Motoristas e cobradores fazem novo protesto em Curitiba contra violência nos ônibus
Publicado em: 5 de setembro de 2017
Praças da região central da cidade ficaram sem ônibus na manhã desta terça-feira, dia 5. Cronograma de ações feitas pelo Sindimoc foi montado para cobrar melhorias na segurança
ALEXANDRE PELEGI
Revoltados com a falta de segurança no transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana, motoristas e cobradores têm realizado uma série de manifestações para alertar as autoridades.
Ontem, cerca de 300 Motoristas e cobradores de ônibus da viação Sorriso reuniram-se, nas primeiras horas da manhã, para decidir as ações que iriam tomar para chamar a atenção das autoridades. Relembre:
Hoje (5) pela manhã uma paralisação de uma hora foi realizada já como parte de um cronograma elaborado pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) para protestar contra os casos de violência que têm vitimado os profissionais do setor.
Em julho um motorista foi assassinato em um arrastão, e na última sexta-feira (dia 1) um cobrador foi assassinado com dois tiros. A violência aumentou com um novo caso registrado na noite de ontem, dia 4.
A paralisação de hoje atingiu todos os ônibus que tinham ponto nas praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Praça Osório, Praça Zacarias e Tiradentes, além da travessa Moreira Garcês e Rua Nestor de Castro. Eles ficaram sem circular das 9h às 10h.
Em nota emitida pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), o setor empresarial afirmou que integrantes do Sindimoc estão “sequestrando os ônibus das empresas nesta terça-feira (5) para levá-los aos locais de protesto da categoria pela falta de segurança no transporte coletivo”.
Confira nota na íntegra:
Membros do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc) estão sequestrando os ônibus das empresas nesta terça-feira (5) para levá-los aos locais de protesto da categoria pela falta de segurança no transporte coletivo.
O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) recebeu relatos de seus colaboradores alegando que membros do Sindimoc barraram a passagem de seus ônibus e obrigaram os motoristas a deixar os veículos. Em alguns casos, até passageiros tiveram de desembarcar. As empresas estão levando os motoristas dos ônibus sequestrados para realizar o Boletim de Ocorrência.
O Setransp volta a afirmar que está ao lado dos passageiros e colaboradores na busca por mais segurança pública, pois também é vítima dos crimes cometidos no sistema de transporte. No entanto, o Sindimoc, em vez de apontar caminhos para a solução do problema, apenas está criando mais um, prejudicando a mobilidade dos passageiros e o comércio em geral.
O Setransp há tempos alerta para a questão da segurança e se reúne com frequência com a Guarda Municipal e a Polícia Militar para tratar desse tema. Recentemente, as empresas se juntaram aos órgãos gestores do transporte e da segurança pública e formaram o Comitê de Segurança no Transporte Coletivo, do qual, aliás, o Sindimoc faz parte.
As empresas não têm poder para atuar na segurança pública, mas podem e já contribuem com o mapeamento dos locais com mais incidência de assaltos para que os órgãos competentes possam, quando possível, agir preventivamente ou, quando necessário, realizar a prisão dos bandidos.
Além disso, as operadoras também lembram que em Curitiba apenas 60% dos pagamentos são realizados com cartão transporte. É comprovado pelas estatísticas no Brasil e no mundo que o incentivo ao uso do cartão transporte é um grande aliado na luta contra os assaltos em tubos e linhas.
Em São Paulo, por exemplo, a redução foi de 94% no total de assaltos na comparação entre 2003 (11.394 casos), período anterior à implantação do sistema de Bilhete Único, e 2013 (609 ocorrências).
Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte


