Eletromobilidade

Zona Leste vai receber ônibus elétrico de última geração, com foco em novos Corredores Verdes: e-Millennium BRT/Eletra, da Metrópole Paulista

Veículos similares com novo design, padrão europeu de carroceria feita no Brasil e tecnologia elétrica nacional já rodam na ligação entre o centro e a zona Sul no projeto de Corredores Verdes do prefeito Ricardo Nunes

ADAMO BAZANI

Colaborou Yuri Sena

A zona Leste da capital paulista deve receber nas próximas semanas os primeiros ônibus elétricos superarticulados modelo e-Millennium BRT, da encarroçadora Caio, com tecnologia brasileira Eletra, para a região.

Considerados de última geração, veículos similares já operam entre a zona Sul e o centro da cidade e fazem parte do projeto de “Corredores Verdes” apresentado pelo prefeito Ricardo Nunes, que abrange não apenas ônibus elétricos, mas toda uma infraestrutura sustentável, com equipamentos como paradas alimentadas por energia solar, drenagem e reaproveitamento da água da chuva, maior área de ajardinamento, entre outros itens. O primeiro projeto foi pensado para a revitalização do Corredor 9 de Julho/Santo Amaro, mas a zona Leste de São Paulo está entre as regiões que devem receber novas estruturas exclusivas para ônibus, como o BRT Aricanduva e o BRT Radial Leste.

Os veículos, entretanto, já vão começar a operar na região antes mesmo da conclusão dos corredores.

A compra foi feita pela concessionária Viação Metrópole Paulista, que opera nas zonas Sul e Leste.

A primeira unidade do modelo comprado pela empresa para a zona Sul já foi apresentada pela Eletra, inclusive na Lat.Bus 2026, a maior feira do setor da América Latina.

Ao todo, a companhia comprou 68 ônibus superarticulados com tecnologia Eletra, contando com as operações nas zonas Sul e Leste, com carrocerias Caio e-Millennium (modelo mais comum na cidade) e e-Millennium BRT.

Além das características já presentes na maior parte da frota de elétricos da cidade, como zero emissão de poluentes, baixo nível de ruído, ar-condicionado, tomadas USB para carregar celulares e piso baixo com rampa para acessibilidade, o e-Millennium BRT apresenta um padrão europeu de carroceria, que procura aliar melhor aerodinâmica, design modernizado e conforto visual interno, com vidros e espelhos que eliminam reflexos e tons internos que evitam cansaço das vistas. No lugar de espelhos retrovisores, os ônibus possuem câmeras que eliminam pontos cegos.

O Diário do Transporte esteve nesta quarta-feira, 07 de outubro de 2026, na sede da Eletra, em São Bernardo do Campo (SP), que produz toda a parte tecnológica.

A reportagem conheceu a primeira unidade com este padrão para a zona Leste.

O veículo está praticamente pronto e reúne todos estes itens. O trem de força tem uma nova tecnologia que permite um maior aproveitamento energético, o que resulta em mais autonomia e melhor desempenho, tanto da operação em si como de itens como o ar-condicionado.

Características gerais do ônibus que será destinado à zona Leste

A aquisição reúne duas carrocerias diferentes. Assim, o total de 68 superarticulados corresponde ao conjunto comprado pela Metrópole Paulista para as duas regiões, incluindo e-Millennium e e-Millennium BRT.

Característica Descrição
Operadora Viação Metrópole Paulista
Destinação da unidade visitada Zona Leste de São Paulo
Categoria Ônibus urbano superarticulado
Carroceria Caio e-Millennium BRT, produzida no Brasil
Tecnologia elétrica Eletra, de São Bernardo do Campo (SP)
Propulsão Elétrica a bateria
Emissões na circulação Sem emissão de gases de escapamento
Acessibilidade Piso baixo e rampa de acesso
Climatização Ar-condicionado
Conveniência Tomadas USB para recarga de celulares
Visibilidade do motorista Câmeras e monitores em substituição aos retrovisores externos convencionais
Ambiente interno Acabamentos e cores voltados à redução de reflexos e ao conforto visual
Situação em 7 de outubro Primeira unidade para a zona Leste praticamente pronta, conforme visita da reportagem
Previsão de circulação Nas próximas semanas

A ausência de gases de escapamento se refere à operação do ônibus. A avaliação ambiental de todo o ciclo de vida também considera a produção do veículo, das baterias e a geração da eletricidade utilizada na recarga.

Unidade da zona Sul

BRT Aricanduva, Radial Leste e Itaquera–Líder estão entre os principais projetos para a região

A renovação da frota ocorre enquanto a zona Leste recebe obras e prepara novas etapas de corredores. BRT é a sigla em inglês para transporte rápido por ônibus: a proposta combina prioridade viária com organização das paradas e do embarque para reduzir o tempo das viagens.

No BRT Aricanduva, a Prefeitura de São Paulo anunciou o início das obras em 3 de agosto de 2026. O projeto tem 13,6 quilômetros entre a Radial Leste e o Terminal São Mateus, seguindo pelas avenidas Aricanduva e Ragueb Chohfi.

O valor contratual informado é de R$ 646,8 milhões. O prazo anunciado é de 18 meses de obras, seguidos por seis meses de testes operacionais. A demanda projetada é superior a 290 mil passageiros por dia.

Estão previstas 46 estações, sendo 23 em cada sentido, com pagamento da tarifa antes do embarque. O projeto também contempla ciclovia e conexões com outros eixos de transporte da região.

O BRT Radial Leste foi dividido em duas etapas. A primeira vai do Terminal Parque Dom Pedro II até a altura da Rua Professor Miguel Russiano, nas proximidades da Estação Penha. A segunda deve prosseguir até a Rua Salim Jorge, junto à Estação Corinthians-Itaquera.

Como mostrou o Diário do Transporte em agosto, os lotes 2 e 3 do Radial Leste I receberam ordens de início, com contratos que somam R$ 277,1 milhões e prazo de 18 meses contado a partir de 31 de julho de 2026. Esse valor corresponde aos dois lotes, e não à totalidade das duas etapas do corredor.

Para o Radial Leste II, o planejamento municipal prevê elaboração de projetos, licenciamento ambiental e início das obras. Trata-se de uma etapa com andamento próprio, distinta dos contratos já autorizados para o trecho I.

Outro projeto é a conclusão do Corredor Itaquera–Líder. A programação municipal indica 6,2 quilômetros em operação e mais 3,1 quilômetros a completar: 600 metros entre o Terminal Vila Carrão e a Avenida Aricanduva e 2,5 quilômetros entre as avenidas Líder e Jacu-Pêssego.

A requalificação da Avenida Celso Garcia também integra o planejamento para melhorar as ligações entre a zona Leste e o centro. A proposta contempla melhorias de pavimento, calçadas, acessibilidade e paradas, com intervenções divididas em lotes. Em agosto de 2026, a página municipal de consultas públicas já relacionava a contratação de projetos e obras entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Avenida Aricanduva, incluindo o binário pelas vias Gasômetro e Rangel Pestana.

A chegada dos novos ônibus e a entrega dessas estruturas têm cronogramas distintos. A circulação do e-Millennium BRT na região, antes da conclusão dos corredores, permite incorporar os equipamentos de conforto e acessibilidade à operação existente.

Corredor Verde combina ônibus de energia limpa, paradas sustentáveis e melhorias ambientais

O conceito de Corredores Verdes de Transporte foi formalizado pela Prefeitura de São Paulo em junho de 2025, com a criação de um grupo de trabalho intersecretarial para elaborar diretrizes de implantação.

A proposta reúne circulação exclusiva de ônibus elétricos ou movidos a biometano e infraestrutura associada ao transporte: placas solares, jardins de chuva, mais vegetação e áreas permeáveis, além de planejamento de segurança, paisagismo e comunicação aos passageiros.

Os jardins de chuva são áreas vegetadas preparadas para receber e favorecer a infiltração da água, contribuindo para a drenagem urbana. A ampliação de áreas permeáveis e de vegetação também integra a adaptação do espaço público às condições climáticas.

No primeiro projeto, na Avenida Nove de Julho, a prefeitura anunciou a modernização de 12 estações distribuídas nas paradas Getúlio Vargas, José Maria Lisboa, Estados Unidos e Guianas, além da revitalização de aproximadamente 4.300 metros quadrados de canteiros centrais.

Entre os equipamentos previstos estão estruturas vegetadas para reduzir a incidência de sol e o calor, pintura refletiva, coleta seletiva, informações digitais de itinerários e condições climáticas, sensores e câmeras conectadas ao Smart Sampa. A execução foi atribuída à Eletromidia, no âmbito da concessão de mobiliário urbano.

A aplicação desse conceito em cada eixo depende dos respectivos projetos e intervenções. A presença de ônibus elétricos é um componente da proposta, enquanto a implantação das paradas, da drenagem e do paisagismo exige obras e planejamento específicos.

Caio e-Millennium BRT e Eletra: carroceria e sistema elétrico têm funções complementares

A Caio responde pela carroceria e pelo conjunto de soluções do espaço destinado a passageiros e motorista. A Eletra responde pela tecnologia de tração e integração elétrica. O trem de força é o sistema que transforma a energia armazenada nas baterias em movimento do veículo.

O e-Millennium BRT foi lançado oficialmente pela Caio em julho de 2025, com desenho inspirado em modelos europeus e aplicação em corredores urbanos. A fabricante destaca mudanças na cabine, iluminação e portas, além dos retrovisores eletrônicos.

Já a Eletra apresentou na Lat.Bus 2026 uma nova geração de soluções elétricas. Em entrevista publicada pelo Diário do Transporte em agosto, a empresa explicou a ampliação do desenvolvimento e da integração de controles e módulos eletrônicos para ajustar o fornecimento de energia às condições de operação.

Componente ou recurso Característica e função
Carroceria Caio Estrutura do salão, cabine, portas e acabamentos do e-Millennium BRT
Desenho externo Linhas de inspiração europeia, com proposta de melhor aerodinâmica
Retrovisores eletrônicos Câmeras externas transmitem imagens para monitores na cabine
Cabine Cores escuras para reduzir reflexos e desenho voltado à ergonomia do motorista
Iluminação Tecnologia LED; a Caio também prevê sinalização luminosa frontal associada ao acionamento das portas
Portas No projeto divulgado pela Caio, são do tipo fole e alinhadas à lateral externa
Acabamentos internos Revestimentos modulares e materiais escolhidos para conforto, durabilidade e manutenção
Integração Eletra Coordena o funcionamento da tração elétrica e dos sistemas associados
Baterias Armazenam a eletricidade utilizada na circulação
Trem de força Converte a energia elétrica em movimento; a unidade visitada incorpora a nova tecnologia relatada pela reportagem
Gerenciamento de energia Busca aproveitar melhor a energia disponível para a operação e os equipamentos do veículo
Ar-condicionado Equipamento elétrico que integra a demanda energética do ônibus
Recarga e operação Exigem planejamento compatível com as jornadas e a infraestrutura da garagem

Comprimento exato, lotação, potência do motor, capacidade das baterias, autonomia em quilômetros e tempo de recarga da unidade visitada dependem da confirmação de sua ficha técnica. As configurações de outros ônibus da família, inclusive de veículos com a mesma carroceria e tecnologia elétrica de outra fabricante, não devem ser atribuídas automaticamente a este exemplar.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. JEDER Ribeiro Castro disse:

    Manutenção precisa ser impecável também. Portas desalinhadas, barulho no ar condicionado, borracha não vedam, etc.

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