Volvo lança programa de economia de combustível e Visate reduz em 7% gasto com diesel
Publicado em: 2 de outubro de 2017
Projeto piloto foi realizado com empresa de ônibus de Caxias do Sul e programa já está disponível para o mercado
ADAMO BAZANI
“Muito mais que aumentar a eficiência, é necessário que o setor de transportes de passageiros reduza a ineficiência, que hoje é um dos principais desafios dos operadores”
A frase, do diretor-superintendente da Visate – Viação Santa Tereza Ltda, Fernando Ribeiro, revela que as empresas de ônibus parecem ter hoje mais a noção de que para aumentar a produtividade e a qualidade de serviços é necessário aprimorar a gestão e, atualmente, a tecnologia junto com a experiência e conhecimento profissional é um dos caminhos para isso.
Muitas empresas ainda entendem que cortar custos é cortar linhas, reduzir a qualidade e diminuir a frota em operação. Mas, ao longo do tempo, este tem se mostrado não ser o caminho mais correto.
E, aliar tecnologia e conhecimento humano, é um dos principais pilares do programa Consumo na Medida, desenvolvido pela fabricante Volvo e aplicado, por meio de um projeto-piloto, na empresa Visate, operadora dos transportes de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
A convite da montadora, o Diário do Transporte foi até a garagem conferir os resultados do programa, que já está disponível nas regiões atendidas pelos concessionários da marca Dipesul, Auto Sueco São Paulo e Rivesa para empresas de ônibus de médio e grande porte. A partir do início de 2018, o produto será disponibilizado para toda rede de concessionários e para empresas dos mais variados portes.
“Tivemos no período de programa, que foi de em torno de seis meses, redução de consumo de combustível na ordem de 7% em comparação às médias anteriores realizadas pelos mesmos veículos da marca Volvo. Mas não foi somente o custo com combustível que conseguimos reduzir. O CPK (Custo por Quilômetro) dos ônibus Volvo da frota ficou 9% menor que das outras marcas usadas pela Visate. O CPK leva em conta variáveis como desgaste de peças, pneus, óleo diesel e lubrificantes. Já o total de eventos negativos teve uma redução de 59%, passando de uma média de 2,85 por hora para 1,16. Eventos negativos são ações como excesso de aceleração, frenagens bruscas, velocidade inadequada para cada trecho e, um dos principais problemas que foram detectados, excesso de marcha lenta, ou seja, ônibus com o motor ligado sem necessidade enquanto estão parados. Nosso objetivo agora é fazer mais de 1,5 quilômetro por litro de diesel, na média geral” – explicou o gerente de manutenção de frota da Visate, Carlinhos de Jesus.

Área de manutenção da Visate, em Caxias do Sul. Melhor dirigibilidade resultou em menores custos de manutenção e menos tempo de ônibus parados na oficina
“Um dos pontos mais interessantes do programa é o trabalho de conscientização e reeducação individual de cada motorista. É a chamada ‘ação in loco’. Pela telemetria da Volvo, que nos dá um diagnóstico fiel, identificamos os problemas ocorridos na ação de cada motorista. O técnico da Volvo, após estes relatórios gerados, acompanha a operação de cada ônibus. Com isso, pudemos fazer treinamentos individuais para os motoristas. Há muitos vícios, por hábitos errados que são desenvolvidos ao longo do tempo a cada motorista. A ação in loco e os treinamentos individuais são na medida certa porque cada motorista pode ter um hábito diferente. A forma como são aplicados os treinamentos é muito bem recebida pelos motoristas porque não há um intuito de repreensão e punição, mas reeducação, o que vai melhorar sua condição como profissional no mercado” – explica o gerente de operação da Visate, Anderson Castilhos.
O programa Consumo na Medida é realizado apenas em veículos Volvo, mas, segundo o diretor-superintendente da Visate, Fernando Ribeiro, muitos conceitos extraídos dos relatórios podem ser aplicados para outras marcas porque se referem mais à postura do motorista que o veículo propriamente dito.
“Um exemplo é o tempo excessivo que registramos de marcha lenta (ônibus parados com o motor ligado sem necessidade). Esse é um tipo de problema que, independentemente da marca do ônibus, vai gerar custos e não tínhamos a noção precisa dos impactos disso nos custos de nossa operação. Uma boa dirigibilidade vale para todas as marcas, apesar das características específicas de cada uma. Sobre a marcha lenta, outro detalhe que nos chamou a atenção no programa: descobrimos que boa parte do problema ocorria na garagem. O manobrista posicionava o veículo e deixava ligado por mais tempo que o necessário” – comentou o diretor da empresa.
Numa projeção feita pela empresa, 7% de redução de consumo de diesel, pela média atual de preços do combustível, numa frota de 100 ônibus, pode representar no final do período de um ano, economia de R$ 876 mil. Com este dinheiro, por exemplo, é possível comprar um ônibus articulado ainda com sobra ou dois ônibus Padron.
Vale ressaltar que este número é uma projeção, já que a Visate possui 342 ônibus, sendo que cerca de 5% da frota, 16 veículos, são da marca Volvo, dos quais 15 são articulados e operam em uma linha troncal (Volvo B340M) e um Padron (Volvo B290R).

Ônibus utilizado em treinamento. Resultados proporcionaram atendimento individualizado para cada motorista
Segundo o gerente de serviços conectados da Volvo, Vinícius Gaensly, a economia de combustível foi a principal necessidade relatada pelas empresas de ônibus quando a marca desenvolveu uma pesquisa entre empresários. Atualmente, o gasto com o combustível é o segundo maior item de impacto nos custos para operação de transportes, perdendo apenas para folha de pagamento. O terceiro item de maior peso são os insumos, peças e lubrificantes, cujos gastos também são reduzidos com o programa, de acordo com o executivo.
“Na pesquisa que fizemos com nossos clientes (empresários de ônibus), pela ordem, as maiores demandas que recebemos foram: economia de combustível, aumento da segurança, redução do custo operacional, maior disponibilidade do ônibus (ficar menos tempo parado para conserto) e mais conforto para o passageiro. Tudo isso é atendido pelo programa Consumo na Medida, porque o principal item que verificamos, a dirigibilidade, influencia em todos estes fatores”
Em linhas gerais, o programa funciona da seguinte maneira, sempre realizado entre técnicos da Volvo, da concessionária e da empresa de ônibus:
1ª fase (30 dias): É feito um estudo preliminar, com base na telemetria da Volvo, que verifica o panorama geral de cada empresa e são estimuladas metas de redução de custos, sem cortar serviços.
2ª fase (90 dias). Com base nos resultados de trabalho de diagnóstico é iniciada a fase de implementação. É quando são gerados os relatórios comparativos, realizada a consultoria na garagem e o acompanhamento do motorista.
3ª fase (12, 24 ou 36 meses): São colocados em prática planos de manutenção adequados para a realidade de cada empresa ou cada linha, cursos de reciclagem para os motoristas em grupo e individuais e o monitoramento de todos os processos de manutenção e operação.
Durante todo o processo, são realizadas reuniões trimestrais entre a empresa e profissionais da fabricante que integram a VED – Volvo Equipe Dedicada.
Nestas reuniões são debatidos temas como demandas da operação e da manutenção, disponibilidade das peças e acompanhamento da vida útil dos componentes.
NO CASO DA VISATE:

Vista de um dos patamares da garagem da Visate, em Caxias do Sul, considerada uma das mais modernas do País ao lado de Santa Brígida (São Paulo), Metra (São Bernardo do Campo) e Rouxinol (Belo Horizonte), entre outras.
Por se tratar de um piloto, o programa não teve custo para a Visate. Agora, para o mercado em geral, as segundas e terceiras fases serão cobradas. Segundo a Volvo, o valor da consultoria varia de acordo com o porte da empresa e o tamanho da frota da marca.
Na Visate, foram acompanhados 15 ônibus Volvo (todos articulados) dos 16 da marca que a empresa tem. Há um veículo Padron.
A Visate tem ao todo 342 ônibus que operam 77 linhas principais. Toda a empresa tem 1331 funcionários, sendo que cerca de 1100 são diretamente da área operacional. Por dia, são mais de sete mil horários para cumprir.
Os 15 ônibus que tiveram a operação avaliada atuam numa linha troncal, que liga o Leste e o Oeste da cidade de Caxias de Sul.
Somente esta linha, que conta com duas EPI – Estação Principal de Integração, transporta 900 mil passageiros por mês. São sete paradas na ida e sete na volta.
A linha é operada por 19 ônibus articulados, sendo que 15 são da Volvo e quatro de outras marcas, como Mercedes-Benz e Scania. Já toda a frota da Visate é composta por Agrale, Mercedes-Benz, Scania e Volvo.
A linha troncal avaliada é conectada diretamente a nove linhas alimentadoras.
Segundo a Visate, hoje a remuneração pelos serviços ocorre somente pela tarifa, que é de R$ 3,70. A empresa diz que do total de passageiros transportados, 35% são gratuidades, como as destinadas a idosos com 60 anos ou mais, estudantes e portadores de deficiência.
A população de Caxias do Sul é de cerca de 480 mil pessoas, de acordo com a estimativa do IBGE sobre 2016. É a segunda maior cidade do Rio Grande do Sul e, ainda segundo o IBGE, em 2010 era segundo maior polo metal-mecânico do País, perdendo apenas para São Paulo.
O trânsito é um dos principais problemas na mobilidade de Caxias do Sul. Apesar da faixa de ônibus na linha troncal, agora podendo receber conversões dos carros, e de faixas preferenciais em outros pontos, a falta de prioridade ao transporte coletivo ainda é grande.
“Há questões que precisam ser resolvidas pelo poder público e outras que o empresário de ônibus pode fazer. Nossa parte é melhorar a gestão, reduzir os custos sem reduzir a oferta de serviços, mas o transporte coletivo vive numa de suas piores situações. Em todo o Brasil, há uma perda de passageiros. Nós aqui, desde 1986, sempre registramos altas consecutivas ou períodos de estabilidade. Mas nos últimos três anos, foram quedas consecutivas e isso não tem nada a ver com crise econômica. Hoje a empresa de transporte coletivo sofre diversas concorrências, algumas até desleais. A moto e aplicativos de transportes sãos as maiores que sentimos. O problema é que somos extremamente regulados, enquanto os outros têm flexibilidade. Se quisermos criar linhas especiais para atender somente os horários de saída de universidades (Caxias do Sul tem 16) ou de fábricas, serviços de reforço, etc, não podemos.” – disse o diretor-superintendente da Visate, Fernando Ribeiro.
O executivo acredita que o transporte coletivo vai continuar perdendo passageiros até se estabilizar. Por isso que terá se adaptar. Para Fernando Ribeiro, entre os principais motivos para as pessoas deixarem o transporte coletivo são falta de segurança, mudança de costumes da população e a excessiva regulamentação dos transportes.
“Criamos aqui em Caxias do Sul um programa com escolas para incentivar o uso do transporte público por estudantes. As crianças e adolescentes iam até pontos de maior segurança nas linhas, com a presença de guardas, o motorista daquela linha havia recebido treinamento para lidar com as crianças. Elas desciam e seguiam a pé no trecho do ponto para a escola. Afinal, a partir de certa idade, a criança já precisa ser inserida no mundo real das cidades. Mas passou um tempo, o programa se esvaziou. As pessoas, apesar de todo o amparo, não tinham segurança para deixar seus filhos se deslocarem. Paradas escuras, medo de assalto, afugentam qualquer passageiro. Não há como o poder público negar isso. Transporte público é todo o deslocamento, não é só ônibus. Os costumes estão mudando. Os aplicativos de transporte, como o Uber, vieram para ficar. Muitas viagens do transporte coletivo foram para os aplicativos. O poder público e empresas têm de possuir jogo de cintura para reverter esta situação. É claro que o transporte de massa, no cotidiano, nunca vai ser substituído pelo Uber ou qualquer um que seja, mas o impacto está aí. Há um tempo atrás, o Brasil se orgulhava de ter o transporte coletivo mais regulamentado da América Latina. Hoje pagamos por isso. Claro, não é liberar geral, mas dar um pouco mais que seja de autonomia para as empresas acompanharem mais rapidamente a tendência de mercado. Até o poder público, em qualquer lugar do país, aprovar a mudança de uma O.S.O – Ordem de Serviço Operacional, a demanda foi perdida” – relata Fernando que ainda explicou que a Viação Santa Tereza de Caxias do Sul Ltda foi criada em 1985 e passou a operar em 10 de fevereiro de 1986, com 104 ônibus, 28 linhas e 450 funcionários.
A empresa possui desde 1999 um complexo onde funcionam a garagem, manutenção e centro administrativo. Numa área de 90 mil metros quadrados, a garagem tem três patamares, onde os ônibus são dispostos de acordo com a ordem de saída para facilitar o início das operações. Um destes patamares, contudo, é para ônibus de maior porte, como articulados e os trucados (de três eixos).
A garagem tem espaços de convivência e, nas proximidades, academia de exercícios para os funcionários.
O complexo possui também uma extensa área de manutenção, central de resíduos (para encaminhar para reciclagem diversos tipos de materiais) e um sistema de reuso de água que reaproveita 90% do total consumido pela empresa.
Toda a operação é acompanhada por CCO – Centro de Controle Operacional próprio, que funciona na garagem e conta com dados de GPS e monitores que exibem em tempo real imagens de câmeras instaladas no sistema.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Amigos, bom dia.
Nooooooooooooooooooossa, me surpreendi com o tanto de conteúdo tem esta matéria.
Parabéns Adamo, essa matéria está ótimo e ela tem de ser lida e relida pela PMSP, SMT, Fiscalizadora, ARTESP, ANTT e todo o resto do puuuuuuuuuuuuuuuuuuder.
Vamos lá:
1) Parabéns à VOLVO, se tem uma coisa que eu admiro é um trabalho bem feito e principalmente quando
é bem feito da primeira vez e ainda mais por ser um trabalho TÉCNICO.
Volvo venham para Sampa e grande Sampa; aqui vocês terão um faturamento extra vendendo existe serviço, principalmente na questão de reeducação de pilotos, ou até de chegar a conclusão que alguns deles NÃO podem ser pilotos de buzão, pois NÃO gostam de dirigir.
2) Foi uma prazer conhecer a VISATE e saber que tem empresa de buzão de alto nível e com mentalidade moderna.
PARABÉNS VISATE!
3) PARABÉNS ao Sr. Fernando Ribeiro, muitos parabéns mesmo.
“O problema é que somos extremamente regulados, enquanto os outros têm flexibilidade. Se quisermos criar linhas especiais para atender somente os horários de saída de universidades (Caxias do Sul tem 16) ou de fábricas, serviços de reforço, etc, não podemos.” – disse o diretor-superintendente da Visate, Fernando Ribeiro.”
“… o Brasil se orgulhava de ter o transporte coletivo mais regulamentado da América Latina. Hoje pagamos por isso.”
Perfeitas as suas colocações e isto eu comento sempre aqui no Diário, o excesso de regulação do PUUUUUUDER atrapalha o Barsil todo, não só o buzão.
Outra colocação perfeita e real do Sr. Fernando Ribeiro.
“Até o poder público, em qualquer lugar do país, aprovar a mudança de uma O.S.O – Ordem de Serviço Operacional, a demanda foi perdida”
Tá feita a prova dos 9; e olha que não é o Paulo Gil quem está falando é o Sr. Fernando Ribeiro, um profissional do buzão; infelizmente eu não trabalho com o buzão sou apenas um apaixonado; quem sabe um dia ainda vou ter o meu ( talvez na próxima encarnação rsssssssssssssssssss).
Bom, reafirmo a necessidade de leitura desta matéria PMSP, SMT, Fiscalizadora, ARTESP, ANTT e todo o resto do puuuuuuuuuuuuuuuuuuder.
O buzão precisa de dinâmica e isto não é o forte do puuuuuder e nem da burrocracia do Barsil.
Parabéns, Adamo, VOLVO, Visate e ao Sr. Fernando Ribeiro.
VOLVO, vem pra Sampa e grande Sampa.
Despois dessa, espero que o puuuuuuuuuuuder se mexa a favor do Barsil.
MUDA BARSIL.
Att,
Paulo Gil
“Buzão e Emoção é a Paixão”