Comissão de Trânsito da Câmara pede explicações à Secretaria de Transportes para falta de cobradores em ônibus que circulam à noite em SP

Requerimento que gerou pedido da Comissão fala ausência de cobrador tem colocado em risco a segurança no transporte coletivo da capital

ALEXANDRE PELEGI

A ausência de cobrador em ônibus que trafegam à noite em São Paulo obriga os motoristas a cumprirem dupla função – dirigir e atender aos passageiros -, o que tem colocado em risco a segurança no transporte coletivo da capital.

Essa é a base de denúncias de passageiros do transporte coletivo que, segundo vereadores de São Paulo, têm preocupado a população. Com base nisso, o vereador Alessandro Guedes (PT) fez um requerimento à Comissão de Trânsito, Transportes, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia. Reunida na noite desta quarta-feira (10/5), a Comissão aprovou um requerimento de para a Secretaria de Transportes do município, solicitando informações sobre a falta de cobradores nos ônibus que circulam à noite na capital.

O vereador Alessandro Guedes afirmou questionar esta prática (circular sem cobrador) “porque as linhas foram contratadas para trabalhar com dois profissionais. Não sabemos se houve uma redução do contrato emergencial para isso ou se as empresas estão oferecendo serviço menor do que o contratado. Além disso, os motoristas estão sendo multados por passarem o troco enquanto dirigem”, disse Guedes.

O vereador Abou Anni (PV) engrossou a crítica do colega, ao afirmar quer os motoristas estão sendo penalizados duas vezes pela mesma infração. Com multa sobre o código de trânsito e multa administrativa da SPTrans. Ele alega existir um erro quando a empresa autoriza a circulação do veículo sem a presença do cobrador e depois aplica e notifica o funcionário com R$ 720 por conta dessa infração. “É um absurdo tudo isso”, disse.

Com outra visão, o vereador João Jorge (PSDB) afirmou que a retirada do cobrador faz parte do processo de modernização do modelo de transporte. O vereador repete o discurso do prefeito João Doria, que afirmou que até o final de sua gestão não haverá mais a figura do cobrador nos ônibus em São Paulo. (Leia: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/26/doria-fala-em-fim-do-cartao-do-bilhete-unico-e-dos-cobradores-andando-de-onibus-pela-3a-vez/)

Diante das inovações tecnológicas e do baixo número de pessoas que pagam a tarifa de ônibus em São Paulo com dinheiro (cerca de 6%, de acordo com a SPTrans, gerenciadora do sistema) não faz sentido ter o custo gerado pelos salários dos cobradores.

O vereador João Jorge afirmou ser preciso ter uma discussão séria sobre este assunto, “observando a questão econômica e respeitando o profissional. Hoje, 94% das viagens são pagas com Bilhete Único. Com isso não há necessidade do cobrador, o que possibilita a redução da tarifa ou dos subsídios da Prefeitura. Mas enquanto isso não for determinado na lei, o motorista também não pode ser penalizado. A empresa precisa encontrar uma solução para isso”, afirmou.

Participaram da reunião da Comissão, presidida pelo vereador Senival Moura (PT), os vereadores Adilson Amadeu (PTB), Conte Lopes (PP), Ricardo Teixeira (PROS) e Ricardo Nunes (PMDB).

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes