Primeira viagem intermunicipal da Buser em São Paulo só tem dois passageiros e é realizada em micro-ônibus

Fábio Minucci Teixeira e Dalton Félix da Silva foram os únicos passageiros da viagem inaugural da Buser para Ribeirão Preto.

Alguns usuários que compareceram ao estacionamento ao lado do Terminal Rodoviário Tietê desistiram devido a atraso. Houve queixas também em relação à falta de estrutura para esperar o veículo

ADAMO BAZANI E ALEXANDRE PELEGI

Com cerca de 45 minutos de atraso a primeira viagem intermunicipal no estado de SP prometida pela Buser, aplicativo de fretamento coletivo, teve apenas dois passageiros, e foi realizada num micro-ônibus da empresa Leads com destino a Ribeirão Preto.

Os passageiros se encontraram num estacionamento próximo ao Terminal Rodoviário Tietê, na Zona Norte da capital paulista. Alguns usuários que conversaram com a reportagem do Diário do Transporte, que acompanhou a saída, desistiram e foram tomar ônibus nas linhas regulares. É o caso de Felipe Ortega, que reclamou da desorganização.

Foram prometidas viagens para Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Belo Horizonte. Entretanto apenas a viagem para Ribeirão Preto (2 passageiros) foi realizada.

O ônibus para Belo Horizonte saiu com 14 passageiros, mas logo em seguida, ainda na Rua Voluntários da Pátria, a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres com apoio da PM parou o veículo, um Paradiso 1600 DD de luxo.

Veja aqui:

 

Primeira viagem da Buser SP-BH tem ônibus parado pela ANTT

 

De acordo com Marcelo Abritta, um dos fundadores da Buser, um dos motivos que explicaria a baixa adesão foi o fato de a forma de transporte ser ainda uma novidade. Outro motivo citado por Abritta foi a gratuidade das passagens, o que acabou não garantindo o compromisso de alguns passageiros.

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Micro-ônibus que partiu para Ribeirão Preto com apenas dois passageiros

Os dois passageiros que seguiram viagem para Ribeirão aprovaram a iniciativa. Ambos descobriram a viagem por meio de grupos de caronas no Facebook.

Fábio Minucci Teixeira foi o primeiro a chegar. Ele chegou a imaginar que viajaria sozinho no micro-ônibus, “uma experiência que jamais imaginei que teria”, afirmou. Fábio disse à reportagem que via a Buser como uma empresa “bem séria”, e que “iria dar tudo certo”. Quanto à precariedade do local de embarque, Fábio afirmou ser compreensível, por tratar-se do início da operação em São Paulo.

Dalton Félix da Silva, que viaja semanalmente entre São Paulo e Ribeirão Preto, chegou logo depois. Ele não se incomodou com a falta de estrutura do local da primeira viagem. Segundo ele, “a vantagem é maior [que as dificuldades], e a gente tem que se acostumar até virar algo bem viável”. Dalton estava no local errado, e conseguiu chegar finalmente ao ponto de embarque após trocar mensagens com a Buser. “A logística está um pouco ruim, mas a gente tem que ter paciência porque vai melhorar, com certeza”, afirmou.

Quanto à precariedade do local, conversamos com Marcelo Abritta, que nos informou que a Buser pretende ter pequenos terminais para recepcionar os passageiros. “Nossa intenção é construir pequenos pontos de apoio em todas as cidades em que a gente opera. Queremos fazer isso muito rápido, desde que o governo não nos impeça”, afirmou Abritta à reportagem do Diário do Transporte. Ele usou como exemplo a empresa alemã FlixBus, uma combinação de startup tecnológica, plataforma de e-commerce e empresa de transportes. Segundo Marcelo Abritta, a FlixBus começou a operar em 2014 na Alemanha, e hoje já tem 18 pontos de embarque na capital Berlim.

A FlixBus foi fundada por três jovens empreendedores em Munique (Alemanha), e como a Buser hoje no Brasil, tinha o objetivo de oferecer viagens de ônibus sustentáveis, cômodas e acessíveis.

Na parte da tarde a Buser realizou uma viagem com destino a Heliodora, pequena cidade do sul de Minas Gerais situada nas proximidades da Rodovia Fernão Dias (BR-381). O ônibus partiu com cerca de 40 passageiros, que se reuniram e procuraram a Buser, que organizou o transporte (veja foto abaixo).

A próxima partida da noite, prevista para Belo Horizonte às 21 horas, reuniu 14 passageiros, e o ônibus atrasou cerca de 20 minutos para chegar ao estacionamento.

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Ônibus da Buser com destino a BH

A Buser tem enfrentado dificuldades no estado de Minas Gerais para obter a liberação das viagens pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres. No dia 2 de março duas rotas, previstas para Ipatinga e Uberlândia, em Minas Gerais, foram impedidas de prosseguir. A suspensão dos trajetos ocorreu por meio de uma liminar do Sindpas-MG (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Minas Gerais).

Assim como em Minas, as empresas de transporte de passageiros de São Paulo entraram com uma liminar para impedir as viagens intermunicipais rodoviárias pela Buser. De acordo com Marcelo Abritta a Justiça paulista ainda não tomou qualquer decisão sobre o tema, logo nada impede por ora que o serviço siga sendo oferecido.

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A primeira viagem do Buser nesta sexta-feira (9) partir de São Paulo para Heliodora (MG)

Adamo Bazani e Alexandre Pelegi, jornalistas especializados em transportes

5 comentários em Primeira viagem intermunicipal da Buser em São Paulo só tem dois passageiros e é realizada em micro-ônibus

  1. Engraçado não ?
    Afinal essa tal Buser não afirmava ter todos os requisitos legais para operar ?
    Porque foi impedida de realizar a viagem pelos fiscais da ANTT ?

  2. Antonio Ap Silva // 10 de março de 2018 às 08:53 // Responder

    Parabéns! Pela iniciativa, o setor só predomina Empresas (Viações) Cinquentenarias, ano ano a população cresce. Fazendo-se, necessário sempre novas iniciativa. Claro, desde que regularizadas e com respeito ao usuário.

  3. Pois é João Luís, eles tinham autorização da ANTT que foi revogada em cima da hora por ordem da alta direção em Brasília. Estranho não?

  4. Já não é tão legal viajar de carro toco, imagina micro ônibus.

    Fora que, olham as empresas contratadas. Uma Leads da vida, que até tempos atrás, estava bem mal das pernas.

  5. Victor Henrique Gonçalves // 12 de março de 2018 às 15:57 // Responder

    A solução é simples: não parem! Furem o bloqueio e fujam da ANTT e da Polícia Militar! Quero ver o que vão fazer.

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