Metrô de São Paulo abre licitação para instalar usinas de energia solar nas estações Belém e Bresser-Mooca da Linha 3-Vermelha
Publicado em: 5 de novembro de 2026
Projeto prevê implantação de sistemas fotovoltaicos de minigeração conectados à rede elétrica interna das estações; concorrência está marcada para janeiro de 2027 e integra possibilidades de ampliar o uso de energia renovável no transporte sobre trilhos
ADAMO BAZANI
O Metrô de São Paulo abriu uma concorrência pública para contratar a implantação de usinas fotovoltaicas de minigeração nas estações Belém e Bresser-Mooca, ambas da Linha 3-Vermelha, uma das mais movimentadas da rede metroviária da capital paulista. A iniciativa prevê a instalação de sistemas de geração de energia solar conectados à rede elétrica interna das unidades, permitindo que parte do consumo seja atendida por uma fonte renovável.
A licitação tem sessão pública marcada para 12 de janeiro de 2027, às 10h. O projeto representa uma iniciativa de utilização de energia solar na infraestrutura do sistema metroviário, mas a publicação ainda corresponde à fase de escolha da empresa responsável pela implantação. Não foram anunciados, no aviso, a potência dos equipamentos, o valor estimado do investimento ou a quantidade de energia que será produzida.
Projeto contempla duas estações da Linha 3-Vermelha
A concorrência eletrônica tem como objeto a implantação de usinas fotovoltaicas de minigeração conectadas à rede elétrica interna das estações Belém e Bresser-Mooca.
As duas unidades integram a Linha 3-Vermelha, que faz a ligação entre Palmeiras-Barra Funda e Corinthians-Itaquera, atendendo regiões importantes da capital paulista e proporcionando integração com outras linhas da rede metroferroviária.
O projeto está relacionado à produção local de eletricidade por meio de painéis fotovoltaicos.
Esses equipamentos convertem a radiação solar em energia elétrica, que pode ser utilizada em instalações conectadas a sistemas de distribuição.
No caso do Metrô, a conexão prevista com a rede elétrica interna das estações indica a possibilidade de aproveitamento da geração para atender parte das necessidades energéticas dos equipamentos.
É importante distinguir, entretanto, a alimentação das instalações da estação da energia utilizada diretamente na tração dos trens.
O aviso publicado não afirma que as usinas serão responsáveis pela alimentação elétrica dos trens da Linha 3-Vermelha.
A utilização da energia produzida e sua participação no consumo total dependerão das características técnicas do projeto.
Energia solar pode reduzir custos de consumo e diversificar fontes
Sistemas de transporte metroviário apresentam consumo significativo de eletricidade, tanto na movimentação dos trens quanto na operação de estações, sistemas de sinalização, telecomunicações, iluminação, ventilação e equipamentos de apoio.
A utilização de geração fotovoltaica pode contribuir para diversificar as fontes de suprimento e reduzir a quantidade de energia adquirida da rede para determinados usos.
Os resultados dependem de fatores como potência instalada, área disponível para os painéis, incidência solar, eficiência dos equipamentos, perfil de consumo e regras de conexão.
O desempenho também está relacionado às condições de manutenção e à vida útil dos sistemas.
Na operação de estações, o aproveitamento de áreas disponíveis para geração renovável permite incorporar soluções energéticas à infraestrutura já existente.
A efetiva economia financeira, entretanto, só poderá ser quantificada após a definição dos equipamentos, do investimento e das condições de operação.
O aviso do Metrô não apresenta projeção de economia anual nem prazo de retorno financeiro.
Por isso, não é possível atribuir antecipadamente um percentual de redução nas despesas com eletricidade das estações.
Eletrificação dos transportes também depende da origem da energia
Os sistemas metroferroviários já utilizam a eletricidade como principal fonte de energia para movimentação dos trens, oferecendo transporte de alta capacidade sem emissão direta de poluentes pelos veículos durante a circulação.
A ampliação de fontes renováveis utilizadas na infraestrutura pode contribuir para reduzir os impactos ambientais associados ao consumo energético.
O avanço acompanha uma discussão mais ampla sobre a sustentabilidade dos transportes coletivos, que envolve ônibus elétricos a bateria, trólebus, sistemas sobre trilhos e outras soluções de menor emissão.
Embora essas tecnologias apresentem características operacionais distintas, todas dependem, em diferentes graus, da disponibilidade de eletricidade e de infraestrutura adequada.
No caso do transporte metroviário, iniciativas de geração distribuída podem complementar medidas de eficiência energética, modernização de equipamentos e gestão de consumo.
A geração fotovoltaica, entretanto, varia conforme as condições de insolação e não substitui automaticamente as fontes de alimentação contínua exigidas para a operação ferroviária.
Concorrência está marcada para janeiro de 2027
A licitação foi identificada pelo Metrô como Concorrência Eletrônica nº 10018578, com registro nº 429/2026 no sistema Compras.gov.
O aviso estabelece que o edital completo estará disponível a partir de 30 de outubro de 2026.
A sessão pública de processamento das propostas está prevista para 12 de janeiro de 2027, às 10h, em ambiente eletrônico.
O procedimento segue a legislação aplicável às empresas estatais, incluindo a Lei Federal nº 13.303/2016.
Depois da apresentação e análise das propostas, a contratação dependerá do resultado da concorrência e da conclusão dos procedimentos administrativos necessários.
A partir do contrato e do projeto técnico será possível conhecer a potência de geração, o número de painéis, as soluções de instalação, os prazos de execução e os custos envolvidos.
A publicação de novembro confirma a abertura da concorrência, mas não indica o início das instalações ou uma data para entrada em funcionamento das usinas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


