tudo conforte e principalmente para os motoristas a viagem. Rende e não cansa tanto motoristas

  2. Cometa Halley um sonho de todo brasileiro de viajar quem ainda não teve está oportunidade tem que aproveitar uma empresa que tem um carinho enorme por seus passageiros e que certamente passa de pais para filhos e ainda viajamos de cometa até hoje….

  3. Este ano pretendo fazer parte desse grupo da viação cometa. Aqui na cidade de Franca só.fernando César

  4. Empresa maravilhosa como gastaria de voltar para empresa

  5. Enio Alves de Lima // 7 de Maio de 2018 às 08:19 // Responder

    Deixou saudade era imponente na pista fãs parte da minha história..

  6. José Roberto dias // 7 de Maio de 2018 às 10:00 // Responder

    Bom dia ,estou hoje com 65 anos ,lembro mto bem eu ia na casa da minha tia na vila Mangalot e ficava no muro quando passava um ônibus desses eu fazia maior festa pq eram e é ate hoje lindos parabéns pelos seus 70 anos

  7. Boa empresa,traz paz e segurança em suas viagens,viajo sempre de sp para BH,sem palavras, parabéns cometa😃😃😃😃😃

  8. Será que um dia essa empresa chega até Teófilo Otoni? Pois as que fazem esse trajeto São péssimas…cada vez que viajo pra lá passo por um grande estresse…

  9. Alessandro Mary Gonçalves // 7 de Maio de 2018 às 18:54 // Responder

    Sem dúvida uma empresa de respeito e completa é sonho de todos os motoristas trabalhar nela inclusive o meu torco muito por essa empresa pois tenho colegas meus que trabalham nela quero parabenizar a todos envolvidos nesse projeto unindo o passado com o futuro

  10. Fico feliz em ler essa matéria dos 70 anos da viação Cometa.pois meu pai contribuiu muito nós anos 70 e até 84
    Para que essa empresa fosse a maior da América do Sul. Tenho uma foto dele ao lado de um morubixabas que guardo como uma relíquia quem trabalhou nessa época no trecho Rio São Paulo com certezas vai lembrar do encarregado do setor do Rio de Janeiro (Agripino Jorge Braga) abraços em todos que gostam dessa fantástica empresa chamada viação Cometa s/a.

  11. Hoje, 12/05 às 08:00 era grande a expectativa minha e a de algumas pessoas lá no TRBF que assim como eu, aguardavam ansiosamente a chegada do Flecha Azul VII na plataforma 2 para o tão aguardado embarque em uma de suas mais belas rotas na minha opinião – S. Paulo x SJRP. No entanto, de forma inesperada e estarrecedora fomos informados que além do atraso que haveria por motivos técnicos (quebra), outro carro, o N10 – New Road “toco” iria substituir e frustar de forma definitiva e irreparável o sonho de muitos de nós. Enfim… e agora? Como ficamos? Entendo que todos os veículos estão sujeitos a imprevistos, porém espero que a empresa se pronuncie sobre o ocorrido e se posicione no sentido de compensar-nos de forma digna e respeitosa demonstrando um nível elevado de compromisso com seus clientes, como deveria ser o de qualquer empresa que pretenda preservar sua história e credibilidade.
    Grato!

  12. Renato Carlos Pavanelli. // 21 de Maio de 2018 às 21:52 // Responder

    Dá e Sobre a Viação Cometa, falta também incluir nas anotações e sua história, a Pessoa do Inspetor Callegari, grande Mestre.

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