O PEDESTRE PEDE PASSAGEM

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Ônibus já param para quem está a pé, na Zona Máxima de Proteção ao Pedestre, na região Central de São Paulo. O problema é que os motoristas de carro e principalmente os motoboys não cumprem as regas e não param. Isso cria uma armadilha para o pedestre, que começa a atravessar por ver o ônibus parado, e repentinamente de trás do ônibus surgem carros e motos em alta velocidade. Foto: JF Diário/Agência Estado.

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Ônibus da Vipe – Viação Padre Eustáquio, que opera com exclusividade os serviços municipais de São Caetano do Sul. Na cidade, o Programa Faixa Segura também quer garantir mais segurança aos pedestres. Além de campanhas de orientação e fiscalização, a Prefeitura pretende transformar alguns cruzamentos em lombofaixas, quando o nível do asfalto se iguala ao da rua, facilitando o acesso de pessoas com mobilidade reduzida e obrigando, pelo desnível na rua, o motorista a reduzir a velocidade antes do cruzamento. Foto: Adamo Bazani.

Ônibus tem respeitado pedestres, mas outros veículos não param nas faixas o que gera armadilhas
Enquanto o ônibus para priorizando quem anda a pé, motos e carros saem de trás destes veículos maiores e aumentam riscos de atropelamentos

ADAMO BAZANI – CBN

A Prefeitura de São Paulo selecionou áreas para maior atuação dos agentes da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego – na fiscalização para garantir a prioridade dos pedestres, principalmente na travessia sobre as faixas pintadas nas ruas e avenidas.
São as chamadas ZMPP – Zonas Máximas de Proteção ao Pedestre. Nestas áreas, os agentes tentam impedir que os carros avancem sobre as faixas e orientam para que os automóveis parem para a travessia.
A primeira Zona Máxima de Proteção ao Pedestre na Capital Paulista é a região central. No local, a fiscalização é mais fácil e o número de pessoas que precisam circular a pé é grande.
Os motoristas de ônibus municipais já foram orientados nas garagens, por palestras e campanhas, para darem a prioridade e pararem, principalmente nos horários de fiscalização mais intensa e de maior número de pessoas.
Mas como a palavra de ordem no trânsito é democracia, na qual a maioria tem de ser privilegiada e todos devem fazer a sua parte, o que nem sempre acontece em São Paulo, são criadas verdadeiras armadilhas para os pedestres.
Isso porque, o motorista de ônibus, boa parte das vezes, para. Mas os de carros e principalmente os motoqueiros não.
Como o ônibus é grande, encobre a visão dos pedestres, que atravessam ao aproveitar o ato de disciplina e cidadania dos motoristas de ônibus, mas, repentinamente, de trás dos coletivos saem carros e motos que cruzam a faixa em alta velocidade, na maior parte dos casos, enquanto o ônibus ainda dá a vez para quem anda a pé.
Isso tem criado armadilhas e prova que a conscientização e as exigências para um trânsito harmonioso e mais seguro devem ser para todos.
A reportagem do Jornal O Estado de São Paulo flagrou cenas de perigo para os pedestres, pois os ônibus respeitavam quem se locomove a é, mas os carros e motos ao que andam ao lado na mesma via continuavam a marcha e invadiam as faixas de travessia.
Acompanhe o texto de Renato Machado, repórter do Estadão:
Os pedestres de São Paulo estão enfrentando uma espécie de “armadilha” para atravessar ruas na faixa, apesar da intensa fiscalização da Prefeitura. Por ironia, a situação é provocada porque uma parcela dos motoristas, principalmente os de ônibus, começou a respeitar a prioridade das pessoas a pé. Mas, como a maioria ainda avança sobre a faixa, os pedestres que começam a travessia acabam surpreendidos por outros carros e motos.
A reportagem do Estado flagrou essa situação, com alto risco de atropelamento, em pelo menos dez ocasiões ontem no centro. A área foi a escolhida para receber desde quarta-feira a primeira Zona de Máxima Proteção ao Pedestres (ZMPP), onde há cruzamentos com reforço de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e orientadores para impedir o avanço sobre a faixa.
Apesar de as ações terem começado há apenas alguns dias, motoristas de ônibus passaram a dar prioridade ao pedestre na faixa de segurança. Um dos motivos é que essa categoria recebeu palestras sobre a importância do respeito à faixa. A maior parte dos motoristas, entretanto, não para nesses locais quando não há semáforos ou agentes da CET à vista. E esse período de transição provoca risco para pedestres.
Flagrantes de desrespeito. Às 15h07 de ontem, por exemplo, um ônibus parou para dar passagem aos pedestres na Rua Benjamin Constant, na esquina com a Quintino Bocaiuva. Cinco pedestres começaram a atravessar a rua na faixa de segurança, mas precisaram parar quando um carro e duas motos avançaram em alta velocidade. As motos passaram raspando ao lado de um deles.
A mesma situação foi verificada no cruzamento da Quintino Bocaiuva com a Rua Riachuelo. Um ônibus parou pouco antes da faixa, mas motos avançaram praticamente rente ao acostamento e não permitiram a travessia das pessoas. “Quase ninguém ainda respeita. É preciso ter cuidado, porque um carro pode parar pra gente, mas outros 20 parecem que querem nos atropelar”, diz o advogado Alfredo Martins, de 72 anos.
Os técnicos da CET afirmam que esse é um motivo de preocupação. “É um risco que existe em uma rua onde há duas faixas ou mais. A frota de ônibus foi treinada e muitos já param na faixa de pedestres. Mas outros veículos ainda desrespeitam e surpreendem quem já está fazendo a travessia”, disse o gerente de Educação no Trânsito da CET, Luiz Carlos Néspoli. Ele recomenda que motoristas tenham cautela e analisem o comportamento dos veículos mais à frente. “Se um carro está parando, é porque existe algum fator no cruzamento que exige isso.”
Braço esticado. Esse problema foi constatado no início de programas para reduzir atropelamentos em outros municípios, como em Brasília, na década de 1990. Uma das soluções encontradas foi orientar motoristas de ônibus e táxi para que esticassem o braço esquerdo para fora do carro sempre que parassem na faixa, indicando que os demais também deveriam parar. Com o tempo, outros motoristas em seus automóveis particulares começaram a adotar o mesmo procedimento.
“É uma boa dica para ajudar a orientar os demais”, diz o ex-secretário dos Transportes de Brasília Nazareno Stanislau Affonso. Outra medida importante, segundo ele, é colocar agentes no maior número possível de cruzamentos.
Em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, foi criado o Programa Faixa Segura, que vai orientar motoristas a respeitarem os pedestres e tornar as faixas em melhores condições de estrutura e visibilidade.
A Polícia Militar registrou em 2010 no Grande ABC 1830 atropelamentos, nos quais 86 pessoas morreram. A média é de cinco pessoas atropeladas por dia.
A primeira fase do programa de São Caetano do Sul vai atuar em áreas de grande movimento de pessoas e veículos, como cruzamentos do Centro e dos bairros Santa Paula, Barcelona, Mauá e Oswaldo Cruz.
Além disso, algumas travessias serão transformadas em “lombofaixas”, quando a faixa de pedestre é elevada na altura da calçada. A medida facilita o acesso de pessoas com mobilidade reduzida e obriga, pelo desnível da rua, o motorista a reduzir a velocidade já antes mesmo dos cruzamentos.
Os motoristas de ônibus que servem São Caetano do Sul também vão receber orientação para darem prioridade aos pedestres.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em O PEDESTRE PEDE PASSAGEM

  1. Boa noite Adamo e a todos os partícipes do blog !

    Parabéns a São Caetano pela iniciativa, pois, trata-se de ação simples, mais muito prática e importante, na tentativa de melhorar a locomoção e a segurança, de todos.

    Em outro post, onde o Galesi, apresentou uma carta de um deficiente visual, já afirmei que em verdade, se respeitássemos nosso próximo, não haveria sequer a necessidade de leis que, regulassem tal convivência, contudo, para nossa realidade, elas são necessárias; assim, basta aplicarmos o Código de Trânsito Brasileiro em vigor, e, punirmos com rigor os infratores, às vezes, quem sabe, causando o transtorno, o aborrecimento, o nervosismo ao condutor, da moto, do carro que, desrespeitar a regra de que, na faixa de pedestre, a preferência é do referido, pará-lo, autuá-lo e gunichar o seu reluzente automóvel, sua moto.

    É o famoso pegar alguns para EXEMPLO e tentar, IMPOR O RESPEITO QUE O SER HUMANO, MERECE !

    Perseverar não nos custa nada.

    ABRAÇO A TODOS.

  2. Caro Sr. Ádamo,
    Priemiramente parabéns pelo blog.
    O Sr. conhece algum canal direto para reclamações da empresa SATrans de Sto André? Sou ciclista e utilizo a bicicleta como meio de locomoção diariamente e, em menos de duas semanas fui perigosamente ameaçado por dois ônibus da empresa em meu trajeto para o trabalho. Me parece que os colaboradores (que não colaboram) da SATrans desconhecem o Código Brasileiro de Trânsito no que diz respeito à preferência dos diversos meios de transporte conforme descrito no CTB artigos 58, 201 e 220. Quantos motoristas de empresa ameaçam covardemente diversos ciclistas e pedestres diariamente? Já enviei mensagens ao canal de reclamações do site da AESA mas até o momento não obtive retorno. Agradeço se puder comentar.
    João Cossia

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