São Paulo prorroga até junho de 2027 serviços técnicos para o BRT Radial Leste II, previsto entre Penha e Itaquera

Aditivo formaliza prazo para gerenciamento e fiscalização dos estudos e projetos da segunda etapa; corredor dará continuidade ao trecho em obras entre o Parque Dom Pedro II e a Penha e prevê reorganização da Radial Leste

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo formalizou a prorrogação até 30 de junho de 2027 dos serviços técnicos de gerenciamento e fiscalização dos estudos e projetos do BRT Radial Leste II, planejado para prolongar o corredor de ônibus da região da Penha até Itaquera. A segunda etapa deverá dar continuidade à ligação com o Centro e reorganizar o espaço da Radial Leste, com prioridade para os coletivos, possibilidade de ultrapassagem nas paradas e intervenções para pedestres e ciclistas.

O aditivo, publicado nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, mantém a SPObras responsável pelo acompanhamento técnico dessa preparação e adota um cronograma físico-financeiro para os serviços. O prazo de junho de 2027 se refere a esse contrato de apoio aos estudos e projetos. A meta da Prefeitura para a gestão 2025–2028 é colocar o primeiro trecho do BRT em operação e iniciar as obras da segunda etapa.

A extensão até Itaquera integra o planejamento de um eixo de transporte coletivo entre a região central e a zona Leste. A primeira fase tem aproximadamente 9,8 quilômetros, entre o Terminal Parque Dom Pedro II e a Rua Professor Miguel Russiano, nas proximidades da Estação Penha do Metrô.

A segunda continuará desse ponto até a Rua Salim Jorge Id, junto ao complexo de transporte de Corinthians-Itaquera. A documentação da licitação dos projetos indicava aproximadamente 10,2 quilômetros para esse prolongamento.

Somadas as extensões apresentadas para as duas fases, o eixo planejado tem cerca de 20 quilômetros. Para os passageiros, a proposta é oferecer aos ônibus uma infraestrutura contínua de prioridade, conectando diferentes bairros e pontos de integração da zona Leste ao Centro.

Aditivo formaliza prazo já autorizado em agosto e organiza o acompanhamento dos projetos

O termo foi assinado em 28 de setembro entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, a SIURB, e a São Paulo Obras, a SPObras.

A íntegra do documento estabelece a adoção de um cronograma físico-financeiro para prorrogar a execução contratual até 30 de junho de 2027.

Como mostrou o Diário do Transporte em 19 de agosto, essa data já havia sido estabelecida em uma retificação publicada pela secretaria. O aditivo agora formaliza contratualmente a prorrogação e faz referência às autorizações divulgadas em agosto.

O contrato acompanhado pela publicação é o de prestação de serviços técnicos especializados para contratação, gerenciamento e fiscalização da consolidação do estudo funcional e da elaboração dos projetos básico e executivo.

Publicação de 1º de outubro O que significa
Contratada: SPObras Empresa municipal responsável pelo acompanhamento técnico contratado
Prazo até 30 de junho de 2027 Período de execução dos serviços técnicos
Estudos e projetos Preparação das soluções de engenharia para implantação do corredor
Cronograma físico-financeiro Organização das etapas e de sua programação financeira
Trecho atendido Segunda fase, da região da Penha até Itaquera

A identificação administrativa é o contrato 007/SIURB/24, com o primeiro termo de aditamento formalizado em 2026.

Estudo funcional define como o corredor deverá funcionar; projetos detalham como ele será construído

A preparação de um BRT envolve decisões que vão além de desenhar uma faixa para ônibus.

O estudo funcional organiza a concepção do empreendimento: por onde os coletivos circularão, como serão distribuídas as paradas, quais conexões serão necessárias e como a infraestrutura se relacionará com o restante da via e da rede de transporte.

O projeto básico desenvolve as soluções de engenharia, os serviços necessários e os elementos utilizados para dimensionar a implantação. O executivo detalha a construção, com desenhos, especificações e compatibilização das diferentes disciplinas.

Na prática, isso envolve combinar pavimentação, drenagem, estruturas, acessibilidade, sinalização, instalações e operação dos ônibus. Uma solução adotada para uma dessas áreas pode exigir ajustes nas demais.

Etapa técnica Função
Estudo funcional Organizar o funcionamento previsto do corredor
Projeto básico Definir e dimensionar as soluções de engenharia
Projeto executivo Detalhar os elementos necessários à construção
Gerenciamento Coordenar entregas, interfaces e desenvolvimento dos trabalhos
Fiscalização Verificar o atendimento às exigências do contrato

A SPObras presta o serviço de acompanhamento contratado pela SIURB. A SPTrans participa das definições relacionadas ao funcionamento do transporte, que precisam ser compatíveis com o desenho da infraestrutura.

Essa preparação interfere diretamente na qualidade futura do serviço. Localização inadequada de uma parada, acesso difícil para pedestres ou conflito entre circulação e embarque podem comprometer o desempenho de um corredor mesmo depois de concluídas as obras.

Cronograma físico-financeiro relaciona entregas técnicas, prazos e recursos

O cronograma físico-financeiro organiza o que deve ser executado ao longo do contrato e a programação financeira correspondente.

A parte física se refere às entregas e etapas. Em um contrato de serviços técnicos, pode envolver levantamentos, documentos, desenvolvimento de projetos, revisões e produtos previstos no escopo.

A parte financeira distribui os valores associados à execução contratual no tempo.

Esse instrumento permite acompanhar se as entregas estão compatíveis com a programação e com as condições estabelecidas para medição e pagamento.

No caso publicado agora, o cronograma está vinculado aos serviços técnicos do BRT Radial Leste II. A implantação física do corredor depende das etapas e contratações correspondentes à construção.

Segunda fase deverá reorganizar a Radial Leste entre Penha e Itaquera

A concepção divulgada para o BRT Radial Leste II prevê circulação dos ônibus no espaço central e uma segunda faixa nas áreas das paradas para permitir ultrapassagens.

Uma ata de reunião do Conselho Participativo Municipal da Penha, realizada em 6 de agosto e publicada em 1º de setembro de 2026, registrou também a previsão de duas faixas para veículos em geral e uma específica para motocicletas em cada sentido, além de ciclovia e recuperação dos passeios.

O documento apresentou intervenções de drenagem, contenções e mudanças na geometria e no perfil de altura e inclinação das pistas. Essas características integram o desenvolvimento do projeto e precisam ser consolidadas tecnicamente.

Como noticiou o Diário do Transporte, a discussão surgiu quando a Subprefeitura da Penha avaliava recuperar o pavimento de concreto da Avenida Conde de Frontin. A consulta à SPObras identificou o projeto do BRT para o mesmo local, e a intervenção isolada foi descartada para evitar sobreposição de investimentos.

O episódio mostra por que o planejamento do corredor precisa considerar toda a via. Recuperar uma estrutura que será modificada pouco depois pode gerar retrabalho e novo gasto público.

Ultrapassagem nas paradas permite que ônibus sigam viagem sem esperar outros terminarem o embarque

Uma das diferenças operacionais importantes do projeto é a possibilidade de ultrapassagem nas estações.

Em um corredor com apenas uma faixa e sem espaço para ultrapassar, um ônibus pode precisar esperar o veículo à frente concluir o embarque e desembarque, mesmo quando não atende aquela parada.

Com uma faixa adicional no local, o coletivo pode continuar o percurso enquanto outro permanece junto à plataforma.

Essa configuração permite planejar serviços com diferentes padrões de parada e reduzir a formação de filas de ônibus. O resultado depende também da programação das linhas, dos intervalos e do controle da operação.

O benefício ao passageiro deve ser medido pelo tempo da viagem, pela regularidade e pelas condições de embarque, e não apenas pela quantidade de quilômetros de pista construída.

Primeira fase tem 9,8 quilômetros e foi dividida em três lotes de obras

O BRT Radial Leste I parte do Terminal Parque Dom Pedro II e segue pelo eixo da Avenida Alcântara Machado e da Rua Melo Freire até a região da Penha.

Sua execução foi organizada em três lotes.

Lote da primeira fase Percurso Extensão aproximada
1 Parque Dom Pedro II–Rua Almirante Brasil 2,8 km
2 Rua Almirante Brasil–Rua Armando Gardenghi 3,1 km
3 Rua Armando Gardenghi–Rua Professor Miguel Russiano 3,84 km

As extensões dos lotes são aproximadas. A Prefeitura apresenta o conjunto como um corredor de 9,8 quilômetros.

Para essa primeira fase, o projeto prevê pista de concreto para os ônibus, plataformas elevadas, pagamento antes do embarque e recursos de informação e controle.

O pagamento fora do veículo permite que o passageiro já tenha validado a viagem ao chegar ao ônibus, reduzindo o tempo gasto com esse procedimento durante o embarque. Plataformas compatíveis com a altura de entrada dos veículos também podem facilitar o acesso.

A Prefeitura anunciou investimento de R$ 385,9 milhões para a primeira etapa, com previsão de atendimento de até 400 mil passageiros por dia e redução de até 50% no tempo de deslocamento no eixo atendido. São estimativas municipais, cuja confirmação dependerá da operação.

Prazo de entrega anunciado para fevereiro de 2026 foi ultrapassado, e obras continuaram durante o ano

Em janeiro de 2025, a Prefeitura divulgou previsão de entrega da primeira fase para fevereiro de 2026.

As intervenções prosseguiram após essa data. Em julho de 2026, a CET anunciou uma nova etapa de interdição parcial da Avenida Alcântara Machado, entre as ruas Almirante Brasil e Dr. Almeida Lima.

Em agosto, a operação da faixa reversível também foi alterada em razão das obras do BRT Radial Leste I.

Esse histórico precisa ser considerado na avaliação do empreendimento. O passageiro aguarda a entrada em funcionamento do corredor, enquanto a preparação da segunda fase segue uma programação própria.

A divisão em lotes e contratos exige acompanhar separadamente obras, projetos, fiscalização e sistemas operacionais. O andamento de um desses componentes não representa, automaticamente, a conclusão dos demais.

BRT deve complementar o Metrô e os trens, oferecendo outra estrutura de transporte no mesmo eixo

O corredor está planejado junto a um eixo já atendido pela Linha 3-Vermelha do Metrô e por conexões ferroviárias e terminais de ônibus.

Sua função é ampliar a estrutura disponível para o transporte coletivo de superfície e permitir conexões com esses serviços.

Ônibus podem atender deslocamentos e pontos intermediários diferentes dos atendidos pelas estações ferroviárias. Uma rede integrada permite combinar modos conforme a origem e o destino do passageiro.

Na segunda fase, a chegada à região de Corinthians-Itaquera aproxima o corredor de um importante ponto de conexão entre ônibus, Metrô e trens metropolitanos.

Para que essa integração seja útil, é necessário considerar o caminho entre plataformas, travessias, acessibilidade, sinalização e tempo de transferência. A proximidade física precisa se traduzir em uma conexão utilizável no cotidiano.

A reorganização futura das linhas de ônibus também deverá compatibilizar os serviços que utilizam o corredor com os trajetos que atendem os bairros.

Conexão com o Aricanduva integra o planejamento de uma rede de corredores na zona Leste

O BRT Radial Leste se relaciona com outro empreendimento de transporte da região: o BRT Aricanduva.

Enquanto a Radial Leste estrutura o deslocamento em direção ao Centro, o Aricanduva foi projetado para ligar a região da Radial ao Terminal São Mateus.

Os dois eixos podem ampliar as possibilidades de conexão dentro da zona Leste, além das viagens tradicionais entre bairro e Centro.

O resultado dependerá da compatibilização das linhas, dos pontos de transferência e das condições de operação. A construção dos corredores precisa ser acompanhada pelo planejamento da rede que irá utilizá-los.

Projeto tem histórico de estudos e licitações anteriores ao aditivo publicado agora

A implantação do BRT na Radial Leste vem sendo discutida há anos.

Em 2018, a Prefeitura abriu um procedimento para receber estudos de estruturação de corredores BRT na via. A proposta daquele momento abrangia 28,8 quilômetros distribuídos em três trechos, com desenho diferente das duas fases apresentadas nas contratações posteriores.

Em dezembro de 2022, a SPObras lançou a licitação das obras da primeira fase, entre o Parque Dom Pedro II e a região da Penha.

Em julho de 2023, foi publicada a licitação para os estudos e projetos do BRT Radial Leste II. Em 2024, ocorreram a homologação da contratação dos projetos e a contratação dos serviços técnicos de acompanhamento pela SPObras.

Período Marco do empreendimento
2018 Chamamento para estudos de BRT na Radial Leste
Dezembro de 2022 Licitação das obras da primeira fase
Julho de 2023 Licitação dos estudos e projetos da segunda fase
2024 Contratações relacionadas aos projetos e ao acompanhamento técnico
Janeiro de 2025 Nova etapa de intervenções na primeira fase e anúncio de entrega para fevereiro de 2026
Agosto de 2026 Prazo dos serviços técnicos da segunda fase corrigido para junho de 2027
Setembro de 2026 Assinatura do aditivo com cronograma físico-financeiro
Outubro de 2026 Publicação do termo de aditamento

O histórico mostra que estudos, projetos e obras possuem etapas próprias. Também explica por que os prazos precisam ser apresentados com a identificação exata do serviço a que se referem.

Orçamento de 2027 prevê R$ 484,98 milhões para o BRT Radial Leste

O projeto de orçamento municipal para 2027, também publicado nesta quinta-feira, reserva R$ 484.979.001 para a ação “BRT Radial Leste”.

A dotação é uma previsão anual sujeita à aprovação da Câmara e à execução orçamentária. Sua apresentação agregada exige acompanhamento dos contratos e despesas para identificar a aplicação entre as etapas do empreendimento.

A previsão de recursos e a prorrogação dos serviços técnicos são instrumentos distintos: uma organiza a disponibilidade orçamentária proposta; a outra estabelece o prazo do contrato de acompanhamento dos estudos e projetos.

Meta até 2028 distingue operação da primeira fase e início das obras da segunda

O Programa de Metas 2025–2028 estabelece dois objetivos para o BRT Radial Leste: iniciar a operação do trecho I e começar as obras do trecho II.

Essa diferença é relevante para entender o alcance da promessa municipal. Para a segunda fase, o compromisso registrado é iniciar a construção durante a gestão.

O aditivo publicado agora integra a preparação técnica desse prolongamento. A entrega do serviço à população dependerá da conclusão dos projetos, das etapas de implantação e da organização operacional.

O efeito esperado para os passageiros é uma viagem mais regular, com menor interferência do trânsito e melhores condições de embarque e conexão. Esses resultados precisam ser acompanhados ao longo da implantação e, posteriormente, medidos no funcionamento do corredor.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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