Depois do Metrô, CPTM anuncia fim dos bilhetes magnéticos Edmonson em dezembro nas 97 estações dos trens de São Paulo

Passageiros terão até 31 de dezembro de 2026 para utilizar os bilhetes antigos nas linhas 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 13; a partir de janeiro de 2027, acesso será feito por Bilhete Único, cartão TOP, QR Code ou pagamento por aproximação

ADAMO BAZANI

Depois do Metrô de São Paulo, que encerrou em 31 de outubro de 2026 a utilização dos tradicionais bilhetes magnéticos Edmonson, agora é a vez da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) anunciar a retirada definitiva desse modelo de passagem. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, a companhia informou que os passageiros terão até 31 de dezembro para utilizar os bilhetes antigos. A partir de 1º de janeiro de 2027, eles não serão mais aceitos nas catracas das 97 estações do sistema ferroviário da Grande São Paulo.

A mudança abrange as linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, 10-Turquesa, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, incluindo serviços concedidos à iniciativa privada. A medida completa uma nova etapa da substituição dos bilhetes magnéticos por sistemas eletrônicos e digitais, como o Bilhete Único, o cartão TOP, as passagens com QR Code e o pagamento por aproximação com cartões bancários e dispositivos compatíveis.

Embora diferentes empresas sejam responsáveis pela operação dos trens, a CPTM mantém a gestão e a centralização do sistema de bilhetagem e dos bloqueios da rede ferroviária. Por isso, a retirada dos bilhetes magnéticos também alcança as linhas concessionadas.

Entre elas estão a Linha 7-Rubi, operada pela TIC Trens; as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela ViaMobilidade; e as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, que passaram à Trivia Trens, do Grupo Comporte. A Linha 10-Turquesa permanece sob operação direta da CPTM.

A companhia destaca que as mudanças fazem parte de um processo de modernização iniciado em 2021, com a ampliação das alternativas de aquisição e validação de passagens.

Metrô já deixou de aceitar Edmonson em novembro e permite troca até janeiro

O anúncio da CPTM ocorre poucos dias depois do encerramento do uso dos bilhetes Edmonson no Metrô de São Paulo.

Desde 1º de novembro de 2026, os bilhetes magnéticos não são mais aceitos nas catracas das linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata, operadas pela Companhia do Metropolitano.

O prazo para utilização terminou em 31 de outubro, encerrando uma tradição iniciada com a operação comercial do Metrô, em 1974.

Para os passageiros que ainda possuem bilhetes magnéticos unitários do Metrô, a companhia estabeleceu um período de substituição por passagens com QR Code, entre 1º de novembro de 2026 e 31 de janeiro de 2027.

A troca é realizada nas estações Paraíso, das linhas 1-Azul e 2-Verde, e Tatuapé, da Linha 3-Vermelha, das 6h às 22h.

São aceitos os bilhetes unitários G-01 válidos, não utilizados e em boas condições de conservação.

Quem apresentar até dez unidades poderá realizar a substituição no atendimento. Quantidades superiores passam por análise e validação, mediante identificação do passageiro.

No caso da CPTM, entretanto, o comunicado divulgado nesta sexta-feira não especifica se haverá um procedimento semelhante de substituição dos bilhetes ferroviários não utilizados depois de 31 de dezembro.

Assim, por enquanto, a orientação é utilizar os bilhetes magnéticos da rede ferroviária dentro do prazo anunciado.

Como pagar as passagens dos trens a partir de janeiro de 2027

Com a retirada dos bilhetes Edmonson, os passageiros continuarão contando com diferentes alternativas para acessar as estações.

O Bilhete Único e o cartão TOP permanecerão válidos, assim como os bilhetes individuais com QR Code, que podem ser apresentados em papel ou diretamente na tela do celular.

A compra antecipada poderá ser realizada pelo aplicativo TOP, pela Carteira Digital TOP ou pelo serviço de Webchat disponibilizado aos passageiros.

Quem preferir adquirir a passagem presencialmente poderá continuar utilizando as bilheterias e os terminais de autoatendimento instalados nas estações.

As máquinas permitem a compra de bilhetes com QR Code e aceitam pagamentos por Pix.

Também será possível adquirir passagens em dinheiro nos mais de 8 mil pontos físicos da rede credenciada TOP, distribuídos por diferentes localidades.

Outra opção é o pagamento diretamente nas catracas por aproximação, utilizando a tecnologia NFC.

O sistema aceita cartões de crédito e débito, físicos ou virtuais, das bandeiras Elo, Mastercard e Visa, além de celulares e relógios inteligentes compatíveis com essa modalidade.

Dessa maneira, o passageiro pode acessar as estações sem precisar comprar antecipadamente um bilhete unitário, desde que utilize um meio de pagamento habilitado.

Fim de uma tradição de mais de cinco décadas no transporte paulista

O bilhete Edmonson faz parte da história do transporte ferroviário e metroviário.

O nome tem origem no ferroviário britânico Thomas Edmondson, responsável pelo desenvolvimento de um sistema padronizado de emissão de passagens no século XIX.

O modelo evoluiu ao longo do tempo, ganhou tarjas magnéticas e passou a permitir a leitura automatizada nos bloqueios de acesso às plataformas.

No Metrô de São Paulo, o padrão acompanhou o sistema desde a inauguração comercial, em 1974, e tornou-se um dos elementos mais conhecidos da experiência dos passageiros.

Ao longo de mais de cinco décadas, foram produzidos mais de 13,7 bilhões de bilhetes, em aproximadamente 30 edições, segundo dados divulgados pelo Governo de São Paulo sobre a história do modelo no Metrô.

A tecnologia, entretanto, passou a apresentar limitações, especialmente em razão da obsolescência dos equipamentos de leitura, dos custos de manutenção e da necessidade de fabricação, transporte, armazenamento e distribuição dos cartões físicos.

A expansão dos bilhetes digitais e das alternativas de pagamento por aproximação tornou possível a retirada gradual do sistema.

Na rede ferroviária, a CPTM ampliou em 2026 a disponibilidade de pagamento por Pix nos terminais de autoatendimento, além de implementar a tecnologia de aproximação nas 97 estações.

Com a decisão anunciada nesta sexta-feira, o encerramento de 2026 também marcará a despedida dos bilhetes magnéticos nos trens metropolitanos paulistas, completando uma transição que já ocorreu nas linhas do Metrô.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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