Parceria com universidade, van para pessoas com deficiência dirigirem, GNV e aposta nos trólebus são algumas das novidades da Iveco para o Brasil e exterior

Ideias para o ônibus do futuro ficaram em capsula. Daqui a 13 anos, serão revistas. Até lá, no Brasil, os transportes terão a evolução esperada?

Diário do Transporte acompanhou o IvecoBus Experience, em Sete Lagoas, sede da empresa. Acessibilidade, segurança, automação e ônibus menos poluentes foram os principais temas de evento que reuniu a montadora, encarroçadoras, gestores públicos e a UFMG

ADAMO BAZANI

As discussões no Brasil e em todo o mundo, em torno da mobilidade, apontam para questões que buscam achar alternativas para que os transportes sejam mais humanizados, eficientes, conectados, modernos, integrados, economicamente viáveis, acessíveis, inclusivos e menos poluentes.

Uma das especulações, ou até mesmo um mito de futurologia, parece definitivamente ter sido afastada por especialistas de diversas áreas: que o ônibus já era ou é um modal do passado.

Por mais que possam (e devam) existir outros meios de transporte, o ônibus sempre continuará tendo um papel essencial para integrar as pessoas. Prova disso, são as conclusões de uma equipe multidisciplinar de especialistas que, em relatório publicado no último final de semana pelo Banco Mundial, coloca o ônibus na rota para a criação de cidades mais humanas e sustentáveis. No Brasil, este relatório foi divulgado em primeira mão com ênfase para a mobilidade pelo Diário do Transporte. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/11/06/transportes-urbanos-sustentaveis-sao-o-caminho-para-metas-do-acordo-do-clima-e-crescimento-economico-mundial/

Uma das questões é, portanto, como deve ser o ônibus do futuro?

“Seria muita pretensão uma empresa, uma fabricante, um grupo fechado de especialistas, tentarem impor uma resposta. É o tipo de questão que precisa de um debate amplo, integrando os diversos agentes que atuam não só nos transportes, mas no mundo acadêmico, no urbanismo, na economia, meio ambiente e gestão pública” – contou ao Diário do Transporte o gerente de marketing da Iveco Bus, Gustavo Serizawa.

O gerente de marketing da Iveco Bus, Gustavo Serizawa, acredita que o transporte coletivo será no futuro mais inclusivo e sustentável

A montadora, que integra o grupo mundial CNH Industrial, realizou na sua cidade-sede no Brasil, em Sete Lagoas/MG, o evento Iveco Bus Experience.  Com o lema “Próxima Parada 2030”, que não tem nenhuma relação com a Rota 2030, que compõe as tratativas entre fabricantes de automóveis e Governo Federal, a iniciativa reuniu a Iveco, encarroçadoras de ônibus, gestores públicos (como SPTrans, BHTrans, Detro-RJ, ANTT, Artesp, EMTU-SP, Emdec-Campinas, entre outras) e, de maneira inédita, o mundo acadêmico.

Foi firmada uma parceria entre a Iveco e o curso superior de arquitetura da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais para os alunos e professores levarem seus conhecimentos acadêmicos para a indústria e também para se inteirarem da realidade industrial e do mercado de ônibus no Brasil.

“É algo inédito que certamente dará muitos frutos. Sempre houve uma queixa por causa da separação entre o setor acadêmico e o mercado. Pretendemos, também de forma inédita, a partir desta experiência fazer um curso de design de transportes, para desenvolver soluções não apenas estéticas, mas funcionais para a mobilidade” – disse o professor do curso de arquitetura da UFMG, Leonardo Geraldo de Oliveira Gomes.

“Acessibilidade e respeito ao meio ambiente foram um dos principais aspectos ressaltados como soluções para os transportes no futuro das cidades. Os ônibus também serão conectados por diversos meios eletrônicos com os sistemas, com as ofertas de serviços e com as experiências pessoais de cada passageiro.  O ônibus será um veículo de comunicação. Um receptor e um emissor de informações sobre as cidades” – contou o diretor de negócios da Iveco Bus para a América Latina, Humberto Spinetti.

O evento contou com um workshop que reuniu os alunos, professores, gestores públicos, encarroçadores, fornecedores de equipamentos e a Iveco.

Neste workshop foram criados cinco grupos para relacionarem tendências de design estético e funcional para ônibus rodoviários, ônibus urbanos, ônibus escolares, ônibus rurais e vans.

Acessibilidade, conforto e trações independentes do diesel. É assim que estudantes e especialistas projetam o ônibus do futuro

Em linhas gerais, em comum, todos os modelos concebidos na atividade são acessíveis e têm matriz energética que não dependem unicamente do óleo diesel.

Todos os esboços de projetos, uma miniatura de ônibus, um jornal local da data de ontem (08 de novembro de 2017), pen-drives com informações sobre o evento e uma foto com os participantes foram colocadas numa cápsula depositada numa urna concretada na entrada da fábrica de Sete Lagoas. Em 2030, a cápsula será reaberta para ver se as tendências apontadas pelo grupo estavam corretas e se o Brasil avançou ou não quanto à mobilidade.

Para o vice-presidente global da Iveco Bus, Sylvain Blaise, não é possível fazer uma comparação pura e simples entre os transportes no Brasil e na Europa e América do Norte, onde a marca tem forte presença, por causa das diferentes realidades operacionais, de infraestrutura e de financiamentos dos sistemas. Mas o executivo internacional destacou que o Brasil deveria aproveitar e criar melhor oportunidades e que, em alguns aspectos, hoje já poderia estar num nível semelhante de países desenvolvidos. Entre estes aspectos, segundo Blaise, estão os usos de fontes de energia alternativas ao diesel e a conectividade dos serviços.

“São estas as duas oportunidades que o Brasil deveria ter criado e aproveitado e que ainda não o fez de forma suficiente, mas poderia já ter feito. A primeira é quanto às alternativas menos poluentes de tração. Vislumbro para o Brasil, já num curto prazo, o uso do Gás Natural, abundante no País e que pode trazer benefícios para o meio ambiente. A eletromobilidade é um próximo passo indiscutível. Outra oportunidade ainda não aproveitada: A conectividade deveria estar mais avançada no Brasil e haveria já condições para isso. É necessário fazer com que uma única forma de pagamento, os passageiros possam usar vários meios de transportes por diversas cidades coligadas. As pessoas têm de fazer suas transferências entre diferentes modais sem perceberem. Hoje o maior desafio no Brasil é tornar o transporte público mais fácil de usar” – contou em resposta ao Diário do Transporte na entrevista coletiva à imprensa especializada.

Mundialmente, a Iveco aposta na tração elétrica como uma das alternativas sustentáveis e enfatiza a modernização dos trólebus

Sylvain Blaise destacou que a Iveco Bus mundialmente trabalha com diversas fontes de energia para seus ônibus, como modelos com a tecnologia Euro VI de restrição de emissões dos motores a combustão, gás natural, híbrido, ônibus elétricos puros e com os tradicionais trólebus, cada vez mais modernos.

“A Iveco acredita sim no trólebus, que evoluiu. É uma solução de mais de 100 anos que agora volta a ser considerada pelo mundo desenvolvido pelo baixo custo e sua modernização. Hoje os trólebus possuem baterias, que permitem que trafeguem por trechos de linhas (e não somente em casos de emergência) sem estarem conectados aos fios aéreos. Atualmente, a Iveco tem cerca de dois mil trólebus em circulação” – disse o vice-presidente global da Iveco Bus na coletiva.

UMA VAN REALMENTE PARA TODOS:

Tecnologia permitirá que pessoas que usam cadeira de rodas trabalhem como motoristas no transporte coletivo

No evento, a Iveco Bus também apresentou um conceito de transportes que considera totalmente inclusivo: é a van Iveco Daily Life. Além de oferecer acessibilidade para o passageiro que usa cadeira de rodas, por meio de uma plataforma elevatória com poltrona fixa (o que já existe no mercado por meio do modelo Iveco Daily Elevittá, no caso da marca), o modelo também permite que pessoas sem os movimentos nos membros inferiores também trabalhem no transporte coletivo.

Sendo um protótipo, ainda sem previsão de comercialização, a van possui um sistema de elevação também para o banco do motorista. A aceleração do veículo se dá por meio de um aro disposto no raio do volante. A frenagem é manual também e a troca de marchas é eletrônica-manual.

“Inclusão é isso, é deixar o transporte coletivo acessível a todos. Queremos com este conceito quebrar paradigmas, transpor barreiras culturais e tecnológicas e por que não criar um novo mercado de trabalho. Com a  Daily Life nosso principal objetivo foi mostrar que falta de solução tecnológica não é pretexto para incluir trabalhadores com deficiência na operação de vans e ônibus” – contou ao Diário do Transporte gerente de marketing da Iveco Bus, Gustavo Serizawa.

Todo o sistema operacional para o motorista guiar o veículo foi desenvolvido pela multinacional italiana Kivi, que está instalada no Brasil há quase dois anos.

O diretor da unidade brasileira, Fábio Quintão, disse ao Diário do Transporte que a van não é necessariamente exclusiva para motoristas portadores de deficiências. Todos os sistemas acessíveis podem ser desativados caso o condutor não possua restrições severas de movimento.

“A van tem acionamento de freio de mão elétrico, a embreagem é elétrica e o freio de mão e o acelerador de aro são wireless. Todos estes equipamentos podem ser desativados e a van pode ser dirigida por qualquer pessoa com ou sem deficiência. Os veículos podem ser personalizados também” – contou.

Também conversando com o Diário do Transporte, a diretora comercial da Kivi Italia, Maya Albani, contou que na Europa, é comum vans e ônibus serem dirigidos por pessoas com deficiência.

“A mentalidade geral na Europa, não apenas do dono de ônibus ou de um setor específico, é permitir quem tenha deficiência seja uma pessoa autônoma, integrada à sociedade. Não há subdivisão de setores, de ônibus, de vans. Não há preconceito em relação ao fato de pessoas com deficiência dirigirem um veículo maior.”

A plataforma do banco do motorista é feita pela empresa Elevittá Elevadores, a mesma que fornece o dispositivo para a van Daily, o micro-ônibus em parceria com a Caio – Soul Class e para os ônibus de 17 toneladas ou mais.

O diretor industrial da Elevittá, Erivelto Soares Weinert, contou ao Diário do Transporte que foram vários meses de estudo para desenvolver o elevador do motorista, mas que a operação é simples.

“O equipamento é sim revolucionário no Brasil, mas ao mesmo tempo o elevador é muito simples. Tem apenas dois comandos, é puramente elétrico, não tem sistema hidráulico ou pneumático, é muito fácil de operar. Os botões são apenas sobe e desce.” – disse ao enfatizar que a tecnologia pode ainda ser aperfeiçoada.

Se fosse comercializado, hoje o veículo ficaria em média, de 20% a 30% mais caro que um Daily Elevitá com sistema apenas para passageiros.

VEJA VÍDEO DE EXEMPLO DE OPERAÇÃO:

OUÇA AS ENTREVISTAS NA ÍNTEGRA:

GUSTAVO-SERIZAWA-ADAMO-BAZANI

FABIO-MAYA-ADAMO

ERIVELTO-SOARES-ADAMO-BAZANI

A reportagem do Diário do Transporte constatou em mais esta cobertura que, cada vez mais, as fabricantes de chassis e carrocerias estão interessadas em participar das discussões de mobilidade e que não sobreviverão as marcas que se limitarem a apenas venderem ônibus. O veículo é importante, mas a sociedade tem evoluído ao ponto de cobrar uma solução para os seus problemas e não apenas ônibus ou metrô.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

7 comentários em Parceria com universidade, van para pessoas com deficiência dirigirem, GNV e aposta nos trólebus são algumas das novidades da Iveco para o Brasil e exterior

  1. Amigos, boa noite.

    Parabéns IVECO, UFMG e ELEVITTA.

    Só discordo que a parceria seja com o curso de Arquitetura, mas…

    O buzão não precisa de design e sim de funcionalidade e ergonomia.

    Eu tenho uma ideia para tornar todo o buzão/VAN acessível, se a IVECO ou a ELEVITTÁ quiser assinar um acordo de confidencialidade, podemos ser parceiros também.

    A IVECO também pode pensar em outras Universidades do Barsil, para firmar parcerias.

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

  2. Complementando:

    Seria legal se fosse possível postar as fotos com as propostas dos outros 4 grupos.

    Serpa que dá Adamo ??

    Att,

    Paulo Gil

  3. Ô Paulo Gil, tem como vc contatar a Iveco, por outro meio que não seja por aqui? Se tiver e vc, obtiver êxito, por favor, nos comunique. Bateu uma enorme curiosidade, em torno da tua idéia… (risos)

    • Sergio Misael, boa noite.

      Obrigado pelo apoio.

      Eu me considero um “tirador de defeitos” e acho tudo muito complicado e também acho que muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita coisa pode ser simplificada neste planeta, tanto em produtos, como em procedimentos.

      Mas infelizmente só eu acho, o resto do mundo não.

      Tem outro meio para contatar as empresas sim, mas por eu ser uma simples pessoa física os resultados são quase nulos e a energia gasta é enorme para resultados quase nulos.

      Em 1997 eu desenvolvi um novo design de lixadeira, inclusive com patente de desenho industrial concedida, mas por ter chegado muito cedo ao mercado eu não tive sucesso.

      E hoje um produto similar já é realidade nas grandes lojas de material de construção e ferramentas.

      Tenho mais 2 projetos, mas não tenho dinheiro para investir e portanto sempre dependo de terceiros e nada de resultados.

      Tenho uma letra de música com o devido registro de direito autoral, tento vender para a Marcopolo e para duplas sertanejas, mas nem resposta eu obtenho.

      O ralão do corredor do buzão, eu tornei público aqui no Diário faz tempo e um renomado professor de arquitetura me disse que a ideia é boa.

      Outro dia deixei aqui a sugestão de um App, “Buzão na Reta”

      Então por essas e outras que eu inovei e faço a divulgação aqui no Diários, pois há a exposição mundial através da Internet, mas mesmo assim não tive resultado até o momento.

      Mas posso enviar um e-mail a IVECO face ao estímulo que você me deu pelo seu comentário.

      Dois pontos muito difíceis é você encontrar numa empresa a pessoa certa para manter o contato.

      E o quase impossível é achar uma pessoa que pense fora da caixa, pois pensam e nos tratam como se fossemos ET.

      E em geral as empresas não admitem que um simples cidadão pense.

      Com relação ao buzão todo acessível, dá para fazer, mas na prática tem um monte de motivos que pode inviabilizar uma ideia.

      Por exemplos:

      Os fabricantes podem não querer, o passageiro pode rejeitar,
      os órgãos burrocráticos também pode emperrar, o custo é um sério problema e os Jurássicos de plantão o maior de todos os problemas para implantação de novas ideias “fora da caixinha”.

      Há muitas variáveis e barreiras a serem transpostas

      Mas eu não vou desistir não, ainda vou ganhar dinheiro com alguma das minhas ideias.

      Mas não é fácil eu te garanto.

      Muito obrigado pelo seu apoio.

      Abçs,

      Paulo Gil

2 Trackbacks / Pingbacks

  1. Sindcomb Notícias – quinta-feira, 9 de novembro de 2017 – SINDCOMB
  2. ENTREVISTA: Falta de subsídios aos transportes é o principal entrave para Brasil estar alinhado ao que há de mais avançado no mundo – Diário do Transporte

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: