Funcionários da Carris reagem a declarações de prefeito de Porto Alegre

Foto do site Ônibus Brasil

Declarações de Nelson Marchezan provocaram mobilização de uma parte dos funcionários da mais antiga empresa de transporte coletivo do país em atividade

ALEXANDRE PELEGI

No dia 21 de setembro, em entrevista a uma emissora de rádio de Porto Alegre, o prefeito da cidade, Nelson Marchezan, afirmou alto e bom: a Carris é inviável. Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2017/09/23/prefeito-de-porto-alegre-avalia-saidas-para-a-carris-privatizacao-venda-ou-fechamento/

Suas declarações provocaram uma mobilização de uma parte dos funcionários da mais antiga empresa de transporte coletivo do país em atividade.

Na Rádio Gaúcha, o prefeito afirmou, dentre outras coisas, que “o índice de roubo de peças dos ônibus é muito grande”. Em mensagens pela internet e por meio de um panfleto distribuído aos passageiros nos terminais, os funcionários responderam ao prefeito da capital gaúcha, acusando-o de tentar “desmoralizar a empresa Carris e seus funcionários”.

O texto foi assinado pela Frente Parlamentar em Defesa da Carris e do Transporte Público de Qualidade, um grupo que reúne vereadores e representantes dos funcionários.

Dirigida por um vereador do PSOL, Roberto Robaina, a Frente Parlamentar critica outras manifestações recentes de Marchezan.

Um dos pontos de divergência, por exemplo, é a explicação para a falta de ônibus, além do mau estado dos que circulam pelas ruas de Porto Alegre. A Frente alega que desde 2016 não há licitação para aquisição de peças e listam os ônibus que estão parados na garagem por falta de material. A prefeitura, através de nota, argumenta que está realizando licitações, apenas que estas teriam sido revisadas visando preços melhores.

Felipe Suteles, delegado sindical da Carris, disse em entrevista ao jornal Gaúcha ZH (Zero Hora) que orientações da prefeitura e da direção da Carris nos últimos meses têm dificultado o trabalho dos funcionários e a circulação das linhas da empresa na Capital. “Em março, foram proibidas horas extras. E uma prática comum na Carris para driblar a falta de peças – a retirada de peças boas de ônibus estragados para consertar outros – foi vedada”, disse Suteles.

O Ministério Público de Contas (MPC) solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a realização de uma auditoria operacional na Carris. A manifestação foi provocada por uma representação encaminhada pela Comissão de Funcionários da empresa, juntamente com o PT, em maio.

A representação foi assinada pelo procurador-geral Geraldo Da Camino, e pedia que fossem analisadas supostas inconformidades relacionadas à falta de investimentos na estrutura da empresa, prejuízos acumulados nas últimas gestões e ao sucateamento da frota.

Conheça um pouco da história da Carris:

LINHA DO TEMPO

19/06/1872 – Fundação da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense.

05/01/1873 – Primeira viagem de um bonde da Carris em Porto Alegre, na linha Menino Deus.

1874 – Fim da Revolta dos Muckers – Carris doa 100 mulas para exército.

15/01/1893 – Fundação da Carris Urbanus (linhas Moinhos, Floresta e Partenon).

24/03/1906 – Da fusão da Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense e da Carris Urbanus nasce a Companhia Força e Luz Porto-Alegrense.

10/03/1908 – Primeiro bonde elétrico entra em circulação.

1914 – Circula o último bonde puxado a mula.

1926
 – Primeiro ônibus circula em Porto Alegre, de propriedade de Amador dos Santos Fernandes e Manoel Ramirez. A Cia Força e Luz Porto-Alegrense vende suas usinas para a CEERG, criada em 1923, de propriedade do grupo Electric Bond & Share e passa a se chamar Cia Carris Porto-Alegrense.

13/09/1928 – A Carris passa a ser administrada pela empresa norte-americana Electric Bond & Share, integrante do grupo liderado pela General Electric.

1929 – Primeiro Auto-ônibus da Carris entra em circulação, modelo Yellow Coach.

1939-1944 – Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil passou por vários períodos de racionamento de combustível. Os veículos que necessitavam de óleo e gasolina são obrigados a reduzir suas atividades. O transporte de bondes fica sobrecarregado e a Carris coloca 16 carros reserva em funcionamento, aumentando a frota de 85 para 101 veículos. É também durante o período da Segunda Guerra que grande parte das tripulações da companhia é requisitada pelo Exército. A Carris tenta então contratar mulheres para o serviço de condutor (cobrança de passagem) mas a medida é vetada pelo Ministério do Trabalho do governo Getúlio Vargas.

1952 – Sucessivas greves e o evidente desinteresse dos norte-americanos da Bond & Share em manter o transporte por bondes levam a Prefeitura a intervir na companhia. Assume como interventor José Antonio Aranha, irmão do ministro Oswaldo Aranha.

1953 – Durante uma greve no serviços de bondes da Carris, o músico Lupicínio Rodrigues – que havia trabalhado em 1930 na companhia como aprendiz de mecânico – inspira-se para compor o Hino do Grêmio, cujos versos iniciais se referem à falta do transporte para levar os torcedores até o estádio: “Até a pé nos iremos; para o que der e vier; Mas o certo é que nós estaremos; Com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

29/11/1953
 – Após o período de intervenção, a Prefeitura, na gestão de Ildo Meneghetti,  encampa a Carris, assumindo o controle acionário. Lei 1069, que determina a encampação, é aprovada por 17 votos a dois na Câmara de Vereadores.

1956 – Carris encerra o serviço de transporte por ônibus, transferindo seus veículos para o Departamento Autônomo de Transportes Coletivos (DATC).

1964 – Carris começa a operar sistema de troleibus (ônibus elétricos), inicialmente com cinco veículos e depois com mais quatro. No entanto, problemas de adaptação da voltagem na rede impedem o bom funcionamento do serviço

29/09/1966 –Companhia retoma o transporte por ônibus. Três bondes da Linha Duque são substituídos por ônibus a diesel, iniciando o processo que culminaria com o fim dos bondes elétricos.

19/05/1969 – Circula o último troleibus.

05/06/1969 – Bondes da Avenida Assis Brasil são substituídos por ônibus

26/10/1969 – Linhas Petrópolis e Gasômetro-Escola também trocam os bondes por ônibus

08/03/1970 – Circulam os últimos bondes elétricos nas linhas Partenon, Glória e Teresópolis. Houve solenidade de despedida, à qual compareceram o Prefeito e autoridades. Toda a população pôde viajar gratuitamente. Às 20h30, o último elétrico foi recolhido ao depósito de bondes.

1973 – Em fevereiro, a Carris transfere sua sede para a Rua Albion, na Zona Leste de Porto Alegre.

1974 – Empresa cria a Escola de Motoristas.

1976 – Início da operação das linhas transversais: T1, T2, T3 e T4.

1976-1979 – Implantação dos corredores de ônibus de Porto Alegre.

1977 – Implantação da linha Campus-Ipiranga, ligando o recém-inaugurado Campus do Vale da Ufrgs, com o Centro da cidade, passando também em frente da PUC.

13/10/1980 – Instituída a tarifa única em Porto Alegre. Linhas de ônibus são redistribuídas entre as operadoras do sistema.

1982 – Inicia o tráfego de duas linhas circulares no Centro.

1989 – Criada a linha T5 e  a sala da Memória Carris, na sede da Companhia.

1990 – Em operação a linha T6.

1995 – Implantada a  linha T1 Direta.

1997 – Começa a circular a linha T2A.

1998 – Inicia tráfego da T7.

1999 – Criada a linha T8.

2000 – Inauguradas as linhas T9, T9 IPA e T10.

2003 – Criação da Linha Turismo, com o roteiro Centro Histórico.

14/11/2006 – Carris começa a operar a linha T11 3ª Perimetral, que cruza toda a extensão da mais importante obra viária de Porto Alegre, do Aeroporto Salgado Filho, na Zona Norte, até o Bairro Teresópolis, na Zona Sul da cidade.

2007 – A frota da Carris passa a operar com o sistema de Bilhetagem Eletrônica.

09/08/2007 – Os ônibus da Carris começaram a circular abastecidos por Biodiesel, um combustível menos poluente.

21/06/2008 – Entrega oficial da sede de funcionários da Carris.

19/04/2009 – Instalação das primeiras televisões nos ônibus da Carris.

2010 – Criação de duas linhas sociais para atender grupos escolares e entidades sociais, adesivados com a linha do tempo da Carris.

2010 – Inauguração da linha social Territórios Negros. A linha realiza roteiro histórico sobre pontos da cidade representativos da cultura afro-brasileira.

2011 – Entrega do primeiro ônibus para a linha social Bicho Amigo. Através de parceria com a Secretaria Especial dos Direitos dos Animais. O veículo funciona como clínica itinerante para esterilizações.

2011 – Entrega de mais um veículo para a linha Bicho Amigo. O ônibus transporta animais de famílias em vulnerabilidade social.

11/04/2011 – Institucionalização da Unidade de Documentação e Memória da Carris (UDM).

16/12/2011 – Início da operação da Linha C4 balada segura.

03/09/2012 – Início da operação da Linha T11A.

11/01/2013 – A Carris entrega 13 novos ônibus articulados à comunidade.

26/09/2013 – Carris investe na qualidade de trabalho de seus funcionários e inaugura o terminal T3 e T4 Sul.

22/08/2014 – Carris reforça segurança nos ônibus com a instalação de 1.484 câmeras.

26/11/2014 – A Companhia Carris Porto-alegrense recebe a certificação de Empresa Cidadã, do Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio de Janeiro.

09/03/2015 – Carris entrega 50 novos ônibus (35 convencionais e 15 articulados) à população de Porto Alegre.

22/02/2016 – Carris inicia operação das linhas transversais T12, T12.1, T12A e T13.

Fonte: prefeitura de Porto Alegre

Alexandre Pelegi, jornalistas especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Desculpem a minha ignorância, mas eu não sabia que no Barsil tínhamos este órgão, aliás nem fazia a menor ideia.

    O Ministério Público de Contas (MPC).

    Agora não há mais desculpas para haver contas errada no Barsil; quem sabe agora as contas do
    buzão de Sampa fecharam.

    Historicamente e filosoficamente a permanecia da Carris é importante.

    Mas matematicamente pelo visto não há solução.

    Administrar não é o forte do Barsil, nem no sul.

    MUDA BARSIL.

    Att,

    Paulo Gil

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