Às vésperas de privatização, terminas de ônibus perdem R$ 51,5 milhões em único remanejamento de recursos da prefeitura

Publicado em: 11 de dezembro de 2017

Terminal Parque Dom Pedro, um dos maiores da cidade e o que reúne grande parte de críticas de passageiros. Sujeira, ambulantes, agressões e roubos ocorrem de forma constante, mas equipe de guardas se preocupa com quem tira foto lá dentro.

Valor se refere a apenas uma transferência e também beneficia vias para automóveis

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo somente na última sexta-feira, 08, retirou R$ 51,5 milhões previstos para implantação e requalificação de terminais de ônibus urbanos no Orçamento.

A transferência faz parte de um remanejamento de recursos no valor total de R$ 69,4 milhões (R$ 69.499.772,75) e a “manutenção de vias e áreas públicas”, incluindo ruas e avenidas onde há compartilhamento entre o transporte individual e o transporte coletivo, é a ação mais beneficiada com o crédito adicional aberto pelo prefeito João Doria.

Do valor total que os terminais de ônibus perderam, R$ 49,5 milhões (R$ 49.509.274,52) eram para obras e instalações e R$ 2 milhões para desapropriações.

Além disso, neste mesmo remanejamento, foram retirados R$ 811 mil em obras e instalações para “modernização do sistema de transportes”, o que eleva para R$ 52,3 milhões (R$ 52.320.274,52) a perda de recursos para ações em prol apenas dos transportes coletivos.

Não é a primeira vez na gestão Doria que saem grandes volumes de recursos do orçamento que deveriam ser destinados a terminais e acabaram sendo usados em outras áreas. Até mesmo para subsídios às tarifas de ônibus saiu dinheiro que era para os espaços que, em geral, são considerados defasados pelos passageiros.

Houve também várias transferências de dinheiro que eram para construção de corredores de ônibus.

O secretário de mobilidade e transportes da cidade de São Paulo, Sergio Avelleda, nega que haja redução de investimentos no sistema de transportes coletivos e cita a aplicação de recursos por parte da prefeitura e das empresas de ônibus.

“Não, de forma nenhuma [há redução de investimentos nos transportes coletivos]. Nós estamos inclusive fazendo um grande programa do ‘Asfalto Novo’ nos corredores de ônibus, estamos dando uma melhoria imensa na qualidade do pavimento; estamos preparando a concessão dos terminais, que vai modernizar os 27 terminais geridos pela SPTrans, estamos preparando a concessão da bilhetagem, para modernizar o sistema e os mil ônibus que foram comprados, são investimentos no transporte público. Só esta renovação representa mais de R$ 300 milhões de investimentos, feitos pelo setor privado (empresas de ônibus), mas que recebe remuneração da prefeitura, pela passagem de ônibus, representando a manutenção no nível de investimento. [Na semana passada] tivemos reuniões com o prefeito e com o Banco Mundial, reuniões com o BNDES, com o Ministério das Cidades e estamos correndo atrás de recursos para acelerar a construção de novos corredores e a modernização dos corredores existentes. Estamos investindo muito em transporte” – disse Avelleda ao Diário do Transporte.

OUÇA:

 

REPORTAGEM EM ÁUDIO:

 

Os remanejamentos ocorrem diante do anúncio do prefeito João Doria em conceder os 27 terminais de ônibus municipais, o que indica que muitas das ações de reforma e qualificação destes espaços que deveriam ser feitas com este dinheiro passarão a ser de responsabilidade da iniciativa privada.

No dia 05 de outubro, a gestão Doria habilitou 14 de 15 empresas ou consórcios com interesse em realizar estudos para viabilizar a concessão à iniciativa privada de 24 terminais de ônibus da cidade.

Os terminais envolvidos são: Amaral Gurgel, Antônio Estêvão de Carvalho, Aricanduva, Bandeira, Casa Verde, Cidade Tiradentes, Grajaú, Guarapiranga, Jardim Ângela, João Dias, Lapa, Mercado, Parelheiros, Parque Dom Pedro II, Penha, Pinheiros, Pirituba, Sacomã, São Miguel, Santo Amaro, Sapopemba, Varginha, Vila Carrão, Vila Nova Cachoeirinha.

De acordo com a prefeitura, no momento da apresentação do PMI, por ano estes terminais geram receitas de R$ 7,1 milhões, mas custam aos cofres públicos, R$ 130 milhões.

Somados, os 24 terminais que são alvo deste PMI têm área de 360 mil m² e recebem diariamente 712 mil passageiros.

As áreas dos terminas devem receber prédios de até cinco andares para abrigar comércios e postos de serviços, como Poupatempo e creches.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/10/09/prefeitura-de-sao-paulo-habilita-14-interessados-em-fazer-estudo-para-privatizacao-de-terminais-de-onibus/

Já três terminais, Capelinha, Campo Limpo e Princesa Isabel, terão estudos e modelos de concessão definidos antes para que sirvam de modelo para os outros 24 terminais.

A consulta pública sobre estes três terminais foi revelada com exclusividade pelo Diário do Transporte em 6 de julho deste ano.

https://diariodotransporte.com.br/2017/07/06/prefeitura-de-sao-paulo-lanca-consulta-publica-sobre-projetos-que-incluem-concessao-de-tres-terminais-de-onibus-a-iniciativa-privada/

O prefeito João Doria sancionou no dia 04 de outubro a lei que autoriza o município passar para a iniciativa privada bens e serviços públicos, como terminais e o Bilhete Único do sistema de transportes:

https://diariodotransporte.com.br/2017/10/04/doria-sanciona-lei-que-autoriza-concessao-de-terminais-e-bilhete-unico/

 

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Adorei esta matéria.

    Conforme consta no post acima:

    “Terminal Parque Dom Pedro, um dos maiores da cidade e o que reúne grande parte de críticas de passageiros. Sujeira,…”

    Então não é só o Paulo Gil que acha que o buzão, os Terminais e as paradas são sujos.

    “De acordo com a prefeitura, no momento da apresentação do PMI, por ano estes terminais geram receitas de R$ 7,1 milhões, mas custam aos cofres públicos, R$ 130 milhões.”

    A priori será difícil alguma empresa privada adquirir esta máquina de prejuízo.

    Agora, se alguma empresa conseguir reverter esta situação é melhor fechar a PMSP, SMT e a Fiscalizadora.

    Vamos aguardar…

    Att,

    Paulo Gil

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