ENTREVISTA: TST reverte demissão por justa causa de motorista de ônibus da Real, do RJ, que desviou do itinerário e manda empresa pagar verbas indenizatórias ao trabalhador

Toda demissão por justa causa deve obedecer aos princípios de proporcionalidade ao ato alegado e razoabilidade da gradação das penalidades. A advogada especializada em risco jurídico e direito empresarial, Liana Variani, diz que o caso é um exemplo clássico da necessidade de aperfeiçoamento na relação empresas e trabalhadores e mostra que deve haver uma política clara de medidas disciplinares.

ADAMO BAZANI

Toda demissão por justa causa deve obedecer aos princípios de proporcionalidade ao ato alegado e razoabilidade da gradação das penalidades.

E foi justamente com este entendimento que a Segunda Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) afastou a justa causa aplicada à dispensa de um motorista da Real Auto Ônibus Ltda., do Rio de Janeiro, que desviou o ônibus de sua rota específica sem prévia autorização. Para o colegiado, o fato não foi grave o suficiente para justificar a sanção, ainda mais por se tratar de um caso isolado no histórico do empregado.

Por unanimidade, a Segunda Turma determinou que a companhia de ônibus pague todas as verbas indenizatórias às quais o trabalhador tem direito.

no mérito, dar-lhe provimento para reverter a dispensa por justa causa e condenar a reclamada a pagar ao reclamante as verbas rescisórias próprias da modalidade de dispensa sem justa causa, a título de aviso-prévio, férias, 13º salário, multa prevista no art. 477, § 8º, da CLT e FGTS + 40% e condenar a reclamada ao pagamento do período total do intervalo de uma hora diária, acrescido do adicional de hora extra, nos dias em que a sua jornada excedeu 6 horas, e seus consectários legais. – escreveu a ministra-relatora Maria Helena Mallmann, que foi seguida pelos demais magistrados.

O desvio de itinerário, segundo o processo, ocorreu em 19 de fevereiro de 2019.

A empresa Real Auto Ônibus alegou que o desvio da rota ocorreu sem prévia autorização quando o profissional trafegava no centro do Rio de Janeiro.

Isso, ainda de acordo com a companhia, foi possível de ser constatado pelo GPS do ônibus. Por causa da atitude, diversos usuários ficaram esperando nos pontos e não foram atendidos.

Motorista sustentou que desvio foi determinado pela autoridade de trânsito

Segundo TST, na ação, o motorista disse que trabalhava para a Real Auto Ônibus desde 2015 e alegou que a dispensa foi uma retaliação ao fato de ter, em processo anterior, pedido a rescisão indireta do contrato de trabalho em razão de ilegalidades e arbitrariedades sofridas.

O trabalhador ainda disse que teve de desviar a rota naquele dia por ordem da autoridade de trânsito, em razão de um congestionamento na cidade.

O juízo de primeiro grau, porém, considerou que o trabalhador não comprovou sua alegação e entendeu que a mudança de itinerário foi uma falta grave.

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) manteve a sentença.

A defesa do motorista então recorreu ao TST.

Dispensa foi abusiva e desproporcional

A ministra Maria Helena Mallmann, relatora do recurso de revista do motorista, destacou que, embora o motorista deva seguir uma rota pré-estabelecida, a conduta foi um fato isolado, e não um mau comportamento reiterado.

Na avaliação da ministra, a Real Auto Ônibus não observou a gradação das penalidades nem o princípio da proporcionalidade.

Além disso, a conduta não teve gravidade suficiente a ponto de justificar “a mais grave sanção do contrato de emprego”. 

A advogada especializada em risco jurídico e direito empresarial, Liana Variani, diz que o caso é um exemplo clássico da necessidade de aperfeiçoamento na relação empresas e trabalhadores e mostra que deve haver uma política clara de medidas disciplinares.

“Por isso é tão importante ter política específica sobre medidas disciplinares nas empresas. Quando não tem, gera margem para tribunal ficar questionando a medida adotada pela empresa. Se o motorista mudasse uma rota sem autorização e sem comprovante de necessidade e fosse considerado falta grave pela empresa essa alteração de rota, mudaria o cenário” – explicou

Segundo Liana Variani, o objetivo não é colocar trabalhadores e empresas como rivais, mas buscar os melhores entendimentos para o bem de todos os lados.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Marco Antonio Dantas disse:

    Senhores boa tarde, tenho um processo que eu ganhei de um processo por agressão que sofri em 2008 na linha 157 central x Gávea empresa vila Isabel. Não foi a empresa que processei,foi o passageiro que na ocasião era um tenente médico do exército o mesmo é médico hoje em dia. Depois de 17 anos transitou e julgado e estou aguardando os cálculos judicial. Estamos no mês de junho 2026 até o momento estamos aguardando o pagamento. Gostaria de publicar esse processo que durou quase 18 anos para ser concluído. Como fazer peço a orientação dos senhores. Obrigado Marco Antônio Dantas e-mail: marcoantoniodantas80@gmail.com

    1. diariodotransporte disse:

      Olá.
      Somos um site de notícias, não fazemos consultas ou ortientações particulares
      Porém, pode procurar a Liana Variani que ela pode orientar ou dar encaminhamento

    2. Lidia Ferreira disse:

      Use o ChatGPT para receber toda a orientação sobre o seu caso. Peça ajuda a alguém que saiba usá-lo, caso vc não saiba. Este aplicativo vai te encaminhar na direção certa a seguir e o que fazer. Nao fique parado.

  2. Raimundo Pereira da Silva disse:

    Uma reportagem grande e cansativa que explicou tudo ou quase tudo.
    Só faltou explicar o motivo do motorista ter desviado a rota do ônibus.

    1. Francisco Bastos disse:

      O texto explicou o motivo “segundo o motorista” por qual motivo ele desviou o itinerário, vc que está desprovido de atenção. Releia o texto novamente que vc vai achar o motivo.

  3. Marcos D'rua disse:

    Trabalhou 4 anos na empresa e teve que aguardar quase 8 anos para decisão favorável da justiça. Agora imagina um cidadão que precisa por alimentação em sua mesa ter que aguardar todo esse tempo pra aí então ter o que é seu por direito.

  4. Aecelo disse:

    Fiz um exame toxicológico pela empresa e deu positivo pra drogas mesmo não usando nenhuma substância química não tomo nenhum remédio com a idade que tenho 50 anos conseguir provar que nao isso substância nenhuma com mais dois exames que fiz me empediram de trabalhar e voltei depois de 14 dias e estou processando o laboratório e a empresa por esses motivos

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