TEX, grupo de entrega de encomendas por ônibus, projeta crescimento do mercado, apesar de muitas pessoas ainda não conhecerem este tipo de serviços

Em ônibus da Pássaro Marron, quarto bagageiro (acesso antes da roda) tem sido usado para as encomendas Clique na foto para ampliar

Marca reúne as empresas Pássaro Marron, Litorânea, Expresso Maringá, Caxiense e Nossa Senhora da Penha

ADAMO BAZANI

Você já reparou que em grande parte das viagens, principalmente as de curtas e médias distâncias, os ônibus rodoviários andam com os bagageiros praticamente vazios?

Mas nesta ociosidade pode estar um grande mercado para as viações e quem quer despachar encomendas pode encontrar vantagens, como menor tempo para a entrega e preços mais baixos.

Os serviços de entregas de produtos e documentos por meio de ônibus rodoviários já existe há bastante tempo, mas tem muito ainda para crescer, seja pelo fato de ferramentas tecnológicas aprimorarem o atendimento ou porque muitas pessoas ainda não conhecem estas atividades.

O diretor da TEX Encomendas, Fabiano Vieira de Sousa, conversou na última sexta-feira, 16, com a reportagem do Diário do Transporte, por telefone e acredita que em 2018, a marca deve registrar um crescimento mínimo de 3% e, que dependendo da região de atendimento, o percentual tende a ser maior.

Realmente o desempenho depende da região atendida. No ano passado, por exemplo, na malha do Vale do Paraíba e Litoral Norte, crescemos mais de 30%. Considerando todos os mercados que atuamos, a estimativa é de um crescimento de 3% a 4% em 2018. Mas trabalhando num cenário mais otimista podemos chegar a 8% de expansão” – disse o executivo.

A TEX reúne as empresas de ônibus Pássaro Marron, Litorânea, Expresso Maringá, Caxiense e Nossa Senhora da Penha.

As entregas são feitas em cerca de 250 cidades nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, atendidas por aproximadamente 800 ônibus destas empresas.

Fabiano ainda explicou que as companhias possuem um acordo operacional com outras empresas de ônibus do Grupo Comporte, como a Viação Piracicabana, Expresso União, Empresa Cruz, Manoel Rodrigues, Viação São Paulo São Pedro Ltda., Empresa Princesa do Norte S/A. entre outras, podendo haver o “redespacho”, isto é, as empresas da TEX podem despachar para as viações do Grupo Comporte, ampliando assim as cidades onde é possível fazer as entregas.

Mas por que usar ônibus para despachar encomendas e documentos?

Fabiano diz que agilidade e baixo custo estão entre as vantagens de entregas feitas por ônibus

O diretor da TEX enumera uma série de vantagens de sua empresa e deste mercado como um todo.

A primeira delas é simples: Porque é ônibus.

“Os ônibus têm suas partidas programadas que, dependendo do destino, podem ocorrer várias vezes no mesmo dia, independentemente do volume de bagagens e quantidade de passageiros. Assim, tem a regularidade e pontualidade que uma transportadora de carga não conseguiria ter, principalmente para destinos mais longos e entregas menores. As empresas de cargas esperam uma ocupação mínima em seus veículos para a entrega valer a pena. Com o ônibus isso não acontece. Ele vai sair de todo o jeito, então é garantia de despacho, se aproveita uma estrutura já existente”

Outra razão é a agilidade. Dependendo da origem e do destino, um documento ou um produto pode ser entregue poucas horas depois do despacho

“Coisa que nem o Sedex 10 consegue. Por exemplo, um documento entre Caraguatatuba e o Terminal Tietê terá um custo de entrega de cerca de R$ 20 a R$ 25. Colocando esta encomenda no primeiro ônibus da manhã, antes do almoço já estará no Tietê” – explicou

Pelo fato de aproveitar uma estrutura já existe, que é a malha das linhas de ônibus, o diretor da TEX diz que os preços tendem a ser mais competitivos que os serviços de cargas convencionais. Além disso, as cargas têm seguros e todo o serviço é autorizado e regulamento por agências públicas de transportes, como a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres (linhas interestaduais) e a reguladoras de cada estado para as linhas intermunicipais, como a Artesp, em São Paulo.

Em geral, os serviços de encomendas das empresas de ônibus têm dois modelos: de balcão a balcão, ou seja, de uma rodoviária para outra, neste caso, o remetente entrega a encomenda na rodoviária de origem e o destinatário pega na rodoviária de destino. Há também o serviço de porta em porta, pelo qual um veículo menor pega a encomenda na empresa ou residência de origem, leva até os ônibus, e no destino, outro veículo menor pega e entrega a encomenda.

“Nós temos convênios com empresas terceiradas que possuem pequenos caminhões VUCs. disse. A pessoa ou empresa interessadas só precisam contratar os serviços da TEX. Não é necessário contratar uma empresa de entrega urbana e depois os serviços dos ônibus” – explicou.

O executivo disse que aposta na continuação do crescimento de uma atividade que está se tornando cada vez mais comum em diversos setores:  o comércio eletrônico (e-commerce).

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico – ABComm, a atividade cresceu no ano passado 12%, mesmo com a crise, e faturou em torno de R$ 60 bilhões.

De olho nisso, Fabiano diz que a TEX desde o ano passado investe em melhorias e automação do atendimento, além de estratégias em comunicação.

Pelo novo site, é possível, segundo o diretor, na área do cliente, consultar o status da encomenda, como, por exemplo, se já está no ônibus, se já foi transferida para outro veículo e se já chegou à rodoviária.

“Isso é muito bom, por exemplo, para alguém que vendeu seu produto pelo Mercado Livre, dar satisfação para seus clientes. Já estamos desenvolvendo um aplicativo pelo qual o funcionário da entrega vai informar ao cliente os principais dados de cada etapa do serviço, como tirar as fotos dos recibos assinados da entrega e já mandar para o site, pelo qual o cliente poderá acompanhar sua encomenda”

Fabiano diz que o limite de peso para cada encomenda é de 80 quilos. Até que todas as legislações sobre transporte de medicamentos estejam elucidadas, a empresa não trabalha, por enquanto, com entrega de remédios. Cargas vivas (animais e plantas), produtos químicos, e, claro, ilícitos, não são transportados.

O diretor garantiu que não há risco de faltar espaço nos ônibus.

“Hoje boa parte dos bagageiros é ociosa, em especial em linhas médias e curtas, que têm mais partidas por dia e normalmente os passageiros não levam muitas malas. Na Pássaro Marron, por exemplo, nos ônibus mais novos, que são mais compridos, usamos o quarto bagageiro [último acesso antes da roda traseira] para as encomendas. Em viagens mais longas, os passageiros costumam levar mais coisas e há menos partidas diárias, em compensação, os ônibus são, em geral, maiores, como os LD (Low Driver – com os passageiros que ficam num nível superior ao motorista), que possuem bagageiros mais altos e espaçosos.” – completa.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Embora o texto já tenha informado, desde que eu era moleque eu já despachava encomenda pelo buzão para o meu pai.

    O buzão sempre foi um meio eficaz para despachar pequenas encomendas.

    Muito interessante ver ressurgir a roda.

    Rsssssssssssssssssssssssssssssss

    Att,

    Paulo Gil

  2. Mauro Nascher disse:

    E como descobrir qual empresa da rodoviária de minha cidade entrega em qual cidade? As vezes, ligo para rodoviária daqui e o atendimento é ruim e sem informações precisas!

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