Rio Ônibus: plano de contingência para operar linhas da São Silvestre está limitado pela crise do setor
Publicado em: 18 de janeiro de 2018
Dificuldade para cobrir as 20 linhas operadas pela empresa, que deixou de circular em dezembro, é mais um indicativo da grave crise do setor de transportes do município
ALEXANDRE PELEGI
Com a crise do setor de transporte municipal por ônibus no Rio de Janeiro, o fechamento de empresas tem reduzido o número de veículos em operação em linhas da cidade. Com menos ônibus em circulação, aumentou o tempo de espera do usuário e diminuiu a oferta de lugares.
É o que ocorreu após a empresa Transportes São Silvestre encerrar suas atividades no final do ano de 2017. As linhas que eram atendidas pela São Silvestre passaram a ser operadas pelo Consórcio Intersul, um dos quatro que compõem o transporte municipal. Relembre:
Cláudio Callak, presidente do Rio Ônibus, o sindicato que reúne os quatro consórcios do sistema, reconhece que está sendo difícil cobrir todas as linhas da antiga empresa.
Responsável por 20 linhas que circulavam entre a Zona Sul e o Centro da capital fluminense, os passageiros que dependiam de transporte nessas regiões passaram a sentir na pele a crise do setor municipal de transporte.
Com a redução de ônibus em circulação em linhas no Leblon, aumentou bastante o espaçamento entre as partidas dos coletivos, como nos pontos finais de linhas importantes, como Jardim de Alah x Rodoviária — via Lapa, Jardim de Alah x Rodoviária — via Túnel Velho/ Túnel Santa Bárbara e Jardim de Alah x Cruz Vermelha.
Em entrevista ao jornal O Globo, o presidente do Rio Ônibus, Cláudio Callak, além de reconhecer a dificuldade em suprir o transporte das linhas da São Silvestre, informou que o sindicato está organizando um plano de contingência emergencial, como prevê o contrato de concessão.
Callak afirma que muitas linhas eram sobrepostas, o que está levando o Rio Ônibus a buscar a um ponto de equilíbrio, inclusive para diminuir o numero de ônibus na Zona Sul.
Quanto à redução de ônibus nas 20 linhas operadas anteriormente pela São Silvestre, Cláudio esclarece: nos últimos seis meses, a empresa vinha rodando com apenas 60 veículos de uma frota de 180. No momento, o consórcio Intersul, que assumiu as linhas, conseguiu colocar cem carros para rodar.
Callak lembra, no entanto, que para suprir o atendimento dessas linhas, o Consórico Intersul está retirando ônibus de outras linhas que atende. Mas ele aponta um problema que tem piorado a crise no setor: as vans ilegais voltaram a circular e estão ocupando alguns espaços que eram dos ônibus.
PLANO DE CONTINGÊNCIA, ALÉM DE EMERGENCIAL, É LIMITADO PELA CRISE DO SETOR
Empresas estudam devolver o contrato de concessão à prefeitura e levarem caso à Justiça
Cláudio Callak informou ao jornal carioca que o plano de contingência está limitado pelos impactos sofridos pelo setor com o congelamento da tarifa. Ele lembra que o último reajuste ocorreu em janeiro de 2016.
E relembra que o desrespeito da prefeitura ao contrato de concessão, assinado em 2010, está piorando rapidamente o cenário.
A São Silvestre foi a segunda empresa de ônibus a encerrar suas atividades no município. Antes dela, a Transportes Santa Maria havia deixado de circular em abril. As duas empresas não estavam conseguindo manter em dia a folha de pagamento, nem os compromissos com fornecedores, e sustentar gastos essenciais em insumos como o óleo diesel.
Callak diz que há ainda mais 12 empresas passando por dificuldades semelhantes, o que prenuncia um colapso no sistema.

Adamo Bazani entrevistou Cláudio Callak no dia 12 da janeiro de 2018
Em entrevista concedida a Adamo Bazani no dia 12 de janeiro de 2018, o presidente do Rio Ônibus afirmou as empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro estudam devolver o contrato de concessão à prefeitura e levarem para a Justiça a definição dos rumos que podem tomar os transportes municipais.
O motivo, segundo as companhias, é que a gestão do prefeito Marcelo Crivella ainda não deu nenhuma definição quanto às tarifas do sistema de ônibus. Relembre:
O dirigente do setor, que no Rio é um dos donos da empresa Real, lembra que o contrato estipula reajustes anuais da tarifa e revisão dos índices a cada quatro anos. Segundo Callak, a revisão não é cumprida desde a época de Eduardo Paes.
Alexandre Pelegi, jornalistas especializado em transportes

