Metrô retoma nesta terça-feira (20) entrevistas da Pesquisa Origem Destino
Publicado em: 19 de fevereiro de 2018
Aplicada em toda a Região Metropolitana de São Paulo, entrevistas estavam suspensas por causa das férias escolares, período atípico na mobilidade urbana
ALEXANDRE PELEGI
A partir desta terça-feira, dia 20 de fevereiro, o Metrô de SP volta a realizar as entrevistas nos domicílios que foram sorteados para participar da Pesquisa Origem Destino (OD) 2017.
Aplicada em toda a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), o Metrô paralisou as entrevistas entre dezembro passado e a metade de fevereiro deste ano por causa das férias escolares, um período atípico na mobilidade urbana.
Feita por amostragem, a pesquisa vem sendo realizada desde junho de 2017 em todos os 96 distritos da capital e nos demais 38 municípios da Grande São Paulo.
Além dos domicílios, a OD também apura os deslocamentos na chamada Linha de Contorno, que abrange as 22 rodovias de acesso à RMSP, os aeroportos de Congonhas e Cumbica e os terminais rodoviários da Barra Funda, Tietê e Jabaquara. Esse trabalho já foi concluído e as pesquisas feitas nos domicílios devem ser finalizadas ainda no primeiro semestre deste ano. A meta do Metrô é tabular e divulgar os resultados até o final de 2018.
MÉTODOS DE SEGURANÇA:
São cerca de 1.200 pessoas trabalhando na realização de toda a Pesquisa OD, visando a formação da base de dados.
As residências pesquisadas são definidas por sorteio. Os moradores são notificados por carta com as informações sobre a pesquisa, e recebem uma senha e os telefones para contato e agendamento da visita do pesquisador.
Ao chegar para a entrevista, o pesquisador deverá informar uma contra-senha que deve coincidir com a senha da carta enviada à residência. Este método aumenta a confiabilidade, garantindo que se trata de um pesquisador enviado pelo Metrô.
O entrevistador deve estar portando um crachá, além de colete na cor azul que facilita a identificação.
A coleta das informações é feita com todos os integrantes da residência para saber quantos, por quais motivos (trabalho, saúde, educação e compras, por exemplo) e como são feitos (motorizado ou não, transporte individual ou coletivo) seus deslocamentos ao longo do dia anterior.
O questionário é feito com a utilização de tablets, que verificam automaticamente inconsistências nas respostas e auxiliam no georreferenciamento dos locais informados.
Para saber mais sobre a pesquisa, ou confirmar se a residência realmente foi selecionada para participar, o morador pode ligar para o telefone 0800-770-7722, ou acessar o site http://www.metro.sp.gov.br.
6ª EDIÇÃO DA PESQUISA OD
Subsidiando todos os estudos de planejamento de transporte desde 1967, a Pesquisa OD do Metrô de SP foi sistematicamente atualizada a cada dez anos, uma série histórica cuja periodicidade nunca foi quebrada. Esta situação é rara no mundo. Com a realização da sexta pesquisa decenal, o Metrô completa agora, em 2018, 50 anos de pesquisa OD na RMSP.
Considerada a mais completa pesquisa de mobilidade urbana do país por entrevistar 150 mil pessoas em 32 mil domicílios, a OD apura todas as formas de deslocamentos motorizados (transporte coletivo e individual) e não-motorizados (viagens a pé e de bicicleta) realizados na Grande São Paulo e em suas áreas de acesso.
Por meio desta pesquisa é possível saber com precisão para onde as pessoas estão se deslocando, além de descobrir seus motivos e como elas fazem os trajetos.
Os dados coletados pela OD permitem a adoção de políticas públicas para a melhoria do planejamento urbano e para o estímulo ao uso de modais de locomoção.
A Pesquisa Origem e Destino que iniciou em 2017 destaca-se pela a introdução de levantamentos intermediários (2002 e 2012) – para captar possíveis mudanças nas tendências projetadas, dada a aceleração do crescimento metropolitano –, o georreferenciamento de endereços utilizado desde 2007, o uso de dispositivos móveis na Pesquisa OD 2017 e o estudo de novas tecnologias para uso nos próximos levantamentos.
Esta dinâmica resulta em cada vez maior segurança na utilização dos dados em modelos matemáticos que permitirão proposições mais acuradas de alternativas de intervenções no sistema de transporte. Selecionada e implementada uma das alternativas propostas, as condições de oferta e de demanda sofrem impactos e novo diagnóstico deve ser elaborado por meio de novo levantamento de dados, reiniciando o processo cíclico de planejamento.
Em artigo publicado no site da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, Jeanne Metran, Emília Mayumi Hiroi e Regina Maria Nogueira, funcionárias do Metrô de SP, explicaram o que coleta uma pesquisa origem e destino. Leia abaixo:
A Pesquisa Origem e Destino objetiva levantar informações sobre os deslocamentos da população da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Basicamente, são informações sobre as “viagens” empreendidas diariamente pelas pessoas.
Mas o que é considerada uma viagem, dado básico que será inserido nas projeções e estudos futuros dos fluxos de deslocamento? Uma definição mais simples é que viagem é o percurso entre dois pontos com um objetivo específico. Estes pontos significam os extremos desta viagem, um de saída, chamado origem, e um de chegada, chamado destino. Mas isso não basta para o conhecimento sobre uma viagem. Também é necessário saber o motivo desta viagem, o tempo de deslocamento entre os extremos e por quais modos de transporte ela foi realizada. Ademais, as viagens diárias em uma área de estudo são classificadas de duas formas: podem ser viagens internas, realizadas dentro desta área, ou externas, aquelas que têm origem ou destino fora da área de estudo ou simplesmente a atravessam. Por isso, uma das etapas da Pesquisa Origem e Destino – a “domiciliar” – levanta as viagens internas. A outra etapa é chamada de pesquisa “na linha de contorno”, que levanta as viagens externas. Com essas informações teríamos caracterizadas as viagens na área de pesquisa.
Na fase domiciliar, a Pesquisa OD tem como ponto de informação básico o domicílio. Parte-se aqui do princípio de que a organização das viagens diárias das pessoas é feita em um domicílio. Se, por exemplo, a mãe leva o filho na escola, esta ação libera o pai para ir direto ao trabalho; se o filho vai sozinho à escola, a mãe pode realizar ou não outras atividades que demandem novos deslocamentos. Se há um automóvel no domicílio, ele poderá compor a distribuição das viagens produzidas neste local. O mesmo raciocínio vale para os componentes não familiares de um domicílio. Assim, o resultado dos fluxos urbanos é uma decisão primeira dos moradores de um domicílio. Em termos práticos, adota-se, então, como unidade amostral o domicílio, a partir do qual obtemos o número de viagens realizadas pelos moradores.
Neste universo, além de dados de viagens levantam-se também dados socioeconômicos dos indivíduos e das famílias. A composição de renda familiar e individual, idade, gênero, escolaridade, ocupação e situação no domicílio de cada morador são fatores importantes para caracterizar os deslocamentos desses indivíduos, sua rotina, sua frequência e as formas em que se dão. A isso se juntam informações sobre posse de automóvel e endereços de trabalho e escola dessas pessoas.
Na fase de pesquisa das viagens externas, é necessário definir pontos de entrada e saída da área de estudo – plotados em uma linha imaginária que delimita esta área, chamada linha de contorno –, onde são feitos os levantamentos dos volumes de veículos e das viagens dos ocupantes que entram ou saem da área de estudo. Além de contagens e entrevistas com ocupantes de veículos que passam por pontos definidos em rodovias, ocorrem os levantamentos complementares em “outros pontos” de entrada e saída – aeroportos, terminais rodoviários e fretados.
Para ler o artigo completo, escrito para marcar os 50 anos da pesquisa Origem e Destino na Região Metropolitana de São Paulo, acesse o link:
DADOS DA PESQUISA OD ANTERIOR
A Companhia do Metropolitano relembra alguns dados da pesquisa de 2007, que serão comparados com os resultados desta edição:
Principais resultados apurados pelas últimas pesquisas OD e de avaliação de tendências
- Em 2012, foram realizadas diariamente 43,7 milhões de viagens na RMSP, volume 15% maior que o levantado em 2007, para um aumento de 2% na população no período.
- Do total de viagens diárias, 68% foram feitas por modos motorizados e 32% por modos não-motorizados. No período 2007-2012, houve maior aumento das viagens motorizadas que cresceram 18%, do que das viagens não-motorizadas que cresceram 8%.
- O índice de mobilidade passou de 1,95 para 2,18 viagens diárias por habitante, enquanto que o índice de mobilidade motorizada passou de 1,29 para 1,49 viagens diárias no período 2007-2012.
- A frota de automóveis particulares cresceu 18% no período 2007-2012, resultando em uma taxa de motorização de 212 veículos por mil habitantes. As viagens de automóvel tiveram aumento expressivo nas faixas intermediárias de renda mensal familiar (entre R$ 1.244,00 e R$ 4.976,00).
- Entre os modos coletivos, houve aumento da participação dos modos sobre trilhos de 12% para 15% (metrô – de 9% para 11% – e trem – de 3% para 4%) e queda na participação do modo ônibus como modo principal, de 36% para 32%. As viagens por trem aumentaram de 815 mil para 1.141 mil no período considerado, significando crescimento de 40%. As viagens de metrô cresceram 38% (de 2.223 mil para 3.219 mil). Entre os modos individuais, a participação do automóvel permaneceu estável (41% em 2007 para 42% em 2012).
- As viagens de metrô com uma transferência modal aumentaram sua participação de 55% em 2007 para 58% em 2012. As viagens exclusivas de trem diminuíram a participação de 20% para 14% e as viagens com duas transferências tiveram acréscimo na participação de 29% para 37%, no mesmo período.
- Em relação à flutuação horária das viagens, o pico do meio-dia superou os picos da manhã e tarde, devido às viagens a pé e bicicleta.
Ocorreram mudanças também no transporte não-motorizado: queda de participação no total de viagens entre 2007 e 2012 (de 34% para 32%), especialmente nas viagens por motivo educação (queda de 7.291 mil viagens para 6.928 mil viagens), que passaram a ser realizadas mais por transporte escolar (de 1.308 mil para 1.973 mil) e automóvel (de 2.251 mil para 2.615 mil). Consequentemente, o índice de mobilidade por modo não-motorizado entre crianças e adolescentes (de 4 a 17 anos) também caiu.
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


