BUSSCAR: ENTREVISTA – Proposta de compra da Caio é bem vista. Marca da Busscar pode ser negociada em outro processo

Caio compra Busscar

Ônibus da Caio. Encarroçadora paulista deve lançar um novo modelo de ônibus executivo inicialmente para o mercado internacional e aumentar sua linha de veículos caso a compra do parque fabril e do imóvel principal da Busscar seja aprovada pela Justiça. Hoje o forte da Induscar Caio é o ônibus urbano. Foto: Adamo Bazani

Transparência da Induscar / Caio agrada trabalhadores
Presidente do Sindicato dos Mecânicos de Joinville se diz otimista com a proposta da Caio para comprar fábrica da Busscar. Novos produtos devem ser lançados e marca da Busscar pode se tornar indisponível em outro processo

ADAMO BAZANI – CBN

A Induscar / Caio, empresa do Grupo Ruas, dono de boa parte da frota de ônibus municipais da Capital Paulista e de outras viações, deve lançar novos produtos e aumentar sua participação no mercado internacional caso sua proposta de compra do Parque Fabril e do imóvel principal da Busscar, encarroçadora de Joinville, Santa Catarina, seja concretizada.
A informação é de João Bruggmann, presidente do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, que CONVERSOU NA MANHÃ DESTA TERÇA-FEIRA, dia 27 de setembro de 2011, COM O BLOG PONTO DE ÔNIBUS.
Ele deixou claro que ainda o Sindicato não possui uma posição oficial sobre a proposta, mas que os trabalhadores veem com bons olhos já que é a Induscar é a primeira empresa a se apresentar oficialmente para a compra,
“Mas poderemos ter novidades. Outros grupos podem apresentar novas propostas” – afirmou ao Blog Ponto de Ônibus.
A Induscar, que fez a proposta de compra para a Quarta Vara de Justiça de Trabalho local, promete absorver a mão de obra atual da Busscar, que está ociosa, principalmente na linha de produção, e criar uma empresa autônoma. Se for necessário, serão contratados outros trabalhadores.
“A intenção é de iniciar a produção de ônibus executivos para o mercado exterior, com 1000 empregos. Em dois anos, a gama de produtos deve aumentar e o número de trabalhadores pode chegar a 2500 pessoas” – declarou João Bruggmann.
Para ele, a transparência com que a Induscar se apresentou, querendo dialogar com a Justiça, com a Busscar e com o Sindicato é um ponto positivo.
“A verdade é a seguinte. Antes não tínhamos nada de concreto, eram só promessas da Busscar que em mais de dois anos de negociação nunca foram cumpridas. Se não aparecer nada melhor, não só financeiramente mas do ponto de vista de consistência das propostas, por que não aceitar” – pondera.

VALORES:

Pelo maquinário, ferramental, matérias-primas e todos os outros itens que compõem o parque fabril e o imóvel com área total de 331.735,92 m2, a Induscar Caio ofereceu à Justiça R$ 40 milhões. O valor seria pago em 10 vezes de R$ 4 milhões. A maior parte dos recursos, pelo depósito ser numa conta da Justiça, será usada para o pagamento dos trabalhadores. Já são 18 meses de salários atrasados, além desde 2009 não haver pagamento de direitos trabalhistas, como o décimo terceiro salário.
O imóvel e o parque fabril estão avaliados em R$ 98 milhões.
Sobre se a Induscar / Caio estiver oferecendo um valor muito abaixo do avaliado pelos oficiais de Justiça, João Bruggman explica que a proposta pode ser negociada.
“Sabemos que o valor avaliado é de R$ 98 milhões. Mas isso precisa ser revisto. Podemos sim conseguir da Caio ou de outros interessados que aparecerem um valor superior aos R$ 40 milhões oferecidos, mas precisamos ver que nesta conta de R$ 98 milhões há muitos materiais que perderam o valor com o tempo ou que tiveram o preço superdimensionado. Há furadeiras dos anos 80 que foram cotadas a R$ 8 mil 300 e que não valem tudo isso de verdade” – explicou João Bruggmann.
Ele explica que o momento não é de precipitação, mas que também não se pode perder tempo.
“Se dependermos da Busscar, não teremos garantias concretas nenhuma. Se dependermos apenas de leilões de salas e garagens, como o que ocorreu e não faturou quase nada, vamos demorar uns 20 anos para conseguir ressarcir todos os trabalhadores. Propostas como da Induscar Caio são bem vistas pelos trabalhadores que conversei, porque são concretas, claras e transparentes. E a transparência e a viabilidade concreta da proposta é tão importante quanto simplesmente valores. Os R$ 40 milhões não cobrem todas as dívidas dos trabalhadores, mas atendem boa parte. E repito, os valores podem ser negociados”.
O juiz Nivaldo Stankiewcz vai decidir sobre a proposta com base nos valores que os trabalhadores têm direito a receber. Mas vai citar a Busscar e o Sindicato, ou seja, vai também pedir um parecer destas partes.
“Acredito que a Busscar vai relatar, nós do Sindicato vamos analisar com nosso departamento jurídico” – disse João Bruggmann.

A MARCA BUSSCAR:

A marca Busscar não entra na negociação. Assim, a Induscar Caio ou qualquer outro interessado não “comprariam” a dívida da família Nieslon.
Assim, é possível começar uma empresa nova, mas não do zero. Em contrapartida, os funcionários teriam garantia de que continuariam empregados, os que se desligaram também teriam os direitos pagos (mais de 3 mil pessoas já deixaram a Busscar, restando cerca de mil) e a produção seria imediata.
Pelo fato de a marca não ser negociada, os modelos e projetos de ônibus da Busscar também não ficariam com o comprador.
“Por isso, nos agrada a ideia do interesse de grupos que já atuam no setor de fabricação de ônibus. Não seriam pessoas que se aventurariam no ramo ou só utilizariam o material para outros fins. A compra por qualquer interessado garantiria o atrasado, por profissionais do setor seria também a garantia da continuidade do negócio, do trabalho” – disse Bruggmann.
“No caso da Induscar, temos trabalhadores de diferentes níveis que saíram da Busscar para trabalharem na Caio” – complementa.
O líder sindical disse que a entidade que representa também deve entrar na Justiça para que a marca Busscar se torne indisponível com o objetivo de ser usada para pagamento de débitos.
“Essa proposta da Caio é interessante não só para os trabalhadores, mas para outros credores também que devem se movimentar e assim como nós ver mais forte a luz no fim do túnel”.
A Busscar, empresa criada em 17 de setembro de 1946, enfrenta sua segunda grande crise. Ela que já chegou a ter 30% do mercado nacional de ônibus, disputando de igual para igual com a Marcopolo no segmento de rodoviários e com a Caio no de urbanos, teve o primeiro abalo em 2002/2003. A empresa alegou que o maior motivo foi a variação do câmbio, que prejudicou negócios internacionais. O segundo momento de dificuldade começou em 2008. A empresa alega que a crise financeira internacional prejudicou as finanças da companhia que dependia de financiamentos para a produção de carrocerias, que foram cortados.
Analistas de mercado dizem que a forma como a Busscar foi administrada nos últimos tempos não permitiu que a empresa resiste aos abalos econômicos de 2008, que afetaram também as outras encarroçadoras que resistiram e hoje vivem o melhor momento da história da indústria der ônibus. Assim, a crise de 2002/2003 não teria sido resolvida inteiramente se desdobrando na situação que começou em 2008 e que pode levar a compra da Busscar por outro grupo empresarial.
O Blog Ponto de Ônibus aguarda um pronunciamento da Caio sobre o caso.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

5 comentários em BUSSCAR: ENTREVISTA – Proposta de compra da Caio é bem vista. Marca da Busscar pode ser negociada em outro processo

  1. Amigos, boa noite

    … ‘A Induscar, que fez a proposta de compra para a Quarta Vara de Justiça de Trabalho local…”

    Compreendo a animação, mas recomendo cautela.

    Pois as coisas não são tão simples assim, afinal conforme a matéria supra, a proposta foi
    apresentada na Justiça Trabalhista.

    Não há um processo na Vara Cível de Falência e Recuperação Judicial??

    Alguma coisa não está batendo.

    Analisem com calma.

    Muito obrigado
    Paulo Gil

    • também acho, pois a proposta aparentemente deveria ser feita na Vara Cível de Falência e Recuperação Judicial, mas foi feita diretamente ao ‘trabalhadores’, oque evidentemente já se deu como certo devido ao grande interesse dos mesmos, há o fator Nielson, eles não vão largar o osso tão facilmente e eles tem outros braços na America Latina, principalmente o Colombiano que está bombando. vamos aguardar

    • Amigos, bom dia

      No post com a entrevista dada pela Caio, foi dito:

      “…No entanto, a Busscar não entrou em falência.”…

      Portanto, a Caio, até o momento, não irá comprar a Busscar, mas
      sim alguns ativos da Busscar, estes bloqueados pela Justiça do Trabalho
      de Joinvile.

      Agora sim, tudo esclarecido.

      E tudo só será concretizado, após o transito em julgado da ação; portanto
      tem muito Buzão para passar embaixo da ponte ainda.

      Muito obrigado.
      Paulo Gil

  2. Olá amigos. Não foi feita à parte da Justiça que analisa falência, pois não foi feito pedido de execução da empres a e falência. No caso, os bens estão bloqueados pela Vara do Trabalho. Em tese “pertencem” a uma conta desta instância;

    • ou seja, tudo está com a vara, e se ela quiser vender ela vende?

      ps: não vamos esquecer que a Busscar estava produzindo motores e ar condicionado.

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