Unidade da empresa cearense tem chassi Mercedes-Benz e suspensão a ar; Adamo Bazani conheceu a nova geração do urbano da Marcopolo a convite da fabricante antes da apresentação oficial na Lat.Bus
ADAMO BAZANI
A Viação Fortaleza, operadora do transporte coletivo urbano de Fortaleza (CE), está entre as primeiras empresas a receber o novo Marcopolo Torino 2027. O veículo da companhia foi construído sobre chassi Mercedes-Benz OF 1619 L, com motorização Euro 6 e suspensão a ar, combinando a nova carroceria com uma configuração voltada ao conforto nas viagens urbanas.
A empresa cearense se soma à Real Alagoas, de Maceió (AL), entre as primeiras destinatárias da nova geração. A Leblon, que atua na Região Metropolitana de Curitiba (PR), também confirmou a aquisição de veículos. As entregas materializam as encomendas que o Diário do Transporte revelou em primeira mão durante a Lat.Bus, em agosto: naquele momento, o Torino 2027 já ultrapassava 100 unidades vendidas para 15 empresas.
Viação Fortaleza atua no sistema municipal da capital cearense
A Auto Viação Fortaleza integra a operação de ônibus urbanos da capital do Ceará, em um sistema gerenciado pela Prefeitura de Fortaleza por meio da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza, a Etufor.
A rede reúne empresas concessionárias organizadas em consórcios e atende aos deslocamentos entre bairros, terminais e diferentes regiões da cidade. Nesse modelo, a transportadora responde pela operação de parte das linhas, enquanto o poder público gerencia e fiscaliza o serviço.
O diagnóstico da Região Metropolitana de Fortaleza publicado em maio de 2025 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pelo Ministério das Cidades relaciona a Auto Viação Fortaleza entre as integrantes dos consórcios Leste e Messejana.
A configuração do Torino 2027 recebido pela empresa tem como destaque a suspensão pneumática, também chamada de suspensão a ar. O sistema utiliza bolsas de ar para ajudar a absorver as irregularidades do pavimento, contribuindo para reduzir as trepidações transmitidas ao salão.
É importante distinguir os dois conjuntos do ônibus: o Torino 2027 é a carroceria desenvolvida pela Marcopolo; o OF 1619 L é o chassi Mercedes-Benz, que reúne a base mecânica do veículo. Assim, a suspensão a ar dessa unidade corresponde à configuração do chassi, enquanto as mudanças nas portas, no posto de condução e na arquitetura elétrica fazem parte do projeto da carroceria.
Real Alagoas está entre as primeiras destinatárias, com chassi Volkswagen
Como mostrou o Diário do Transporte em 6 de outubro de 2026, as duas primeiras unidades comerciais do Torino 2027 foram destinadas à Real Alagoas, operadora do Sistema Integrado de Mobilidade de Maceió, o SIMM.
Na ocasião, a primeira unidade já estava pronta, produzida na fábrica da Marcopolo em São Mateus (ES), sobre chassi Volkswagen 17.260 Euro 6.
A chegada do modelo à Viação Fortaleza evidencia outra combinação de carroceria e plataforma mecânica nessa fase inicial de fornecimento: enquanto a unidade número 1 da Real Alagoas utiliza Volkswagen, o veículo da empresa cearense tem chassi Mercedes-Benz.
Relembre:
Leblon confirmou três unidades para linhas alimentadoras no Paraná
A Leblon Transporte de Passageiros também confirmou a compra do Torino 2027 ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani.
Em 10 de setembro de 2026, o proprietário da companhia, Haroldo Isaak, informou a aquisição inicial de três unidades sobre chassis Volkswagen, destinadas às linhas alimentadoras da Região Metropolitana de Curitiba.
Essas linhas fazem a ligação dos bairros com os principais eixos e pontos de integração do transporte, complementando os serviços de maior capacidade.
Na ocasião, o empresário explicou que os novos Torino estavam em produção. A aquisição fazia parte de um processo de renovação de frota iniciado após entendimento entre os operadores metropolitanos e o Governo do Paraná, no período anterior à licitação prevista para reorganizar os serviços.
Relembre:
Marcopolo vende Torino 2027, o novo urbano da marca, para a Leblon, do Paraná
Primeiras 100 vendas foram reveladas pelo Diário do Transporte durante a Lat.Bus
Antes da identificação pública de parte dos compradores, o Diário do Transporte antecipou o volume inicial de negócios do Torino 2027.
Em reportagem publicada em 12 de agosto de 2026, durante a Lat.Bus, Adamo Bazani revelou que o novo urbano já tinha mais de 100 unidades vendidas para 15 empresas de diferentes regiões do País.
A informação foi fornecida pelo diretor Comercial e de Marketing da Marcopolo, Ricardo Portolan, em entrevista exclusiva. Segundo o executivo, a quantidade de pedidos e consultas havia superado as expectativas iniciais da fabricante.
Portolan relatou ainda que alguns clientes que haviam encomendado a geração anterior solicitaram a substituição de parte dos lotes pelo Torino 2027 após conhecerem o novo produto.
O número de mais de 100 unidades corresponde ao estágio das vendas naquele momento, em agosto, e não a um balanço atualizado das encomendas.
Na entrevista, o diretor também informou que as entregas começariam ainda em 2026, com capacidade inicialmente limitada e previsão de produção plena em 2027.
Relembre o furo:
Reportagem conheceu o modelo antes da apresentação oficial
O acompanhamento do novo Torino pelo Diário do Transporte começou antes do lançamento público, realizado em 11 de agosto de 2026, na Lat.Bus, no São Paulo Expo.
Na semana anterior à feira, Adamo Bazani esteve na unidade da Marcopolo em São Paulo, a convite da fabricante, para conhecer os veículos e entrevistar os executivos responsáveis pelas novidades.
O contato antecipado permitiu detalhar mudanças que vão além do desenho da dianteira e da traseira, como o novo mecanismo das portas, a reorganização elétrica, o isolamento do motor e as alterações na climatização.
Relembre:
Quadro: principais características e diferenças em relação à geração anterior
A Marcopolo apresenta o Torino 2027 como uma reformulação voltada à manutenção, às condições de trabalho do motorista e ao ambiente dos passageiros. O quadro reúne mudanças divulgadas pela fabricante e detalhadas nas entrevistas ao Diário do Transporte.
| Item | Mudança no Torino 2027 e finalidade anunciada |
|---|---|
| Desenho externo | Nova dianteira, traseira e conjunto óptico, com atualização da identidade visual. |
| Portas | Folhas simétricas 30% mais leves e novo acionamento, desenvolvido para reduzir desalinhamentos, vazamentos de ar e regulagens. |
| Arquitetura elétrica | Sistema EVIA, que integra equipamentos e facilita o diagnóstico de falhas. |
| Diagnóstico | Novo painel de indicadores e aplicativo para identificação de problemas. |
| Central elétrica | Compartimento 15% maior, com acesso facilitado para instalação e manutenção. |
| Materiais | Redução superior a 30% no uso de fibra de vidro, segundo informação de Ricardo Portolan à reportagem. |
| Isolamento do motor | Novo isolamento térmico, com redução anunciada de até 5°C na região do motorista. |
| Posto de condução | Espaço redimensionado, console reorganizado e locais para objetos pessoais. |
| Ventilação do motorista | Quatro difusores direcionáveis; possibilidade de sistema Twin com defroster refrigerado. |
| Visibilidade | Novos retrovisores e alterações no ambiente de condução para ampliar o campo de visão. |
| Climatização do salão | Novos dutos, desenvolvidos com simulações de fluxo, com velocidade média do ar até 40% maior que na geração anterior. |
| Iluminação | Faróis dianteiros em LED ou halógenos, conforme configuração; luzes de circulação diurna e lanternas traseiras em LED. |
| Poltronas | Nova família de bancos, com diferentes acabamentos e possibilidades de encosto e apoio de cabeça. |
| Recarga de dispositivos | Disponibilidade de tomadas USB, incluindo USB-C, conforme a configuração escolhida. |
| Manutenção | Revisão de componentes e acessos para simplificar reparos e reduzir o tempo de permanência nas oficinas. |
Fonte: Marcopolo e entrevistas concedidas ao Diário do Transporte. Equipamentos e opcionais variam conforme a encomenda de cada operador.
O indicador de até 40% na climatização se refere à velocidade média do ar nos dutos. Não significa redução de consumo de energia ou de temperatura na mesma proporção.
Da mesma forma, as características gerais da carroceria não devem ser consideradas automaticamente como a lista de equipamentos de cada unidade entregue. A combinação final depende do chassi, dos opcionais e das especificações contratadas pela transportadora.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
