PEDRO KASSAB DEVE SER OUVIDO EM CPI

Pedro Kassab

Rápido São Paulo deve continuar prestando serviços nos atuais padrões por tempo indeterminado. A licitação dos transportes de Rio Claro está indefinida há cerca de um ano e é marcada por uma série de escândalos, entre eles, o suposto direcionamento feito pela empresa de consultoria IPK, cujo Pedro Kassab é sócio, para favorecer a cooperativa de transportes alternativos CooperFênix. Os transportes na cidade de Rio Claro estão entre os motivos de uma crise política que pode culminar, de maneira mais drástica, até na cassação do Prefeito Du Altamari.

Irmão de Kassab vai ser ouvido em CPI por suspeitas de participação em direcionamento de licitação
Rio Claro vive uma crise política e transportes fazem parte de seu epicentro. Empresa do irmão do prefeito da Capital Paulista teve contratação polêmica para fazer edital de licitação supostamente favorecendo cooperativa de São Paulo

ADAMO BAZANI – CBN
COM COLABORAÇÃO DE ANTÔNIO FLÁVIO ARCHANGELO JR, do Diário do Rio Claro

Pedro Kassab, sócio da empresa de consultoria IPK e irmão do Prefeito da Capital Paulista, Gilberto Kassab, foi convocado para prestar esclarecimentos como testemunha numa Comissão Processante da Câmara de Vereadores de Rio Claro, no interior de São Paulo, que investiga irregularidades supostamente cometidas pela administração pública, entre as quais, durante o processo de licitação dos transportes coletivos da cidade.
O depoimento está marcado para quinta-feira da próxima semana, dia 11 de agosto.
O certame está sendo analisado pela Justiça e se arrasta há quase um ano sem definição.
Presta serviços atualmente em Rio Claro, a empresa Rápido São Paulo, que foi alvo de críticas pelo prefeito Du Altamari. O chefe do executivo e sua vice, Olga Salomão, investigados pela Comissão Processante, correm o risco de serem até mesmo cassados.
Du Altmari e Olga estiveram reunidos com secretários e assessores por conta da crise política que ocorre na cidade e que tem os transportes de Rio Claro e possíveis irregularidades como parte dos motivos desta crise.
Comissionados que foram indicados pelos “vereadores rebeldes” podem perder seus cargos. A estimativa é de que pelo menos 30 pessoas “de confiança” sejam demitidas.
A licitação dos transportes de Rio Claro já deveria ter sido encerrada no dia 18 de julho. Em 13 de maio de 2011, Du Altamari revogou o antigo edital depois da denúncia de suposto favorecimento à empresa IPK, de irmão de Kassab, para elaborar a licitação. A IPK teria montado um edital que beneficiou a Expresso Infinity, ligada à Cooper Fênix, cooperativa de transportes alternativos, que presta serviços na Capital Paulista.
O administrador da Expresso Infinity era André Lissandre, que dirige o Consórcio Leste 4, que reúne as empresas Himalaia Transportes S.A., Empresa de Transporte Coletivo Novo Horizonte e Happy Play Tour. O Consórcio Leste 4, suas empresas formadoras e pessoas físicas, são alvo de uma Ação Civil Pública, movida pelo promotor de justiça Saad Mazloum. Além de constatar má prestação de serviços, o promotor investigou possíveis confusões jurídicas envolvendo as empresas, como o fato de a Novo Horizonte, apesar de ser uma empresa, atuar como cooperativa e repassar recursos à Cooperativa Nova Alinça, da qual teve origem. Já a Happy Play ganhou a licitação dos transportes em São Paulo em 2002-2003 como operadora, tem recursos repassados mensalmente na ordem de R$ 300 mil para seus caixas via Empresa Novo Horizonte, mas sequer possui um ônibus.
A empresa do irmão de Gilberto Kassab, IPK, que elaborou o primeiro edital de licitação, foi contratada para este serviço em 24 de julho de 2009. O que levantou suspeita é que um dia antes de a Prefeitura de Rio Claro lançar o edital para a contratação da empresa que organizaria o certame dos transportes públicos, Miguel Antônio Bortoloni, que também é sócio da IPK, enviou um documento com valores e dados técnicos para elaborar o edital dos transportes.
As exigências de contratação da consultoria que faria o edital saíram exatamente nos moldes do documento, inclusive seguindo o valor sugerido pela IPK.
A Prefeitura para adquirir serviços de consultoria por licitação exigia valor de até R$ 150 mil. A proposta da IPK foi de R$ 146 mil.
Além disso, as empresas que concorreram com a IPK tinham sócios com ligações de negócios ou familiares.
O edital feito pela IPK para contratar a futura empresa de ônibus da cidade tinha alguns pontos que favoreciam a Expresso Infinity, entre os quais, a exigência de comprovação de número de viagens incompatível com a realidade de Rio Claro, e a possibilidade de subcontratação de outra empresa pela vencedora para prestação dos serviços dos transportes.
A suspeita é de que a Infinity iria utilizar a estrutura da cooperativa paulistana.
Depois dessas denúncias, tal edital foi cancelado pelo prefeito que lançou um novo documento.
No edital mais recente, as exigências foram maiores, mas a Expresso Infinity teria se desinteressado.
A idade máxima da frota não poderia, de acordo com o certame, ultrapassar 5 anos, sendo que no momento de assinatura do contrato, os ônibus não poderiam ter mais de 8 anos.
A média de idade de todos os ônibus teria de ser de 02 anos e a vencedora teria de investir inicialmente R$ 37,8 milhões. A vencedora deve operar 21 linhas com 53 ônibus urbanos com capacidade de 85 passageiros. O total da frota para serviços urbanos, no entanto, deveria ser de 60 ônibus, já que além dos 53 de operação, 07 seriam de reserva.
Além dos 60 ônibus, outros dois seriam para transportes de deficientes e a empresa teria ainda de oferecer uma “jardineira” para o Projeto Estação Turismo, para passeios nos principais pontos da cidade.
A tarifa referência do edital é de R$ 2,76, o que significa que o ganhador pode oferecer a possibilidade de cobrar uma passagem menor.
Os interessados também devem apresentar a experiência de 208 mil e 56 viagens realizadas com passageiros a bordo.
Quando tudo parecia caminhar para o final e Rio Claro poderia ver qual empresa fosse renovar os transportes da cidade, uma carência de muito tempo, o juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Rio Claro, Alexandre Dalberto Barbosa suspendeu a revogação do edital do qual participavam Expresso Infinity, elaborado pelo irmão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
O pedido de revogação da suspensão foi feito pela atual empresa operadora, Rápido São Paulo, que não concordou com os termos do edital novo, mas também não concordava com o antigo.
Na próxima quinta-feira, além de Pedro Kassab, devem prestar depoimento na Comissão Processante, parlamentares que apóiam o prefeito Du Altamari, como os deputados Edinho Silva (PT), Jorge Caruso (PMDB), e Itamar Borges (PMDB).
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.
Colaborou: Antônio Flávio Archangelo Júnior, do Diário do Rio Claro

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