JÚLIO SIMÕES E METROPOLITANA EM SOROCABA

ônibus Sorocaba
Licitação do Lote 01 de Sorocaba teve de ser feita por conta das instabilidades jurídicas, fiscais e financeiras da TCS – Transporte Coletivo Sorocaba, de Renê Gomes de Sousa, parente de Baltazar José de Sousa, que enfrenta as mesmas dificuldades e a exemplo de Renê perdeu os serviços de transportes em várias cidades. Só com o INSS, a TCS acumula dívidas de R$ 62 milhões e com o FGTS, 25, milhões. Depois da Expresso Santa Paula ser considerada a favorita no certame, ela foi desclassificada por falta de viabilidade prática em sua proposta. Desde 2009, quando a TCS parou de operar, 4 empresas de ônibus prestavam serviços com contratos emergenciais. Em 16 de junho de 2011, finalmente a Prefeitura anunciou o Consórcio Sorocaba, formado pelos grupos da Júlio Simões e Metropolitana, como vencedor. O Consórcio colocará 179 ônibus zero quilômetro nas ruas. Foto: Vinícuis Alvarenga

Consórcio Sorocaba se prepara para assumir os transportes na cidade
Depois de uma licitação complicada, com o anúncio de uma vencedora e depois sua desclassificação, Júlio Simões e Metropolitana assumem o lote 01 da cidade

ADAMO BAZANI – CBN

A exemplo de quase todas as licitações de transportes públicos, a de Sorocaba foi marcada por tensões, altos e baixos e complicações.
Mas finalmente, na quinta-feira, dia 16 de junho de 2011, o prefeito Vitor Lippi, o vice-prefeito, José Ailton Ribeiro, e o diretor presidente da gerenciadora Urbes, Renato Gianolla, assinaram o contrato de concessão com o Consórcio vencedor.
Em até 4 meses, deve assumir o lote 01 da cidade, o Consórcio Sorocaba, que é formado pela CS Brasil, que controla a empresa Júlio Simões, de Mogi das Cruzes, e a Empresa Rodoviária Metropolitana, de Pernambuco.
A Santa Paula, do Espírito Santo, chegou a ser anunciada como a principal cotada na licitação para ocupar o lugar da TCS – Transporte Coletivo Sorocaba, mas sua proposta financeira não foi considerada compatível com o que poderia ser realizado.
O Consórcio Sorocaba já se prepara tecnicamente para operar 43 linhas alimentadoras e uma circular.
Os ônibus deverão ser zero quilômetro, além de apresentarem acessibilidade para portadores de deficiência e motorização mais potente e eletrônica. Diminuição dos índices de poluição e ruído, com ônibus mais novos e tecnologia moderna também eram outras exigências do edital.
Seguindo as normas NBR 15570, os veículos terão maior espaço entre os bancos, saídas de emergência, piso anti-derrapante, sinalização refletora ao longo da lataria, lâmpadas de led, itinerário eletrônico e sistema de circulação de ar no salão de passageiros. Não é exigido ar condicionado.
No total, o Consórcio Sorocaba vai ter 179 ônibus, dos quais 165 em escala, 14 para a reserva e 09 micro-onibus.
O valor do contrato com a Prefeitura é de R$ 60 milhões por ano e a duração é de 08 ano, que podem ser prorrogados.
Depois da desclassificação da Expresso Santa Paula, o Consórcio Sorocaba foi o que ofereceu melhor proposta financeira ao poder público:
Consórcio Sorocaba: que ofereceu custo de R$ 2,374 por passageiro
CST – Consórcio Sorocaba de Transportes: R$ 2,388
NTS – Consórcio Nova Transporte Sorocaba: R$ 2,449
Por conta também da retirada da Santa Paula, a Prefeitura de Sorocaba teve de renovar os contratos emergências, ao custo de R$ 33 milhões, com as 04 empresas que operavam o Lote 01 até a definição da licitação: Rosa, de Tatuí, São João, de Votorantin, Jundiá, de Alumínio, e a Reunidas Paulista, mais conhecida por operar linhas rodoviárias.
Se o contrato de emergência fosse até o final, os ganhos de cada empresa seriam:
Reunidas Paulista: R$ 9 milhões 044 mil 755 e 48 centavos
Rosa: R$ 8 milhões 149 mil 422 e 67 centavos
Jundiá: R$ 8 milhões 086 mil 822 e 14 centavos
Viação São João: R$ 7 milhões 864 mil 834 e 61 centavos.
MÁ GESTÃO OBRIGOU A PREFEITURA FAZER LICITAÇÃO:

A licitação do lote 01 de Sorocaba, que contempla 43 linhas alimentadoras e uma expressa, só foi necessária por causa de problemas de gestão, financeiros e jurídicos da antiga operada da cidade: a TCS – Transporte Coletivo Sorocaba, do empresário René Gomes de Sousa, parente de Baltazar José de Sousa, que também enfrenta problemas de dívidas e com a Justiça e que se encontra num “refúgio” na Europa há pelo menos dois meses.
A Transporte Coletivo Sorocaba foi considerada incapaz de prestar serviços, de se manter e foi retirada do sistema em 2009, obrigando a Prefeitura assinar co contrato emergencial com a Reunidas Paulista, Rosa, Jundiá e São João.
De acordo com estudos pedidos pela Prefeitura de Sorocaba à Fundação Getúlio Vargas e divulgados pela CUT – Central Única dos Trabalhadores, as dívidas da TCS ultrapassaram R$ 2,5 milhões de recolhimentos atrasados do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e R$ 62 milhões com o INSS.
René Gomes de Sousa pelos mesmos motivos perdeu os serviços de transportes em São José dos Campos, Uberlândia e Uberada. O mesmo caminho seguido por Baltazar José de Sousa, que perdeu em Brasília, Manaus, Uberaba, teve de dividir o seu reduto Mauá, com outra empresa. Ronan Maria Pinto, parente de Baltazar também, já aventou a possibilidade de assumir parte do transporte de Mauá que corresponde a Baltazar.
O problema é que as instabilidades jurídicas e fiscais destas empresas de ônibus acabam sendo sentidas principalmente pelos trabalhadores (há funcionários da Viação Cidade de Mauá, ex Barão de Mauá., com mais de 15 anos de atrasos em direitos trabalhistas) e o passageiros, que sofre com ônibus velhos ou mal conservados. Uma empresa que não se apresenta estável financeiramente e juridicamente não vai fazer as manutenções e cuidar da frota da melhor maneira possível.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.