Com Bilhete Único em Curitiba, tarifa subiria para R$ 4,85, diz Urbs
Publicado em: 21 de junho de 2017
Gerenciadora dos transportes afirmou que ainda não há condições de proporcionar integração como já ocorre na capital paulista
ADAMO BAZANI
Em São Paulo, desde 2004, os usuários de transportes contam com o Bilhete Único para os ônibus e, desde 2006, o sistema foi integrado à CPTM e ao Metrô, que permite integrações em qualquer ponto da cidade. Apenas no sistema de ônibus, pelo valor de uma tarifa, R$ 3,80, é possível pegar quatro linhas diferentes em três horas.
Já entre ônibus e sistemas de trilhos, o valor é de R$ 6,80 podendo ser para trem e metrô e mais três ônibus dentro de três horas, desde que a viagem comece pelo sistema de trilhos nas primeiras duas horas. Também há possibilidade de uso de três ônibus e CPTM/Metrô por duas horas, neste caso, a viagem deve começar no sistema de pneus.
No sistema municipal de ônibus de Curitiba, não há nada disso: as integrações são feitas apenas dentro de terminais e estações-tubos. Entretanto, não há limitação de tempo e de número de conduções.
Na capital paulista, é possível fazer a integração em qualquer ponto da cidade, não é necessário chegar até um terminal. Já em Curitiba, apenas nos locais onde as linhas se cruzam em estruturas físicas: terminais e estações.
Em São Paulo, as integrações são subsidiadas. Somente neste ano, os subsídios devem ser de R$ 3,2 bilhões. Entretanto, esse valor não é apenas para as integrações e conta também com as gratuidades para idosos, estudantes que têm passe livre total, categorias profissionais e também, especificamente, em 2017, para bancar o congelamento da tarifa decidido pelo prefeito João Dória.
Em Curitiba, não existem esses subsídios, entretanto, também não há rede de transporte urbano e metropolitano sobre trilhos, portanto, não existe integração entre os diferentes modais.
Entre vantagens e desvantagens, o assunto Bilhete Único em Curitiba voltou a ganhar força e, nesta quarta-feira, 21 de junho de 2017, a Comissão de Economia da Câmara Municipal debateu novamente o tema e recebeu respostas da Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., gerenciadora do sistema de transportes locais.
Segundo a Urbs, o projeto de lei que institui o Bilhete Único Curitibano e tramita na Câmara, se fosse aprovado hoje, faria com que a passagem subisse dos atuais R$ 4,20 para um valor entre R$ 4,70 e R$ 4,85.
De acordo com a gerenciadora municipal, em resposta aos vereadores, se fosse adotado um sistema semelhante ao da Capital Paulista, haveria uma redução de receita mensal de até 14%, ou, aproximadamente R$ 9,5 milhões a menos por mês.
Com o Bilhete Único, ainda de acordo com a Urbs, a receita dos transportes municipais teria de ser de R$ 68 milhões por mês, no mínimo.
Os dados levam em conta a demanda do sistema, os custos de operação e as possibilidades de integrações.

Sistema de Integração de São Paulo
Uma das propostas analisadas pela Câmara Municipal para financiamento de eventual Bilhete Único em Curitiba seria pagar o vale-transporte dos servidores municipais diretamente no cartão da bilhetagem eletrônica e não mais em conta. A medida, que está prevista no ajuste fiscal do município, pode representar um aumento de aproximadamente R$ 7 milhões por mês nas contas do sistema de transporte coletivo.
Parte dos vereadores acredita que as integrações por meio do Bilhete Único poderiam atrair mais pessoas para o sistema de transportes, minimizando a queda no número de passageiros.
A possibilidade de fazer quatro viagens de ônibus num período de três horas com o pagamento de uma só tarifa também trouxe mais passageiros para o sistema de transportes de São Paulo, segundo a SPTrans.
Em 2006, o Bilhete Único começou a ser usado nos trens do Metrô e da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
Como a CPTM atende a 22 cidades da região metropolitana, o Bilhete Único obteve uma abrangência regional e não apenas municipal.
De acordo com a SPTrans, em 2003, foram registradas nos ônibus e terminais da capital paulista 1 bilhão 201 milhões 545 mil 033 passagens. No ano seguinte, quando em maio foi implantado o Bilhete Único, a demanda foi de 1 bilhão 677 milhões 520 mil 087 passageiros registrados.
Em 2005, o número pulou para 2 bilhões 507 milhões 174 mil 899 registros de passagens.
Um ano depois de o Bilhete Único começar a ser aceito nos trens e metrô, o total de pessoas transportadas nos ônibus de São Paulo foi de 2 bilhões 731 milhões 968 mil 253.
O crescimento no número de passageiros se deu numa proporção maior que o aumento da população em São Paulo.
Com o Bilhete Único podendo ser usado no trem e no metrô, muita gente que fazia longas caminhas até as estações, começou a fazer o trajeto de ônibus.
Entretanto, ao mesmo tempo que trouxe mais passageiros para o sistema da capital paulista, o Bilhete Único também representou aumento dos custos gerais do sistema.
Modalidades como diária, semanal e mensal, criadas na gestão anterior, do prefeito Fernando Haddad, foram restritas, com a semanal, por exemplo, sendo extinta e a diária e mensal permitindo, na prática, um número menor de integrações que anteriormente.
A tramitação continua na Câmara Municipal de Curitiba e, se aprovado, o projeto de lei vai depender ainda de sanção dom prefeito.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



A passagem em Curitiba ficou muito acima do litro da gasolina, daqui uns dias essa cidade infarta com os milhares de carros saindo de suas garagens.
AGORA COM O PREÇO DA GASOLINA NAS ALTURAS E ATÉ O ETANOL SUBIU DE PREÇO, AGORA QUE O CURITIBANO VOLTA A ANDAR DE ONIBUS