HISTÓRIA – Dorival Piccoli: “O ônibus é o grande amigo das pessoas”

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Dorival Piccoli

Dorival Piccoli começou a atuar diretamente no transporte de passageiros em 1947. Com 17 anos já dirigia. Hoje, aos 81 anos revela sua paixão pelo setor em cada detalhe de seu escritório em Curitiba, repleto de fotos históricas de ônibus. Foto 1: Acervo Família Piccoli e Foto 2: Adamo Bazani

Dorival Piccoli: “O ônibus é o grande amigo das pessoas”

De família pioneira que atuou em diversas empresas e na encarroçadora Eliziário, empresário destaca como os transportes interligaram sonhos e proporcionaram desenvolvimento no Sul do País

ADAMO BAZANI – CBN

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Foi na Flexa de Prata, que ligava localidades diferentes do Sul do País, que Piccoli começou a trilhar o caminho do desenvolvimento pelos transportes coletivos. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

O escritório do empresário Dorival Piccoli na região central de Curitiba, no Paraná, já revela a paixão pelo transporte de vidas: as paredes são forradas por quadros com imagens históricas das empresas que a família atuou. E não foram poucas: Flexa de Ouro (com “x” mesmo”), Expresso Curitiba-Lages, União Catarinense, Expresso Lages-Porto Alegre, Empresa Nossa Senhora da Penha, Viação Dovaltur Ltda, Empresa Curitiba Cerro Azul, Viação do Sul, Expresso do Sul, Expresso Estrela Azul, Expresso São Bento Ltda, além de representação na fabricante de carrocerias Eliziário, que foi uma das mais importantes no desenvolvimento de novos conceitos para os veículos de transporte coletivo no Brasil. Hoje a família permanece no controle da Empresa Curitiba Cerro Azul.

Nascido em 09 de dezembro de 1933, Dorival Piccoli tem no sangue a herança da paixão pelos transportes. O pai, Modesto Piccoli, nascido em 8 de julho de 1881, transportava mercadorias pelo Sul do país em lombos de animais. Modesto Piccoli participou do movimento para emancipar Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Uma rua da cidade recebe seu nome.

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A Expresso Curitiba – Lages, em 1958, da família Piccoli, começou a ganhar importância com o crescimento das duas cidades. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

A família de Dorival era grande e desde cedo já via nos transportes a oportunidade de crescimento. Ao todo, Modesto teve doze filhos: Istácio Piccoli, Maria Piccoli, Cidina Piccoli, Inês Piccoli, Martim Piccoli, Ida Piccoli, Wilson Piccoli, Ivone Piccoli, Ilse Piccoli, Saul Piccoli, Dorival Piccoli (nosso entrevistado) e Ipenor Piccoli.

Dorival pode ser considerado uma memória viva dos transportes e seus olhos brilham ao contar as histórias do crescimento do Sul do país “pelo trafegar” dos ônibus.

“O ônibus é o grande amigo das pessoas. Ao longo da história sempre esteve presente levando as pessoas para onde elas queriam independentemente das dificuldades para isso” – disse Dorival Piccoli em entrevista ao jornalista Adamo Bazani, no Blog Ponto de Ônibus.

E dificuldades realmente não faltavam. Estradas de terra, atoleiros, córregos, veículos rústicos exigiam muita disposição e fé para prosseguir nos caminhos.

Mas tudo isso ajudou a impulsionar o desenvolvimento das cidades da região que cresciam de maneira diferente. A população de alguns municípios menos providos de recursos precisava se deslocar para as cidades com mais oportunidades de emprego e renda.

No entanto, ao fazer as ligações, os ônibus não só levavam as pessoas para os locais com mais recursos como também traziam desenvolvimento para as regiões onde originavam as linhas. Os transportes eram atrativos para mais moradores e exigiam uma melhor infraestrutura, muitas vezes implantada pelos próprios donos dos ônibus que alargavam vias e até mesmo tapavam os buracos por onde os veículos tinham de passar.

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A Empresa Curitiba – Cerro Azul está até hoje com a família. Dorival assumiu a companhia em 1961. Com o desenvolvimento das cidades, aumento da demanda e aperfeiçoamento da indústria, os ônibus também se tornavam mais moderno. Mesmo assim, os caminhos ainda não eram fáceis de ser percorridos. Fotos: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

O primeiro contato de Dorival Piccoli com o mundo dos ônibus foi na empresa da família chamada Flexa de Ouro, em 1947 (era escrito com “x” mesmo e não com “ch”). Os veículos com carrocerias de madeira ligavam inicialmente as cidades de Getúlio Vargas e Passo Fundo, ambas no Rio Grande do Sul. Depois atuando na Região de Santa Catarina na lateral dos ônibus era pintada a relação dos locais servidos: Varjão, Faxinal dos Guedes, Xanxerê, Xaxim, Chapecó.

Com 17 anos de idade, Dorival já começou a dirigir ônibus.

No ano seguinte, em 1948, o pai Modesto morreu com 67 anos de idade, aumentando ainda mais a responsabilidade dos sucessores.

Nesta época, o mundo se recuperava ainda da Segunda Guerra (1939 – 1945) e a luta em todos os países era para crescer.

E os transportes acompanhavam e auxiliavam nesta luta. A batalha das estradas era diferente: mais digna, mas muito desgastante.

O país ainda estava em processo de urbanização e fazer trajetos que hoje demoram duas ou três horas para serem percorridos de ônibus poderia levar dias.

“Várias vezes ficávamos de 3 a 5 dias nas estradas, principalmente quando tinha cheia. Dependíamos de balsa para cruzar as cidades, mas quando rios subiam de nível, como Timbó (em Santa Catarina), era impossível passar. Era uma aventura que deu certo pela persistência” – comenta.

Nesta época, em 1953, a família Piccoli atuava na empresa União Catarinense, que ligava Chapecó, em Santa Catarina, a Curitiba, no Paraná.

As cidades continuavam a crescer assim como as linhas.

A ligação entre Chapecó e Curitiba tinha sido prolongada. Assim, em 1958, nascia duas empresas da família Piccoli denominadas de acordo com os itinerários: Expresso Lages-Curitiba e Expresso Lages-Porto Alegre.

O sonho e a necessidade de viajar da população ganhavam mais espaço e as distâncias a serem ligadas ficavam maiores. Em 1960, conta Dorival, foi criada a empresa Expresso do Sul (não é a mesma que pertence hoje ao Grupo da Viação Cometa). A Expresso do Sul fazia a ligação direta entre Curitiba e Porto Alegre. Nesta época, ainda ficou operando a Expresso Curitiba-Lages.

Logo em seguida, a Expresso do Sul seria vendida para uma empresa transportadora de gás chamada Bosca Tur, que continuou a linha por um tempo.

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Dovaltur foi uma empresa criada em 1960, ligando Porto Alegre ao Rio de Janeiro. O nome da companhia de ônibus se tratava da junção das primeiras sílabas dos dois sócios: Dorival Piccoli e Valmor Schmidt. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

A COMPRA DE UMA GIGANTE:

No início dos anos de 1960, surgiu então para Dorival uma oportunidade de negócio: a compra da Empresa Nossa Senhora da Penha, uma das maiores do país que posteriormente foi adquirida por Camilo Cola, da Viação Itapemirim, e hoje pertence ao grupo de Constantino Oliveira, fundador da Gol Linhas Aéreas.

“A Penha era de Albertino Castro que morreu num acidente aéreo. Os herdeiros não quiseram continuar no ramo de transportes, então assumimos a empresa que era uma referência. A Penha fazia linhas muito importantes como Porto Alegre / São Paulo e Porto Alegre / Rio de Janeiro.” – relembra Dorival Piccoli.

Com a aquisição da Penha, pelo fato de coincidirem os itinerários, não havia mais razão de a Expresso Curitiba – Lages continuar operando.

“A Penha tinha uma reputação muito boa no mercado. Os ônibus eram novos, as viagens mais rápidas. Quando ela se destacou com os requintados ônibus Eliziário era nossa família que cuidava da empresa” – conta Dorival. Entre 1973 e 1974, depois de muita negociação, Camilo Cola, da Itapemirim adquiriu a Penha. Em 2007, a empresa passa para o controle da família de Constantino Oliveira.

Quase na mesma época da aquisição de Penha, em 1960, era criada a empresa Viação Dovaltur Ltda, com a linha Porto Alegre – Rio de Janeiro. O nome da companhia é a junção das primeiras sílabas dos sócios: Dorival Piccoli, que tinha 50% da empresa, e Valmor Schmidt, com a outra metade.

Enquanto administrava a Penha, Dorival assumia outras empresas de ônibus que serviam para interligar áreas de características econômicas diferentes no Sul do País.

Em 1961, foi a vez da Empresa Curitiba Cerro Azul. Até hoje com a família Piccoli, atende ligações consideradas fundamentais para o crescimento integrado de parte do Sul do País.

Entre estas ligações estão:

Curitiba (PR) / Cerro Azul (PR)

Curitiba (PR) / Adrianópolis (PR)

Curitiba (PR) / Dr. Ulysses (PR)

Curitiba (PR) / Apiaí (SP)

Entre 1963 e 1989, Dorival também esteve a frente da empresa de ônibus metropolitanos Viação do Sul, ligando as cidades de Rio Branco do Sul e Curitiba. No ano de 1965, também passou a integrar a Expresso Estrela Azul.

UMA DAS MELHORES CARROCERIAS DO PAÍS:

Enquanto administrava as empresas de ônibus, Dorival Piccoli atuava em outros segmentos relacionados ao transporte de passageiros, como na indústria.

Ele foi representante da fabricante de carrocerias Eliziário, fundada em 1946, por Eliziário Goulart, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Certamente era uma das melhores carrocerias de ônibus do Brasil. O capricho no acabamento, os materiais, os modelos inovadores com serviço leito e frigobar eram diferenciais naquela época. Fui revendedor nos anos sessenta (anos de 1960) da Eliziário e era garantia de bons negócios. Na época eram fabricadas mais ou menos 20 carrocerias por mês Metade era para o Sul do País. Mas também foram vendidos ônibus até para o Nordeste”  – conta Dorival Piccoli.

Quando empresas que ligavam diferentes estados e em longos roteiros compraram uma carroceria era uma espécie de propaganda para frotistas de locais mais distantes que se interessavam pelos modelos e procuravam a fábrica.

Dorival Piccoli, além de empresário de ônibus, era representante da fábrica de carrocerias Eliziário. Indústria do Rio Grande do Sul era conhecida por fazer veículos com elevado nível de acabamento. Alguns modelos foram considerados pioneiros para a indústria no País, com poltronas tipo leito e até frigobar nos anos de 1960. Fotos: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

Dorival Piccoli, além de empresário de ônibus, era representante da fábrica de carrocerias Eliziário. Indústria do Rio Grande do Sul era conhecida por fazer veículos com elevado nível de acabamento. Alguns modelos foram considerados pioneiros para a indústria no País, com poltronas tipo leito e até frigobar nos anos de 1960. Fotos: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

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Dorival Piccoli, além de empresário de ônibus, era representante da fábrica de carrocerias Eliziário. Indústria do Rio Grande do Sul era conhecida por fazer veículos com elevado nível de acabamento. Alguns modelos foram considerados pioneiros para a indústria no País, com poltronas tipo leito e até frigobar nos anos de 1960. Fotos: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

“Trabalhar com o senhor Eliziário era muito bom. Homem firme, justo e inovador. A Penha teve uma frota de Eliziário que ficou conhecida em todo País. Quando em 1965, chegaram os ônibus Eliziário Scania novos na Penha foi uma festa na garagem, com direito a cerimônia de entrega” – relembra.

Os ônibus tinham poltronas tipo leito e bar que oferecia lanches, sucos e refrigerantes.

A Eliziário foi comprada entre 1969 e 1970 pela então “Carrocerias Nicola” que logo se tornaria Marcopolo.

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O design interno dos ônibus já era preocupação da indústria. Modelos tinham de passar conforto real, mas também um ar de sofisticação

CADA EMPRESA, CADA CARACTERÍSTICA ECONÔMICA REGIONAL:

A importância do segmento de transportes no conjunto da sociedade é tão grande, que a história de cada empresa revela as características da região onde prestaram serviços.

Estas empresas levavam os trabalhadores até as atividades principais de cada cidade. Era para atender a estas necessidades de deslocamentos que as companhias de ônibus se fortaleciam.

A Empresa Curitiba Cerro Azul ajudou na consolidação da agroindústria, em especial da citricultura.

A partir de 1940, a cidade de Cerro Azul começou a ganhar novo fôlego após a construção de uma estrada ligando Cerro Azul a então rodovia “São Paulo – Curitiba”.

Também funcionou por um determinado período uma indústria ligada ao processamento de chumbo.

A última empresa que Dorival Piccoli disse ter adquirido foi a Expresso São Bento, que contribuiu no desenvolvimento das atividades ligadas à indústria moveleira em São Bento do Sul, em Santa Catarina, e ao setor têxtil de Jaraguá do Sul, também município catarinense.

A Expresso São Bento começou a ser comprada por Dorival em 1971, quando assumiu uma parte da companhia que tem uma história muito relacionada com a integração entre municípios do Sul do País.

EXPRESSO SÃO BENTO: DESBRAVADORA DO SUL DO PAÍS

Empresa foi a segunda no Brasil a conseguir registro oficial para o transporte de passageiros

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Foi desbravando os caminhos entre Paraná e Santa Catarina, enfrentando estradas de terra, atoleiros e até córregos que a Expresso São Bento contribuiu com o crescimento regional no Sul do País. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

A história do transporte de passageiros está intimamente relacionada com o desenvolvimento econômico das diferentes regiões do País e com o crescimento pessoal de milhões de cidadãos ao longo do tempo. Isso porque, o setor de transportes, especialmente por ônibus no caso do Brasil, foi o que conseguiu dar a resposta mais rápida às necessidades de deslocamento da população à medida que determinadas regiões se tornavam mais atrativas que as outras para moradia e trabalho. E, especificamente sobre os transportes por ônibus, o serviço de ligar pessoas à concretização do sonho de uma melhor qualidade de vida vinha muito antes da infraestrutura viária.

Não era rara a cena de os ônibus, ainda feitos de madeiras, enfrentarem estradas de terra, atoleiros e até fazer travessia de córregos. Tudo movido pelo sonho, pelo ideal.

Com a Expresso São Bento não foi diferente. A história da empresa faz parte das memórias de crescimento de parte da região Sul do País.

A começar pela tradição. A “ Expresso São Bento” foi fundada em 1948 por Lino Fortes Bouzan e Pasquale Palmieri, sendo a segunda empresa de ônibus no Brasil a conseguir registro do DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. A primeira empresa foi a Auto Viação Catarinense, também do Sul do País. Nesta época, era o DNER que concedia as permissões para operação de linhas rodoviárias interestaduais. Hoje esta atribuição é da ANTT –Agência Nacional de Transportes Terrestres.

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Foi desbravando os caminhos entre Paraná e Santa Catarina, enfrentando estradas de terra, atoleiros e até córregos que a Expresso São Bento contribuiu com o crescimento regional no Sul do País. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

Em 1948, a cidade de Curitiba, no Paraná, estava em plena expansão já assumindo ares de metrópole para os padrões da época. Os demais municípios da região Sul do País também cresciam, mas ainda sem a mesma oferta de serviços e oportunidades profissionais. A necessidade das cidades terem ligações era cada vez maior.

São Bento do Sul, em Santa Catarina, município criado em 30 de janeiro de 1884, foi marcado pela forte presença de imigrantes na ocasião da Áustria, Bavária, Prússia, Polônia, Saxônia, Tchecoslováquia. Logo que eles desembarcaram nas terras perceberam o potencial madeireiro da região.

Na época da fundação da Expresso São Bento, o parque industrial moveleiro para os padrões fabris da época começava a se expandir.

O fluxo até Curitiba então se tornava necessário no deslocamento de mão de obra entre os dois pontos e também de representantes comerciais destas fábricas.

Foi neste momento que a Expresso São Bento supriu a necessidade.

Mas ligar Paraná e Santa Catarina não era nada fácil. Se havia desenvolvimento em cada cidade, era no caminho entre elas que estavam as grandes dificuldades. Os ônibus da Expresso São Bento enfrentavam estradas de terra, atolavam e seus fundadores, que também dirigiam os veículos iam com ferramentas para abrir novos caminhos e retirar os ônibus do lamaçal. Levar correntes para colocar nos pneus e enfrentar a pista escorregadia era obrigatório.

Quando chovia e havia cheias era necessário parar de três a cinco dias no meio do percurso.

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Além de integrar pessoas, os ônibus desenvolviam um papel importante no transporte de encomenda. Os materiais eram levados no teto protegidos por lonas. Foto: Acervo Família Piccoli.

Foi assumindo um papel de desbravador que o setor de transportes contribuía não só para a ligação entre cidades, mas também para a criação de infraestrutura. Por onde os ônibus passavam, algo tinha de ser feito pelo poder público, mesmo que tardiamente. Assim, a rota dos ônibus virou caminho de desenvolvimento.

Com a expansão regional, motivada pelo crescimento econômico e populacional, novas cidades começaram a ganhar importância. Exemplo é Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, que se destacou pela indústria têxtil.

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Uma curiosidade é que ainda não havia um sistema unificado de veículos comerciais até meados dos anos de 1950. Assim, os ônibus normalmente tinham duas placas: uma da cidade de origem e outra de destino. Fotos: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

E a Expresso São Bento mais uma vez acompanhou este desenvolvimento criando linhas para mais cidades ao longo de sua trajetória.

A linha entre Curitiba e Jaraguá do Sul foi permitida pelo DNER em 1964. Interessante é que na época, a empresa que quisesse operar qualquer linha tinha de depositar um valor como “caução” ao DNER, como se fosse, guardadas as devidas proporções, uma outorga onerosa. Era uma espécie de garantia que a linha seria cumprida e que a empresa teria uma segurança jurídica evitando que outro operador fizesse o trajeto sem autorização.

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Permissão de linha para a Expresso São Bento unir as cidades Lages, em Santa Catarina, e Curitiba, no Paraná. DNER – Departamento de Estradas de Rodagem exigia um “caução” das empresas interessadas em operar os serviços como garantia. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

Com o passar do tempo, a São Bento já tinha diversas ligações entre urbana intermunicipal, rodoviárias intermunicipais e rodoviárias interestaduais:

Curitiba (PR) / São Bento do Sul (SC)

Curitiba (PR) / Jaraguá do Sul (SC)

São Bento do Sul (SC) / Jaraguá do Sul (SC)

Curitiba (PR) / Piên (PR)

Agudos do Sul (PR) / Fazenda Rio Grande (PR)

NOVAS GESTÕES:

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Com o passar do tempo, as jardineiras davam lugar para os ônibus mais modernos e confortáveis. Era o progresso e a exigência do passageiro. As rústicas carrocerias de madeira cediam espaço no mercado para bem acabadas carrocerias de metal e os bancos simples eram substituídos por poltronas estofadas com maior conforto. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

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Com o passar do tempo, as jardineiras davam lugar para os ônibus mais modernos e confortáveis. Era o progresso e a exigência do passageiro. As rústicas carrocerias de madeira cediam espaço no mercado para bem acabadas carrocerias de metal e os bancos simples eram substituídos por poltronas estofadas com maior conforto. Foto: Acervo Família Piccoli. – Matéria: Adamo Bazani – Blog Ponto de Ônibus.

Após o falecimento de Pasquale Palmieri, um dos fundadores da São Bento, os herdeiros decidem vender a metade que pertencia ao pai. Assim, em 1971 entra na sociedade Dorival Piccoli, empresário de família tradicional dos transportes no Sul do País com atuações em empresas como Nossa Senhora da Penha, Empresa Curitiba Cerro Azul, Viação do Sul e Expresso Estrela Azul, entre outras.

Dorival Piccoli era representante e sócio da fabricante de carrocerias de ônibus Eliziário, que tinha sido assumida pela Marcopolo, antiga carrocerias Nicola.

A entrada de Piccoli representou o início de uma gestão mais experiente e pela facilidade de contato com as encarroçadoras também marcou uma renovação de frota.

Quando o outro fundador da empresa, Lino Fortes, morreu, Dorival Piccoli arrematou mais uma parte ficando com 87% da companhia de ônibus.

A empresa assim adotou um programa constante de renovação de ônibus e qualificação da operação.

ACOMPANHE NESTE LINK ABAIXO VÍDEO DE ACERVO DA FAMÍLIA PICCOLI COM A CHEGADA DE ÔNIBUS ELIZIÁRIO SCANIA EM 1965 NA EMPRESA NOSSA SENHORA DA PENHA CEDIDO PARA ESTA REPORTAGEM ESPECIAL DO BLOG PONTO DE ÔNIBUS. O vídeo foi gravado sem áudio na época:

ou em:

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

Fotos, vídeo e informações desta matéria especial podem ser reproduzidos desde que com a menção aos créditos

20 comentários em HISTÓRIA – Dorival Piccoli: “O ônibus é o grande amigo das pessoas”

  1. Amigos, boa noite.

    SENSACIONALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Adamo, parabéns essa é uma matéria só do buzão, ela até exala o perfume do óleo Diesel.

    Senhor Dorival Piccoli, PARABÉNS !

    Sabe, quando a Penha foi vendida ficamos muito tristes, a Penha era um referencial de tudo.

    Quantos as fotos, sem palavras, só posso lhe dizer:

    MUITO OBRIGADO !

    O senhor permitiu e compartilhou com o mundo, via o blog do ponto de ônibus, para que todos conheçam a sua história e essas fotos e máquinas maravilhosas.

    O filme um show, assisti tudo.

    Uma dúvida, e a Viação Minuano, era uma braço da Penha ou era uma concorrente ??

    Sempre tive essas dúvida, à época se comentava que a Minuano era da Penha, mas nunca consegui a confirmação.

    Meu pai viaja a trabalho até Novo Hamburgo e ele ia de Minuano. creio que a linha era São Paulo Porto Alegre e eu sempre fazia questão de entrar no Elizário e fica morrendo de vontade de ir com ele, só para curtir uma longa viagem num buzão.

    Sr, Dorival Piccoli; MUITA SÁUDE !

    Att,

    Paulo Gil
    “Buzão e Emoção é a Paixão”

    • Paulo Gil,a Viaçao Minuano S/A foi criada em 1959 por Humberto Albino Bianchi fazendo exclusivamente Porto Alegre São Paulo,nesta época a Penha não fazia este percurso,fazia PoA X Rio de Janeiro a Viação Centauro.
      A Viação Minuano foi vendida para a Penha em 1974 com 90 onibus scania .O percurso Poa Sao Paulo era feito pela BR 116.
      Humberto Albino Bianchi juntamente com Eliziario criaram o onibus leito.
      Na época foi a maior transação de transporte ocorrida a compra da Viação Minuano pela Penha ,onde a Minuano foi vendida pois seu sócio majoritário preferiu ficar com a empresa urbana em Porto Alegre a Empresa de Onibus Bianchi Ltda.
      Caso queira fotos e documentos temos

      • Sr. Renato Bianchi, bom dia.

        Muito obrigado pelas informacoes, sanou minha duvida.

        Eu lembro como se fosse hoje quando o Minuano (como chamavamos a Viacao Minuano), encostava elegantemente na plataforma de embarque.

        Impecavel e o azul da Minuano e inesquecivel (combinado com prata), meu pai ia no carro leito toda viagem que ele fazia ele tinha de me levar dentro do Minuano para eu ver em qual poltrona ele ia sentar, mas na verdade eu queria era entrar no Minuano para ver o buzao por dentro.

        Muito legal tambem saber quem criou o buzao leito.

        Com relacao as fotos e documentos eu gostaria de ver sim, mas sugiro ao Adamo uma matrria sobre a Minuano, assim todos poderao apreciar o Minuano, pelo blog via Internet, alcancando assim mais apaixonados pelo buzao.

        Muito obrigado mesmo.

        Att,

        Paulo Gil

      • Caro Renato. Trabalho com a história do transporte de Porto Alegre. Poderias entrar em contato comigo pelo e-mail reguloff@yahoo.com.br

      • Régulo, boa noite.

        Você tem um site ?

        Se tiver divulga para acessarmos o seu acervo.

        Att,

        Paulo Gil

      • Boa Noite Renato.

        Sou Gestora de Marketing do II Clube do Ônibus Antigo do Brasil, clube patrocinado pela Scania e ATP-Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre e gostaria de manter contato com você, pois estamos desenvolvendo uma trabalho junto a NTU sobre as empresas pioneiras do transporte, além de vários outros trabalhos históricos e também eventos do gênero.

        Por favor envie-me um e-mail e vamos manter contato.

        sabrina.classicbus@bol.com.br

        http://www.clubedoonibusantigo.blogspot.com.br

      • A Minuano foi uma pioneira no quesito conforto e pontualidade. Excelente empresa!

  2. Sempre leio o Blog, mas pouco comento. No entanto, não tem como não se manifestar diante de uma matéria feita pelo Adamo digna de prêmio e registro.
    Aqui você sente o carinho em cada palavra escrita pelo jornalista e dita pelo senhor Dorival.
    Parabéns a este empresário pioneiro por sua história e não só pela história, mas por compartilhá-la conosco, não deixando relatos, fotos e este vídeo maravilhoso mofando nas gavetas do egoísmo.
    Fomos presenteados de duas formas, pela família Piccoli com estas histórias e imagens e pelo Adamo pelo seu esforço em fazer este registro.
    Grande Abraço

  3. Sensacional mesmo. Deu vontade de viver cada época desta.
    Este blog é uma referência em notícia e o senhor Dorival na luta do transporte.
    Só a dizer: obrigado

  4. boa noite, meu pai foi motorista da minuano de 65 a 69, a minuamo foi adquirida pela penha em 1970, ele era dos bianchi de p.alegre, com o falecimento do dono, os filhos quebraram ela como é o normal, mas era uma referencia de empresa, o pai passou p a ouro eprata em 69 e se aposentou em 89.

  5. Roberto Carlos Camargo // 24 de junho de 2015 às 02:41 // Responder

    Sensacional! andávamos com saudades de hist´rias como essa Adamo, parabéns!

  6. O mais bonito é que com o trabalho do Blog tudo está registrado e eternizado.
    Parabéns Dorival por ter dividido sua história.

  7. Julio Semero, bom dia.

    Muito bem observado, esse e um registro historico do buzao e esta eternizado e comoartilhado com o mundo.

    Att,

    Paulo Gil

  8. Adamo, boa tarde
    o que voce tem de fotografias da Minuano?

  9. em 1/12/1986 comecei a trabalhar na v do sul como cobrador tendo como patrão o sr, Dorival; homem honesto que só quer o bem de seus funcionários;;hoje após 30 anos ainda estou na ativa, hoje na função de motorista,,,

  10. Eu era menino na década de sessenta e viajava todo ano na Minuano de São Paulo pra Porto Alegre. A Rodoviaria de Sao Paulo era no Bom Retiro e era um prazer entrar num carro da Eliziario montado no chassis Scania.
    A viajem durava cerca de 20 horas e havia uma parada perto de São Marcos (RS) pros passageiros comprarem uvas, vinhos.
    Eram dois motoristas que se revezavam ao volante e as vezes trocavam de motorista com o onibus em movimento.
    Algumas vezes iamos no Leito e o conforto era total.
    A viajem era feita pela Br 116 via Lages e não me esqueço que almocavamos em Caxias do Sul que ainda não tinha Rodoviaria.
    Minha ultima viajem pela Minuano foi no inicio dos anos setenta.Tenho saudades destas viajens.

  11. Boa tarde !
    Meu paí trabalhou na empresa Dovaltur até 1971 , quando então faleceu . Fazia a linha. Curitiba a Antonina . Conheciam ele como ” Estacho” na verdade chamava- se Arlindo . Não sei se é a mesma empresa , mas se for gostaria de saber se eles têm alguma foto dele da época . Agradeço

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