Transportes Urbanos sustentáveis são o caminho para metas do Acordo do Clima e crescimento econômico mundial

Relatório do International Finance Corporation – IFC, que integra o Banco Mundial, aponta BRTs e PPPs como indutores de investimentos e desenvolvimento econômico e social

ADAMO BAZANI

Economia sustentável. O termo, que pode parecer abstrato para muitos, é apontado por especialistas internacionais de diversas áreas como a melhor maneira de promover desenvolvimento econômico, equilíbrio social e respeito ao meio ambiente. E no contexto de economia sustentável, o transporte público, em especial os BRTs – Bus Rapid Transits, corredores de ônibus modernos e eficientes, têm destaque especial.

Pelo menos é o que aponta um relatório divulgado neste final de semana pelo International Finance Corporation – IFC, membro do Banco Mundial.

Intitulado Creating Markets for Climate Business (Criando Mercados para Negócios do Clima, na tradução livre em português), o trabalho sugere as formas de como atingir as metas de redução de emissões de poluentes, estipuladas no acordo de Paris, de 2015, aliando bem estar social e prosperidade econômica.

Para que as metas sejam alcançadas, devem ser investidos até 2030, em 21 mercados diferentes, US$ 23 trilhões. As PPPs – Parcerias Público Privadas são o modelo mais indicado pelo estudo para grande parte destes investimentos.

Os especialistas que assinam o relatório, ao qual o Diário do Transporte teve acesso na íntegra, destacam o transporte público, o consumo inteligente, a gestão dos recursos hídricos, as construções verdes, o agronegócio, a energia elétrica e energia renovável como as sete maiores oportunidades para o tão almejado desenvolvimento sustentável.

ÔNIBUS, O MEIO DE TRANSPORTE PARA AS CIDADES MUNDIAIS CRESCEREM:

A infraestrutura de transporte público deve receber mais investimentos até 2030, principalmente em modais considerados mais sustentáveis e que englobem inovações, como BRTs eletrificados e VLTs  – Veículos Leves sobre Trilhos. São estimados pelo estudo trilhões de dólares nesses investimentos nos corredores de ônibus e veículos elétricos.

As PPPs para construir corredores de ônibus BRTs, sistemas de metrô, além das viagens sob demanda estão, ainda de acordo com o relatório, entre as principais ações para atrair investimentos privados numa necessária onda de desenvolvimento sustentável, caso as metas do Acordo de Paris realmente sejam perseguidas.

Os sistemas de BRTs também são citados como indicadores-chaves de exemplos de infraestrutura de transportes sustentáveis.  Segundo o relatório, mais de 200 cidades em todo o mundo usam sistemas de BRT, com mais de 450 corredores e 5.600 quilômetros num “transporte mais ecológico” .

No artigo dentro do relatório, intitulado, em tradução livre, “Governos empresariais e locais: Dirigindo-se às mudanças climáticas”, o ex-prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, membro da Organização das Nações Unidas para cidades e mudanças climáticas, citou os BRTs como bons exemplos de redução de emissões e práticas para a melhoria qualidade de vida.

O documento mostra ainda a necessidade de investimentos em veículos elétricos, inclusive de transporte coletivo, e coloca como um dos grandes desafios tornar as baterias destes veículos mais eficientes.

O BRTs são apontados no documento como a forma mais rápida de reduzir as emissões de carbono do transporte público e cita a abrangência destes sistemas, em especial, na América Latina.

“O BRT é uma maneira popular de descarbonizar rapidamente o transporte público dentro da cidade. O BRT tem o maior número de usuários da América Latina, com mais de 20 milhões de  passageiros por dia, seguido pela Ásia em cerca de 9 milhões de passageiros por dia. Os sistemas BRT da Europa transportam cerca de 2 milhões de passageiros por dia, com Oceania e África cada uma com cerca de 420 mil pessoas por dia. Brasileiros são os que mais usam os BRTs, com quase 12 milhões de passageiros por dia em 33 cidades,  usando 124 corredores . No total, 205 cidades possuem sistema BRT, operando 450 corredores ao longo de mais de 5.600 quilômetros de estrada.”

O sistema de Buenos Aires recebe uma menção à parte como bom exemplo de investimentos de baixo custo e com resultados adequados.

DESMASCARANDO DISCURSOS FALACIOSOS:

Por fim, é possível perceber que o relatório, feito com bases em análises técnicas sob diversas leituras de diferentes especialidades, confronta os discursos de que “ônibus só é coisa do passado” ou “BRTs são sistemas tampões que nascem saturados”.

Em nenhum momento, o estudo rivaliza o ônibus com outros modais. Pelo contrário, suas conclusões apontam para o que é discutido há muito tempo: a intermodalidade.

O BRT pode ser transição para sistemas de maior capacidade, como metrôs, ou mesmo sistemas definitivos. O que deve definir é a demanda e as possibilidades de investismentos.

Notório que o relatório diz que a preferência é para tração limpa, em especial, elétrica, mas que também deixa claro que, independentemente da matriz energética (ou seja, os combustíveis), um sistema de BRT já é considerado um transporte com benefício ecológico, já que pode substituir carros e ônibus menores, que são os que mais poluem por pessoa deslocada.

A sustentabilidade não é só meio ambiente. Em linhas gerais, a sustentabilidade é composta por três pilares: o econômico, o social e o ambiental.

Ao ajudar na promoção do desenvolvimento econômico, transportando, por exemplo, mais pessoas para seus trabalhos e estudos proporcionalmente ocupando menos área urbana; ao ser um veículo de acesso a outros direitos sociais, como lazer, saúde, educação, trabalho e renda e; ao ajudar na diminuição dos congestionamentos, excesso de viagens individuais e poluição, o ônibus é um meio de transporte sustentável.

O ônibus é coisa do passado? – Sim, porque foi um dos meios de transportes que ajudou no crescimento econômico, social e pessoal, em todo o mundo, até onde a ferrovia (que não pé rival) é mais forte.

O ônibus é coisa do presente? – Sim, porque, mesmo com os atuais problemas e limitações em diversos sistemas, consegue atender a enormes demandas proporcionado acesso ao direito de ir e vir. Em grandes sistemas, como de São Paulo, o ônibus cumpre (satisfatoriamente ao ponderar suas limitações) o atendimento de uma demanda que é das dimensões de metrô pesado.

O ônibus é coisa do futuro? – Sim, porque modernizado e sendo uma das prioridades nos investimentos e espaço urbano, terá um papel de aliar atendimento de baixas, médias e grandes demandas com a flexibilidade que os trilhos nunca terão e com a capacidade que aplicativos de transporte individuais ou outras plataformas nunca conseguirão ter.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

3 comentários em Transportes Urbanos sustentáveis são o caminho para metas do Acordo do Clima e crescimento econômico mundial

  1. Caro Adamo, desculpe discordar de sua matéria mas relatórios como esse são extremamente dispensáveis. Primeiro por não existir aquecimento global, segundo por uma questão de soberania nacional e terceiro inadequado do ponto de vista da logística de cada país. Argumentos como especialistas, acordos ou relatórios internacionais, documentos etc não tem o mesmo peso de aceitação como antes – e nem deveriam ter antes!

    O tal aquecimento global é uma farsa, falácia e demagogia socialista! A mesma natureza que partiu o Titanic ao meio não pode ser subestimada a ponto de ser inferior a gases provenientes de seu próprio meio já que é a mesma natureza daquela época, ainda que esses gases sejam tóxicos – já que a própria natureza exala gases tóxicos na atmosfera como o enxofre em atividades vulcânicas por exemplo. O apelo ambiental é só uma desculpa para arrecadar fundos para interesses internacionais. Cuidar do meio ambiente é não jogar lixo na rua, rios, córregos etc! É ter consciência moral.

    Se eu não aceito o aquecimento global então não reconheço acordos climáticos. Relatórios internacionais devem ser apreciados pelo Senado Federal antes de vigorarem no país, por se tratar de uma norma alheia a nossa soberania. Deliberar intimida resoluções impositivas, portanto a burocracia se torna um importante aliado dos interesses nacionais. É como eu chegar na sua casa para me hospedar sem o seu consentimento e ainda ditar as regras inaceitáveis ao seu interesse pessoal. Portanto essa resolução externa, ao se aplicar em nações sem a devida autorização, é como uma invasão a sua casa mas em larga escala.

    No caso da logística é ainda mais gritante esse apelo de soluções: concentrar o uso de transporte de massa em apenas um modal foi justamente o erro que motivou os gargalos que vivemos hoje, onde o transporte rodoviário era visto até como um status social em detrimento do ferroviário, fluvial e principalmente oceânico em se tratando de transporte de carga – refiro-me á navegação de cabotagem, ainda mais aliada a um extenso sistema ferroviário tornando a logística (tanto humana como principalmente de carga) competitiva e eficiente. Sei que o texto fala em intermodalidade mas trata de forma isolada.

    Gestão: visão de longo prazo (consistência de projeto), diversidade de transporte levando em consideração a demanda local e aspectos geográficos da região considerada, integração de modais para não apenas ajudar o outro mas evitar saturação de demanda e combate á corrupção são itens que deveriam ser considerados ao se pensar em mobilidade. O fato de termos extensos rios urbanos disponíveis (pelo simples fato de existirem) mas ao mesmo tempo inaptos á navegação demonstram o desperdício de recursos hídricos para o deslocamento de massa. Já que o texto aborda o respeito ao meio ambiente está aí um bom começo para preservar os rios e usar essa soma trilhonária de dinheiro. Sistemas caros como os trilhos tem um retorno proporcional ao investimento, sendo o brt mais uma opção de deslocamento. Isso sim que é “equilíbrio social”.

  2. Aquecimento global não é algo que se aceita ou não se aceita; é uma questão que tem a ver com raciocinar ou não raciocinar; os estudos disponíveis sobre o tema estão todos aí. os 7% dos estudos “do-contra” foram todos avaliados cuidadosamente por entidades científicas isentas, e todos foram considerados “flawed”, ou seja, com furos insanáveis. Adamo, eu gostaria de cumprimentá-lo pelo alerta que v. está dando aos tomadores de decisão e especialistas do setor – pelo menos aos mais atentos. Estamos diante de uma grande oportunidade de dar as mãos e crescer muito e não podemos ficar de braços cruzados sem criar um esforço conjunto para ter acesso a esses recursos bilionários oriundos dos acordos de proteção do clima. Esta é também a hora boa para entidades como a ANTP, por exemplo, mergulharem a fundo na agenda do transporte sustentável.

  3. Amigos, bom dia.

    Pra mim o relatório é lógica.

    Porém no caso Barsil, em especial em Sampa temos de considerar que temos 2 GRANDES JURÁSSICOS empacando a modernidade, a Fiscalizadora e a EMTOSA.

    Uma ainda opera como a CMTC operava há décadas e a outra só tem olhos para o corredor ABD, fingindo não ver as sucatas rodantes .

    Calma, nada contra a CMTC, simplesmente que hoje o 21/21, a linha Penha – Lapa e a caranguejada ziguezagueada não cola mais.

    Por outro lado temos as peculiaridades do Barsil e de Sampa, onde a topografia não ajuda, e não há espaço físico para nada, muito menos dinheiro e vontade para implodir um “X” em Sampa e ai sim fazer um METRÔ em “X” em Sampa, dando velocidade aos deslocamentos.

    A rede de mobilidade a lá Paulo Gil, nem pensar, pois estão fixados nas Penha – Lapa.

    E quando se fala em BRT. corredor de buzão e o escambal, “eles” ainda não conseguiram largar de aplicar os “paradores”, pois aqui no Barsil, corredor de buzão tem de ter semáforo.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKk

    Outro absurdo é que aqui ainda tem um ponto de buzão a cada 300 a 500m um do outro, sem contar os ponto muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito próximo.

    Já dei uma sugestão para otimizar os pontos, mas nada ainda bem como fazer uma parada na praça que fica no cruzamento das Avenidas jaguaré e Corifeu, mas a fiscalizadora continua zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

    É isso ai.

    De relatório já estamos cheios e saturados, precisamos é de trabalho com técnica, ética, moral e racionalidade, eficiência e eficácia operacional e de uso.

    Att,

    Paulo Gil

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