Rio Ônibus prorroga parceria de R$ 276,9 mil com UFRJ para estudar impactos das mudanças na oferta de ônibus da capital

Contrato, revelado em primeira mão pelo Diário do Transporte em janeiro, prevê metodologia para avaliar consequências da reprogramação dos serviços; estudo ocorre em meio à reformulação das concessões municipais

ADAMO BAZANI

O Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) prorrogou por mais dois meses o contrato com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por intermédio da COPPE e com participação da Fundação COPPETEC, para desenvolver uma metodologia de avaliação dos impactos das mudanças na oferta de transporte coletivo da capital fluminense. A prorrogação foi publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 13 de outubro de 2026, e dá continuidade a um estudo contratado originalmente por R$ 276.984,55.

A pesquisa busca estabelecer critérios técnicos para avaliar as consequências das reprogramações dos serviços de ônibus, tema que afeta diretamente passageiros e operadores, especialmente em situações que envolvem mudanças de linhas, horários e quantidade de viagens. O contrato foi revelado em primeira mão pelo Diário do Transporte em 12 de janeiro de 2026 e está inserido no contexto das discussões sobre a reorganização do transporte municipal, incluindo o processo de substituição do atual modelo de concessões pelo Sistema Rio.

Pesquisa pretende avaliar os impactos da reprogramação dos ônibus

O projeto contratado pelo Rio Ônibus tem como título oficial “Desenvolvimento de metodologia para avaliação dos impactos decorrentes de reprogramações de oferta do sistema de transporte público por ônibus”.

A finalidade é desenvolver uma metodologia técnica que permita analisar as consequências das alterações na programação dos serviços.

A oferta de transporte coletivo envolve aspectos como a quantidade de viagens programadas, a frequência de atendimento e a distribuição dos serviços ao longo do dia.

Esses elementos são importantes tanto para o planejamento operacional quanto para a rotina dos passageiros.

Uma alteração na frequência de determinada linha, por exemplo, pode modificar o tempo de espera nos pontos e as condições de ocupação dos veículos.

A reorganização de horários também pode interferir nas possibilidades de conexão entre diferentes linhas e nas condições de deslocamento de trabalhadores e estudantes.

Para as empresas, a programação dos serviços influencia a utilização dos ônibus, a necessidade de motoristas, a quilometragem percorrida e os custos operacionais.

O desenvolvimento de uma metodologia de avaliação permite organizar tecnicamente a análise dessas variáveis, oferecendo parâmetros para examinar os efeitos das alterações na oferta.

Contrato foi revelado em primeira mão pelo Diário do Transporte em janeiro

Em 12 de janeiro de 2026, o Diário do Transporte mostrou que o Rio Ônibus havia contratado a COPPE/UFRJ, com interveniência da Fundação COPPETEC, para desenvolver a pesquisa.

O contrato original foi assinado em 6 de janeiro, com prazo de seis meses e valor de R$ 276.984,55, custeado pelas empresas representadas pelo sindicato.

Relembre a reportagem:

Rio Ônibus assina contrato com UFRJ para apurar impactos da reprogramação da oferta de transportes na capital

O projeto foi aprovado pelo Conselho Deliberativo da COPPE, conforme registro de reunião realizada em 11 de novembro de 2025.

O professor Glaydston Mattos Ribeiro, do Programa de Engenharia de Transportes, foi identificado como coordenador da pesquisa.

A participação da universidade reúne conhecimento acadêmico e técnicas de engenharia de transportes para o desenvolvimento da metodologia.

Nova prorrogação foi assinada em outubro

O Diário Oficial da União de 13 de outubro de 2026 publicou o segundo termo aditivo ao contrato de prestação de serviços PET-27656.

O instrumento foi assinado em 6 de outubro de 2026 e prorrogou a vigência por mais dois meses, contados da mesma data.

Participam do contrato:

  • Contratante: Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus);
  • Contratada: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);
  • Interveniente: Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos (COPPETEC).

O procedimento está identificado pelo processo nº 23079.262363/2025-95.

O fundamento legal mencionado é o artigo 8º da Lei Federal nº 10.973/2004, relacionada à inovação e à prestação de serviços técnicos por instituições científicas e tecnológicas.

A extensão da vigência estabelece a continuidade contratual até dezembro de 2026.

Estudo ocorre em meio à reformulação do transporte coletivo do Rio de Janeiro

A contratação original foi formalizada em um período de discussões sobre o modelo de operação e remuneração do transporte coletivo da capital.

Em maio de 2025, a Prefeitura do Rio de Janeiro apresentou um projeto de reorganização das concessões municipais, com previsão de renovação da frota, mudanças na divisão das áreas operacionais e novos padrões de atendimento.

O modelo apresentado previa a substituição da organização em quatro grandes consórcios por 31 áreas operacionais, sendo 22 estruturais e nove locais, além de investimentos graduais na aquisição de aproximadamente cinco mil ônibus novos.

A proposta também contemplava ampliação da frota, padronização visual e mudanças nas características dos veículos.

O planejamento da oferta é um dos elementos fundamentais de qualquer reorganização desse porte.

A definição da quantidade de ônibus e viagens necessárias em cada região interfere diretamente na capacidade do sistema de atender à demanda.

Nesse contexto, um estudo sobre os impactos das reprogramações pode contribuir para o debate técnico sobre as consequências de alterações operacionais.

A pesquisa contratada pelo sindicato constitui uma iniciativa das empresas de ônibus, enquanto a elaboração e a condução dos processos de concessão cabem ao poder público municipal.

Empresas alegam desequilíbrio financeiro nos contratos atuais

Quando o contrato com a universidade foi anunciado, em janeiro de 2026, o setor enfrentava problemas relacionados à continuidade da operação de algumas empresas.

Na ocasião, o Diário do Transporte mostrou paralisações de serviços associadas à falta de combustível e a atrasos salariais, com episódios envolvendo a Real Auto Ônibus e a Transportes Vila Isabel.

O Rio Ônibus afirmou à época que 11 das 29 empresas de ônibus do município estavam em recuperação judicial.

Em manifestação divulgada naquele período, o sindicato atribuiu as dificuldades do setor à insegurança jurídica e ao que classificou como descumprimento de contratos e acordos firmados com a Prefeitura do Rio de Janeiro.

Segundo a entidade, esses fatores provocariam desequilíbrio econômico-financeiro, com reflexos sobre a qualidade dos serviços.

A administração municipal, por sua vez, desenvolveu o projeto de reorganização das concessões como parte das medidas destinadas à reestruturação do transporte coletivo.

A discussão envolve tanto a sustentabilidade econômica das operações quanto as condições de atendimento à população.

O que está em jogo para o passageiro

A importância de uma metodologia para avaliar mudanças na oferta de ônibus está relacionada à necessidade de compreender os efeitos concretos das decisões operacionais.

Para quem utiliza o transporte coletivo diariamente, a quantidade de viagens disponíveis determina as possibilidades de deslocamento em diferentes horários.

A frequência também influencia o tempo de espera, a lotação dos veículos e a confiabilidade do serviço.

Mudanças na programação podem afetar especialmente passageiros que dependem de conexões, trabalhadores com horários fixos e moradores de regiões atendidas por menor quantidade de linhas.

Do ponto de vista da gestão, a avaliação técnica dessas alterações pode auxiliar na comparação entre diferentes configurações operacionais e seus efeitos sobre a prestação dos serviços.

O estudo desenvolvido pela COPPE/UFRJ, contratado pelo Rio Ônibus, concentra-se justamente na criação de uma metodologia destinada à avaliação dos impactos dessas reprogramações.

A prorrogação publicada nesta terça-feira mantém a parceria acadêmica em um momento importante para as discussões sobre a organização e o futuro do transporte coletivo do Rio de Janeiro.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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