Presidente do Rio Ônibus diz que prefeitura aceitou acordo para corrigir tarifa
Publicado em: 6 de fevereiro de 2018
Prefeitura publica no Diário Oficial desta terça-feira (6) a prorrogação do contrato com a PricewaterhouseCoopers por mais 08 (oito) meses; empresa é responsável pelos estudos que determinarão novo valor de tarifa
ALEXANDRE PELEGI
A Justiça recusou nesta segunda-feira (6) o pedido de efeito suspensivo, feito pela Prefeitura do Rio, sobre a decisão que determinou a elevação da tarifa de R$ 3,40 para R$ 3,60.
O prefeito Marcelo Crivella alegara que a decisão judicial que aumentou a tarifa “atropelou” a negociação que ocorria entre o município e as empresas de ônibus para o cálculo da passagem. Segundo ele, as conversas caminhavam para um acordo pacífico.
Apesar das decisões judiciais, as conversas entre prefeitura e o Rio Ônibus, que representa as empresas de transporte coletivo do município, prosseguem em ritmo acelerado.
Nesta segunda-feira (6), Carlos Callak, que preside o sindicato das empresas, se encontrou com o secretário municipal de Transporte, Rubens Teixeira, para discutir o assunto da tarifa. E pelo menos o que informa o representante das empresas, a notícia é que a prefeitura teria assumido a responsabilidade de aceitar a correção.
Também nesta segunda-feira o secretário Rubens Teixeira afirmou que iria convocar a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers para concluir com urgência os estudos sobre os custos do sistema para determinar um novo valor de tarifa.

A informação procede: no Diário Oficial do Rio de Janeiro desta terça-feira (7) a prefeitura publicou o aditivo do contrato com a Price prorrogando o prazo contratual com a empresa por mais 08 (oito) meses, a contar de 31/01/2018.
As empresas haviam contratado a Ernst & Young, por meio dos consócios Internorte, Santa Cruz, Intersul e Transcarioca, para também definir o valor real da tarifa dos ônibus do Rio de Janeiro.
Diante das notícias deste início de semana, o novo reajuste deve acontecer nos próximos dias. De acordo com Cláudio Callak, presidente do Rio Ônibus, “a única coisa que falta é cálculo das empresas”. Há possibilidade, inclusive, dos novos valores da tarifa serem revelados ainda nesta terça-feira, após a publicação do termo aditivo que prorrogou o contrato com a PriceWatersHouse.
Além do tema tarifa, as conversas entre prefeitura e empresas estão tratando de outros temas importantes, como a retomada de linhas, a climatização das frotas e a fiscalização do transporte de vans.
BREVE HISTÓRICO:
A questão das tarifas na cidade é apontada pelas companhias de ônibus como o motivo principal da situação de estado de colapso nos transportes da cidade.
Desde 2015, não há reajuste nos valores e, em 2017, depois de duas decisões judiciais, a tarifas baixaram R$ 0,40. Primeiro, em agosto de 2017, por uma decisão da 20ª Câmara Cível do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do RJ), a tarifa foi reduzida de R$ 3,80 para R$ 3,60 e, posteriormente, houve a decisão da 13ª Vara da Fazenda Pública do Estado do Rio de Janeiro, que baixou a tarifa de R$ 3,60 para os atuais R$ 3,40. As decisões não determinaram que as tarifas baixassem e, sim, que fossem revogados aumentos da época da gestão do ex-prefeito Eduardo Paes. Mas, como efeito prático, com as revogações, os valores acabaram baixando.
As decisões judiciais estão ligadas às justificativas de aumentos ainda na gestão do ex-prefeito Eduardo Paes que incluem a meta, não cumprida, assinada entre a prefeitura e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, de colocar em operação 100% de ônibus com ar-condicionado no sistema, que hoje tem pouco menos de 8,5 mil coletivos.
Em 12 de janeiro de 2018, foi divulgada decisão de 8 de janeiro, da presidente do STJ – Superior Tribunal de Justiça , Laurita Vaz, que negou os pedidos de empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro para suspender as duas decisões judiciais que haviam suspendido os dois últimos aumentos de R$ 0,20 na gestão do ex-prefeito, Eduardo Paes.
A decisão liminar saiu no mesmo dia em que o prefeito Marcelo Crivella trocou o comando da Secretaria Municipal de Transportes, nomeando Rubens Teixeira, afastado pela Justiça da presidência da Comlurb, para o lugar de Fernando Mac Dowell, que assumiu novo cargo consultivo na área de transportes e mobilidade. Leia:
https://diariodotransporte.com.br/2018/01/24/secretario-municipal-de-transportes-do-rio-e-exonerado/
Em 24 de janeiro de 2018, a juíza Roseli Nalin, da 15ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro, atendendo parcialmente pedido das empresas de ônibus determinou que a tarifa passasse de R$ 3,40 para R$ 3,60, com aplicação do reajuste em 05 de fevereiro de 2018. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2018/01/24/justica-decide-que-tarifa-de-onibus-do-rio-de-janeiro-volte-para-r-360/
Em 02 de fevereiro, uma sexta-feira, mesmo dia que publicou o aumento no Diário Oficial, a prefeitura recorreu.
No dia útil seguinte, segunda-feira, 05 de fevereiro de 2018, o desembargador Edson Vasconcelos, negou o pedido de efeito suspensivo, feito pela Prefeitura do Rio sobre a decisão que determinou a elevação da tarifa de R$ 3,40 para R$ 3,60.
O aumento foi aplicado em 05 de fevereiro de 2018, mas a prefeitura foi notificada no dia 26 de janeiro.
O desembargador disse que a decisão judicial sobre o reajuste determinava que o aumento só poderia ser aplicado depois de dez dias da notificação e, no entendimento do magistrado, a gestão Marcelo Crivella demorou para recorrer.
A prefeitura publicou o aumento no Diário Oficial do Município na última sexta-feira 02, e só entrou com o recurso depois de 12 horas.
Para o desembargador, a prefeitura saberia que o julgamento seria feito no próximo dia útil quando a tarifa já teria sido modificada.
Apesar de o último congelamento vigorar desde 2015 e as empresas reclamarem da postura da gestão do prefeito Marcelo Crivella, antes já houve impasses em torno das tarifas.
Em dezembro de 2012, a prefeitura determinou que em janeiro do ano seguinte (2013), a tarifa passaria de R$ 2,75 para R$ 2,90. Foi um pedido da então presidente Dilma Rousseff para que houvesse controle da inflação. O pedido também foi feito ao prefeito de São Paulo na época, Fernando Haddad. Os contratos com as viações em ambas as cidades preveem os ajustes uma ver por ano.
Se São Paulo e Rio de Janeiro aumentassem as passagens na ocasião, o peso na inflação prevista, de 0,80%, superaria 1% e, no acumulado em 12 meses, se aproximaria do teto planejado para aquele ano, de 6,5%, trazendo problemas ao mercado.
Após atender ao pedido de Dilma, o então prefeito Eduardo Paes determinou em maio a correção pelos 18 meses sem reajuste, contando 2012 até 1º de junho de 2013, quando o valor deveria ir para R$ 2,95.
Mas diante das manifestações de 2013 contra as tarifas de transportes em várias partes do País, a prefeitura revogou o aumento.
O Rio Ônibus, diante do congelamento aplicado pela administração Marcelo Crivella, desde o início de seu mandato em 2017, chegou até mesmo ameaçar devolver os contrato de concessão à prefeitura e definir os rumos dos transportes na Justiça. Relembre:
A questão das tarifas foi apontada pelo sindicato patronal, a principal razão pelo fechamento de cinco viações desde 2015:
2017:
– São Silvestre (Consórcio Intersul)
– Transportes Santa Maria
2016:
– Auto Viação Bangu (Consórcio Santa Cruz)
– Algarve (Consórcio Santa Cruz)
2015
– Translitorânea (Consórcio Intersul)
– Rio Rotas (Consórcio Santa Cruz)
– Andorinha (Consórcio Santa Cruz)
– Via Rio (Consórcio Internorte)
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes



Será que se após os estudos terminados das empresas contratadas tanto pela Prefeitura como pela Rio Ônibus, ambos demonstrarem que o valor da tarifa deverá ser bem maior que o atual, a prefeitura irá acatar ?
Creio que o setor já não aguenta mais tanta hipocrisia por parte do poder público, afinal o que o atual prefeito está fazendo com as empresas e com o sistema de transporte por ônibus no Rio de Janeiro é uma vergonha
Vamos aguardar
Que idéia é essa de que a passagem tem que aumentar ? O quê determina o aumento de uma tarifa de transporte coletivo é o volume de passageiros transportados, ou seja, IPK é PMM.