Congresso Nacional é contra tarifa zero, mas aprova financiamento de gratuidades, diz pesquisa

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Ônibus usado em Carnavais para transporte gratuito pelo Movimento Tarifa Zero de Belo Horizonte. Foto: Reprodução internet/Facebook Tarifa Zero BH

Levantamento ouviu 224 deputados federais e 25 senadores, além de 100 especialistas e gestores em transportes

ADAMO BAZANI

Apesar de o tema Tarifa Zero ter ganhado novamente repercussão no ano de 2013, quando houve as manifestações por todo o País, apenas uma minoria dos parlamentares aprova que os passageiros não paguem tarifa nos ônibus, metrôs, trens e outros modais de transporte público.

É o que revela levantamento realizado pelo Instituto FSB Pesquisa, que ouviu 224 deputados federais e 25 senadores, de 27 diferentes partidos, entre os dias 17 e 31 de maio e 100 “influenciadores” que integram o Poder Executivo Federal; Poderes Executivos Estaduais; Poderes Executivos Municipais; economistas; representantes de setores econômicos (indústria, comércio e serviços) e acadêmicos e especialistas em transporte público urbano, entre os dias 25 de maio e 19 de junho.

A pesquisa foi realizada a pedido da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos – NTU, que reúne em torno de 500 companhias de ônibus urbanos e metropolitanos em todo o País.

De acordo com levantamento, 71,8 % dos entrevistados no Congresso Nacional reprovam a tarifa zero. Entre os influenciadores a reprovação da tarifa zero é de 85%.

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No entanto, isso não significa que tantos os parlamentares como os especialistas e gestores defendam a isenção do poder público no custeio dos transportes.

Segundo os resultados da pesquisa “o custeio da operação deve ter a participação do Poder Público para 86,1% dos parlamentares e 83% dos influenciadores, enquanto apenas 11,3% dos parlamentares e 13% dos influenciadores defendem que o custeio se dê apenas pela tarifa. No entanto, aqui há importantes diferenças no entendimento do Congresso e dos influenciadores. O primeiro público se divide quanto ao peso de cada uma das formas de custeio, enquanto o segundo tende a enxergar a tarifa como a principal forma de se custear o transporte público no país, embora sempre com participação dos recursos públicos.”

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TRANSPORTE COMO DIREITO SOCIAL:

Após a promulgação da PEC 90, Proposta de Emenda Constitucional que elevou os transportes ao título de Direito Social na Constituição, a maior parte dos especialistas/influenciadores e do Congresso acredita que haverá melhorias no setor.

Entre as respostas com maior perspectiva, é que na prática, a PEC deve ampliar o acesso ao transporte público. No entanto, a emenda não deve provocar significativa redução no valor das tarifas, de acordo com a estimativa dos entrevistados.

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QUEM DEVE FINANCIAR OS TRANSPORTES E AS GRATUIDADES?

Quando o assunto é financiamento do transporte público, há uma mudança de postura entre os políticos e os especialistas/gestores.

Para a maior parte do Congresso Nacional, 49,5% das respostas, o financiamento dos transportes públicos deve vir do Orçamento da União, estados e municípios.

Já entre os especialistas, a maior parte do financiamento da operação e estrutura de transportes coletivos deve ter origem nos usuários de automóveis: 33% das respostas entre várias outras opções.

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Em relação às gratuidades, a pesquisa revela que tanto gestores/especialistas como os políticos entrevistados no Congresso Nacional, apoiam que estes benefícios sejam bancados pelo poder público e não somente pelos passageiros, como é hoje na maior parte dos sistemas brasileiros: 57% dos parlamentares acreditam que o poder público deve financiar as gratuidades e 66% dos especialistas acreditam que esses benefícios devem ser custeados pelos governos nas diversas esferas.

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Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    Muito interessante a pesquisa e a matéria.

    Porém NADA existe com custo ZERO, portanto da forma A ou da forma B, o buzão terá de receber pelos serviços prestados.

    O ponto positivo da tarifa zero é operacional.

    Acaba de vez com a catraca e os malditos ferros retorcidos, o uso de dinheiro em espécie, os cobradores mudam de função, não precisa construir estação de pré embarque e etc.

    Pronto um ganho e tanto para todos.

    Como teremos de pagar mesmo, somente muda a forma de pagamento, embute a TO na conta da água ou da luz e pronto.

    TODO MUNDO PAGA E TODO MUNDO USA.

    Acaba a choradeira, aumenta a velocidade do buzão e a fiscalizadora que faça a parte dela, apesar de que se não fizer não faz diferença.

    Simples assim.

    SIMPLIFIQUEM !

    Só assim o Brasil decolará e o buzão rodará em paz.

    Acabem de uma vez com essa mentalidade de caridade.

    Quem quer fazer caridade, que faça um trabalho voluntário.

    E já deixo o site onde todos podem encontrar o seu trabalho para fazer caridade.

    Conheci este site hoje, é simplesmente GENIAL.

    Ai Jurássicos, não precisam fazer mas nada, pois tem muita gente fazendo, chegou o fim dos Jurássicos.

    Acessem é muito legal.

    OBS.: Não sou dono do site e nem trabalho no site, é simplesmente um compartilhamento de uma ideia GENIAL para o mundo todo.

    https://www.atados.com.br/

    Att,

    Paulo Gil

    1. Vcm disse:

      A verdade é que se o for gratuito ,não terá qualidade e não tem nem como fazer investimentos ,por isso eu sou contra a tarifa zero!!!

      1. Paulo Gil disse:

        Vcm, bom dia.

        Hoje “pagando” também não tem qualidade.

        Isso só se resolverá a partir do momento de; que quem é contratado cumpra o contrato e quem é eleito cumpra a obrigação que o mandato lhe impõe.

        Cabe lembra aqui, a sabia frase que vinha impressa nos envelopes do Bradesco, quando o Sr. Amador Aguiar comandava o banco e a Fundação Bradesco (a qual nem sei se ainda existe).

        “EDUCAI AS CRIANÇAS E NÃO SERÁ PRECISO PUNIR OS HOMENS”

        Basta cada um fazer a parte que lhe compete.

        Direito todo mundo quer ter.

        Deveres todos tem, mas cumprir ninguém quer.

        Só isso, simples assim.

        Abçs,

        Paulo Gil

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