ENTREVISTA: Tuca Munhoz comenta sobre prorrogação de prazo para ônibus rodoviários se tornarem acessíveis

Enquanto em outros países o conforto do cadeirante é prioridade, no Brasil normas desde 2015 são postergadas frequentemente por pressão de empresas e fabricantes

“A questão da acessibilidade para as pessoas com deficiência, entendo, deve ser vista enquanto um Direito Humano. A visão, ainda predominantemente assistencialista de nossa sociedade, ainda a entende como um favor, ou quando muito, como uma pequena concessão”

ALEXANDRE PELEGI

Em matéria publicada no dia 19 de julho, noticiamos que foi adiado pela quarta vez o prazo para que os ônibus rodoviários saiam de fábrica com plataformas elevatórias para pessoas portadoras de deficiência, em lugar das desconfortáveis atuais cadeiras de transbordo. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/07/19/adiado-mais-uma-vez-prazo-para-onibus-rodoviarios-acessiveis-sairem-de-fabrica/

Naquele mesmo dia procuramos entrevistar não apenas alguns fabricantes, como também lideranças na representatividade da pessoa com deficiência. Meli Malatesta, presidente da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP, nos auxiliou nessa tarefa, e encaminhou algumas perguntas do Diário do Transporte para pessoas que têm forte liderança no tema acessibilidade.

Ouvimos primeiramente o gerente de Marketing da IVECO BUS para a América Latina, Gustavo Serizawa, que classificou o adiamento como uma “decisão lamentável”. Gustavo completou: “novamente quem paga é o cidadão que possui algum tipo de dificuldade de locomoção”.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/07/21/entrevista-prorrogacao-de-prazo-para-onibus-rodoviarios-se-tornarem-acessiveis-e-lamentavel/

tuca_munhoz_2Reproduzimos agora a entrevista que realizamos com Tuca Munhoz, que já foi Secretário-adjunto da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo na gestão passada e agora assessora a SPTrans em assuntos de acessibilidade ao transporte público coletivo. Ao longo da semana traremos a opinião de outras lideranças representativas no tema da acessibilidade.

Diário do Transporte: Qual a visão das entidades que representam pessoas com deficiência sobre estes constantes adiamentos?

Tuca Munhoz – A questão da acessibilidade para as pessoas com deficiência, entendo, deve ser vista enquanto um Direito Humano. A visão, ainda predominantemente assistencialista de nossa sociedade, ainda a entende como um favor, ou quando muito, como uma pequena concessão. Então, quando a acessibilidade é negada, e nos é cotidianamente, isso não é visto por toda a sociedade como um acinte, uma agressão, a um direito humano fundamental para as pessoas com deficiência.

Diário do Transporte: Quais as ações destas entidades a respeito?

Tuca Munhoz – Desconheço, ainda, quais ações serão tomadas por essas entidades. Mas, dado ao repetido desrespeito desse tema especificamente creio que ações mais radicais e com maior visibilidade devam ser tomadas. Manifestações em frente às empresas, à ABNT, Ministério Público e outros.

Diário do Transporte: Quais as principais dificuldades e desconforto das cadeiras de transbordo?

Tuca Munhoz – A cadeira de transbordo é de fato um “quebra galho” de péssima qualidade. O pessoal das rodoviárias não está preparado para usá-la, ela não se presta à todas as pessoas com deficiência, é desconfortável, insegura e principalmente: não oferece, não propicia uma situação de dignidade no embarque e desembarque das pessoas com deficiência.

Diário do Transporte: O que pode ser feito para que o prazo seja antecipado ou para que em 2018 não seja adiado de novo?

Tuca Munhoz – Repito: se fazem necessárias ações mais radicais e incisivas dos movimentos das pessoas com deficiência. Nos anos oitenta várias manifestações de pessoas com deficiência foram realizadas em frente às estações do Metrô para que se tornassem acessíveis. Apesar da resistência dessa empresa, que durante uma década recorreu à justiça, hoje o Metrô pode ser utilizado por todas as pessoas com deficiência. Ainda com muito a aprimorar, mas já pode ser considerado um meio de transporte acessível.

O mesmo deve ser feito em relação à acessibilidade nos ônibus rodoviários: manifestações, ações junto ao Ministério e Defensoria Pública, etc.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte

1 comentário em ENTREVISTA: Tuca Munhoz comenta sobre prorrogação de prazo para ônibus rodoviários se tornarem acessíveis

  1. Amigos, boa noite.

    O puuuuuuuuuuuder não se preocupa nem com as pessoas doentes, haja vista a “fila” da fisioterapia em Sampa.

    Quer mais falta de Direito Humano do que isso ???

    Apesar das dificuldades os PNE´s são em sua grande maioria pessoas sadias.

    Agora, se o puuuuuuuuuder não se preocupa nem com as pessoas doentes, vão se preocupar com os PNE´s ??????

    Claro que os PNE´s merecem e até o elevador que eu havia pensado já fizeram.

    Mas o puderrrrrrrrrrrrrrrrrr É DESHUMANO, essa é a verdade nua e crua.

    Att,

    Paulo Gil

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