TEX, grupo de entrega de encomendas por ônibus, projeta crescimento do mercado, apesar de muitas pessoas ainda não conhecerem este tipo de serviços
Publicado em: 19 de fevereiro de 2018
Marca reúne as empresas Pássaro Marron, Litorânea, Expresso Maringá, Caxiense e Nossa Senhora da Penha
ADAMO BAZANI
Você já reparou que em grande parte das viagens, principalmente as de curtas e médias distâncias, os ônibus rodoviários andam com os bagageiros praticamente vazios?
Mas nesta ociosidade pode estar um grande mercado para as viações e quem quer despachar encomendas pode encontrar vantagens, como menor tempo para a entrega e preços mais baixos.
Os serviços de entregas de produtos e documentos por meio de ônibus rodoviários já existe há bastante tempo, mas tem muito ainda para crescer, seja pelo fato de ferramentas tecnológicas aprimorarem o atendimento ou porque muitas pessoas ainda não conhecem estas atividades.
O diretor da TEX Encomendas, Fabiano Vieira de Sousa, conversou na última sexta-feira, 16, com a reportagem do Diário do Transporte, por telefone e acredita que em 2018, a marca deve registrar um crescimento mínimo de 3% e, que dependendo da região de atendimento, o percentual tende a ser maior.
“Realmente o desempenho depende da região atendida. No ano passado, por exemplo, na malha do Vale do Paraíba e Litoral Norte, crescemos mais de 30%. Considerando todos os mercados que atuamos, a estimativa é de um crescimento de 3% a 4% em 2018. Mas trabalhando num cenário mais otimista podemos chegar a 8% de expansão” – disse o executivo.
A TEX reúne as empresas de ônibus Pássaro Marron, Litorânea, Expresso Maringá, Caxiense e Nossa Senhora da Penha.
As entregas são feitas em cerca de 250 cidades nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, atendidas por aproximadamente 800 ônibus destas empresas.
Fabiano ainda explicou que as companhias possuem um acordo operacional com outras empresas de ônibus do Grupo Comporte, como a Viação Piracicabana, Expresso União, Empresa Cruz, Manoel Rodrigues, Viação São Paulo São Pedro Ltda., Empresa Princesa do Norte S/A. entre outras, podendo haver o “redespacho”, isto é, as empresas da TEX podem despachar para as viações do Grupo Comporte, ampliando assim as cidades onde é possível fazer as entregas.
Mas por que usar ônibus para despachar encomendas e documentos?
O diretor da TEX enumera uma série de vantagens de sua empresa e deste mercado como um todo.
A primeira delas é simples: Porque é ônibus.
“Os ônibus têm suas partidas programadas que, dependendo do destino, podem ocorrer várias vezes no mesmo dia, independentemente do volume de bagagens e quantidade de passageiros. Assim, tem a regularidade e pontualidade que uma transportadora de carga não conseguiria ter, principalmente para destinos mais longos e entregas menores. As empresas de cargas esperam uma ocupação mínima em seus veículos para a entrega valer a pena. Com o ônibus isso não acontece. Ele vai sair de todo o jeito, então é garantia de despacho, se aproveita uma estrutura já existente”
Outra razão é a agilidade. Dependendo da origem e do destino, um documento ou um produto pode ser entregue poucas horas depois do despacho
“Coisa que nem o Sedex 10 consegue. Por exemplo, um documento entre Caraguatatuba e o Terminal Tietê terá um custo de entrega de cerca de R$ 20 a R$ 25. Colocando esta encomenda no primeiro ônibus da manhã, antes do almoço já estará no Tietê” – explicou
Pelo fato de aproveitar uma estrutura já existe, que é a malha das linhas de ônibus, o diretor da TEX diz que os preços tendem a ser mais competitivos que os serviços de cargas convencionais. Além disso, as cargas têm seguros e todo o serviço é autorizado e regulamento por agências públicas de transportes, como a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres (linhas interestaduais) e a reguladoras de cada estado para as linhas intermunicipais, como a Artesp, em São Paulo.
Em geral, os serviços de encomendas das empresas de ônibus têm dois modelos: de balcão a balcão, ou seja, de uma rodoviária para outra, neste caso, o remetente entrega a encomenda na rodoviária de origem e o destinatário pega na rodoviária de destino. Há também o serviço de porta em porta, pelo qual um veículo menor pega a encomenda na empresa ou residência de origem, leva até os ônibus, e no destino, outro veículo menor pega e entrega a encomenda.
“Nós temos convênios com empresas terceiradas que possuem pequenos caminhões VUCs. disse. A pessoa ou empresa interessadas só precisam contratar os serviços da TEX. Não é necessário contratar uma empresa de entrega urbana e depois os serviços dos ônibus” – explicou.
O executivo disse que aposta na continuação do crescimento de uma atividade que está se tornando cada vez mais comum em diversos setores: o comércio eletrônico (e-commerce).
De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico – ABComm, a atividade cresceu no ano passado 12%, mesmo com a crise, e faturou em torno de R$ 60 bilhões.
De olho nisso, Fabiano diz que a TEX desde o ano passado investe em melhorias e automação do atendimento, além de estratégias em comunicação.
Pelo novo site, é possível, segundo o diretor, na área do cliente, consultar o status da encomenda, como, por exemplo, se já está no ônibus, se já foi transferida para outro veículo e se já chegou à rodoviária.
“Isso é muito bom, por exemplo, para alguém que vendeu seu produto pelo Mercado Livre, dar satisfação para seus clientes. Já estamos desenvolvendo um aplicativo pelo qual o funcionário da entrega vai informar ao cliente os principais dados de cada etapa do serviço, como tirar as fotos dos recibos assinados da entrega e já mandar para o site, pelo qual o cliente poderá acompanhar sua encomenda”
Fabiano diz que o limite de peso para cada encomenda é de 80 quilos. Até que todas as legislações sobre transporte de medicamentos estejam elucidadas, a empresa não trabalha, por enquanto, com entrega de remédios. Cargas vivas (animais e plantas), produtos químicos, e, claro, ilícitos, não são transportados.
O diretor garantiu que não há risco de faltar espaço nos ônibus.
“Hoje boa parte dos bagageiros é ociosa, em especial em linhas médias e curtas, que têm mais partidas por dia e normalmente os passageiros não levam muitas malas. Na Pássaro Marron, por exemplo, nos ônibus mais novos, que são mais compridos, usamos o quarto bagageiro [último acesso antes da roda traseira] para as encomendas. Em viagens mais longas, os passageiros costumam levar mais coisas e há menos partidas diárias, em compensação, os ônibus são, em geral, maiores, como os LD (Low Driver – com os passageiros que ficam num nível superior ao motorista), que possuem bagageiros mais altos e espaçosos.” – completa.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Amigos, boa noite.
Embora o texto já tenha informado, desde que eu era moleque eu já despachava encomenda pelo buzão para o meu pai.
O buzão sempre foi um meio eficaz para despachar pequenas encomendas.
Muito interessante ver ressurgir a roda.
Rsssssssssssssssssssssssssssssss
Att,
Paulo Gil
E como descobrir qual empresa da rodoviária de minha cidade entrega em qual cidade? As vezes, ligo para rodoviária daqui e o atendimento é ruim e sem informações precisas!