São Paulo ultrapassa 2 mil ônibus elétricos com apresentação nesta quarta (30). Veículo número 2 mil é um superarticulado Eletra/Caio/Mercedes-Benz da Via Sudeste
Publicado em: 27 de setembro de 2026
Apesar do avanço, total ainda é abaixo da meta de 2,6 mil coletivos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024
ADAMO BAZANI
São Paulo deve ultrapassar nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, a marca de 2 mil ônibus elétricos no sistema municipal com a apresentação de mais 250 veículos. O coletivo escolhido para representar o número 2 mil é um superarticulado de 21,5 metros da Via Sudeste, com tecnologia de tração da brasileira Eletra, carroceria Caio e plataforma Mercedes-Benz. O marco ocorre 77 anos depois da inauguração da primeira linha de trólebus da cidade.
O último balanço divulgado pela Prefeitura apontava 1.759 ônibus elétricos, entre modelos a bateria e trólebus. Com os 250 anunciados para quarta-feira, a conta chega a 2.009 veículos. O crescimento é expressivo, mas ainda deixa São Paulo 591 coletivos abaixo dos 2.600 que a administração municipal havia prometido colocar nas ruas até dezembro de 2024. A apresentação do lote não significa, necessariamente, que todas as unidades começarão a transportar passageiros no mesmo dia.
Os 2.009 ônibus projetados representam 77,3% daquela meta. Em comparação com os 13.690 veículos da frota contratada em agosto, último mês disponível na série oficial consultada, os elétricos corresponderiam a aproximadamente 14,7% do sistema. Esse percentual deverá ser atualizado quando a SPTrans divulgar a frota total referente ao período da nova entrega.
A história começou com os trólebus em 1949
A eletrificação dos ônibus de São Paulo não começou com as baterias. Em 22 de abril de 1949, a cidade inaugurou sua primeira linha de trólebus, entre a Praça João Mendes e a Aclimação. Alimentados pela rede aérea, esses veículos fizeram da capital uma pioneira no uso regular de ônibus de tração elétrica no Brasil.
Nas décadas seguintes, os trólebus passaram a atender outras regiões. Sua expansão exigia a instalação e a conservação de fios, subestações e equipamentos de alimentação elétrica. Na década de 1970, os planos para ampliar os corredores de trólebus eram mais extensos do que a rede que acabou implantada. O corredor Paes de Barros, inaugurado em 1980, foi uma das obras concretizadas.
Mesmo com o predomínio posterior dos ônibus a diesel nas compras das operadoras, os trólebus permaneceram no sistema municipal. Entre 2011 e 2013, passaram por um programa de renovação. Em 2013, a Prefeitura apresentou o 93º veículo de um lote de 140 novos trólebus.
Essa continuidade é essencial para entender a marca atual. Durante décadas, a presença dos ônibus elétricos nas ruas paulistanas dependeu principalmente dos trólebus. A mudança mais recente foi a entrada, em escala crescente, dos modelos a bateria, que circulam sem conexão permanente com a rede aérea.
Os primeiros ônibus a bateria chegaram às linhas em 2019
A SPTrans já fazia avaliações técnicas e operacionais com um ônibus a bateria desde 2013, mas aquele veículo não havia sido incorporado à frota regular de uma linha.
A primeira entrada em maior escala desse tipo de ônibus na operação municipal ocorreu em novembro de 2019. Foram apresentados 15 veículos para a linha 6030/10, entre a Unisa, Campus 1, e o Terminal Santo Amaro, na Zona Sul. A operação permitiu acompanhar o desempenho dos coletivos em viagens diárias, incluindo autonomia, recarga e manutenção.
O lote ainda era pequeno diante de uma frota municipal de milhares de ônibus. Ele mostrou, porém, que os veículos a bateria poderiam deixar a fase de demonstração e atender regularmente os passageiros.
Lei ambiental, promessa de 2,6 mil e atraso
A transição da frota também passou a ser orientada por regras ambientais. A legislação municipal estabeleceu a redução progressiva das emissões de dióxido de carbono de origem fóssil e de poluentes tóxicos, mediante a adoção de combustíveis e tecnologias mais limpas. Essa obrigação ambiental é mais ampla do que a compra de ônibus elétricos.
Em novembro de 2021, a Prefeitura anunciou uma meta específica: São Paulo teria aproximadamente 2.600 ônibus elétricos até o fim de 2024. Na projeção apresentada naquela época, eles corresponderiam a 20% da frota. A distância até o objetivo era grande. A cidade tinha 18 ônibus a bateria, além dos trólebus.
Em outubro de 2022, a SPTrans passou a restringir a inclusão de novos ônibus zero-quilômetro a diesel no sistema. O total de elétricos informado naquele momento era de 219 veículos: 18 a bateria e 201 trólebus.
A determinação buscava direcionar a renovação da frota, mas a troca de um ônibus a diesel por outro elétrico exige mais do que a compra do veículo. As garagens precisam de carregadores e de instalações adequadas. A rede de distribuição deve oferecer energia suficiente. Os investimentos e a remuneração dos operadores também precisam comportar os custos da mudança.
O prazo anunciado pela Prefeitura terminou sem que a meta fosse atingida. Em dezembro de 2024, estavam em operação 502 ônibus elétricos, dos quais 301 eram movidos a bateria e 201 eram trólebus. O total equivalia a aproximadamente 19,3% dos 2.600 prometidos para aquele ano.
As entregas ganharam escala em 2025 e 2026
Em janeiro de 2025, a apresentação de 100 novos ônibus elevou o total informado para 629 elétricos: 428 a bateria e 201 trólebus. Em setembro, a contagem chegou a 961, sendo 760 ônibus a bateria e 201 trólebus.
O milésimo ônibus elétrico foi apresentado em 3 de novembro de 2025. Com aquele lote, São Paulo passou a informar 1.009 veículos: 820 a bateria e 189 trólebus. A marca de mil foi alcançada quase um ano depois do prazo inicialmente fixado para uma frota de 2.600.
O ritmo aumentou em 2026. Em março, a Prefeitura apresentou mais 110 unidades e anunciou um total de 1.259 ônibus elétricos. Em junho, a entrega de 500 veículos de uma só vez elevou o balanço a 1.759, dos quais 1.570 eram movidos a bateria e 189 eram trólebus.
Aquele lote de junho reuniu veículos de diferentes tamanhos, incluindo ônibus mídi, básicos, padron e articulados. A variedade é necessária porque as linhas municipais têm perfis distintos: há trajetos que podem ser atendidos por veículos menores e corredores que exigem maior capacidade por viagem.
Os números também revelam uma mudança na composição da frota elétrica. Enquanto a quantidade de ônibus a bateria cresceu, os balanços municipais passaram de 201 trólebus em 2024 para 189 em 2026. Os trólebus seguem como parte da operação e da história da cidade, mas os veículos a bateria respondem pela maior parte da expansão recente.
Linha do tempo da eletrificação dos ônibus de São Paulo
| Ano | Marco |
|---|---|
| 1949 | Inauguração da primeira linha de trólebus, entre a Praça João Mendes e a Aclimação. |
| 1980 | Inauguração do corredor Paes de Barros, associado aos planos de expansão dos corredores de trólebus. |
| 2011 a 2013 | Renovação da frota de trólebus; em 2013, a Prefeitura apresenta o 93º veículo de um lote de 140. |
| 2013 | SPTrans realiza testes com ônibus a bateria, ainda fora da operação regular de uma linha. |
| 2018 | Lei municipal estabelece a redução progressiva das emissões da frota de ônibus. |
| 2019 | Quinze ônibus a bateria são apresentados para a linha 6030/10, na Zona Sul. |
| 2021 | Prefeitura anuncia a meta de aproximadamente 2.600 ônibus elétricos até dezembro de 2024. |
| 2022 | SPTrans restringe a inclusão de novos ônibus zero-quilômetro a diesel. A cidade tinha 219 elétricos, incluindo trólebus. |
| 2024 | O ano termina com 502 ônibus elétricos em operação, abaixo da meta anunciada. |
| Janeiro de 2025 | Total informado chega a 629 elétricos. |
| Setembro de 2025 | Frota alcança 961 elétricos. |
| Novembro de 2025 | Prefeitura apresenta o milésimo ônibus elétrico; total informado chega a 1.009. |
| Março de 2026 | Contagem sobe para 1.259 elétricos. |
| Junho de 2026 | Apresentação de 500 ônibus leva o total informado a 1.759. |
| 30 de setembro de 2026 | Apresentação anunciada de mais 250 veículos projeta a frota em 2.009 elétricos. |
O superarticulado escolhido para a marca de 2 mil
O ônibus da Via Sudeste escolhido para representar o número 2 mil é importante também pelo porte. Com 21,5 metros, o superarticulado foi desenvolvido para transportar mais passageiros por viagem do que um ônibus convencional, atendendo à necessidade de eletrificar linhas de maior demanda.
O modelo E-Bus reúne o trabalho de diferentes fabricantes. A Eletra desenvolve e integra a tração elétrica; a Caio fornece a carroceria; e a plataforma é da Mercedes-Benz. A Via Sudeste já vinha recebendo ônibus articulados elétricos de 21,5 metros da Eletra para incorporação gradual à operação paulistana.
| Característica | E-Bus de 21,5 metros |
|---|---|
| Operadora do veículo número 2 mil | Via Sudeste |
| Categoria | Superarticulado elétrico a bateria |
| Comprimento | 21,5 metros |
| Tecnologia de tração | Eletra |
| Plataforma | Mercedes-Benz O 500 UDA |
| Carroceria | Caio eMillennium |
| Configuração catalogada | Piso baixo |
| Capacidade de referência | 143 passageiros |
| Autonomia de referência | Até 180 quilômetros |
A capacidade e a autonomia apresentadas na tabela são referências publicadas para o E-Bus articulado de 21,5 metros. A configuração homologada especificamente para a unidade da Via Sudeste deverá ser confirmada na apresentação de quarta-feira. A autonomia efetiva de um ônibus elétrico varia conforme lotação, percurso, relevo, condições de trânsito e uso de equipamentos como o ar-condicionado.
O que os 2 mil veículos representam para o passageiro
A substituição de ônibus a diesel por elétricos reduz as emissões locais de poluentes pelo sistema de propulsão e o ruído durante a circulação. Em veículos de grande capacidade, a troca pode levar essas características a linhas que transportam muitos passageiros diariamente.
O benefício, entretanto, depende da operação depois da entrega. É preciso que os veículos entrem nas linhas previstas, cumpram a programação e tenham condições de recarga e manutenção para permanecer disponíveis. O número apresentado em uma cerimônia é um marco de incorporação; a qualidade do serviço deve ser acompanhada nas ruas.
No balanço referente aos 1.759 ônibus elétricos, a Prefeitura estimou uma redução anual de aproximadamente 57 milhões de litros de diesel e de 130 mil toneladas de dióxido de carbono. São estimativas municipais para aquela composição de frota, anteriores ao lote anunciado para quarta-feira.
A chegada projetada a 2.009 ônibus confirma que a eletrificação ganhou escala em São Paulo. Ao mesmo tempo, os 591 veículos que ainda separariam a cidade da antiga meta mostram que o marco de 2 mil não encerra a cobrança pelo compromisso anunciado para 2024.
A história da Eletra, fabricante brasileira do veículo número 2 mil
A Eletra foi fundada em 1999 em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Naquele ano, desenvolveu um ônibus híbrido elétrico com tecnologia nacional. A experiência com veículos elétricos e híbridos ligados ao Corredor ABD ajudou a formar uma base de engenharia voltada às exigências do transporte coletivo brasileiro.
Com o tempo, a fabricante ampliou sua atuação para trólebus, ônibus integralmente movidos a bateria e projetos de conversão de veículos para tração elétrica. A operação do Corredor ABD faz parte dessa trajetória industrial, mas seus ônibus metropolitanos não integram a contagem dos veículos municipais administrados pela SPTrans.
A Eletra tornou-se uma das principais fornecedoras do mercado brasileiro. No primeiro semestre de 2026, a combinação Eletra/Caio liderou os emplacamentos nacionais de ônibus elétricos, com 224 unidades e participação de 38%. No acumulado de janeiro a agosto, a parceria apareceu em segundo lugar, com 275 veículos, atrás das 301 unidades da BYD. Portanto, a posição de liderança varia conforme o período considerado.
A presença de um Eletra/Caio/Mercedes-Benz no marco paulistano de 2 mil ônibus reúne diferentes etapas dessa história: a experiência brasileira com tração elétrica, a produção industrial no ABC e a necessidade atual de atender linhas de grande demanda com veículos a bateria. Setenta e sete anos após a primeira viagem de trólebus entre a Aclimação e o Centro, São Paulo se aproxima de uma frota elétrica de escala inédita no país, embora ainda esteja abaixo da quantidade prometida para dezembro de 2024.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Aceleraria se as empresas optassem por outras tecnologias inclusive o biometano que não precisa nerfar os bancos do veículo, igual acontece atualmente prejudicando o passageiro com menos espaço interno na versão padron.
Percebo a boa vontade da Prefeitura de São Paulo em renovar a frota, trocar ônibus poluentes por ônibus não-poluentes.
Porém, nem tudo são flores: Operadoras do sub-sistema alimentador local como a Pêssego Transportes, insistem em manter a frota velha, com ônibus caindo aos pedaços, com bem mais de 10 anos de uso, como os mini e midi ônibus que operam nas linhas 3766-10, 3027-10, 342C-10, 3741-10, 3020-10 e tantas outras linhas. Os poucos ônibus elétricos da operadora, apenas operam em linhas ‘cargueiras’ como a 3721-10 e ramal, demonstrando a filosofia populista e exploradora do sistema que a Pêssego Transportes segue.
Sempre vai haver nos blogs, páginas e grupos de redes socias especializadas em transporte que ainda por cima, vêm defender o indefensável, dizendo que a “Enel não prepara o sistema elétrico nas garagens” e utilizam brechas no RESAM para manterem frota velha e sucateada. Ônibus sem a devida manutenção barulhentos, outros que vazam a água do ar condicionado em cima dos passageiros, e a SPTrans, a OGM, e o Ministério Público de SP fazem vistas grossas devido ao fato dos investidores da cooperativa serem alinhados com a mesma visão política e ideológica.
Transporte não pode ser planejado, gestado e operado com ideologismo político!
Transporte não pode ser visto como um sistema onde “lugar mais populoso” merece maior atenção, até porque, locais preteridos pela SPTrans e pela opeadora em epígrafe também são populosos e aí jogam a culta toda no metrô e na CPTM, mas… para se chegar no sistema de alta capacidade, o paulistano precisa usar o de pequena e média capacidade, e este precisa ser de qualidade e não direcionado apenas para massas alinhas politicamente com a esquerda.
Mas o que mais preocupa são as vistas grossas do Ministério Publico de SP, que sabe dos problemas e não faz nada, vive indeferindo representações de cidadãos e ONGs que relatam este defencionismo absurdo da SPTrans em favor da Pêssego Transportes.
Quem paga é o passageiro.
Somente faltou falar do viale trocado dianteiro, que operou no expresso Tiradentes….