HISTÓRIA: Monobloco O-371 urbano, o ônibus do futuro – sempre

Publicado em: 2 de julho de 2017

Ônibus O-371 Urbano em linha de montagem na Mercedes-Benz em Campinas.

Design moderno, conforto e o tratamento que o passageiro merece eram alguns dos principais atributos de um ônibus que pode ser considerado inigualável

ADAMO BAZANI

Pelas características operacionais e também por questões de custos, os ônibus urbanos logicamente sempre foram mais simples que os rodoviários.

Isso se reflete não apenas nos materiais empregados, mas também no conforto ao passageiro, havendo assim uma grande distância entre os dois segmentos de transportes, mesmo com o desenvolvimento atual dos modelos urbanos.

Mas num momento da história, o setor de transportes teve um modelo de ônibus urbano que, guardadas as proporções, não devia muito aos rodoviários da época.

Trata-se do monobloco O 371 Urbano, da Mercedes-Benz, que foi um sucesso em todo o país.

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Para-choques envolventes e os faróis quadrados pequenos, com grande letreiro. O modelo qualificou os transportes urbanos

O modelo foi lançado inicialmente na versão U, em 1987, e revolucionou o mercado.

Foram tão grandes os avanços do monobloco O 371 Urbano, que até hoje muitos dos seus itens de linha são opcionais ou sequer são usados nos modelos urbanos atuais.

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A maior parte das unidades saiu com o interior creme, bem agradável para funcionários, que ficavam dia todo no veículo (motoristas e cobradores) e para os passageiros. Os detalhes eram na cor laranja.

Os bancos tinham uma ergonomia bem mais avançada em relação aos tradicionais bancos de ônibus urbanos até então. O corredor era mais largo. Os balaústres pintados também de tonalidade creme se destacavam dos balaústres de alumínio aparente, até então usados nos ônibus urbanos. As portas eram mais largas que outros urbanos contemporâneos.

O assoalho tinha um revestimento de cor escura antiderrapante.

Monobloco

Interior trazia tons e itens nunca vistos no segmento de ônibus urbanos. Modernidade, conforto e soluções pioneiras até hoje adotadas pelo setor

As luminárias eram curvas, envolvendo uma parte do forro e a lateral sobre as janelas, muito modernas para época. Atrás do motorista, a divisória era de acrílico na cor laranja e uma novidade também nada comum para a época: a indicação com letreiro eletrônico “Parada Solicitada”, na frente, uma de cada lado, se acendia toda vez que o passageiro acionava o sinal para o motorista parar.

O Monobloco O-371 Urbano era fabricado na planta de Campinas, no interior de São Paulo.

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Os modelos Padron e Longo nas versões finais já saíam com os faróis dianteiros redondos

As últimas unidades O-371 mais básico foram produzidas em 1994, mas ainda saíam da linha de montagem os modelos Padron e Longo do o 371 Urbano, juntamente com o seu sucessor O-400, também urbano. Por isso, alguns desses veículos já tinham os faróis dianteiros redondos, como o modelo que os sucediam.

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Catálogos com dados técnicos das versões do O-371 Urbano

Houve três versões do O-0371 Urbano:

O-371U (Urbano): 11 metros de comprimento, OM-366 de 136 cavalos; suspensão metálica, Pneus  10.00R20

O-371UL (Urbano Longo): 12 metros de comprimento, suspensão metálica, motor OM-366 LA de 184, 204 ou 210 cv e opção para duas ou três portas. Pneus: 11.00R22

O-371UP (Urbano Padron):  12 metros de comprimento e duas opções de motor, OM-355/5 de 187cv e OM-355/5 A Turbinado de 238 cv.  Duas e três portas, a suspensão a ar e eixo especial com redução no cubo. Pneus: 11.00R22. Os primeiros O-371 UP tinham 187 cv, motor OM-355/5 aspirado e o eixo traseiro tinha cubo simples.

PENSANDO NA NATUREZA:

Como Monobloco o 371 Urbano era um ônibus vanguardista, obviamente que a Mercedes-Benz não poderia deixar escapar oportunidades que o colocassem também na busca por soluções alternativas ao diesel.

Em 1989 chegava ao mercado o O-371U a gás natural.

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Ônibus a Gás Natural para o sistema da Capital Paulista

A Mercedes-Benz já tinha operado o ônibus a gás natural, modelo Monobloco O-365.

O O-371 foi uma evolução e, apesar de ainda ter problemas de desempenho, já mostrava melhorias e foi incorporado em diversas frotas.

Um dos primeiros mercados a receber o modelo foi São Paulo, com a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Houve também Monobloco O-371 a gás natural no Recife, a partir de 1991, e em Fortaleza, a partir de 1992.

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Fortaleza também contou com O-371 a gás natural

Também existiu o Monobloco O-371 TR – trólebus. Foram três unidades para a CTA – Companhia de Trólebus de Araraquara, no interior de São Paulo, com base no O-371 UP.

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Nesta época, porém, a concorrência entre empresas interessadas na produção de trólebus era acirrada.

De acordo com o site Trólebus Brasileiros, as características técnicas do trólebus O-371 com equipamentos Villares eram:

 

PLATAFORMA: fabricada por Mercedes-Benz do Brasil S/A, equipada com suspensão a ar.

 

1 – Cargas admissíveis por eixo (kg):

– eixo dianteiro: 6.500

– eixo traseiro: 12.000

– total: 18.500

 

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Araraquara teve trólebus O-371. O monobloco elétrico da Mercedes-Benz no Brasil.

CARROCERIA: fabricada por Mercedes-Benz do Brasil S/A, formando com a plataforma uma estrutura monobloco. (Especificação referente ao veículo encarroçado e com sistema de propulsão instalado).

1 – Dimensões básicas (mm):

– comprimento total: 12.154

– largura: 2.600

– altura: 2.150

– balanço dianteiro: 2.580

– balanço traseiro: 3.244

– distância entre-eixos: 6.330

– altura do primeiro degrau: 370

– altura interna livre (centro): 2.150

– vão livre das portas: 1.200

– círculo de viragem do veículo (diâmetro): 22.580

 

2 – Peso do veículo (kg):

– peso do veículo vazio: 10.900

– peso do veículo com carga máxima: 18.500

 

3 – Posto de comando do motorista:

ELETROCONTROLES: fabricado por Indústrias Villares S/A, incluindo sistema de controle de tração, resistores de frenagem, motor de tração, sistemas auxiliares e demais componentes elétricos-eletrônicos.

 

ARTICULADO:  

De acordo com o gerente de Marketing BRT da Mercedes-Benz do Brasil, Gustavo Nogueira, e com o gerente sênior de Marketing de Produto Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Curt Axthelm, houve um O-371 UPA e O-400 UPA (articulados), que rodaram no Brasil em testes, e foram vendidos para o Oriente Médio nos anos de 1990. O objetivo, de acordo com a cultura local, era separar homens e mulheres no veículo. A divisão era a articulação (sanfona). Relembre o bate papo sobre monoblocos neste link: https://diariodotransporte.com.br/2016/05/01/um-bate-papo-sobre-onibus-monoblocos-no-brasil/

NEM TUDO PERFEITO:

O Monobloco O 371 Urbano inegavelmente foi um dos ônibus mais confortáveis para motoristas cobradores e passageiros.

Trouxe inovações até hoje pouco utilizadas no segmento de ônibus urbanos. O modelo era extremamente avançado.

Mas claro que não era perfeito. Empresários se queixavam do custo de manutenção e de algumas trincas que apareciam na carroceria.

Além disso, os primeiros modelos tinham desempenho limitado e não conseguiam enfrentar muito bem as subidas mais íngremes.

O nível de ruído também era uma das queixas. De longe dava para saber que era um O-371 se aproximando por causa do barulho.

Mas é inegável que o 371 Urbano é um ônibus inigualável e que a evolução dos transportes deve muito a ele.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. IVAN disse:

    Saudades dos monoblocos fabricados pela MB nos anos 80/90.
    Mais especificamente esse da reportagem, o 371, combinava luxo e conforto inéditos para a época.
    Cada detalhe do modelo culminaram num ônibus que transpirava modernidade : desde o acabamento interno, as calotas, a campainha em botoeira, o motor traseiro, etc. Por falar em motor, o ronco do modelo era música para meus ouvidos; a versão turbinada com aquele assobio característico na aceleração era uma orquestra ao vivo nas ruas das cidades.
    Infelizmente o capitalismo falou mais alto e os ônibus com chassis de caminhão, muito mais baratos na época, apesar do nível de conforto ser infinitamente inferior, decretaram o fim dos monoblocos e a falência da divisao de ônibus da MBB.

  2. Vcm disse:

    Sem dúvida ,os monoblocos Mercedes ,principalmente os o371 foram os ícones do transporte urbano rodoviário do país!
    Concerteza ,esses fazem muita falta no mercado brasileiro!

    Parabéns Adamo pela reportagem​!

  3. Sandro R dos santos disse:

    Bom dia

    Ótima reportage e nos faz voltar ao tempo que tínhamos ônibus circulares duravéis e confortaveis.

    Bons tempos.

    Sandro R dos Santos -SRS

  4. Ronaldo Duarte disse:

    Com exceção dessa história do ruído, concordo com tudo. Quem quiser viajar num meio de transporte silencioso, que vá viajar no sofá de casa! –
    NOTA – EMBORA QUE EXISTEM MODELOS E SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS HOJE QUE TÊM CONSEGUIDO SIM REDUZIR OS NÍVEIS DE EMISSÕES SONORAS NOS VEÍCULOS DE TRANSPORTE COLETIVO. UMA PESQUISA RÁPIDA MOSTRA ESTA EVOLUÇÃO.

  5. Anderson disse:

    Parabéns pela reportagem esse Mito merece, nunca houve um ônibus igual a esse.

  6. Jairo disse:

    Enquanto as autoridades não exigirem dos empresários ônibus de qualidade continuaremos com essas carroças em chassis de caminhão que temos nas ruas atualmente.Chamar ônibus com motor dianteiro de moderno e confortável é brincadeira.

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