Novo Dual Bus, elétrico e híbrido, será uma das atrações de evento sobre eletromobilidade em São Paulo

Ônibus pode circular somente com baterias ou na versão híbrida

Veículo pode operar somente com baterias por 20 km em cada sentido

ADAMO BAZANI

Começa nesta quinta-feira, 21 de setembro, o 13º Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos-Híbridos, Componentes e Novas Tecnologias, que ocorre em conjunto com o Congresso “Empreendedorismo, Design e Inovação em mobilidade”.

Realizados pela ABVE – Associação Brasileira do Veículo Elétrico, os dois eventos discutem alternativas para a redução da poluição nos meios de transportes e ocorrem no Pavilhão Amarelo do Expo Center Norte, entre 21 e 23 de setembro, sempre das 12h às 17h, com entrada gratuita.

Serão exibidas palestras com representantes da indústria e especialistas, além de exposições de bicicletas, carrinhos de serviço interno, scooters, carros de passeio, caminhões e ônibus híbridos ou elétricos.

Um dos destaques será uma nova versão do conceito Dual Bus. Trata-se de um ônibus que reúne duas tecnologias: elétrico puro e híbrido.

A primeira versão do Dual Bus foi lançada em 2015. Na ocasião, foi apresentado um veículo superarticulado de 23 metros de comprimento que reúne as tecnologias híbrido e trólebus, que hoje está em operação no trecho Diadema-Brooklin do Corredor ABD.

Esta nova versão, que será apresentada nesta quinta, consiste num ônibus Padron, com 13,2 metros de comprimento, que reúne as tecnologias híbrido e elétrico puro a bateria.

O ônibus também está nos padrões do Corredor ABD, operado pela Metra.

O veículo possui um sistema padronizado de tração, que pode ser alimentado por várias fontes de energia.

Segundo nota da Eletra Industrial, empresa de São Bernardo do Campo responsável pelo projeto, o novo Dual Bus opera como elétrico híbrido e como elétrico puro, podendo se deslocar só com baterias por 20 quilômetros a cada volta.

“A possibilidade de o mesmo ônibus operar como elétrico híbrido ou elétrico puro agrega vários benefícios para a operação, pois com a mesma frota é possível atender vários sistemas. Além disto, a matriz energética pode ser modificada de acordo com a evolução da tecnologia de geração e armazenamento ou mesmo dos custos envolvidos. Por exemplo, uma frota de híbridos pode se transformar em trólebus ou elétrico puro e vice-versa, ou seja, um ônibus elétrico desenvolvido pela Eletra pode operar com duas fontes distintas de energia ou trocar estas fontes de acordo com as demandas exigidas para o sistema de transporte. Esta flexibilidade permite que o Gestor Público tenha mais segurança na especificação das frotas com menos emissão, já que a tecnologia pode evoluir no mesmo ônibus” – explicou em nota, a gerente comercial da Eletra, Iêda Alves Oliveira.

O motor a combustão é menos potente e poluente que os motores dos ônibus convencionais porque só é usado para gerar energia que é armazenada num banco de baterias.

Toda a tração é elétrica.

A empresa diz que a redução da emissão de materiais particulados pode chegar a 95%.

“O modelo híbrido traz ainda a vantagem de reduzir significativamente a emissão de poluentes e pode chegar a zero na operação com o motor-gerador desligado. O consumo de combustível na versão hibrida tem redução de 28%. E como elétrico puro, além de emissão ZERO, consome 33% menos energia, pela eficiência na frenagem regenerativa.”

Na nota, a fabricante ainda destaca que o modelo tem a vantagem de não precisar de infraestrutura de fiação, como os trólebus, e de recarga de baterias, como os elétricos puros, pelo fato de gerar sua própria energia.

Outro ponto de destaque do novo modelo, é que ele não demanda investimentos em infraestrutura de recarga para as baterias, pois quando está operando como híbrido ou elétrico, as baterias também são recarregadas nas frenagens por meio de um sistema conhecido como Kers, sigla em inglês para sistema de recuperação de energia cinética. Quando o freio é acionado, o motor elétrico vira um gerador e a energia que seria desperdiçada na frenagem é reaproveitada e armazenada no banco de baterias.

O modelo tem carroceira Caio Millennium e é configurado para transportar 82 passageiros, sendo 27 sentados, 54 em pé e um cadeirante.

O motor elétrico é feito pela WEG e o motor a diesel é um OM 924 Série A Euro V desenvolvido pela Mercedes-Benz especialmente para o projeto. O gerador também é da WEG.

A nova versão do Dual Bus tem 193 baterias de lítio, ligadas em série, instaladas em quatro compartimentos sobre a carroceria.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, bom dia.

    Quantos dual bus a Metra tem em operação ??

    Att,

    Paulo Gil

  2. jair disse:

    Desenvolvimento e industrialização Brasileira – Parabéns
    Gostaria de entender porque não pode ser hibrido/troleibus com alimentação das baterias pela energia eletrica da rede, permitindo deslocamentos em panes eletricas e operar ramais fora da rede eletrica,
    Acho que os trolebus em operação na zona leste de São Paulo já usa esse sistema.

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