Contrato para linha 18 do monotrilho é prorrogado em meio a jogo de empurra-empurra sobre desapropriações

Publicado em: 24 de maio de 2017

Projeção de como seria monotrilho do ABC

Custo por quilômetro do modal se aproxima de preço do metrô e já chega a ser dez vezes maior que o BRT

ADAMO BAZANI

Pela quarta vez desde agosto de 2014, o Governo do Estado de São Paulo prorrogou o contrato com o consórcio Vem ABC para o monotrilho da linha 18-bronze, previsto para ligar a região do bairro Djalma Dutra, em São Bernardo do Campo, a Estação Tamanduateí, de trem e metrô, na capital paulista, passando por Santo André e São Caetano do Sul.

A prorrogação, entretanto, não significa que o modal, que vem sofrendo contestações desde que foi anunciado, saia de fato do papel.

Há um verdadeiro jogo de empurra-empurra entre o Consórcio, o Governo do Estado e o Governo Federal, principalmente a respeito das desapropriações para a implantação do elevado e estações, um dos principais entraves para o monotrilho, embora não o único.

O Governo do Estado de São Paulo não consegue aval da Cofiex  – Comissão de Financiamento Externo, do Ministério do Planejamento, para contrair um empréstimo internacional de US$ 128,7 milhões junto ao BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Desde 2015, o Governo Federal diz que a gestão Alckmin não apresentou os laudos que comprovem segurança no pagamento do empréstimo. O aval do Governo Federal é necessário porque o Ministério do Planejamento entraria com uma espécie de fiador da negociação, se o Governo do Estado não pagar, o dinheiro teria de sair do Governo Federal.

Já o Governo do Estado diz que não busca mas iempréstimos no mercado interno porque as taxas apresentadas pelo Banco do Brasil, que seria um dos responsáveis pelo financiamento, estão altas demais e que existe uma consulta pública no Ministério da Fazenda sobre uma nova metodologia de cálculo da nota de crédito do Estado, o que poderia dar segurança à Cofiex para a aprovação.

O Consórcio VEM ABC, formado pela Primav, Cowan, Encalso e Benito Roggio, Declarou que não vai assumir os custos das desapropriações que são incumbência do Estado.

Este apesar de ser o principal, não é o único problema em relação ao monotrilho do ABC.

Ainda não houve uma definição sobre a situação das galerias de água sob a Avenida Brigadeiro Faria Lima, no centro de São Bernardo do Campo, que podem alterar o lado de implantação das vigas para o elevado por onde passariam os trens leves com pneus.

Foram problemas de galerias pluviais na Avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo não previstas no projeto que atrasaram as obras do monotrilho da linha 15-Prata, na zona leste de São Paulo, onde há apenas duas estações no trajeto de 2,3 quilômetros.

Também há a interpretação sobre uma cláusula no contrato que determina que o monotrilho do ABC só poderia ser inaugurado após os testes e o funcionamento da linha 17-Ouro, também de monotrilho, que está em construção, mas sem operação.

Diante de atrasos e dúvidas sobre a viabilidade do projeto, o Consórcio intermunicipal do ABC, formado pelos sete prefeitos da região, sugere estudos para troca do modal.

O custo do monotrilho quando foi apresentado em 2012, com previsão de ficar pronto em 2015, deveria ser de R$ 4,2 bilhões, mas diante de indefinições, demora, aditivos contratuais e agora o risco fiscal identificado neste ano, o modal terá o valor de cerca de R$ 5 bilhões. O custo do quilômetro se aproxima de metrô, que pode transportar até três vezes mais pessoas, e está dez vezes maior que de um BRT, que poderia atender os 314 mil passageiros previstos para o trajeto.

O monotrilho do ABC, previsto para passar por São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista, deveria ter ficado pronto em 2015, mas depois de diversos problemas, entre financeiros e indefinições técnicas, as obras sequer foram iniciadas e vão ficar bem mais caras que o projetado inicialmente. De acordo com relatório das Parcerias Público-Privadas, obtido pelo Diário do Transporte, a obra tem riscos fiscais e deve ter um custo de mais R$ 250 milhões de reais aos cofres públicos. Com isso, o valor total dos 15,7 km passaria a ser de cerca de R$ 5 bilhões. O quilômetro se tornaria um dos mais caros do modal no mundo: R$ 318,4 milhões. A título de comparação, de acordo com dados da UITP  – União Internacional de Transporte Público, cada quilômetro de BRT – Bus Rapid Transit, corredor de ônibus que pode atender a uma demanda de cerca de 300 mil passageiros por dia, custaria em média quase 10 vezes menos, R$ 35,4 milhões. Já cada quilômetro de metrô poderia custar entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão, no entanto, a demanda seria praticamente três vezes maior que do monotrilho, podendo levar até um milhão de passageiros por dia. Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2017/05/02/com-risco-fiscal-monotrilho-do-abc-deve-precisar-de-mais-de-r-250-milhoes-dos-cofres-publicos-diz-relatorio-do-governo/

Mesmo passada toda indefinição em relação às desapropriações, o que ainda não tem data para ocorrer, não haverá uma certeza de prazo rápido para o monotrilho do ABC. Isso porque, após a declaração do início do prazo da concessão, o Consórcio VEM vai ter um no ano para conclusão dos projetos de engenharia, depois três anos para a conclusão das obras para, finalmente, poder operar por 21 anos o modal.

 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Aerotrem NÃO.

    LERO TREM, SIM.

    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Noooooosa…

    Att,

    Paulo Gil

  2. SÉRGIO disse:

    Meu Deus, quantas indefinições e palpiteiros! Enquanto isso, continuamos todos a depender de conduções particulares ou não, pelos centros congestionados de São Bernardo, ou de Diadema, ou de São Caetano, ou dependendo da Anchieta que está cada vez pior ( há tempos que ela é uma grande avenida – só faltam semáforos ),…….!!
    Vamos definir de vez e iniciar logo essas obras!!

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