Greve de ônibus em Mauá continua no início desta sexta-feira

greve de ônibus Mauá

Ônibus da Viação Cidade de Mauá parados na garagem nesta quinta-feira. Foto: Annie Zanetti.

Greve de ônibus em Mauá continua nesta sexta-feira
Reunião entre sindicato de trabalhadores e prefeitura terminou com proposta
ADAMO BAZANI – CBN
Motoristas e cobradores de ônibus de Mauá, na Grande São Paulo, da Viação Cidade de Mauá continuam nesta sexta-feira a greve que teve início na tarde desta quinta-feira. Os ônibus da Suzantur, outra empresa do município, também estão parados até o momento. Aproximadamente 100 mil pessoas são afetadas. As informações foram confirmadas pelas empresas e por funcionários do Terminal de Mauá.
Durante a noite, representantes da prefeitura de Mauá e do Sintetra, o sindicato dos rodoviários, realizaram uma reunião.
Houve proposta de pagamento, mas os funcionários querem o real depósito de multas rescisórias.
Os motoristas e cobradores da Viação Cidade de Mauá – VCM, da EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André e Viação Ribeirão Pires cruzaram os braços pelo não pagamento de verbas rescisórias dos trabalhadores demitidos da VCM após as alterações nos transportes promovidas pela administração Donisete Braga (PT). A Viação Cidade de Mauá foi descredenciada após supostas consultas indevidas ao sistema de bilhetagem eletrônica.
A prefeitura então contratou a Suzantur, que hoje paga aluguel da garagem ao dono da Viação Cidade de Mauá, Baltazar José de Sousa e usa ônibus que já operaram pela Viação Estrela de Mauá, fundada também por Baltazar.
A direção da Suzantur, no entanto, nega relações com empresário Baltazar José de Sousa.
A empresa foi declarada vencedora pela prefeitura numa licitação.
Como os ônibus pararam no início da tarde, sem aviso nenhum, muitos moradores de Mauá foram pegos de surpresa. Quando foram trabalhar pela manhã, os passageiros tinham ônibus, mas quando voltaram na parte da tarde, não puderam contar com o transporte coletivo.
Boa parte da população de Mauá trabalha em São Paulo ou Santo André. Quando os usuários saíam dos trens da CPTM não havia nenhum ônibus municipal. O Terminal Central de Mauá foi fechado logo no início da paralisação.
Diversos passageiros relataram que tiveram de caminhar mais de uma hora para conseguirem chegar em casa. Havia poucos táxis e eram comuns lotações e até carros de passeio fazendo transporte clandestino.
A Suzantur não entrou em greve, mas com o fechamento do terminal e por medo de atos de vandalismo, a empresa recolheu os ônibus.
Dois dias antes, em 26 de agosto, um ônibus da EAOSA, companhia de Baltazar, foi incendiado no Jardim Itapeva, em Mauá. Uma das linhas de investigação do 3º DP em Mauá é que o ataque foi retaliação pelo não pagamento aos funcionários.
Em 11 de agosto de 2014, houve uma paralisação de meio dia dos funcionários da Viação Cidade de Mauá pelo mesmo motivo.
A prefeitura de Mauá intermediou um acordo entre sindicato dos trabalhadores e o empresário Baltazar para o pagamento das rescisões, mas nem todos receberam os direitos.
HISTÓRICO DE CONTRADIÇÕES E IMPASSES:
A situação vivenciada mais uma vez pela população como contexto as mudanças nos transportes realizadas pela administração do prefeito de Mauá, Donisete Braga.
A Viação Cidade de Mauá, do empresário Baltazar José de Sousa, e a Leblon Transporte de Passageiros, da família Isaak, foram descredenciadas por Donisete Braga e pelo então secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio Pereira, hoje candidato a depurado estadual, por supostas consultas irregulares ao sistema de bilhetagem eletrônica. A acusação não foi unanimidade nem na prefeitura de Mauá e o caso está na Justiça. Em 27 de junho de 2013, a procuradora do município, Thaís de Almeida Miana, acolheu os argumentos da Leblon de que não houve consulta irregular e recomendou uma nova sindicância, o que foi ignorado por Paulo Eugênio e Donisete Braga.
Apesar de a prefeitura ter descredenciado as duas empresas, só uma delas, a Leblon Transporte de Passageiros, foi retirada de uma só vez do sistema. Para a empresa de Baltazar, o tratamento foi diferente: a empresa começou a ser retirada gradativamente desde dezembro do ano passado, ainda estando com 17 linhas, das 49 existentes em Mauá.
Foi declarada vencedora de uma nova licitação feita pela prefeitura de Mauá a empresa de ônibus Suzantur, de Claudinei Brogliato, que à época do descredenciamento, teve como representantes em negociação com o Sintetra, o sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus do ABC, David Barioni Neto, ex-executivo de Constantino de Oliveira, fundador da Gol Linhas Aéreas, e José Garcia Netto, irmão do dono do Banco Caruana, que financia ônibus para o grupo dos empresários de ônibus mineiros, no qual se enquadra Baltazar José de Sousa.
Na reunião, com a presença de Donisete Braga, segundo documento apresentado por Baltazar ao sindicato, Garcia e Barioni, na condição de representantes da Suzantur, se comprometeram a assumir todos os funcionários das linhas municipais descredenciadas da Viação Cidade de Mauá, o que segundo os trabalhadores, não ocorreu plenamente.
Hoje a Suzantur paga aluguel de uma garagem para o empresário Baltazar José de Sousa e opera, entre outros ônibus, veículos financiados pelo Banco Caruana para a Viação Estrela de Mauá, empresa fundada por Baltazar e depois presidida por David Barioni, que tentou tirar a Leblon das operações até janeiro de 2013, quando a Justiça considerou ilegal a atitude da prefeitura de Mauá de colocar a Estrela de Mauá para operar o mesmo lote da Leblon, cuja família opera nos transportes do Paraná desde 1951, mas que não pertencia ao grupo de empresários do ABC Paulista.
Em janeiro de 2013, Donisete Braga e Paulo Eugênio diziam que o melhor para Mauá era que a cidade tivesse duas ou mais empresas e defenderam a presença da Estrela de Mauá.
Quando a Leblon foi retirada, o discurso mudou. Em audiência pública na Câmara, no dia 12 de fevereiro de 2014, Paulo Eugênio disse aos munícipes que a licitação manteria dois lotes operacionais na cidade, mas dividindo o total de linhas pela metade.
Depois a prefeitura decidiu que uma empresa só operaria o sistema de 49 linhas que transporta 110 mil pessoas por dia.
A alegação para o modelo de monopólio foi que o poder público teria mais retorno financeiro.
Em entrevista ao Blog Ponto de Ônibus, no dia 04 de agosto, Donisete Braga disse estar convencido que este seria o melhor modelo para Mauá:

http://blogpontodeonibus.wordpress.com/2014/08/04/entrevista-donisete-braga-diz-acreditar-plenamente-no-modelo-de-transportes-que-sera-implantado-em-maua/

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em Greve de ônibus em Mauá continua no início desta sexta-feira

  1. A viação ribeirão pires está circulado.
    Tive que pegar o intermunicipal hoje para chegar na estação.
    Pontos lotados e essa é a única alternativa.
    O que Baltazar “perdeu” com a retirada de algumas linhas vai lucrar hoje com a Ribeirão Pires.

  2. Adriano teotonio da luz. // 29 de agosto de 2014 às 10:13 // Responder

    Esse é o novo modelo que o ptralha Donizete quer implantar em Mauá,pontos de ônibus sem cobertura,greves,ônibus sucateados,terminal central um lixão e lembrem o Paulo Eugenio que é candidato a deputado também é culpado disso.

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