Brasileiro ainda se sente inseguro nos transportes públicos, diz estudo internacional

: Ponto de ônibus em Joinville, Santa Catarina, além de estar deteriorado oferece risco para passageiros e pedestres, inclusive crianças. Foto: Cleber Gomes, Jornal A Notícia.

Segurança nos transportes públicos é preocupação da maioria dos brasileiros, diz pesquisa
O levantamento foi feito em 12 países. Para instituto internacional, a segurança em espaços públicos deve ser prioridade dos diferentes níveis de governo. Como o Brasil está se preparando para a Copa também é outra dúvida da população
ADAMO BAZANI – CBN
Assaltos em ônibus, pontos, terminais e estações ferroviárias. Pontos mal iluminados e a longa espera pelo meio de transporte que deixa o passageiro mais vulnerável não só a ações criminosas, mas a acidentes e problemas relacionados à meteorologia.
Tudo isso, há muito tempo tem desestimulado os usuários de transportes coletivos.
A questão da segurança é um dos pontos principais de reclamação dos passageiros e uma reivindicação antiga dos empresários, já que o problema passa também pela responsabilidade do poder público.
Uma pesquisa internacional, realizada pela Unisys, revela que para 77% dos entrevistados a maior preocupação é em relação a falta de segurança nos transportes públicos.
Para o diretor de Programas Estratégicos da Unisys da América Latina, André Vilela, o fato de o brasileiro se preocupar mais em segurança em locais públicos, como meios de transportes, é um indicador do que deve receber prioridade das políticas governamentais.
A segurança nos transportes coletivos envolve vários agentes. A começar pelos estados e municípios, que devem garantir a integridade do cidadão, dos bens públicos e patrimônios pelo policiamento e pela vigilância de terminais, além de orientação em relação ao trânsito. As empresas operadoras de transportes coletivos também devem criar climas que propiciem segurança, como boas condições dos veículos, cumprimento dos horários afim de que o passageiro não fique mais tempo exposto e vulnerável nos pontos e estações e até mesmo no investimento em tecnologia, como instalação de câmeras e monitoramento dos veículos.
Os passageiros devem fazer a parte dele respeitando o outro cidadão que usa o transporte coletivo e estando atendo a ação de criminosos ao tomar cuidado para não facilitar a concretização do delito. São atitudes simples, como evitar a exposição de bens de valor e a desatenção, mesmo porque os criminosos se aproveitam do elemento surpresa.
Os terminais fechados e estações com a presença de agentes da operadora e de segurança diminuem a sensação de medo dos passageiros.
Outro dado que chamou a atenção no estudo semestral Índice de Segurança Unisys também se relaciona aos transportes.
A segunda preocupação do brasileiro é em relação a estrutura do País, dos transportes e dos aeroportos em relação a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas, no Rio de Janeiro, em 2016.
De acordo com os pesquisadores, 69% dos entrevistados temem que o Brasil não esteja preparado e seguro para estes eventos esportivos mundiais.
E a preocupação tem razão de ser.
Em 14 de abril de 2011, o Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – revelou um estudo no qual prevê que nove dos 13 aeroportos em obras para a maior demanda ocasionada pelos eventos mundiais e para suprirem o número de passageiros que cresce não ficarão prontos até 2014, ano da Copa do Mundo. Trata-se do estudo “Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações”. Os aeroportos cujas obras não devem terminar em tempo hábil, de acordo com o Ipea, são os de Manaus, Fortaleza, Brasília, Guarulhos, Salvador, Campinas, Cuiabá, Confins e Porto Alegre.
Em relação a mobilidade urbana, a situação preocupa os brasileiros. Todos os 47 projetos previstos para o setor, contemplados pelo PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – da Mobilidade sofreram algum atraso. Os prazos de início de obras tiveram de ser revistos. Algumas cidades, como o Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte já estão com obras em estágios considerados satisfatórios.
Outras como Manaus e São Paulo que nem tem um estádio para a realização dos jogos e os projetos de mobilidade mudam de prioridade a cada decisão da Fifa, entidade máxima do futebol mundial, apresentam problemas e poucas garantias concretas da realização de todos os projetos no tempo prometido e que englobem o pós Copa, atendendo a cidade como um todo, e não uma intervenção pontual para o Mundial de Futebol deixando um legado pouco vantajoso em relação ao custo e com grau de ociosidade.
A pesquisa ouviu no Brasil 1509 pessoas com idades entre 18 e 65 anos das classes A, B e C nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre e Salvador entre os dias 02 e 28 de fevereiro de 2011.
O Brasil, dos 12 países pesquisados, é o segundo no qual as pessoas mais sentem insegurança, empatando com o México. A Colômbia é o país cujos cidadãos têm mais insegurança e preocupação.
Numa escala de 0 a 300 pontos, sendo que 300 é o maior nível de insegurança, o Brasil atingiu 180 pontos.
A pesquisa dividiu o tema segurança em 4 quesitos: nacional, financeiro, internet e pessoal.
Na área financeira, a maior preocupação é em relação a fraudes bancárias: 85% das pessoas temem ter seus dados invadidos ou utilizados indevidamente seus cartões de débito e crédito.
Sobre internet, 60% das pessoas dizem ter medo de vírus no computador e 54% afirmaram que temem problemas em relação a transações bancárias pelo computador.
Adamo Bazani, repórter da CBN, especializado em transportes.

1 comentário em Brasileiro ainda se sente inseguro nos transportes públicos, diz estudo internacional

  1. Infelizmente em poucos locais do país acontecem investimentos sérios no setor. Contudo, o que me deixa de cara é o que o GDF faz, pois quase ninguém sabe que o GDF dá um subsídio três vezes maior para as empresas do metrô. Sendo que ele transporta uma quantidade de pessoas muito menor.

    Dá pra entender uma coisa dessas?

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  1. Você acha o transporte público seguro no Brasil? - Via Mep São Paulo

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