Caio Apache Vip 6, Marcopolo Torino 2027 e Mascarello GranVia: disputa no mercado de ônibus urbanos promete ser boa, mas setor está desaquecido
Publicado em: 6 de novembro de 2026
Novas gerações da Caio e da Marcopolo começam a chegar às empresas, enquanto Mascarello conquista mercados antes pouco explorados e Comil mantém modelo tradicional Svelto com menor presença no segmento; urbanos lideram fabricação de chassis no Brasil, mas produção de carrocerias caiu 18,6% até setembro
ADAMO BAZANI
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O mercado brasileiro de ônibus urbanos vive um momento de contrastes. Enquanto o Caio Apache Vip 6 e o Marcopolo Torino 2027 começam a chegar às empresas de transporte, com novas encomendas e veículos já concluídos em diferentes regiões do País, o Mascarello GranVia, renovado há pouco mais de três anos, vem conquistando espaço em sistemas nos quais a fabricante paranaense tinha participação pequena ou praticamente inexistente. A Comil, por sua vez, mantém o tradicional Svelto em seu catálogo, com uma geração que passou por menos alterações nos últimos anos e presença bastante reduzida nas compras de carrocerias urbanas, resultado de uma estratégia industrial que passou a privilegiar ônibus rodoviários e de fretamento depois da experiência traumática de sua fábrica de Lorena (SP).
A movimentação das fabricantes ocorre justamente quando o segmento urbano, embora continue predominante na fabricação de chassis de ônibus no Brasil e seja a maior categoria individual na produção de carrocerias, enfrenta uma das quedas mais expressivas da indústria. Segundo a Fabus (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus), a produção de carrocerias urbanas caiu 18,6% de janeiro a setembro de 2026, com 6.371 unidades. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) aponta redução de 8,9% na fabricação de chassis urbanos no mesmo período, enquanto os emplacamentos gerais de ônibus recuaram 2,99% até outubro, de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). O cenário revela que, apesar dos novos produtos e da necessidade de renovação das frotas, o mercado continua pressionado pelas condições econômicas e financeiras das empresas e dos sistemas de transporte.
Caio, Marcopolo, Mascarello e Comil possuem trajetórias importantes no transporte coletivo brasileiro, mas atravessam momentos distintos em suas respectivas estratégias comerciais.
A Caio, tradicional líder do segmento de carrocerias urbanas, procura preservar a participação conquistada ao longo de décadas com uma atualização do seu principal produto para veículos de motor dianteiro.
A Marcopolo, que também possui extensa tradição nesse mercado, aposta em uma nova geração do Torino com alterações de projeto que vão além da aparência e prometem facilitar manutenção, reduzir o tempo dos ônibus nas oficinas e oferecer novas soluções de conforto.
A Mascarello apresenta uma trajetória de expansão territorial. O GranVia 2024 permitiu à fabricante entrar em garagens historicamente abastecidas por outras marcas, como aconteceu em Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP), Curitiba (PR) e municípios da região metropolitana da capital paranaense.
Já a Comil representa uma situação diferente. O Svelto continua sendo oferecido comercialmente, mas o ritmo de desenvolvimento e os investimentos mais recentes da fabricante estão concentrados principalmente em outras famílias de produtos.
O Diário do Transporte acompanhou os lançamentos, entrevistou dirigentes das encarroçadoras, revelou encomendas, apresentou veículos e trouxe informações exclusivas sobre a renovação de frotas.
A chegada de novos modelos, combinada com o avanço comercial de produtos já consolidados, revela uma concorrência que envolve preço, assistência técnica, disponibilidade de peças, facilidade de manutenção e adaptações às exigências de cada sistema.
Torino 2027 conquista empresas em diferentes estados e primeiras entregas mostram variedade de chassis

A Marcopolo iniciou a comercialização do Torino 2027 com uma procura que, segundo a fabricante, superou as expectativas iniciais.
Em 12 de agosto de 2026, um dia depois da apresentação oficial na Lat.Bus, em São Paulo (SP), o diretor Comercial e de Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan, revelou em entrevista exclusiva ao Diário do Transporte que já haviam sido vendidas mais de 100 unidades do modelo para 15 empresas de diferentes regiões brasileiras.
Segundo o executivo, algumas transportadoras que haviam encomendado o Torino da geração anterior passaram a solicitar a substituição de parte dos pedidos pela nova versão.
Outros operadores anteciparam planos de renovação para incorporar as mudanças apresentadas pela fabricante.
O Diário do Transporte também conheceu o Torino 2027 antecipadamente, antes da Lat.Bus, durante apresentação técnica realizada pela Marcopolo, quando foram explicadas alterações de design, sistemas elétricos, climatização, materiais e manutenção.
Em outubro, a empresa anunciou o início das entregas comerciais para operadores de Pernambuco, Ceará, Bahia, Maranhão, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
Os registros dos veículos e as confirmações dos operadores já permitem identificar parte dessas encomendas.
Em Ilhéus (BA), a Via Metro Transportes Urbanos apresentou, em 2 de novembro de 2026, 30 ônibus Marcopolo Torino 2027 equipados com chassis Mercedes-Benz OF-1721 BlueTec 6.
Os coletivos foram exibidos em um desfile pelas ruas da cidade e fazem parte da renovação do sistema de transporte municipal.
O processo ocorre em um período de reorganização das operações de ônibus em Ilhéus, após a saída da Atlântico Transportes.
Entre os veículos identificados em registros fotográficos estão unidades com prefixos 3870, 3890 e 4090, todas na combinação Torino 2027 e Mercedes-Benz OF-1721 BlueTec 6.
Em Maceió (AL), a Real Alagoas aparece entre as primeiras empresas a receber o novo modelo.
Como revelou o Diário do Transporte em 6 de outubro, a companhia foi destinatária das duas primeiras unidades comerciais concluídas do Torino 2027, produzidas na fábrica da Marcopolo em São Mateus (ES).
A primeira delas foi montada sobre chassi Volkswagen 17.260 Euro 6.
A configuração possui portas dos dois lados para atender às características operacionais do sistema, que utiliza diferentes formas de embarque.
No Ceará, a Viação Fortaleza também está entre as empresas que aderiram à nova geração. Uma unidade identificada utiliza chassi Mercedes-Benz OF-1619 L BlueTec 6, equipado com suspensão pneumática.
Na Região Metropolitana de Curitiba (PR), a Leblon Transporte de Passageiros confirmou a compra inicial de três Torino 2027 com chassis Volkswagen.
A informação foi revelada diretamente ao Diário do Transporte em 10 de setembro pelo empresário Haroldo Isaak, proprietário da companhia.
Os ônibus foram encomendados para operações metropolitanas alimentadoras, responsáveis por conectar bairros e diferentes pontos de integração.
Em Minas Gerais, a Territorial Transportes, integrante do Grupo Rodap, também recebeu o Torino 2027 para utilização na região de Santa Luzia (MG).
O veículo identificado utiliza chassi Mercedes-Benz OF-1619 L BlueTec 6, suspensão pneumática, três portas, poltronas estofadas e equipamentos de acessibilidade.
No Maranhão, a TransPremium aparece entre as compradoras da nova geração, com encomendas de veículos sobre chassis Mercedes-Benz OF-1721 BlueTec 6.
Informações regionais apontaram inicialmente dez unidades, enquanto a Viper Transporte, de São Luís (MA), também foi citada entre os operadores interessados no modelo.
Os registros revelam uma característica importante do início da comercialização: o Torino 2027 já aparece em operações com chassis Mercedes-Benz e Volkswagen, incluindo versões com suspensão convencional ou pneumática e diferentes disposições internas.
As quantidades de veículos encomendados devem ser diferenciadas dos ônibus efetivamente concluídos, entregues e colocados em circulação.
Apache Vip 6: JTP, Del Rey e Nossa Senhora do Amparo estão entre os primeiros compradores

A Caio também iniciou a comercialização do Apache Vip 6, nova geração de uma das famílias de carrocerias urbanas mais presentes nas ruas brasileiras.
Apresentado oficialmente em agosto de 2026, durante a Lat.Bus, o modelo preserva a arquitetura básica do Apache Vip, mas incorpora alterações de desenho, iluminação, componentes internos e soluções de manutenção.
Uma das primeiras encomendas confirmadas foi realizada pela JTP Transportes para a operação municipal de Rio Branco (AC).
Em 2 de setembro, o Diário do Transporte revelou a compra de 20 Apache Vip 6 e outros 60 Apache Vip 5, totalizando 80 ônibus novos destinados à operação da capital acreana.
No dia 28 do mesmo mês, o jornal mostrou, também em primeira mão, a imagem da primeira unidade comercial do Apache Vip 6 concluída para a JTP.
A importância da encomenda foi destacada pela Caio, que homenageou a diretoria da transportadora em outubro pela aquisição do primeiro veículo comercializado da nova geração.
Os ônibus foram incorporados ao processo de reorganização do sistema de Rio Branco, com a mudança operacional iniciada em outubro.
Em Carapicuíba (SP), a Del Rey Transportes também está entre as primeiras compradoras do Apache Vip 6.
A empresa adquiriu 15 unidades sobre chassis Mercedes-Benz OF-1726 BlueTec 6, com ar-condicionado, câmeras de monitoramento, portas elétricas e equipamentos de acessibilidade.
Em 4 de novembro, o Diário do Transporte apresentou imagens e vídeo dos coletivos já na garagem, durante os preparativos para o início da circulação ainda neste mês.
A aquisição representa uma nova etapa da renovação promovida pela Del Rey.
Em fevereiro de 2026, a empresa já havia incorporado 13 Apache Vip 5, também encarroçados sobre Mercedes-Benz OF-1726.
No Estado do Rio de Janeiro, a Viação Nossa Senhora do Amparo recebeu 22 Apache Vip 6.
Desse total, 19 unidades foram anunciadas para o transporte municipal gratuito de Maricá (RJ), o sistema conhecido como Vermelhinhos.
Os novos ônibus utilizam chassis Mercedes-Benz OF-1721 L BlueTec 6, com suspensão pneumática.
Entre os equipamentos estão ar-condicionado, tomadas USB, dispositivos de acessibilidade e novas configurações internas.
Também existem veículos destinados às operações intermunicipais da Amparo, que atende ligações envolvendo Maricá, Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro.
A configuração divulgada para a empresa inclui capacidade de até 77 passageiros, poltronas semirrodoviárias e elevador de acessibilidade, conforme a versão.
As primeiras entregas mostram que o Apache Vip 6 já está presente em veículos equipados com diferentes chassis Mercedes-Benz, utilizados em sistemas municipais e metropolitanos.
Mascarello GranVia: de participação discreta à conquista de mercados antes dominados por outras marcas
Enquanto Caio e Marcopolo apresentam novas gerações em 2026, a Mascarello vem colhendo resultados comerciais de um lançamento ocorrido há pouco mais de três anos.
O GranVia 2024, apresentado em 2023, representou uma atualização significativa da carroceria urbana da fabricante de Cascavel (PR).
A nova geração trouxe alterações de desenho externo e interno, componentes destinados a facilitar a manutenção, mudanças no posto do motorista e diferentes possibilidades de configuração.
Mas um dos efeitos comerciais mais importantes foi a ampliação da presença da Mascarello em mercados nos quais a empresa tinha participação pequena ou não conseguia conquistar pedidos expressivos.
O movimento ficou especialmente evidente no ABC Paulista.
Em Santo André (SP), a Viação Guaianazes, que integra o Consórcio União Santo André, adquiriu inicialmente 26 ônibus GranVia sobre chassis Volkswagen.
A operação foi revelada e acompanhada pelo Diário do Transporte, com apresentações dos veículos, vídeos e entrevistas.
O lote foi dividido em 13 ônibus convencionais e 13 veículos mídis, conhecidos entre os operadores como micrões.
Os convencionais utilizam chassis Volkswagen 17.230 Euro 6, com 13,2 metros de comprimento, 44 lugares sentados e capacidade informada para mais 30 passageiros em pé.
Os mídis foram produzidos sobre chassis Volkswagen 15.210 Euro 6, com 10,5 metros de comprimento, 34 lugares sentados e capacidade para 28 pessoas em pé.
As duas configurações possuem espaço adicional destinado à acessibilidade.
Os veículos contam com ar-condicionado, câmeras de monitoramento, tomadas USB, wi-fi e vidros com proteção contra raios ultravioleta.
Uma das soluções apresentadas pela Mascarello foi o redesenho da organização interna, com o objetivo de ampliar a área livre nos corredores sem reduzir a largura regulamentar das poltronas.
Em reportagem publicada em 18 de maio de 2025, o Diário do Transporte mostrou que 18 unidades já haviam sido entregues à Viação Guaianazes, sendo 11 convencionais e sete mídis.
A aquisição fazia parte de um planejamento mais amplo de renovação de até 200 ônibus no sistema de Santo André até 2028, conforme as metas anunciadas na ocasião.
A entrada expressiva da Mascarello na cidade foi seguida por outra conquista ainda maior em São Bernardo do Campo (SP).
A BR7 Mobilidade, operadora do transporte municipal, realizou uma encomenda de 73 ônibus Mascarello GranVia.
O volume foi revelado pelo Diário do Transporte em 7 de junho de 2025, depois de a reportagem antecipar a chegada das primeiras dez unidades.
Até então, a operadora concentrava suas aquisições em carrocerias da Caio, tornando a encomenda uma mudança relevante na composição da frota.
Os primeiros veículos apresentados eram mídis com chassis Mercedes-Benz OF-1619 BlueTec 6.
Ao longo dos meses seguintes, passaram a ser entregues também ônibus convencionais, com maior capacidade de transporte.
Entre as configurações estão unidades com Mercedes-Benz OF-1721 L BlueTec 6, suspensão pneumática, três portas, ar-condicionado, tomadas USB, acessibilidade e sistemas de monitoramento.
A compra de 73 GranVia fazia parte de um planejamento anunciado pela BR7 para incorporar 108 ônibus novos ao longo de 2025, com participação também de veículos da Caio.
Em julho e setembro daquele ano, o Diário do Transporte acompanhou novos lotes apresentados para linhas de diferentes regiões de São Bernardo do Campo.
Somadas, as encomendas iniciais confirmadas da Viação Guaianazes e da BR7 representaram 99 ônibus Mascarello GranVia para dois sistemas municipais do ABC Paulista.
O volume ajuda a dimensionar a importância da região para a fabricante paranaense.
Curitiba e região metropolitana também mostram expansão da Mascarello
Outro mercado que ilustra a mudança na participação da Mascarello é Curitiba (PR) e sua região metropolitana.
Apesar de a fabricante estar instalada no próprio Paraná, durante muitos anos sua presença nos sistemas de transporte da capital e de municípios vizinhos foi relativamente discreta.
A frota urbana curitibana tradicionalmente utiliza carrocerias de outras fabricantes, especialmente em razão das características operacionais e das exigências técnicas do sistema.
Uma análise publicada em abril de 2026 pelo pesquisador e historiador de transportes Osvaldo Born destacou que a participação da Mascarello na capital havia sido limitada a poucas experiências durante mais de uma década.
O cenário começou a mudar com a evolução do GranVia e a adequação dos produtos às exigências dos operadores e órgãos gestores.
Entre as empresas que incorporaram o modelo estão a Viação Colombo e a Auto Viação São José dos Pinhais.
A Viação Colombo recebeu um GranVia de 13,2 metros sobre chassi Volkswagen 17.260, destinado ao transporte municipal de Colombo (PR).
O veículo possui poltronas estofadas, câmeras internas e uma pintura retrô, inspirada na identidade visual utilizada pela empresa na década de 1970.
Na outra extremidade da região metropolitana, a Auto Viação São José dos Pinhais incorporou mais três unidades do GranVia sobre chassis Volkswagen 17.260, com suspensão pneumática, transmissão automática e ar-condicionado.
As aquisições foram destinadas à renovação do transporte municipal de São José dos Pinhais (PR).
A empresa já possuía experiências anteriores com carrocerias GranVia em serviços metropolitanos e municipais.
Em Curitiba, a Viação Cidade Sorriso também apresentou, em novembro de 2025, uma unidade do GranVia preparada para atender às exigências da Urbs.
O ônibus foi mostrado durante a Exponi50, com climatização e equipamentos de acessibilidade, passando pelo processo de homologação para a operação.
A expansão em Curitiba e nos municípios vizinhos mostra que a participação da Mascarello deixou de se restringir às encomendas tradicionais da fabricante em outras regiões brasileiras.
Os pedidos também aparecem em Minas Gerais, onde o GranVia ganhou espaço em empresas da Região Metropolitana de Belo Horizonte, além de operações no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outras localidades.
Crescimento do GranVia aparece nas estatísticas e nas encomendas
Os resultados da Mascarello podem ser observados tanto na expansão geográfica quanto nos volumes de fabricação.
Segundo levantamento da Fabus divulgado pelo Diário do Transporte em junho de 2025, a fabricante produziu 506 carrocerias urbanas entre janeiro e maio daquele ano, contra 393 unidades nos mesmos cinco meses de 2024.
O crescimento foi de 28,7%, enquanto o mercado geral de carrocerias urbanas avançou 15,7% no período.
A Mascarello cresceu, portanto, proporcionalmente acima da média do segmento.
O avanço é ainda mais visível quando considerado um intervalo histórico maior.
Em 2022, a fabricante havia produzido 489 carrocerias urbanas, segundo os levantamentos da Fabus.
Em 2023, foram 1.162 unidades, e em 2024, 1.075.
O volume de 2025 ficou próximo de mil unidades, mantendo uma participação significativa no mercado nacional.
A evolução demonstra que a Mascarello conseguiu ampliar sua presença no segmento em relação ao início da década, mesmo com oscilações de produção entre os anos.
O crescimento também aparece no conjunto das operações da fabricante.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, a Mascarello produziu 2.648 carrocerias de diferentes categorias, de acordo com os dados divulgados pela Fabus.
Em maio, o diretor de Relações Institucionais da empresa, Luiz Ferraz do Amaral, afirmou em entrevista à publicação especializada Technibus que o GranVia teve excelente aceitação e contribuiu decisivamente para o crescimento da marca em urbanos.
Segundo o executivo, o desenvolvimento da carroceria marcou uma mudança na forma de relacionamento da empresa com os operadores.
A estratégia passou a envolver maior participação de clientes nas discussões anteriores aos lançamentos, com atenção às necessidades de manutenção, operação e características internas dos veículos.
A mesma metodologia foi estendida a outros produtos.
Em fevereiro de 2026, a Mascarello apresentou o Horizon, seu novo modelo urbano destinado a plataformas elétricas, ampliando as possibilidades de atuação da fabricante em tecnologias de descarbonização.
Durante a Lat.Bus 2026, a empresa também apresentou novas gerações de micro-ônibus, segmento de forte participação da marca.
Comil mantém o Svelto, mas experiência em Lorena ajuda a explicar mudança de estratégia
A Comil apresenta uma trajetória bastante diferente no mercado de ônibus urbanos.
A fabricante de Erechim (RS) mantém o Svelto em seu catálogo comercial, mas a linha não recebeu, nos últimos anos, uma renovação de geração com o mesmo alcance dos lançamentos recentes de suas concorrentes.
O Svelto é uma das marcas tradicionais do transporte urbano brasileiro.
Foi apresentado originalmente em 1989, substituindo os modelos Cisne e Minuano herdados da antiga Incasel, empresa que deu origem à Comil.
Ao longo das décadas seguintes, passou por atualizações de desenho, estrutura e componentes.
A geração que serve de base ao produto atual tem origem no ciclo de desenvolvimento iniciado em 2011, com adaptações posteriores.
A redução da participação da Comil em carrocerias urbanas está relacionada a uma mudança importante na estratégia industrial, especialmente depois dos problemas enfrentados pela empresa com a unidade de Lorena (SP).
Em julho de 2012, a Comil anunciou um investimento de aproximadamente R$ 110 milhões para instalar uma fábrica no Vale do Paraíba destinada principalmente à produção de ônibus urbanos.
A proposta era aproximar a produção dos grandes centros consumidores, dos fabricantes de chassis e das redes de distribuição.
A unidade foi inaugurada em 14 de dezembro de 2013, com perspectiva de produção de dez a 12 ônibus por turno em uma etapa de plena utilização da capacidade.
A fábrica concentraria parte da produção dos modelos Svelto e Svelto Midi.
Ao mesmo tempo, a planta de Erechim ficaria com maior disponibilidade para ampliar a fabricação de rodoviários e outros veículos.
O planejamento havia sido desenvolvido em um período de expectativas positivas para a expansão do mercado de ônibus.
Entretanto, a indústria brasileira entrou em uma crise profunda a partir de 2014, com forte redução da demanda, pressão sobre os preços e dificuldades econômicas das operadoras.
A Comil passou a enfrentar uma situação financeira delicada.
Em 28 de janeiro de 2016, a fabricante anunciou a paralisação das atividades da unidade de Lorena.
Na comunicação oficial divulgada na ocasião, a empresa informou que o mercado interno de ônibus havia recuado 16% em 2014 e 45% em 2015, citando também a redução dos preços praticados no setor de carrocerias.
A retração comprometeu a viabilidade econômica da fábrica, mesmo depois de medidas de redução de custos e negociações envolvendo funcionários, sindicatos e o poder público.
O fechamento ocorreu pouco mais de dois anos depois da inauguração da unidade.
A decisão representou um dos episódios mais difíceis da história da fabricante, em uma fase que também exigiu reestruturação financeira e operacional.
A partir desse período, a Comil passou a direcionar parcela cada vez maior de sua atividade para os ônibus rodoviários, de turismo e de fretamento, mantendo presença bastante menor na produção de urbanos.
Os números posteriores ajudam a explicar essa mudança.
Segundo levantamento da Fabus divulgado pelo Diário do Transporte, de janeiro a maio de 2025 a Comil produziu apenas sete carrocerias urbanas, enquanto a Mascarello fabricou 506, a Marcopolo 932 e a Caio 2.648.
A diferença revela o tamanho da redução da participação da Comil no segmento.
O quadro é ainda mais significativo porque a empresa manteve atuação industrial relevante em outras categorias.
Em 2025, por exemplo, a Comil produziu 1.998 carrocerias de ônibus, crescimento de aproximadamente 19% sobre 2024.
Desse total, 946 unidades pertenceram à linha rodoviária Invictus, e o fretamento representou aproximadamente 49% do volume produzido, segundo informações apresentadas pela própria empresa ao Diário do Transporte.
Em março de 2026, durante evento realizado na sede da fabricante em Erechim, acompanhado pelo jornal, a Comil apresentou expectativas de continuidade do crescimento, mas em ritmo moderado, além de investimentos previstos de R$ 64 milhões.
A fabricante também direcionou seus lançamentos de 2026 às linhas rodoviárias e de fretamento, com a chegada dos modelos Campione 330, Campione 350 e Versatile V4.
Em setembro, o Diário do Transporte mostrou que esses produtos já haviam conquistado encomendas para empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco.
O Svelto segue disponível comercialmente, demonstrando que a Comil conserva a capacidade de atender a encomendas específicas de urbanos.
Entretanto, a composição atual do portfólio, os lançamentos e os resultados de produção indicam claramente que as prioridades comerciais e industriais da marca estão concentradas principalmente em outras aplicações.
A experiência de Lorena também representa um exemplo de como mudanças bruscas de mercado podem comprometer projetos industriais concebidos durante períodos de expectativas favoráveis.
Mercado de urbanos predomina na fabricação de chassis, mas é um dos mais atingidos pela queda
As diferentes estratégias das fabricantes ganham importância quando analisadas em conjunto com os indicadores nacionais.
Os ônibus urbanos continuam representando a maior parcela da produção brasileira de chassis destinados ao transporte de passageiros.
Segundo a Anfavea, de janeiro a setembro de 2026 foram fabricados 21.343 chassis de ônibus no País.
Desse total, 17.730 foram classificados como urbanos, enquanto 3.613 pertenciam ao segmento rodoviário.
Isso significa que os chassis urbanos responderam por aproximadamente 83,1% da produção nacional no período.
O peso está relacionado à dimensão dos sistemas municipais e metropolitanos, que utilizam diariamente milhares de ônibus em operações regulares.
Esse mercado movimenta não apenas fabricantes de chassis e carrocerias, mas também empresas de componentes, equipamentos de acessibilidade, climatização, eletrônica embarcada, pneus, peças e serviços de manutenção.
Apesar da importância, os resultados de 2026 indicam dificuldades.
A produção de chassis urbanos caiu 8,9% no acumulado até setembro, passando de 19.471 unidades em 2025 para 17.730 neste ano.
A retração foi ainda mais intensa no mês isolado de setembro.
Foram produzidos 1.115 chassis urbanos, contra 2.226 no mesmo mês de 2025, redução de 49,9%.
Nos rodoviários, a produção mensal caiu de 561 para 310 unidades, baixa de 44,7%.
O conjunto dos chassis de ônibus apresentou retração de 48,9% em setembro e de 11,2% no acumulado de janeiro a setembro.
O resultado evidencia que a necessidade de veículos novos continua existindo, mas a realização das compras depende de condições econômicas que nem sempre acompanham a urgência operacional.
Taxas de juros, financiamento, contratos de concessão, subsídios públicos e previsibilidade de remuneração estão entre os fatores que influenciam a decisão das transportadoras.
O cenário também é afetado pelos processos de licitação e renovação dos serviços, além das regras ambientais e dos prazos de substituição dos veículos.
Fabus: urbanos são a maior categoria individual, mas produção recua 18,6%
Os indicadores da Fabus mostram que a retração dos urbanos também aparece na fabricação de carrocerias.
De janeiro a setembro de 2026, foram produzidas 20.570 carrocerias e ônibus completos pelas marcas acompanhadas pela entidade, considerando a inclusão dos veículos Volare.
Nesse total, 6.371 unidades foram classificadas como urbanas, 5.228 como rodoviárias, 5.054 como micro-ônibus e 3.917 como miniônibus.
Os urbanos representaram aproximadamente 31% da produção acumulada, mantendo a liderança individual entre as categorias.
Em setembro, a participação foi ainda maior.
Dos 1.865 veículos produzidos, 775 eram urbanos, equivalentes a 41,55%.
Entretanto, no acumulado dos nove primeiros meses do ano, a produção de carrocerias urbanas caiu 18,6% em relação a 2025.
O segmento rodoviário também apresentou desempenho negativo, com retração de 21,9%.
O resultado geral da produção, considerando a Volare, ficou próximo da estabilidade, com crescimento de aproximadamente 0,8%.
Essa pequena variação positiva foi sustentada principalmente pelos veículos de menor porte, enquanto as categorias tradicionais de urbanos e rodoviários perderam espaço.
A presença das fabricantes nas estatísticas
No acumulado de janeiro a setembro, a Caio Induscar, identificada nos levantamentos da Fabus como Induscar, registrou 4.078 carrocerias urbanas.
A Marcopolo produziu 1.352 unidades nessa categoria, e a Mascarello, 881.
Os resultados representam a produção de todas as carrocerias urbanas de cada fabricante, incluindo modelos e gerações anteriores.
Por isso, os números da Caio abrangem o Apache Vip 5 e outros veículos da marca, além dos primeiros Apache Vip 6.
No caso da Marcopolo, o resultado reúne a geração anterior do Torino e as primeiras unidades do Torino 2027.
A produção da Mascarello corresponde ao conjunto de sua linha urbana, com destaque para o GranVia.
Para a Comil, a fabricação urbana representa uma parcela muito pequena de sua operação, hoje concentrada nos rodoviários e veículos destinados ao fretamento.
Quando se consideram todas as categorias, a Fabus registrou, de janeiro a setembro, 5.595 carrocerias da Caio Induscar, 4.221 da Marcopolo, 2.648 da Mascarello e 1.391 da Comil.
A comparação ajuda a mostrar que as fabricantes podem ter participações muito diferentes no segmento urbano e no conjunto da indústria.
Também é necessário distinguir marcas e grupos empresariais.
A Marcopolo S.A. controla, além da própria Marcopolo, as marcas Neobus/Ciferal e Volare.
A Caio Induscar integra o mesmo grupo empresarial da Busscar.
Portanto, a produção de cada marca deve ser observada separadamente quando o objetivo é compreender especificamente o mercado de carrocerias urbanas.
Fenabrave: outubro tem queda de quase 15% nos emplacamentos de ônibus na comparação anual
O enfraquecimento do mercado também aparece nos registros de veículos novos.
Segundo balanço divulgado pela Fenabrave em 4 de novembro de 2026, foram emplacados 2.061 ônibus no Brasil durante outubro.
O resultado representa redução de 25,38% em relação a setembro, quando foram registrados 2.762 veículos.
Na comparação com outubro de 2025, quando houve 2.420 emplacamentos, a queda foi de 14,83%.
No acumulado de janeiro a outubro, foram emplacados 22.952 ônibus, diante de 23.660 no mesmo período do ano anterior, retração de 2,99%.
O resultado confirma que o mercado ainda não consolidou uma recuperação, apesar da movimentação de fabricantes e operadores em torno das novas gerações.
Os dados da Fenabrave consideram ônibus de diferentes categorias e aplicações, incluindo urbanos, rodoviários, micro-ônibus, escolares e outros modelos.
Assim, não devem ser interpretados como um levantamento exclusivo das vendas de ônibus urbanos.
A indústria também atravessa uma transformação tecnológica com a ampliação da eletrificação.
De janeiro a outubro de 2026, a Fenabrave registrou 1.122 emplacamentos de ônibus elétricos, aumento de aproximadamente 75% sobre as 641 unidades do mesmo intervalo de 2025.
Essa expansão abre novas oportunidades industriais e comerciais, mas ocorre simultaneamente à necessidade de renovação de milhares de veículos convencionais utilizados nos sistemas municipais e metropolitanos.
As três entidades oferecem indicadores diferentes: a Anfavea acompanha a produção de chassis, a Fabus registra a fabricação de carrocerias e ônibus completos de suas associadas, e a Fenabrave contabiliza os emplacamentos.
As etapas podem ocorrer em períodos distintos, razão pela qual as quantidades não devem ser somadas diretamente.
Ficha técnica: Caio Apache Vip 6
A sexta geração do Apache Vip foi apresentada pela Caio em agosto de 2026, durante a Lat.Bus.
O projeto atualiza a linha de carrocerias urbanas iniciada em 2001, preservando sua aplicação predominante em chassis de motor dianteiro.
| Característica | Caio Apache Vip 6 |
|---|---|
| Fabricante | Caio Induscar |
| Modelo | Apache Vip VI |
| Geração | Sexta |
| Apresentação | Agosto de 2026 |
| Aplicação | Transporte urbano |
| Configuração predominante | Piso alto, motor dianteiro |
| Comprimento | 9,50 m a 15 m |
| Largura externa | 2,53 m |
| Altura externa | 3,37 m a 3,59 m |
| Altura interna | 2,05 m a 2,27 m |
| Para-brisa | Bipartido e laminado |
| Conjunto óptico | Faróis Full LED |
| Luzes diurnas | DRL |
| Traseira | Componentes modulares atualizados |
| Portas | Diferentes configurações, incluindo opção Flor da Pele |
| Salão | Novos padrões de cores, poltronas e acabamentos |
| Acessibilidade | Conforme configuração contratada |
| Climatização | Ar-condicionado disponível |
| Motorização | Conforme chassi |
| Chassis identificados em entregas | Mercedes-Benz OF-1619, OF-1721 L e OF-1726 BlueTec 6 |
| Lotação | Conforme comprimento, chassi e disposição interna |
Fonte: Caio e informações obtidas pelo Diário do Transporte durante a apresentação do modelo e nas primeiras entregas comerciais.
A dianteira recebeu novo conjunto de faróis Full LED e luzes diurnas DRL, além de alterações no desenho dos indicadores de direção.
Na traseira, a fabricante preservou a proposta de modularidade, com componentes que podem ser substituídos individualmente em procedimentos de reparação.
No interior, foram apresentados novos padrões de poltronas, cores, revestimentos e materiais de fácil higienização.
Entre as opções está o sistema de portas denominado Flor da Pele, no qual as folhas permanecem alinhadas à lateral da carroceria quando estão fechadas.
A fabricante relaciona a solução à melhoria do acabamento e da aerodinâmica.
O projeto também mantém componentes e soluções utilizados na geração anterior, característica que pode favorecer a manutenção de frotas compostas simultaneamente por Apache Vip 5 e Vip 6.
Ficha técnica: Marcopolo Torino 2027
O Torino 2027 representa uma nova geração da família de carrocerias urbanas cuja primeira versão comercial foi apresentada em 1983.
A Marcopolo direcionou o desenvolvimento para mudanças de arquitetura elétrica, componentes, manutenção, climatização, ergonomia e desenho.
| Característica | Marcopolo Torino 2027 |
|---|---|
| Fabricante | Marcopolo |
| Modelo | Torino 2027 |
| Apresentação | Agosto de 2026 |
| Aplicação | Transporte urbano |
| Configuração inicial apresentada | Motor dianteiro |
| Comprimento de referência | 12,50 m |
| Largura de referência | 2,54 m |
| Altura de referência | 3,41 m |
| Arquitetura eletroeletrônica | EVIA |
| Diagnóstico | Novo painel e aplicativo para identificação de falhas |
| Portas | Folhas simétricas aproximadamente 30% mais leves |
| Central elétrica | Compartimento ampliado e acesso facilitado |
| Faróis | Opções em LED ou halógenos |
| Luzes diurnas | DRL em LED |
| Lanternas traseiras | LED |
| Climatização | Novos dutos de distribuição do ar |
| Posto do motorista | Isolamento térmico e ergonomia atualizados |
| Poltronas | Nova família de bancos urbanos |
| Conectividade | Opções USB e USB-C |
| Chassis identificados | Mercedes-Benz OF-1619 L, OF-1721 e Volkswagen 17.260 |
| Fábricas | Caxias do Sul (RS) e São Mateus (ES) |
Fonte: Marcopolo e entrevistas realizadas pelo Diário do Transporte antes e durante a Lat.Bus 2026.
A arquitetura eletroeletrônica EVIA permite integração dos sistemas da carroceria e recursos destinados ao diagnóstico de falhas.
As portas receberam mecanismos atualizados, com folhas aproximadamente 30% mais leves, segundo a fabricante.
A Marcopolo também anunciou redução superior a 30% na utilização de fibra de vidro no projeto.
No posto do motorista, o novo isolamento térmico pode reduzir em até 5°C a temperatura percebida na região de condução, em condições específicas de utilização.
Na climatização, a fabricante informa que os novos dutos proporcionam velocidade média do ar até 40% maior que a da geração anterior.
As características são dados divulgados pela Marcopolo e podem variar conforme as configurações contratadas pelas operadoras.
Ficha técnica: Mascarello GranVia 2024
O GranVia 2024 foi apresentado em 2023 como uma nova geração da carroceria urbana da Mascarello.
O desenvolvimento considerou informações obtidas junto a motoristas, equipes de manutenção e operadores, com alterações voltadas ao aproveitamento do espaço interno, ergonomia, manutenção e acabamento.
| Característica | Mascarello GranVia 2024 |
|---|---|
| Fabricante | Mascarello |
| Modelo | GranVia, geração 2024 |
| Lançamento | 2023 |
| Aplicação | Urbano básico, Padron e Super Padron |
| Configuração predominante | Motor dianteiro |
| Comprimento da linha | 9,60 m a 15 m |
| Largura indicada no catálogo | 2,60 m |
| Altura interna de referência | 2,10 m |
| Altura externa de referência | 3,20 m |
| Configurações de eixos | 4×2 e 6×2 |
| Iluminação | Conjuntos atualizados, com aplicações de LED |
| Salão | Diferentes configurações de poltronas e corredores |
| Posto do motorista | Ergonomia e disposição de componentes atualizadas |
| Acessibilidade | Conforme configuração contratada |
| Climatização | Ar-condicionado disponível |
| Chassis identificados | Volkswagen 15.210, 17.230 e 17.260; Mercedes-Benz OF-1619, OF-1721 e OF-1721 L |
| Capacidade | Conforme dimensões, chassi e planta operacional |
| Produção | Cascavel (PR) |
Fonte: Mascarello, informações técnicas divulgadas pela fabricante e configurações de veículos acompanhadas pelo Diário do Transporte.
O GranVia recebeu nova identidade visual, com modificações no desenho da frente, traseira e laterais.
O projeto também incorporou soluções destinadas à organização dos corredores e das poltronas.
Nos ônibus fornecidos para Santo André e São Bernardo do Campo, a Mascarello utilizou configurações de salão destinadas a ampliar a área livre de circulação dos passageiros.
O veículo oferece diferentes possibilidades de comprimento, número de portas, disposição de bancos, equipamentos de acessibilidade e climatização.
A fabricante também desenvolveu versões adaptadas às características de sistemas específicos, como os metropolitanos e municipais da Região de Curitiba.
Ficha técnica: Comil Svelto
A família Svelto surgiu em 1989 e passou por diversas atualizações ao longo de sua trajetória.
A configuração comercial atual mantém a proposta de carroceria urbana para diferentes chassis e operações, com possibilidades de adaptação à capacidade de transporte e às exigências dos operadores.
| Característica | Comil Svelto |
|---|---|
| Fabricante | Comil Ônibus |
| Modelo | Svelto |
| Primeira geração | 1989 |
| Base da geração atual | Ciclo iniciado em 2011, com atualizações posteriores |
| Aplicação | Transporte coletivo urbano |
| Configurações | Diferentes tipos de chassis e motorização |
| Comprimento | 11,10 m a 15 m |
| Largura | 2,50 m para motor dianteiro; 2,60 m para motor traseiro |
| Altura externa com ar-condicionado | 3,45 m |
| Capacidade | Conforme planta e configuração |
| Portas | Conforme aplicação contratada |
| Acessibilidade | Diferentes soluções previstas para as operações |
| Climatização | Disponível conforme encomenda |
| Posto do motorista | Configuração conforme chassi e aplicação |
| Motorização | Definida pelo chassi |
| Fabricação atual | Erechim (RS) |
Fonte: catálogo comercial da Comil.
O Svelto permanece como uma opção de carroceria urbana no catálogo da fabricante gaúcha.
A linha permite diferentes configurações de lotação, acessibilidade e disposição interna.
Ao manter o modelo, a Comil preserva um produto tradicional que marcou sua presença em diferentes sistemas brasileiros.
A continuidade comercial ocorre, entretanto, em um momento no qual os principais investimentos de desenvolvimento da empresa têm sido anunciados sobretudo para ônibus rodoviários e de fretamento.
A concorrência avança, mas a recuperação do mercado depende de investimento nos sistemas de transporte
A movimentação de Caio, Marcopolo, Mascarello e Comil mostra que as fabricantes brasileiras seguem caminhos distintos dentro de um mesmo mercado.
A Caio apresenta uma nova geração de seu principal produto urbano e começa a conquistar encomendas com o Apache Vip 6.
A Marcopolo inicia um novo ciclo comercial com o Torino 2027, que já chegou a transportadoras de várias regiões do País.
A Mascarello amplia sua presença em mercados nos quais tinha participação limitada, aproveitando a aceitação do GranVia renovado e diversificando sua carteira de clientes.
A Comil preserva o Svelto, mas concentra seus lançamentos e parcela predominante da produção nas linhas rodoviárias e de fretamento, após a experiência de expansão industrial que terminou com o fechamento da fábrica de Lorena.
O desempenho futuro desses produtos dependerá de fatores que ultrapassam as características técnicas de cada carroceria.
Para as transportadoras, a escolha de um ônibus envolve preço de aquisição, financiamento, assistência técnica, disponibilidade de peças, consumo, facilidade de manutenção e adequação às condições das linhas.
Para os passageiros, as diferenças são percebidas nas condições de conforto, segurança, acessibilidade, ventilação, climatização e conservação dos veículos.
O transporte urbano também depende de contratos economicamente sustentáveis, infraestrutura adequada, condições financeiras para a substituição de frotas e previsibilidade das políticas públicas.
A eletrificação, os combustíveis alternativos e a evolução tecnológica dos veículos ampliam as possibilidades da indústria, mas não eliminam a necessidade de investir na renovação dos ônibus convencionais que ainda respondem por grande parte dos deslocamentos cotidianos.
Os lançamentos e as entregas demonstram que as fabricantes brasileiras continuam investindo e buscando novas oportunidades.
O tamanho da disputa comercial e a intensidade das próximas encomendas, contudo, estarão diretamente relacionados à capacidade dos sistemas de transporte de recuperar investimentos.
A competição promete movimentar o mercado urbano. O desafio maior será transformar o interesse pelas novas gerações em uma retomada consistente da produção e da renovação das frotas brasileiras.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


