OPINIÃO –  Uma lição para 2018: O setor de transportes tem de botar a boca no trombone sem medo

Catracas sendo queimadas em protestos pelo Tarifa Zero e Passe Livre – Foto: TERREMOTO ARY/ JORNALISTAS LIVRES

Em todos os casos em que os operadores falaram com a sociedade e não repudiaram a imprensa, no mínimo, houve um equilíbrio de versões

ADAMO BAZANI

O ano de 2017 foi um dos mais emblemáticos no setor de transportes de passageiros e pode ser considerado um divisor sim de águas.

Foram várias lições que não podem ser desperdiçadas, entre as quais: por mais que economia e política andem juntas, é possível uma não ser tão dependente da outra. Também outra lição: com cautela e dentro das condições, é na crise que se deve investir. Afinal, quando a situação começa a melhorar, quem investiu, vai sair na frente e este “nariz” de vantagem é fundamental num setor cada vez mais competitivo. Hoje o ônibus sofre concorrência de diversos setores: das motos, cujos valores das prestações às vezes são mais baixos do que uma pessoa gasta com passagens por mês; do transporte clandestino (ainda muito comum no País); do carro que ainda recebe mais investimentos na mobilidade que o ônibus e, agora, mais recentemente, dos aplicativos. A frase “vamos rachar um Uber” por um grupo de pessoas, às vezes poder ser traduzida como “Não vamos de ônibus hoje não”.

É claro que os transportes coletivos têm uma desvantagem muito grande: diferentemente de motos, carros e de aplicativos, a regulamentação e as amarras são tão grandes que fica mesmo difícil competir.

Mas se o empresário de ônibus continuar só com a postura de reclamar para seu colega de negócios e esperar algo dos governos, a situação só tende a piorar.

Uma das lições, entretanto, que considero mais importantes para 2018 é: o setor de transportes tem de colocar a boca no trombone e não apanhar mais quieto.

Diante de fatos nacionais ou locais, quando associações levaram a público o que acontece, muita coisa mudou para o bem de todos (em especial do passageiro) ou, ao menos, as versões se equilibraram.

Como jornalista de transportes, cito muito rapidamente alguns exemplos.

A NTU, ao protagonizar discussões como o peso dos custos operacionais de ônibus, o financiamento de gratuidades e a perda de demanda no transporte público, consegue atingir parte da sociedade que antes só tinha as “versões oficiais dos governos” ou as irresponsáveis de pessoas que mal intencionadas usam clichês como “máfias dos transportes” e “caixas pretas”, que, se acontecem mesmo, é numa pequena parte entre maus empresários, assim como existem maus trabalhadores, maus jornalistas e até maus lideres religiosos que falam de Deus.

A despeito de toda a situação das investigações criminais sobre os transportes no Rio de Janeiro, o Rio Ônibus começou a criar um diálogo sobre questões como congelamentos irresponsáveis de tarifas, concorrência com as vans e necessidade de melhor gestão pública na reformulação das linhas. Foram chamados jornalistas, distribuídas notas, cartas abertas à população e reuniões com influenciadores digitais e blogueiros, inclusive busólogos – que adoram ônibus. Hoje, a sociedade começa a ponderar e até o irredutível prefeito Marcelo Crivella, se reuniu com os empresários em dezembro.

Em Curitiba, desde o ano passado, o Setransp, sindicato que reúne as companhias de ônibus, começou também a trabalhar com a opinião pública e mostrar questões como defasagem de tarifa técnica, possíveis erros de dimensionamento de demanda pela gestora local Urbs. Quando Rafael Greca assumiu a prefeitura, as discussões já tinham sido colocadas. Depois de três anos sem novos ônibus, hoje o sistema já anuncia um cronograma de renovações, além de outros investimentos.

Na Capital Paulista, o SPUrbanuss, sempre atende aos jornalistas e conseguiu explicar para a imprensa, por exemplo, que os bilionários subsídios na cidade são para o sistema de transportes e não para as empresas de ônibus. A atuação do sindicato poderia ser melhor ainda se seus membros colaborassem mais, inclusive.

O empresário reclama, e com razão, que é vítima de preconceito por parte dos jornalistas, que já vem com uma imagem pré-concebida na sociedade que “dono de empresa de ônibus é bandido”.

Mas o setor também tem preconceito com jornalistas e pensa que os profissionais são “os abutres” que querem atacar com a caneta.

Esta visão mútua está mudando, mas ainda tem muito caminho pela frente.

Com todo respeito e, parafeseando Chico Buarque, mas os empresários de ônibus têm de deixar de ser a “Geni” dos transportes.

E o importante é ser transparente e sincero.

Não adianta só investir em bonitas campanhas, com foto de gente sorrindo de orelha a orelha, sendo que na verdade ninguém está feliz no ônibus: nem trabalhadores, nem empresários e muito menos quem sustenta trabalhadores, governos e empresários: o passageiro, o tal “cliente dos transportes”. Soa até falso.

Claro, campanhas são legais, mas vamos também falar de problemas, para resolvê-los.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes   

4 comentários em OPINIÃO –  Uma lição para 2018: O setor de transportes tem de botar a boca no trombone sem medo

  1. O problema esta na cara…so nao ve quem nao quer…..o preco da tarifa e muito cara…..vc paga 4,5 para ir + 4,50 para voltar…muitas vezes num percuso menor que 20 km…,se vc colocar gasolina no carro sai mais barato ir e voltar de carro….,esse o problema…,a tarifa precisa ser barateada para atrir o passeiro..enquanto nao houver isso a questao nunca sera solucionada ….pode colocar ate mesas de bilhar dentro do onibus que nao vai atrair passageiro…o problema e a alta tarifa, para o baixo salario da populacao…..existe meios de baratear como aumentar a vida util de 10 para 12 anos……ta dificil de energar isso ….!!!

    • Marcos, boa tarde.

      Me permita uma colocação.

      Quem não tem carro não tem opção e paga a tarifa estipulada e pronto.

      Esta pessoa não tem escolha e sofre na pele o que o sistema é.

      Penso que o maior problema do buzão é que ele não atende as necessidade do mercado.

      O buzão não funciona, esse é o maior motivo para sua rejeição.

      Veja só que mesmo com o Edital de Sampa publicado para consulta pública, as novas linhas serão implantadas de 6 meses até três anos (teoricamente).

      Então, ainda o buzão vai continuar com as linhas antigonas ainda por mais 3 anos.

      Zigzague Caranguejados, 21/21, linhas Penha – Lapa, sobreposições, sujeira interna e todo o resto.

      O salário do brasileiro é defasado em relação a tudo não só com relação a tarifa do buzão.

      O problema do buzão é que o o seus modus operandi está ultrapassado em relação a era do zap zap.

      Por exemplo:

      Não há ligação em linha reta por microbuzinhos entre o Terminal Vila Yara e a Estação Presidente Altino da CPTM, algo inadimissível nos dias de hoje.

      Portanto, o caos do buzão não está na tarifa, o buzão tem de funcionar.

      Enquanto o buzão não funcionar o resultado será este, queda na demanda.

      PREVISIVELLLLLLLLLLLLLLLLL

      Abçs,

      Paulo Gil

  2. De fato as empresas não se defendem. Aqui na minha região consórcio intervias da emtu sp começou com 5 empresas. 1 faliu a cidade verde que atendia parte de itapecerica e embu guaçu. A Veneza que atendia taboao e embu das artes vendeu os bus e as linhas para 2 empresas das 3 que ficaram. A miracatiba que é a pior das 3 quando tem reunião com a direção da emtu e os usuários nas cidades apanha demais mas é a empresa que + fez redução de tarifas para concorrer com os clandestinos da época. Para se ter ideia se com a licitação voltar os preços vai quase dobrar o valor. Boa parte das linhas vai para o metro capão redondo a $ 3.80 e recebe em 1 sentido por causa da integração gratuita com o metro. E a empresa não se defende e com vários jornais das cidades até com matéria paga. E tinha que seccionar a tarifa ou fidelizar com desconto.

  3. Amigos, boa tarde.

    Com um Edital para consulta pública contendo 36000 páginas é que nos vamos ver se as empresas irão ou não botar a boca no trombone.

    Eu duvido que alguma empresa consiga entender e cumprir um Edital com 36000 páginas.

    Muito menos se alguém irá contestar.

    Como diz o ditado o papel aceita TUDO, até …

    36000 páginas na era do zap zap é simplesmente insano.

    E o pior de tudo, as “novas” linhas só começaram a funcionar depois de 6 meses a três anos.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Isto é um tapa na cara dos matemáticos e dos engenheiros.

    Hoje já existem simuladores computacionais que podem perfeitamente montar estas novas linhas.

    Fiscalizadora contratem matemáticos, pelo amor de Deus.

    Depois dessa, eu não tenho mais esperança de nada.

    De que adianta uma nova licitação se no dia seguinte a assinatura dos contratos por até 3 anos continuará o ziguezague caranguejado, o 21/21, as linhas Penha – Lapa, a sujeira interna, e tudo mais.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKk

    Como diz a música;’

    “Este caso NÃO tem solução”

    Lembrando que, só o Disco Voador nos livrará deste planeta JURÁSSICO.

    36000 páginas KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Att,

    Paulo Gil

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