Dívida de R$ 302 milhões da gestão Haddad com viações será paga com remanejamentos de recursos neste ano

Publicado em: 5 de fevereiro de 2018

Somente as tarifas não são suficientes para cobrir os custos

Valor não saíra de subsídios e deve ser pago em dez parcelas

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo deve desembolsar neste ano de 2018, R$ 302,31 milhões para pagar uma dívida que tem com as empresas de ônibus.

Segundo a SPTrans – São Paulo Transporte, que gerencia o sistema da cidade, o débito se refere ao “ exercício de 2016”, quando Fernando Haddad ainda estava à frente do executivo paulistano.

O valor representa os repasses que não foram realizados às viações pelos passageiros transportados.

O reconhecimento do débito foi publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo da última quinta-feira, 1º de fevereiro.

O dinheiro sairá de recursos da prefeitura que seriam para outras áreas e não dos subsídios de R$ 2,3 bilhões ao sistema, reservados no Orçamento para 2018. Segundo a SPTrans, em nota de resposta aos questionamentos feitos pelo Diário do Transporte, será a secretaria da Fazenda que vai determinar as fontes para este dinheiro.

“A SPTrans informa que o valor se refere a dívidas constituídas no exercício de 2016 a serem pagas através abertura de Crédito Adicional Suplementar liberado pela Secretaria Municipal da Fazenda. O pagamento será feito ao longo de 2018.” – diz a resposta.

Em 2016, a gestão Haddad não conseguiu fechar a conta com os recursos do orçamento e terminou o mandato com o débito.

Em 2017, já na gestão João Doria, foi feito um acordo com as empresas para que as dívidas fossem pagas em dez parcelas a partir de fevereiro de 2018.

No ano passado, com o Orçamento de R$ 1,75 bilhão para complementar os custos operacionais do sistema de ônibus, a gestão Doria teve de fazer diversos remanejamentos de várias áreas para chegar aos R$ 2,96 bilhões que o sistema precisou, além da arrecadação tarifária.

Registrando quase nove milhões de passagens por dia, contanto com as integrações com o Metrô e a CPTM, o sistema de ônibus da capital paulista necessita de subsídios porque a arrecadação tarifária é insuficiente.

Atualmente, as empresas são remuneradas por passageiros transportados. A remuneração por passageiro muda de acordo com a área operacional e leva em contra se o subsistema ao qual pertence a companhia é local (ex-cooperativas) ou estrutural (viações com linhas e ônibus  maiores).

A prefeitura deve remunerar as empresas também pelos passageiros que contam com gratuidades, como pessoas portadoras de deficiência, idosos com 60 anos ou mais e estudantes com passe-livre. As integrações pelo Bilhete Único, pelas quais os passageiros mudam de ônibus sem pagar nada, também são remuneradas às empresas, mas as viações não ganham a tarifa cheia (hoje R$ 4) a cada transferência. Os valores também variam de acordo com as áreas operacionais.

Com a licitação do sistema de transportes, cuja consulta pública para os editais receberem sugestões foi prorrogada até 5 de março, a prefeitura diz que quer reduzir os custos operacionais do sistema de ônibus da capital sem diminuir a oferta de serviços.

Mas durante a apresentação das minutas do edital, o secretário municipal de transportes de São Paulo, Sérgio Avelleda, disse que em curto prazo, não haverá redução significativa de custos no sistema, porque a criação de uma nova rede de linhas será gradual, devendo demorar em torno de três anos após a assinatura dos contratos, e pelo fato de algumas exigências, como ônibus maiores e mais modernos, também representarem maiores investimentos no sistema.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/12/21/licitacao-dos-transportes-de-sao-paulo-nao-vai-reduzir-custos-do-sistema-em-curto-prazo/

Grande parte dos sistemas de ônibus de países da Europa e da América do Norte conta com subsídios, que podem chegar a 60% dos custos operacionais. No entanto, os sistemas sempre estão com alterações para evitar o crescimento das necessidades de complementações.

Mesmo com o aumento da tarifa de ônibus neste ano (em 2017 ficou congelada em R$ 3,80, mesmo valor de 2016), há a perspectiva de que os R$ 2,3 bilhões não sejam suficientes, havendo a necessidade de remanejamentos de recursos no final do ano.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Ué num caiu a demanda ???

    Então o débito tem de diminuir.

    Se as empresas são remuneradas por passageiros transportados, tem de pagar menos, afinal a demanda caiu.

    Pelo menos foi o que eu aprendi com a Tia Cotinha.

    Ou essa matemática não se aplica ao buzão ???

    Cada uma que vale duas.

    Mas como é o contribuinte que paga mesmo ta tudo certo.

    Hoje vi um monte de buzão, inclusive articulado batendo lata.

    Se for por passageiro transportado, não tem de pagar quase nada.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Um dia eu vou entender essa continha.

    Att,

    Paulo Gil

    1. Cláudio lima disse:

      Como o sistema pode ter vendido todos antigos cooperados para empresas.hj recebemos menos de um real e cinquenta centavos por passageiro.

  2. Danilo disse:

    Talvez tia cotinha não tenha explicado tudo o que vc deveria saber.

  3. ILSON ALVES DE ALMEIDA disse:

    Por favor, conseguem informar o valor devido para cada empresa ?

    Inclusive para as atuais “empresas” que eram cooperativas ???

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