PF e MPF cumprem mandados para investigar bilhetagem de ônibus no Rio de Janeiro

Dinheiro arrecadado pela bilhetagem era gerenciado para propina, dizem MPF e PF

Suspeita é de que entidade que representa as viações controlariam arrecadação para repassar propina agentes públicos e políticos

ADAMO BAZANI

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal cumprem nesta manhã de sexta-feira, 25 de agosto de 2017, mandados de busca e apreensão na sede do RioCard, responsável pela bilhetagem eletrônica dos ônibus da cidade do Rio de Janeiro.

Os trabalhos integram a Operação Ponto Final, um desdobramento da Lava Jato, e foram autorizados pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal Federal no Estado.

A suspeita é de que a Fetranspor – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, RioÔnibus, RioCard e Rio Par estariam usando o controle sobre os dados da bilhetagem eletrônica do Estado do Rio de Janeiro para gerenciar a arrecadação do dinheiro nas empresas de ônibus e repassar as propinas aos agentes públicos.

As fraudes na bilhetagem eletrônica para “esquentar as propinas”, de acordo com as investigações, seriam para um caixa 2 utilizado no pagamento de vantagens indevidas agentes fiscalizadores e políticos.

As entidades negam.

O dinheiro da bilhetagem eletrônica é centralizado na Fetranspor, segundo depoimento ao Ministério Público Federal do diretor financeiro da federação, André Nolte. O dinheiro é depois repassado às empresas de ônibus. De acordo com Nolte, a movimentação financeira do Riocard é de cerca de R$ 6 bilhões por ano.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro diz que a Fetranspor não realizou a prestação de contas total sobre o dinheiro da bilhetagem ao órgão.

Deflagrada entre 2 e 3 de julho, a Operação Ponto Final investiga um esquema de pagamento de propinas por empresários de ônibus a agentes públicos e políticos que, entre 2010 e 2016, teria movimentado mais de R$ 260 milhões. Segundo as investigações, o ex-governador Sérgio Cabral foi um dos principais beneficiados pelo esquema e teria embolsado R$ 128 milhões.

A defesa de Cabral nega.

Entre os presos, estavam o empresário Jacob Barata Filho, outros empresários de ônibus, agentes do Detro, o órgão do Estado do Rio de Janeiro que fiscaliza os serviços de transportes, e pessoas ligadas a Sérgio Cabral.

Os principais acusados foram soltos pelo ministro do STF – Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que foi padrinho do casamento de Beatriz Barata, filha de Jacob Barata Filho, o que gerou polêmicas e protestos.

Entre os que foram beneficiados pelas decisões de Gilmar Mendes estão: o empresário Jacob Barata Filho, o  presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro – Fetranspor, Lélis Teixeira, Cláudio Sá Garcia de Freitas, Marcelo Traça Gonçalves, Enéas da Silva Bueno, Octacílio de Almeida Monteiro, Rogério Onofre, ex-presidente do Detro, que teria recebido R$ 41 milhões neste período para amenizar as fiscalizações sobre as empresas; a mulher dele, Dayse Deborah Alexandra Neves, acusada de enviar para doleiros o dinheiro da propina, e o policial civil aposentado, David Augusto Sampaio, acusado de ser homem de confiança do ex governador Sérgio Cabral no esquema.

Ontem foram divulgados documentos que indicam que a Caruana Financeira, instituição de financiamento de ônibus, teria vazado a Jacob Barata Filho a ordem de bloqueio bancário da Justiça, o que teria motivado uma tentativa de fuga pelo empresário.

A Caruana e Jacob Barata Filho negam.

Relembre:

Jacob Barata Filho recebeu informação da Caruana sobre quebra de sigilo e quase fugiu, apontam documentos do MPF

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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