Ministério Público abre inquérito para apurar problemas de manutenção em linhas da CPTM

Falha linha 10 Turquesa por manutenção. Foto: ViaTrolebus

Matéria do Diário do Transporte relatou denúncias, confirmadas por funcionários da Companhia, sobre uma série de descarrilamentos de trens que ocorreram em 2017. O motivo: falta de manutenção adequada dos trilhos, causada pelo fim do contrato com empresa terceirizada

ALEXANDRE PELEGI

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para investigar problemas de manutenção, seguidos de risco de acidentes, na Linha 10-Turquesa da CPTM (Companhia Paulista de Trens metropolitanos).

O Diário do Transporte trouxe nesta segunda-feira (26) reportagem em que relata denúncias recebidas pela redação, confirmadas por funcionários da Companhia, sobre uma série de descarrilamentos de trens que ocorreram no ano passado.

A causa, segundo as denúncias, foi a falta de manutenção adequada dos trilhos.

O promotor Thomáz Yabiku atendeu a um pedido do deputado estadual José Américo (PT). Ele acatou a denúncia do parlamentar, segundo a qual há “notícia de que a CPTM não tem tomado providência para resolver os seus diversos problemas nas suas linhas de trem o que provoca desconforto aos usuários”.

A notícia, dada em primeira mão pelo Diário do Transporte, nasceu de denúncia recebida pela reportagem, e confirmada por funcionários da CPTM.

As denúncias, que foram posteriormente checadas pela reportagem junto a funcionários em campo, afirmam que os problemas de manutenção foram agravados depois de agosto de 2017, quando terminou o contrato com a empresa Ferreira Guedes, responsável pela manutenção das vias da linha 7 – Rubi (Luz – Francisco Morato – Jundiaí) e 10 Turquesa (Brás – Santo André – Rio Grande da Serra).

A CPTM confirmou à reportagem o fim do contrato e diz que está em andamento um processo de licitação para a contratação de outra empresa para os serviços de manutenção. A operadora estatal, no entanto, não informou quando será concluído este processo de licitação.

A reportagem pesquisou, com ajuda de fontes, e encontrou um edital de manutenção das vias com entrega de proposta prevista para o para o dia 09 de março.

As propostas deveriam ter sido entregues em janeiro, depois fevereiro e a nova previsão é março. Houve mais de uma centena de questionamentos de empresas possivelmente interessadas na concorrência.

A empresa de trens do Governo do Estado de São Paulo, no entanto, garante que a equipe atual própria é suficiente para garantir as vias em condições adequadas.

“O quadro próprio da manutenção auxilia constantemente nos serviços das terceirizadas e atua na transição de contratos entre uma empresa e outra, como o que está ocorrendo no momento nas Linhas 7-Rubi e 10-Turquesa. O contrato de manutenção dessas linhas foi encerrado em 31 de agosto do ano passado e a contratação de nova empresa está em processo de licitação.  Assim, a manutenção está sendo realizada pela equipe própria, sem qualquer prejuízo aos serviços de conservação das vias.

Com a condição de anonimato, temendo represálias, um funcionário que atua na linha 10 Turquesa discorda.

“Mas é claro que onde tinha 80 funcionários e agora tem só uns 15 ou 20 vai comprometer a manutenção e a segurança. A verdade é que somos heróis aqui. Nos desdobramos” – disse o funcionário.

De acordo com a denúncia recebida pelo Diário do Transporte, as linhas 7 e 10, antes do fim do contrato tinham juntas 300 funcionários na manutenção, agora, são em torno de 30.

Leia na íntegra a matéria do Diário do Transporte sobre os problemas de manutenção na CPTM no link:

https://diariodotransporte.com.br/2018/02/26/apos-fim-de-contrato-com-terceirizada-linhas-da-cptm-sofrem-problemas-de-manutencao-empresa-nega/

Na ação movida pelo Ministério Público também nesta segunda-feira, o promotor Thomáz Yabiku afirma a situação atual de falta de manutenção nas linhas da CPTM podem representar “ofensa aos princípios administrativos constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, além da honestidade, imparcialidade e lealdade às instituições e constituir improbidade administrativa”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. wellington disse:

    Eu ainda acho que tem sabotagem nessas coisas, negligenciam manutenção pra jogar o povo contra a adminstração (que não é lá grandes coisa, mas podia ser outra bem pior, do agrado dos funcionários).
    Eu trabalho em hospital estadual e aqui tem muito disso. Tem até desvio de material, levam vaso sanitário, fechadura de porta e até cimento pra casa, que deveria ser usado na manutenção do hospital. Com certeza tem isso no metrô tambem.

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