Emissões de dióxido de carbono ligadas à energia ficam estáveis em 2016

trólebus Transporte deve ser público e não poluente, diz AIE

Maior conscientização, eficiência na geração de energia e transportes explicam. Mas ainda há muito a ser feito

ADAMO BAZANI

A AIE – Agência Internacional de Energia divulgou nesta sexta-feira, 17 de março de 2017, um dado que ao mesmo tempo é animador e desafiador.

As emissões globais de dióxido de carbono pelo setor energético, o que inclui transportes e construção, permaneceram estáveis pelo terceiro ano consecutivo em 2016.

De acordo com a agência, que monitora os principais países do mundo, as emissões provenientes dos setores elétrico, de transporte e de construção, que representam ¾ das emissões de gases de efeito estufa, atingiram em 2016, 32,1 giga toneladas.

O lado positivo é que segundo a AIE, o mundo tem uma maior conscientização sobre as mudanças climáticas e tem havido avanços na eficácia energética e estruturais da economia mundial.

No entanto, de acordo com agência muita coisa precisa ser feita, principalmente em relação à poluição nos países em desenvolvimento, como o na América do Sul e na África onde, as ações em prol do meio ambiente ainda tem sido insuficientes.

“Os últimos três anos de estabilização das emissões em uma economia mundial em crescimento sinalizam uma tendência emergente, e isso é certamente um motivo para otimismo, ainda que seja muito cedo para dizer que as emissões globais atingiram definitivamente seu ponto máximo” – disse o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, segundo a AFP.

A AIE disse, porém, que “embora a pausa no crescimento das emissões seja uma notícia positiva para melhorar a poluição do ar, ela não é suficiente para (…) evitar que as temperaturas globais subam acima de” dois graus Celsius, que é o objetivo do acordo de Paris sobre o clima.

A Agência Internacional de Energia ainda mostra que as emissões localmente se tornaram estáveis na Europa, diminuíram nos Estados Unidos e na China, os dois maiores emissores de poluição e consumidores de energia, o que compensou as altas observadas em outras regiões do mundo, como na América do Sul e África.

O crescimento do uso das energias renováveis e do gás natural, com a redução da aplicação de carvão nas atividades energéticas, contribuiu e muito, de acordo com a AIE, para o resultado.

A exploração do gás xisto e produção de energia elétrica com origem renovável mais competitiva nos Estados Unidos, substituindo o carvão, e a menor demanda de energia fóssil na China, explicam a queda das emissões, mesmo com crescimento econômico de 3,1% no mundo.

As emissões estão desconectadas, assim, do crescimento econômico, o que é um dos desafios para ser mantido.

A ordem deve ser crescer, prosperar e provocar menos impactos no meio ambiente.

Nas cidades, o grande problema da poluição é relacionado às emissões por veículos automotores, responsáveis por 80%, em média, da poluição do ar.

Assim, a agência volta a indicar a necessidade de investimentos em transportes coletivos, em especial os de tecnologia menos poluentes ou não poluentes como, trens elétricos, metrô, trólebus e ônibus elétricos, híbridos, etanol e gás natural.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes