Milton Leite é transferido para CDP de Guarulhos após suspeitas de regalias em Mogi das Cruzes; político é investigado por possível ligação da Transwolff com PCC

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo deixou cadeia nesta terça-feira (20), após operação que resultou no afastamento de três delegados e outros dois policiais; suspeito de ser sócio oculto de empresa de ônibus, ex-vereador construiu influência no setor desde a época das cooperativas de perueiros

ADAMO BAZANI

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), investigado por suspeitas de ligação com empresas de ônibus que, segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, teriam sido utilizadas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), foi transferido na manhã desta terça-feira, 20 de outubro de 2026, da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos. A transferência ocorreu após denúncias de supostas regalias concedidas ao político durante o período em que esteve detido em Mogi das Cruzes, situação que levou à abertura de uma investigação específica sobre possíveis irregularidades envolvendo integrantes da Polícia Civil.

Milton Leite está preso desde 18 de setembro de 2026, em decorrência da Operação Vectura Corrupta, que investiga a possível infiltração do crime organizado no sistema de ônibus da capital paulista. O ex-vereador é apontado em decisão judicial, analisada anteriormente pelo Diário do Transporte, como suspeito de ser o proprietário de fato da Transwolff, uma das operadoras investigadas por supostas relações com o PCC. A defesa nega que ele seja dono da empresa, rejeita qualquer envolvimento com a organização criminosa e também contesta a existência de privilégios durante o período de prisão.

A saída da unidade de Mogi das Cruzes ocorreu por volta das 9h desta terça-feira.

A transferência acontece quatro dias depois de uma operação conjunta do Ministério Público do Estado de São Paulo e da Corregedoria da Polícia Civil para investigar possíveis favorecimentos indevidos ao ex-parlamentar.

Como mostrou o Diário do Transporte no sábado, 17 de outubro, três delegados, um investigador e um carcereiro foram afastados de suas funções em Mogi das Cruzes, depois de prestarem esclarecimentos à Corregedoria.

O afastamento foi confirmado pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo e não representa, por si só, uma conclusão de que os profissionais cometeram irregularidades.

Na operação realizada na sexta-feira (16), denominada Custódia (In)Fiel, investigadores encontraram aproximadamente R$ 155 mil em dinheiro e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar benefícios indevidos.

Também foram localizados dois aparelhos celulares na cela ocupada pelo ex-presidente da Câmara Municipal.

A apuração procura esclarecer se ocorreram visitas fora das regras estabelecidas para o sistema de custódia, entrada de objetos não autorizados, tratamento diferenciado e outras possíveis irregularidades.

Entre as pessoas cujas visitas passaram a ser examinadas estão agentes políticos e outras figuras públicas.

As investigações mencionam visitas de parlamentares, do prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues, e de outras pessoas que não integrariam o grupo de familiares do ex-vereador.

O deputado estadual Delegado Olim também confirmou ter visitado Milton Leite para tratar de articulações políticas relacionadas à federação entre União Brasil e Progressistas.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi igualmente mencionado nas apurações relacionadas às visitas.

A investigação busca determinar se houve desrespeito às regras de ingresso e permanência na unidade e se algum servidor público recebeu vantagens para permitir tratamento diferenciado ao ex-parlamentar.

Os valores apreendidos com o carcereiro também são objeto de investigação. A localização do dinheiro não comprova, isoladamente, que os recursos tenham sido entregues por Milton Leite ou por pessoas ligadas a ele.

A defesa do político sustenta que ele não recebeu tratamento privilegiado e que sua permanência na cadeia respeitou as normas aplicáveis aos demais presos.

A prisão temporária do ex-vereador havia sido prorrogada por mais 30 dias pela Justiça em 15 de outubro, no âmbito da investigação sobre o transporte público paulistano.

A transferência para um Centro de Detenção Provisória não significa, por si só, que a prisão temporária tenha sido convertida em preventiva.

Trajetória de Milton Leite no transporte de São Paulo começou com os perueiros

A relação política de Milton Leite com o transporte coletivo de São Paulo antecede em décadas as investigações recentes sobre empresas de ônibus e possíveis ligações com o crime organizado.

Vereador desde 1997, ele construiu parte de sua atuação parlamentar na defesa do transporte alternativo, especialmente das cooperativas formadas por motoristas de vans, micro-ônibus e antigas peruas que circulavam em diferentes regiões da capital.

Na segunda metade da década de 1990, São Paulo enfrentava uma expansão do transporte clandestino e alternativo, em um contexto de deficiências na cobertura das linhas regulares de ônibus e de dificuldades de fiscalização.

O crescimento das peruas levou o poder público a discutir regras para formalizar parte da atividade, definir linhas, controlar frotas e estabelecer condições para a integração desses operadores ao sistema municipal.

Milton Leite tornou-se um dos interlocutores políticos das cooperativas, especialmente na zona sul da capital.

Em registros de atividades parlamentares de 2013, o próprio vereador afirmou que participava desde 1997 das discussões sobre a regularização do transporte alternativo.

Na ocasião, declarou que havia defendido a organização dos antigos perueiros em cooperativas e sua participação em concorrências públicas municipais.

O tema ganhou maior importância durante a administração da prefeita Marta Suplicy, entre 2001 e 2004, quando ocorreu uma das principais reorganizações do transporte coletivo da cidade.

A Lei Municipal nº 13.241, de 2001, estabeleceu as bases para o novo modelo de prestação dos serviços, com a divisão entre o sistema estrutural, formado por linhas de maior capacidade, e o sistema local, responsável pelas ligações entre bairros e pelo atendimento complementar.

As cooperativas foram incorporadas progressivamente ao modelo regulamentado.

Durante a discussão da legislação, Milton Leite apresentou emendas relacionadas aos interesses desses operadores.

Uma delas pretendia estabelecer remuneração mínima às cooperativas equivalente a 50% do valor da tarifa.

Outra buscava permitir que sucessores legais continuassem a prestação dos serviços em situações de falecimento ou incapacidade dos cooperados.

As duas propostas foram vetadas.

A atuação parlamentar mostra que a relação de Milton Leite com o setor era anterior ao período da administração do ex-prefeito Bruno Covas, entre 2018 e 2021, quando ele também exerceu influência política sobre discussões envolvendo os serviços de ônibus.

O ex-presidente da Câmara já declarou que sua participação nas questões relacionadas às operadoras durante a gestão Bruno Covas ocorreu por solicitação do então prefeito e teve caráter exclusivamente institucional.

A relação histórica com as cooperativas, por si só, não comprova participação em irregularidades, mas passou a integrar a reconstrução feita pelos investigadores sobre a formação de grupos empresariais que posteriormente assumiram contratos no transporte coletivo paulistano.

Da Cooperpam à Transwolff: transformação das cooperativas e suspeitas investigadas desde os anos 2000

Um dos exemplos dessa transformação é a Transwolff, empresa que passou a operar serviços municipais na zona sul de São Paulo e que tem origem no antigo sistema cooperativado.

A trajetória da operadora está relacionada à Cooperpam, organização que participou do transporte local após a reorganização do sistema no começo dos anos 2000.

Com o passar do tempo, o modelo cooperativado foi substituído por estruturas empresariais que passaram a disputar e executar contratos de maior dimensão financeira.

A Transwolff surgiu nesse processo de transformação e tornou-se uma das principais operadoras das linhas locais da zona sul.

A relação de Milton Leite com dirigentes ligados à antiga cooperativa chegou a ser examinada em investigação do Ministério Público em 2006, envolvendo serviços realizados por uma empreiteira associada ao parlamentar em instalações da organização.

A apuração foi arquivada por falta de provas.

Anos depois, surgiram novos questionamentos sobre relações comerciais entre empresas ligadas à família de Milton Leite e a Transwolff.

Reportagens publicadas a partir de 2024 apontaram que a construtora Neumax, ligada à família do político, mantinha contratos imobiliários com a operadora de ônibus.

Um dos negócios envolvia o aluguel de terreno utilizado pela Transwolff, com pagamentos mensais que teriam alcançado R$ 812 mil.

As informações divulgadas indicaram pagamentos acumulados próximos de R$ 20 milhões até agosto de 2024.

O valor das operações e a relação entre o parlamentar e a empresa passaram a despertar questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.

Outro episódio examinado envolveu negociações de um terreno entre a Neumax e a antiga Cooperpam, em 2010.

Documentos analisados em investigação jornalística indicaram que chegou a ser prevista a possibilidade de a construtora receber recursos provenientes de repasses da SPTrans destinados à cooperativa.

A existência dessas relações comerciais, entretanto, não equivale automaticamente à comprovação de participação societária oculta ou de origem criminosa dos recursos.

São questões distintas, que exigem demonstração documental e financeira.

Operações contra o PCC no transporte se intensificaram a partir de 2024

Como mostrou o Diário do Transporte em reportagem especial publicada em 21 de setembro de 2026, as investigações sobre possíveis ligações entre o crime organizado e o transporte coletivo paulistano abrangem um período de mais de duas décadas.

As primeiras suspeitas surgiram ainda na época do transporte clandestino, quando a disputa por passageiros, linhas e pontos de embarque em determinadas regiões estava associada a episódios de violência.

Com a legalização de parte dos antigos operadores alternativos, as investigações passaram a examinar se pessoas relacionadas a atividades criminosas também haviam conseguido participar das cooperativas e, posteriormente, das empresas regularmente contratadas.

Ao longo dos anos, a atuação das autoridades foi ampliada para apurar movimentações financeiras, lavagem de dinheiro, relações empresariais e suspeitas de influência sobre agentes públicos.

Em abril de 2024, a Operação Fim da Linha, conduzida pelo Ministério Público, aprofundou as investigações sobre empresas de ônibus suspeitas de serem utilizadas para lavagem de recursos do PCC.

Entre os principais alvos estavam a Transwolff e a UPBus.

As autoridades passaram a examinar estruturas societárias, contratos, movimentações bancárias e possíveis relações entre dirigentes das empresas e integrantes da facção.

As investigações também provocaram consequências administrativas no sistema municipal de transportes.

A Prefeitura de São Paulo interveio nas operações da Transwolff e da UPBus e, posteriormente, avançou no rompimento dos contratos.

Os serviços passaram a ser mantidos sob gestão pública, com a continuidade da circulação dos ônibus e a adoção de medidas para preservar o atendimento aos passageiros.

A Transwolff operava os lotes D10 e D11, responsáveis por ligações de diferentes bairros da zona sul.

As dificuldades decorrentes dessa transição continuam tendo consequências para os trabalhadores e usuários.

Na segunda-feira, 19 de outubro de 2026, por exemplo, funcionários das operações anteriormente realizadas pela Transwolff promoveram uma paralisação relacionada a questionamentos sobre obrigações trabalhistas, incluindo FGTS e INSS.

A greve atingiu principalmente linhas do lote D10, afetou aproximadamente 267 mil passageiros e exigiu medidas de contingência da SPTrans.

A Prefeitura sustentou que os salários e benefícios estavam em dia e que os recolhimentos de FGTS e INSS estavam sendo realizados judicialmente.

A paralisação foi encerrada após negociações entre representantes dos trabalhadores, sindicato e SPTrans.

O episódio mostra que as investigações sobre as empresas de ônibus não produzem apenas consequências criminais e políticas. Também exigem providências para assegurar a continuidade de um serviço público essencial e a preservação dos direitos dos trabalhadores.

Operação Vectura Corrupta colocou Milton Leite no centro da investigação

Em setembro de 2026, a Operação Vectura Corrupta representou uma nova etapa das investigações.

Enquanto as apurações anteriores se concentravam principalmente nas estruturas empresariais e financeiras, a nova operação avançou sobre possíveis conexões políticas, administrativas e institucionais do esquema investigado.

O Ministério Público e a Polícia Civil passaram a apurar a suspeita de que pessoas ligadas ao PCC teriam influência sobre diferentes operadoras e sobre decisões relacionadas à gestão dos serviços.

A investigação alcançou empresários, agentes públicos, ex-dirigentes do sistema de transporte e políticos.

Entre os nomes mencionados estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, ligado à A2 Transportes.

O ex-vereador Senival Moura, historicamente ligado às discussões sobre o transporte na zona leste, também passou a figurar nas investigações envolvendo empresas do setor.

Segundo os investigadores, até 12 das 22 operadoras do sistema municipal estariam sob suspeita de algum tipo de controle ou influência do PCC.

Esse número corresponde à dimensão apontada pela investigação e não significa que a participação da facção em todas as empresas tenha sido definitivamente comprovada.

Em 17 de setembro, o Diário do Transporte examinou a decisão judicial que autorizou medidas da Operação Vectura Corrupta.

No documento, o desembargador Sérgio Ribas, da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, registrou declarações de policiais militares segundo as quais Milton Leite seria o proprietário de fato da Transwolff.

A decisão também mencionou o nome do ex-presidente da Câmara Municipal em informações sobre a operação de empresas que, de acordo com as suspeitas, estariam ligadas ao PCC.

Outro elemento analisado pelos investigadores envolve mensagens trocadas entre pessoas suspeitas de integrar a facção.

Nessas conversas, o nome de Milton Leite aparece associado a possíveis articulações sobre o futuro de operadoras, inclusive em discussões relacionadas à UPBus.

Os investigadores procuram esclarecer se ele teria participado de decisões empresariais, articulações políticas ou outras atividades destinadas a beneficiar interesses do grupo investigado.

A defesa argumenta que referências feitas por terceiros em conversas não demonstram participação do político em crimes.

Também nega a existência de qualquer vínculo societário oculto com a Transwolff.

Milton Leite chegou a ser considerado procurado depois da deflagração da operação, em 17 de setembro.

No dia seguinte, 18 de setembro, apresentou-se à Polícia Civil e passou a cumprir prisão temporária.

Em 15 de outubro, a Justiça prorrogou sua prisão por mais 30 dias, enquanto prosseguiam as investigações.

Na mesma data, o ex-presidente da Câmara prestou depoimento na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes.

Segundo seu advogado, Aloisio Lacerda Medeiros, o político respondeu aos questionamentos e rejeitou integralmente as acusações.

Milton Leite também declarou publicamente que não integra, financia ou apoia o PCC nem qualquer outra organização criminosa.

Influência política e decisões sobre o sistema de ônibus

A trajetória de Milton Leite na Câmara Municipal ajuda a dimensionar por que sua atuação passou a interessar aos investigadores.

O político acumulou sete mandatos consecutivos como vereador, iniciados em 1997, e presidiu a Câmara Municipal de São Paulo em diferentes períodos.

Durante sua carreira, tornou-se uma liderança política de grande influência, especialmente na zona sul da capital.

Também participou de articulações envolvendo diferentes administrações municipais, partidos e grupos políticos.

No transporte, essa influência se manifestou em discussões sobre o sistema local de ônibus, a participação das cooperativas, a contratação de serviços e a reorganização das operadoras.

Ao longo das últimas décadas, o modelo paulistano passou por transformações significativas.

As antigas peruas e vans foram substituídas progressivamente por micro-ônibus e ônibus convencionais, enquanto cooperativas deram lugar a empresas com contratos públicos de grande valor.

O sistema também passou por novas licitações, mudanças na organização das áreas operacionais, modificações de remuneração e exigências de renovação de frota.

Esse processo movimentou bilhões de reais em contratos e repasses públicos.

A influência política sobre decisões de transporte não é, por si só, irregular. Parlamentares podem apresentar propostas, representar demandas de operadores e usuários, fiscalizar contratos e discutir políticas públicas.

A questão examinada pelas autoridades é se essa atuação teria ultrapassado os limites institucionais, envolvendo favorecimentos ilegais, interesses empresariais não declarados ou benefícios ao crime organizado.

No caso de Milton Leite, os investigadores procuram estabelecer se havia apenas proximidade política e comercial com empresários ou se existia participação efetiva em decisões e negócios atribuídos a grupos ligados ao PCC.

A distinção é essencial porque a existência de relações com empresas de ônibus, mesmo antigas, não comprova necessariamente propriedade oculta ou participação em organização criminosa.

Caso também envolve fiscalização, contratos e impactos sobre passageiros

As investigações envolvendo o sistema de ônibus de São Paulo abriram um debate sobre a capacidade do poder público de identificar os verdadeiros controladores de empresas responsáveis por serviços essenciais.

O sistema municipal transporta milhões de passageiros em dias úteis e depende de uma rede de operadores privados remunerados e fiscalizados pela Prefeitura, por meio da SPTrans.

A identificação dos controladores das empresas, a verificação da origem dos recursos investidos e o acompanhamento das movimentações societárias são questões relevantes tanto para a segurança jurídica dos contratos quanto para a qualidade do atendimento.

As suspeitas de infiltração criminosa levantam questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização, mas também exigem cautela para que medidas administrativas ou judiciais não prejudiquem trabalhadores e passageiros que dependem diariamente dos ônibus.

O rompimento de contratos e a substituição de operadores podem exigir soluções emergenciais para manutenção das garagens, pagamento dos funcionários, renovação das frotas, manutenção dos veículos e regularidade das viagens.

Esse é um dos desafios enfrentados pela administração municipal desde as primeiras intervenções nas empresas investigadas.

No caso da Transwolff, a operação sob gestão pública ainda apresenta questões trabalhistas e administrativas, como mostrou a paralisação desta segunda-feira.

Enquanto isso, as autoridades continuam examinando as suspeitas de que o crime organizado teria conseguido ampliar sua influência desde o período dos antigos transportadores clandestinos até estruturas empresariais e políticas ligadas ao sistema municipal.

Relembre os principais acontecimentos

– 1997 – Milton Leite inicia sua trajetória como vereador e passa a atuar politicamente em questões relacionadas aos transportadores alternativos e às cooperativas.

– 2001 – Durante a discussão da reorganização do sistema municipal de ônibus, apresenta emendas de interesse das cooperativas. As propostas são vetadas.

– 2003 – A Prefeitura de São Paulo implanta uma nova organização dos serviços, com a participação de cooperativas no sistema local.

– 2006 – Relações comerciais envolvendo empresa ligada a Milton Leite e uma cooperativa são investigadas pelo Ministério Público. A apuração é arquivada por falta de provas.

– 2010 – Negociações imobiliárias entre a Neumax e a Cooperpam posteriormente passam a ser objeto de questionamentos.

– 2015 – A antiga estrutura cooperativada relacionada à Cooperpam dá lugar à operação empresarial da Transwolff.

– 2018 e 2019 – Mudanças nas condições de contratação e remuneração das operadoras locais ocorrem em um período de influência política de Milton Leite nas discussões sobre o transporte municipal.

– Abril de 2024 – A Operação Fim da Linha aprofunda as investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC envolvendo empresas de ônibus, incluindo Transwolff e UPBus.

– 2024 e 2025 – Investigações jornalísticas apresentam novas informações sobre negócios imobiliários envolvendo empresas ligadas à família de Milton Leite e a Transwolff.

– 17 de setembro de 2026 – A Operação Vectura Corrupta avança sobre supostas conexões políticas, empresariais e administrativas do PCC no transporte paulistano. O Diário do Transporte examina decisão judicial que aponta Milton Leite como suspeito de ser o proprietário de fato da Transwolff.

– 18 de setembro de 2026 – Milton Leite se apresenta à Polícia Civil e passa a cumprir prisão temporária.

– 21 de setembro de 2026 – O Diário do Transporte publica reportagem especial sobre mais de duas décadas de investigações relacionadas à possível presença do PCC no transporte, desde o período das peruas clandestinas até as empresas concessionárias.

– 15 de outubro de 2026 – A Justiça prorroga por mais 30 dias a prisão temporária de Milton Leite. O ex-vereador presta depoimento e nega as acusações.

– 16 de outubro de 2026 – Ministério Público e Corregedoria da Polícia Civil realizam a Operação Custódia (In)Fiel para apurar supostos privilégios concedidos ao político em Mogi das Cruzes.

– 17 de outubro de 2026 – A Secretaria da Segurança Pública confirma o afastamento de três delegados, um investigador e um carcereiro. O Diário do Transporte noticia as medidas e recupera o histórico das investigações sobre as empresas de ônibus.

– 19 de outubro de 2026 – São divulgadas informações sobre visitas de agentes políticos a Milton Leite durante sua permanência na cadeia. No mesmo dia, trabalhadores das operações anteriormente realizadas pela Transwolff promovem paralisação de ônibus na zona sul da capital.

– 20 de outubro de 2026 – Milton Leite é transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes para o CDP de Guarulhos, em meio às investigações sobre supostas regalias.

A investigação sobre possíveis benefícios indevidos na cadeia prossegue paralelamente à Operação Vectura Corrupta.

O primeiro procedimento procura esclarecer a conduta de agentes públicos e eventuais favorecimentos durante a custódia. O segundo examina suspeitas de participação do crime organizado no transporte municipal, incluindo a possível atuação de empresários, políticos e agentes administrativos.

Milton Leite nega as acusações relacionadas às duas frentes de investigação.

Até o momento, as suspeitas sobre sua condição de sócio oculto da Transwolff e eventual envolvimento com o PCC não representam condenação criminal definitiva.

Para o sistema de transportes de São Paulo, os desdobramentos também poderão ter consequências administrativas, contratuais e financeiras, especialmente se forem confirmadas irregularidades envolvendo empresas responsáveis pela operação de linhas municipais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo Zika! disse:

    Esse cara é um pilantra precisa ser investigado.

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